domingo, 23 de março de 2014

Ferramentas do ofício.

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A nós que já estamos com um e-reader em mãos por anos pode parecer incrível, mas tem muita gente por aí que nunca pousou os olhos em um. Estava na casa de uma amigo e lá também estava um rapaz ao qual ele prestava orientação em alguns processos burocráticos, estávamos conversando sobre a proficiência na língua inglesa, e o rapaz ainda estava afiando suas habilidades, no que argumentei das enormes facilidades para treinar a língua que temos hoje, falei dos programas de leitura de texto que podem ajudar-lhe com a pronúncia, para demonstrar saquei do meu Kindle touch e fui mostrar o recurso de TTS, o rapaz tomou um susto, e foi tão espontâneo que surpreendeu-me, no que toquei a tela para ligar o recurso, a imagem mudou e ele assombrou-se, pensou que aquilo fosse uma capa, pois parecia papel, mas o conteúdo do papel moveu-se, ao que disse: “Nossa, parece papel, não tem brilho, precisa de luz”. E olha que ele tem smartphone, um ipad primeira geração que não pode ser mais “upgraded” além do sistema 5 e ele não mais encontra um programa leitor de PDFs na Apple store para instalar no tablet e assim não consegue ler uma série de documentos.

Às vezes achamos que o trabalho está feito, mas tem muita gente por aí que nem sabe o que é um e-reader, afinal, o aparelhinho só tem propaganda no meio dos leitores contumazes, fora deste meio é um ilustre desconhecido, e a parte que preocupa-me, é que ele é o único que permite a mesma intimidade e concentração do papel. Este mês fiz o teste de ler o mesmo que leio no e-reader no tablet, um Kindle Fire HDX de 7”, impossível! Depois de duas horas meus olhos já estão em fogo, lacrimejando e a imagem começa a ficar toda embaçada, tentei de tudo, diminuir o brilho, usar “night mode”, nada parece resolver. Se o ipad grande é bom para ler PDFs, o tablet de 7” não é, as fontes não fluem e você tem que usar o recurso de zoom e arrasto o tempo todo para ler, coisa que no tablet grande não ocorre, ele tem cores, mas ficar ampliando imagem para ver é péssimo. Tirando o fato de não ter cor, o e-reader de seis polegadas lê PDF com o mesmo desconforto, mas para livros bem formatados nos e-readers o conforto é o mesmo ou até maior que o papel pois o e-reader pesa muito menos.

Acho que vale ver a coisa de perto, peguei uma lupa e fotografei as letras nos vários meios, todas são aparentemente do mesmo tamanho, pelo menos no quesito visual, vejam:

Livro


Revista papel brilhante


Kindle Touch


Kindle Fire HDX 7”
 


A lupa tem fonte de iluminação, sem a qual as fotos do livro, revista e Kindle touch não poderiam ser feitas, já a foto do Kindle fire HDX pode ser feita sem luz, mas ela foi mantida ligada para efeito de comparação. O que vocês acham? Há diferenças?

Mas não só ao aparelho restringe-se a literatura eletrônica, devemos também pensar nos sistemas operacionais e nos formatos de ebook disponíveis. Ao contrário do livro de papel onde o texto já lá está, o ebook é um arquivo codificado, e para isso é necessário um software de decodificação, que já está embutido nos e-readers, mas como sabem, uns lêem um formato outros lêem outros e vários formatos ainda sofrem uma nova camada de código criptografado para evitar cópias do ebook. E esses programas de leitura ainda precisam de um sistema operacional, que no caso do e-readers é uma versão invisível de Linux e nos tablets e smartphones é ios ou android, que também tem alma linux mas foi pervertido para não ser livre e transparente.

Para encurtar uma conversa longa, o fato é que tenho centenas de joguinhos, vários muito legais, X-Com, Master of Orion, Civilization, Flight Unlimited 1, lindos em sua caixas enormes, que era o padrão da época, e não posso jogar nenhum, pois não tenho máquina que rode, as máquinas novas não aceitam drivers antigos, e os sistemas operacionais novos não rodam os jogos antigos. Se isso já é uma desgraça nos jogos, imagina nos livros! Li e leio com gosto livros que pertenceram a meus pais mesmo antes de eu nascer, mas joguinhos de quinze anos atrás viraram lixo, esses jogos rodavam em máquinas de 133mhz, ou 500mhz, meu tablet tem quatro vezes isso e não roda um jogo que preste! Nenhum se compara aos antigos, e pior, os jogos ficam esmolando recomendações, propaganda, ratings, dinheiro e os seus amigos! Isso é irritante! Prefiro escolher com cuidado meus jogos, pagar os vinte ou trinta dólares e jogar sem alguém ficar enchendo-me o saco, mandando mensagens no sistema de que haverá uma nova campanha e pior de tudo, ficar comendo parte da minha memória e processamento o tempo todo, mesmo quando não jogo! Se o Windows é um sistema lixo, o Android é a perversão do Linux com o mesmo vício, deixar coisas rodando na memória e fazendo sabe-se lá o que, isso é estúpido, irracional, gasta energia e tapeia o consumidor, se é que não faz coisa pior, mas para saber só com transparência e conhecimento, coisa fora do escopo da filosofia do Android, e muito menos do ios.

A internet só funciona pois há um protocolo padrão, e assim as páginas são vistas pela maioria dos browsers, a Microsoft tentou tomar conta do código de internet com as particularidades de código do Frontpage, por sorte o programa era tão ruim que deram-se mal, mas o mesmo ocorre com o Google e o Android, e precisamos ficar atentos aos livros, não comprar de jeito nenhum livros em formato proprietário que não possam ser convertidos, pois no futuro, apesar de ter comprado seus livros ficará impossibilitado de ler, assim como não posso jogar meus joguinhos, e ninguém poderá fazer nada por ti.

Alex

4 comentários:

  1. Isso é verdade! Antes eu comprava mais ebooks na iBookstore, mas de uns tempos para cá tenho me freado, mesmo quando o preço está muito bom. Não tentei ainda, mas acho que não consigo facilmente ler os livros comprados para iBooks no Tolino, que é um sistema aberto, mas é baseado no Android. Eu me afastei por muito tempo quase por completo de questões técnicas, criei ojeriza a tudo o que dizia respeito a certos programas, começavam a falar desses temas e eu mudava de assunto, mas sendo formada na área e por ser freqüentemente perguntada e forçada a 'saber do que está rolando', pelo menos a ter uma noção, não fui muito feliz na tentativa de esquecimento. Pois bem, aqui temos um monte de jogos do passado e outros programas que não podemos mais rodar e seria muito triste, uma catástrofe!, se isso ocorresse com meus livros no futuro, mas é um cenário muito provável. A propósito: escrevi um post com um pouco da minha experiência com os dois dispositivos. Se for para aconselhar alguém a comprar um deles, entre um iPad e um e-reader, aconselharei sempre compra de um e-reader, sem pestanejar, e o se o sistema for aberto, como o do Tolino, muito melhor. Um abraço! Eis o link para o post: http://bluemaedelle.blogspot.de/2014/03/tablets-e-readers-livros-muitos-livros.html

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    1. Oi Helena,

      Essa questão na liberdade dos ebooks é fundamental para que o livro ainda seja o livro, é ridículo aceitar menos direitos nos ebooks do que tínhamos nos de papel, não é negociável, tecnologia não pode vir para tolher direitos. E isso quem vai determinar é o leitor, negando-se a comprar livros travados é que este sistema vai morrer, portanto precisamos alertar que os livros que compra no iBooks não são seus, e que se algo mudar no futuro, perderá tudo, todo o seu investimento virando lixo.

      Fiquei curioso com o Tolino, você disse no seu texto que ele é Android, mas é Android mesmo? O meu Kindle HDX é compatível com Android, mas como é um fork, não pode ser oficialmente chamado de Android, o contrato proíbe que os Forks sejam assim nomeados, já meu Kindle Touch é um kernel linux que está por baixo da saia do sistema, como o Android, mas é outra coisa. Mesmo o Kobo, que também tem coração linux, não é aberto. Como funciona isso no Tolino? Dá para instalar programas do Android? Qual versão?

      Abraço,
      Alex

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    2. Olá, Alex. Escrevi um comentário e na hora de salvar não foi. Vamos tentar de novo: Bom, tentarei responder rapidamente à sua pergunta, infelizmente não posso me aprofundar pois ainda não tive interesse de explorar todas as funções do aparelho, costumo baixar os e-books no meu computador e então passo para o e-reader através de um USB, faço isso por segurança e por achar mais prático. Na especificação técnica aparece: "Sistema operacional Android aberto funcionando com o tolino App e Google Play Store. Processador: 800 MHz Cortex A6, 128 MB RAM 
para até 2.000 livros e pode ser ampliando por Micro SD”. Eu nunca usei o Google Play e não sei se posso instalar outros Apps no aparelho além do Tolino App. Sei que posso comprar livros e usar o Cloud da Telecom, mas eu não tenho esse serviço, aliás nunca gostei da idéia do Cloud. Posso comprar ebooks em várias lojas virtuais daqui, usando um sistema de pagamento via cartões pré-pagos, como no iBookstore, mas por enquanto não penso em testar essa função no Tolino (tenho já muitos livros gratuitos para ler). Há uma conexão facilitada com o facebook, mas essa eu fiz questão de ignorar he he he... Eis aqui o endereço da página com as especificações técnicas. O meu é o Tolino Shine, modelo mais simples. Abraço! http://www.thalia.de/shop/ereader-tolino-vergleich/show/

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  2. Alex, este ano ganhei um ipad mini e comecei a ler nele até que a tela de retina é menos cansativa, mas ainda o e-reader é superior. O que atualmente me faz ler num tablet é o serviço de apenas 9 dólares por mês no Scribd e você pode ler quantos livros que quiser no mês e estou encontrando bons livros neste "Netflix" de livros. Como você disse encontro muitas pessoas ainda que não conhece o e-reader e sempre falo dele, coloco no meu face sobre o Kobo em promoção e quando o kindle entra em promoção também assim muito dos meus amigos estão adquirindo o e-reader. Creio como vc que o e-reader proporciona uma leitura mais democrática com a possibilidade de ler muito mais e gastar muito menos. Vejo isso com dois grupos que participo sobre ebooks e e-readers, e o que acho interessante agora a Kobo vire e mexe dá cupons com até 75% de desconto em ebooks, e a Amazon americana todo dia com livros por 1, 99 dólares, e a Amazon brasileira toda sexta com alguns ebooks por 9 reais, bons livros as vezes, isto vai acelerar o ebook no Brasil tornando uma realidade aqui e quem sabe num futuro próximo sejamos um país de leitores. Estamos fazendo nossa parte. Boas leituras :)

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