quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Qual o melhor e-reader?

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Sem qualquer dúvida esta é a pergunta mais freqüente para quem vai iniciar na literatura digital, mas como tudo na vida, não é simples; a realidade é que não há um e-reader com características perfeitas para todos e a resposta é dependente da necessidade do leitor. O que diferencia o e-reader é a tela e-ink que não produz luz, é um recurso que aumenta o conforto para ler livros, mas no geral é pior para todo o resto, assim o e-reader por óbvio que seja, é o aparelho para quem quer ler livros, e apenas para isso. Ao longo dos anos foram lançados diversos e-readers, com características e capacidades diferentes. Atualmente temos três linhas de equipamento em venda regular no Brasil, todos aparelhos ligados a livrarias, importados como meio de venda de livros digitais, pois assim como é o papel para o livro físico o é o e-reader para o ebook. As opções para o  brasileiro são os Kobos da livraria de mesmo nome vinculado à Livraria Cultura, o Kindle vinculado à Amazon, e o mais recente é o Bookeen Cybook revendido com o nome de Lev pela Saraiva e com recursos limitados em relação ao original, que permite múltiplos dicionários.

Minha intenção no momento não é discutir as opções de aparelhos à venda, mas dos recursos que existem ou já existiram no e-reader, é óbvio que aparelhos mais baratos tem menos recursos que os mais caros, mas até hoje nunca encontrei um e-reader que seja ruim para ler, quem quer conforto para ler livros digitais encontrará em todos os aparelhos com tela e-ink; e como é natural, aparelhos mais caros terão mais recursos, a mais óbvia diferença hoje em termos de preço são os aparelhos com e sem luzes embutidas para ler no escuro, nos aparelhos que não tem luz, mais baratos, é possível ler muito bem como em um livro de papel que não vem com luz, mas nos aparelhos com o dispositivo de iluminação é possível ler no escuro, não como um tablet, mas com o conforto do papel.

Tela - A maioria das telas de e-reader tem 6 polegadas, à primeira vista, para quem nunca leu em e-reader, só em papel, pode parecer pequena, mas é o compromisso ideal entre portabilidade e conforto de leitura, a Kobo já vendeu no Brasil o seu modelo pocket com tela de cinco polegadas, extremamente portátil e por incrível que pareça confortável para ler, já usei emprestado e gostei, assim como já havia testado o Sony Reader PRS-300 com o mesmo tamanho de tela mas um pouco maior. Existem e existiram modelos com telas maiores, a Amazon já vendeu o Kindle DX com tela de 9,7 polegadas, já brinquei com o iRex 1000 de tela 10,2” é muito bom para ler, mas para quem está acostumado com o e-reader de 6” parece um trambolho e não é prático para levar consigo, seria um aparelho para ler em casa. A Kobo vende no Brasil o Aura HD com tela ligeiramente maior (6,8”) e de alta definição1440x1080. A maioria das telas começaram com definição de 800x600 o que só em preto e branco dá uma ótima resolução e lê-se com todo conforto, com o tempo a tecnologia das telas melhorou e aumentou a definição e o índice de contraste, a diferença entre o preto e o branco, as telas atuais de 6” tem cerca de 1024 x 750 pixels, se colocar uma tela mais nova ao lado de uma mais antiga verá diferença, mas ambas são boas para ler.

Uma coisa que falam muito seria uma tela tipo e-ink colorida, o problema aí é que na atual resolução a tela colorida iria degradar sua capacidade de texto em preto e branco, não é uma questão trivial, para ter cores em e-ink é preciso um sistema CMYK, ou seja, a resolução da tela atual em preto e branco seria reduzida por quatro! Pois além do pixel preto e branco seria necessário um ciano, um magenta e um amarelo. A pergunta é: assim como a prensa de tipos móveis, qual a limitação do e-reader? Para quem lê livros exclusivos de texto, não faz diferença, mas para fotos e gráficos coloridos a atual tela monocromática não serve. Vale um leitor limitado aos livros de texto? Folgo em dizer que vale, mas apenas para quem lê.

Outro ponto que podemos incluir no item, mas tem mais em comum com o método de entrada de comandos é a tela sensível ao toque, presente ou ausente, e em diversas tecnologias. Na minha opinião a tela sensível é prática, facilita abrir a definição de dicionário e digitar texto em uma anotação ou até rabiscar a página do livro como um livro de papel no meu Sony PRS-600, nos e-readers sem tela sensível, é um pouco mais complicado digitar texto, pois deve-se escolher as letras com um cursor, o Kindle keyboard tem um teclado físico para isso, é prático mas aumenta o tamanho do aparelho, mas o que é vantagem é o botão físico para mudar a página, meu Sony tem ambas as possibilidades, mudar a página tocando a tela ou no botão específico, uso o botão, no meu Kindle Touch só tenho a opção de tocar a tela, não chega a ser problema, mas o botão é melhor.

Já vi quatro tecnologias de tela sensível: resistiva no meu Sony, infravermelho no meu kindle, caneta tipo Wacon no iRex e a tela capacitiva mais em moda. Fala-se muito na vantagem da tela capacitiva mais sensível ao dedo, mas ela tem baixíssima resolução, cerca de 3mm, quem consegue digitar texto nestes celulares com tela 3”? É um suplício, mesmo com o uso de uma caneta stylus, a tela precisa de um contato condutor com cerca de 3mm. A tela resistiva mais antiga é pouco sensível ao dedo pois precisa da pressão localizada, normalmente usa-se um stylus que é uma mera ponta fina plástica que funciona muito bem e dá ótima definição, no meu Sony eu rabisco a página do livro como fosse papel, aliás, melhor que papel, pois ao aperto de um botão o vandalismo desaparece, eu que nunca tive o hábito de rabiscar livros pois acho que vicia uma segunda leitura, achei fantástico e passei a rabiscar as páginas sem o menor pudor e tenho dificuldades de abandonar o antigo Sony por conta deste recurso. A tela de infravermelho do meu kindle faz seu trabalho, mas qualquer toque na tela vira a página e não é muito sensível, mas permite-me usar o aparelho em um saco estanque para ler na praia, o que a tela capacitiva não permite. Em minha opinião para o e-reader a tela resistiva com stylus é mais prática, principalmente com o software da Sony que permite rabiscar a página do livro, a tela tipo Wacon é até melhor, resolução de 0,3mm, mas é mais cara e gasta mais bateria e o stylus tem que ser específico.

Método de entrada – Já falei das telas sensíveis, e nos e-reader temos botões direcionais e teclado, além lógico, de um e-reader poder ter todos, tela sensível e botões, caso do Sony, acho que botões de mudança de página são bem vindos, mesmo nas telas sensíveis, caso do Nook que foi vendido pela Barnes&Noble.

Sistema operacional – Um e-reader é um computador, e como todos tem um sistema operacional, na maioria ele fica oculto sob o software leitor, o usuário não tem acesso, em todos que vi é uma versão de linux. O que se discute é se deve-se ter um sistema operacional que permita instalar programas, já existe e-reader com Android, mas o que instalar em um sistema tão restrito? A própria tela e-ink limita bem as coisas, qualquer animação vai exaurir a bateria muito rapidamente, fora todo tipo de incompatibilidade. Um e-reader dedicado, assim como um liquidificador, é um aparelho para uma função, ler livros, você não vai digitar texto no liquidificador, e muito menos ver vídeos no e-reader, assim o melhor é um sistema “redondo” e que consuma o menos de recursos do sistema e bateria em conjunto com o software leitor. Mas acho que o software, assim como o hardware deve ser transparente para quem quiser auditar o aparelho ou modifica-lo, simples questão de direitos.

Software leitor – Aqui é onde existe maior diferença, a primeira e maior são os formatos de ebook capazes de serem lidos, os da Amazon não lêem epub, o formato mais comum de ebook, ela tem seu formato próprio: mobi e azw, que além da desvantagem de serem exclusivos, não se tem muita documentação no sentido da criação dos livros. Apesar da maioria dos e-readers ler epub, nem todos o fazem da mesma maneira, assim alguns livros aparecem diferentes e outros nem abrem no aparelho, um grande problema. Outro ponto importante é a capacidade de ler ebook com DRM, o software deve ser capaz de decriptografar o arquivo protegido, o Kindle da Amazon não abre arquivos codificados com DRM da Adobe, o mais comum, e os outros e-readers não lêem os arquivos codificados da Amazon. Acho arquivos travados um desserviço à literatura, pois limita os direitos que um leitor tem ao comprar um livro: emprestar e vender sua cópia.

Outro ponto importantíssimo em um e-reader é a capacidade do leitor colocar seus próprios livros independente de onde foram comprados, ou até pegar livros de domínio público, por mais que os e-reader sejam vendidos por livrarias, nenhuma até agora teve coragem de vender um sistema totalmente fechado, onde o leitor não pode colocar seus próprios livros e documentos, provavelmente o leitor recusaria e compraria um e-reader onde tem liberdade de colocar os próprios livros. Foi anunciado uma espécie de e-reader muito barato, o Txtr Beagle mas que só funcionaria como uma tela leitora de ebooks vinculados a um celular e uma conta de telefone vinculada a um serviço de aluguel de ebooks, ou seja, exclusivo, impossível de carregar seus próprios documentos, não foi para frente. Uma série de e-readers chineses não consegue abrir o Adobe DRM, assim o leitor fica impossibilitado de comprar na maioria das lojas que vendem com DRM.

Bateria - Outro ponto importante a considerar é a bateria, com mais ou menos carga, maior ou menor duração dependendo do gasto energético do sistema, no meu Sony ela dura duas semanas, no meu Kindle Touch dois meses, quase todos e-readers à venda tem bateria para cerca de um mês, dependendo do uso, ler PDF que requer um monte de zoom e reposicionamento exaure rapidinho a bateria, tanto que sua duração era dada em número de viradas de página.

Uma coisa importante a pensar sobre as baterias é a possibilidade de trocar uma antiga por uma nova, elevando a longevidade do aparelho e evitando gerar lixo tecnológico que se não for bem dispensado vira um contaminante de incríveis possibilidades no ambiente. As atuais baterias de lítio íon ou lítio polímero, mesmo que não sejam usadas oxidam, e na impossibilidade de reposição deixa um e-reader em perfeito funcionamento inútil. A obsolescência programada ou a falha determinada de um aparelho eletrônico é um assunto que precisa ser seriamente pensado, a cultura do descartável, muito lucrativa para a indústria prova-se deletéria para o ser humano e o ambiente em que vive.

Memória – Cada dia os chips de memória ficam mais baratos, mas por você simplesmente não poder trocar a memória interna, aparelhos com maior memória custam muito mais, é a lógica parecida com o motor de carro, onde quanto maior o buraco, maior a cilindrada e muito maior o preço, paga-se pelo status de um motor mais forte com um buraco maior. Mas há algo que chamam de tendência, mas não é “tendência”, colocar menos memória nos aparelhos e obrigar o usuário a usar a “nuvem”, é apenas uma vigarice tendenciosa para obrigar o usuário a ficar plugado em uma loja ou um serviço. Não é muito mais simples, barato e prático ter um chip de memória no aparelho em vez de precisar de um servidor na internet, conexão e os recursos de wifi ou 3G que como sabemos falham? E alguns dirão que a “nuvem” é melhor pois se perder seu aparelho seus livros estarão salvos na nuvem, desde que usava disquete de 51/4 já havia a palavra backup, mas a “nuvem” é mais segura, é mesmo? Os atuais ataques e perdas de dados provam o contrário. A verdade é que não há boas justificativas para os aparelhos não terem mais memória. Pior ainda são aparelhos como o Kindle que não tem uma entrada para um mísero cartão SD, não é só uma escolha, é uma política contra sua liberdade, a realidade é que tanto em e-readers como tablets e celulares eles não gostam desta idéia do usuário poder compartilhar conteúdo, tanto é assim que os novos sistemas android tem um arquivamento totalmente obscuro para o usuário comum, que não vê um monte de recursos. O android é uma perversão de um sistema aberto e auditável com um kernel de altíssima tecnologia, para conter todos os vícios e obscuridades que existem em um windows aproveitando-se de gente que com as melhores intenções trabalhou de graça para criar um sistema tão bom. Se há brechas legais para apropriar-se de trabalho em GNU, não há justificativas morais, é nojento. Assim, fique esperto com esses sistemas que querem limitar o seu uso e desfrute do aparelho que comprou, ou pior, querem ficar te espionando e vendendo sua vida, seus dados, com sistemas obscuros que relatam não se sabe para quem o que faz na privacidade do seu equipamento. Ter bastante memória e sua biblioteca consigo o tempo todo é barato e prático, uma entrada SD é um diferencial que o consumidor vê na hora da compra, é ao rejeitar os aparelhos que querem limitar sua liberdade que o consumidor protege-se dos planos arbitrários e velados de comerciantes gananciosos ou governos persecutórios.

A tecnologia atingiu uma estabilidade, nos últimos anos vimos poucos avanços no e-reader, mas por quantos anos o papel manteve-se igual? Isso é bom? Claro, o que importa é a literatura, não o papel que a suporta ou o e-reader onde se lê os ebooks, como vimos existem já melhores práticas que poderiam condensar-se em um único aparelho, e a realidade de mercado é que há procura por e-readers “premium” como é o caso do Kobo Aura, qual e-reader para aqueles que preço não faz diferença de tanto dinheiro que tem?  Ou para quem quer um pouco mais de frescura na sua leitura? Poucos, pode parecer irrelevante, mas é nos dispositivos mais caros que aparecem as novas tecnologias, lembrem que o e-reader e-ink era caríssimo, frescura para poucos bolsos, mas foi aí o desenvolvimento da tecnologia que hoje torna a literatura muito mais simples e acessível. Nesta “verve” de e-readers “premium” é que a Kobo lança agora uma versão tipo o Aura, mas à prova d’água, o H2O. Existe os que criam, os que copiam, quem não conhece muito do assunto pode pensar que o Kindle da Amazon foi o pioneiro, mas foi a Sony, que ainda detém o melhor conjunto da tecnologia por ter sido a desenvolvedora, junto com alguns parceiros, da tecnologia que tornou-se popular. É preciso pensar os aparelhos, há boas tecnologias que desapareceram, não por serem desprezíveis, mas por que um marqueteiro teve uma idéia “brilhante”. Afinal, por que usar canetas ou lápis se podemos molhar o dedo no tinteiro...

Alex

2 comentários:

  1. Alex, eu concordo com vc os e-readers antigos ainda servem para leitura, e o e-reader é completamente diferente do tablet. Infelizmente o text to speech não esta mais disponível no novo kindle que era muito bom, a prova dágua particularmente não me atrai, mas que a luz embutida faz uma super diferença pelo menos para mim. É lógico que livros não tinham luz e por isso as vezes não líamos tanto quanto agora, parece engraçado mas sempre li bastante mas mesmo com a lanterninha tinha uma hora que me cansava à noite e desligava o e-reader, mas com a luz embutida é tão perfeito que você nem percebe as horas continua lendo. Meus amigos que trocaram por um com luz: o Glo ou o PW também perceberam isso, a leitura aumenta. Já quando trocamos por um e-reader todos percebem um aumento de leitura, e agora percebi com a luz embutida um aumento também. Outra coisa que citou e que faz falta é a opcão do botão físico no touch, as vezes é tão fácil usar os botões. Mas qualquer que seja seu e-reader um Cool-er a um PW se você quer ler, vc terá um bom dispositivo.
    E para terminar mesmo que não me atraia o LEV pelas limitações da falta de um dicionário em inglês, conheço algumas pessoas que não tinham muito contato com o mundo digital e são assíduos a livraria Saraiva compraram um LEV e estão amando. Isso é bom para a popularização do ebook.
    E viva o e-reader qualquer que seja.

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    1. Oi Marta,

      Eu acho a luz interessante mas muito cara, como já tenho e-readers e quando criança gostava de ler com a lanterna abaixo do cobertor, não vejo necessidade de trocar, ler no escuro com a lanterna parece que faz a experiência da imersão no livro mais intensa, acho que talvez a iluminação do aparelho tenha o mesmo efeito, mas vai custar mais e consumir a bateria do aparelho. Este seu relato de que dá para continuar lendo à noite preocupa-me pois com o livro ou o e-reader leio até o sono me pegar, mas se uso o tablet sua iluminação não deixa o sono vir, é só quando desligo o aparelho que durmo imediatamente de exaustão quando paro de jogar ou ver um filme.

      Quanto ao LEV, que sirva para popularizar os e-readers que por absurdo que seja ainda são desconhecidos, mas quando a propaganda diz que é o aparelho que vem com uma Saraiva é que a coisa me assusta.

      Abraço,
      Alex

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