segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A revolução cultural do e-reader.

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*Este é mais um dos longos, para ler no e-reader sugiro o GrabMyBooks

Para aqueles que já viveram um pouco mais, ainda tem memória e relembram o passado, a tecnologia invariavelmente mudou nossa rotina, telefonia móvel era coisa de super espião, escondida nos sapatofones; você retirava dinheiro na sua agência bancária, onde a caixa podia pegar o cheque e conferir sua assinatura com a de uma ficha; escrevíamos cartas para falar com nossos entes distantes, colocávamos em um envelope lacrado e com um selo colado, para indicar que pagamos a taxa de seu transporte, e lá ia por mar e terra até semanas ou meses depois chegar a seu destino; diante de tudo isso o e-reader é apenas mais uma, e em vez de esperar que um livro seja impresso, distribuído atravessando mar e terra, adquirido na livraria, só para depois ser lido, compramos ou baixamos da internet de forma instantânea, às vezes até diretamente do próprio autor sem intermediários; ninguém reclama de precisar de um computador, celular ou tablet para ler e-mails, não vi ainda ninguém reclamar que sente falta do cheiro do papel ou do perfume e da demora em chegar das cartas, e-mail é simplesmente mais prático, e mesmo quem queira escrever como se escrevia nas cartas, o e-mail aceita, mas não sei por qual ironia do destino a escrita das cartas condensou-se ao imediatismo do telegrama, que era contado por palavras para ter o seu valor, hoje um texto grande ou pequeno custa o mesmo no e-mail, e chega igualmente rápido. Sinceramente, não vi qualquer movimento contra e-mails, celulares, cartões de banco e todo o resto, mas o e-reader é tabu, fere uma lógica de materialismo do conhecimento, traz um acesso nunca antes imaginado aos conteúdos culturais, adotar um e-reader não é questão de ideologia, ele é simplesmente mais prático e igualmente confortável, como o livro de papel, a literatura nada perde, a cultura nada perde, muito ao contrário, ganha.

Deve-se perguntar o que o e-reader muda para entender o motivo de ser tão combatido, e muda apenas uma coisa, torna o livro acessível! Ninguém teve problemas com a leitura em tela de computador pois ela é impraticável, pode ser feito, mas é um suplício, tablets também não são tão combatidos, eles fazem outras coisas além de ler, e funcionam mal para leitura! Tudo que o e-reader faz é servir para ler muito bem, e justamente por isso é tão combatido, ele é o livro, todos os livros, que gradualmente eram suprimidos de sua importância e vida social. O modernismo acéfalo desprezou a cultura, e essa parte podre do modernismo é a única representada no que chamam pós-modernismo, uma literatura que guia-se pela ignorância e imbecilidade, o historicismo criando seus frutos de mediocridade, seus dogmas mais rígidos que os antigos. O acesso irrestrito ao conhecimento aos poucos está desmascarando as fraudes, aqueles que se diziam sábios, mas não são; os Anytus e Meletus encarregam-se de acusar este simples aparelhinho de blasfêmia, e apesar de ser capaz de carregar cultura, conhecimento e literatura, muitas de qualidade e gratuitas, pode corromper os jovens. Seus acusadores pedem a morte, pois é justamente a cultura antiga e desprezada pela parte podre do modernismo que está gratuita, livre de acesso pago que restringe seu conhecimento aos de posses. As máscaras caem, sábios mostram-se tolos, professores doutrinadores e humanistas monstros que odeiam e querem a destruição de tudo que existe de bom e nobre na alma humana.

Ao mesmo tempo que a falta de acesso a livros era uma barreira, também é uma boa desculpa para os que escolheram a ignorância e uma boa defesa a quem escolheu falsificar a sapiência. Eis que com a queda das barreiras o homem inferior não tem mais esconderijo, aquele que não encara um texto mais longo mostra seus aleijões intelectuais auto-impostos, é um deformado por escolha, um jumento de profissão. Cabe agora uma boa revolução cultural, aquela que sob este nome queimou livros e pessoas, pois estes tinham a verdade: “queimem o e-reader! Acabem com este aparelho profano!”, dizem, pois mostra que sob a bandeira da grande bondade encontra-se apenas perfídia e maldade. “Aparelhinho herege”.

As coisas mudam, a sociedade muda, mas a alma humana muito pouco, menos ainda nossos genes, a civilização mudou mais rápido que o conteúdo do núcleo celular, programado para a terra selvagem. Quem prega o futuro sem passado advoga pela destruição do homem, a cultura sem passado é apenas ignorância, irrelevância. De pequenas tribos nômades para mega-sociedades complexas algo mudou, não nossos genes, que foram programados para viver em grupos pequenos, mas à sua revelia vivem em sociedades ultra complexas em constante mudança. Se não há herança genética que de conta do recado, há a herança cultural, é ela que nos situa neste clima inóspito a nossos corpos e mentes, é ela que tenta formatar esta realidade ao contorno minimamente humano.

Política é fundamentalmente a interação do homem com outros homens, e isso dá-se naturalmente, tanto que a palavra veio das cidades antigas que congregavam pessoas, pois política, queira ou não é o que todos fazemos, mas na polis ateniense cada cidadão tinha sua voz, nem todos eram cidadãos, mulheres e escravos nem eram considerados; foi aí que nasceu o embrião democrático, diferente de como organizou-se a oligarquia espartana. A política ateniense era praticada por todos os cidadãos na forma da argumentação, tanto que professores eram contratados para educar o povo, os primeiros classe média “assalariados”, que não tinham terras nem posses mas tinham conhecimento, e é isso que comerciavam, e como hoje, existiam os grandes como Sócrates e os medíocres denominados genericamente sofistas, que em vez de entrar no diálogo frontal e livre de subterfúgios, construíram diversas armadilhas dialéticas com o intuído de fugir à argumentação objetiva. Bom, para ser exato Sócrates nem poderia ser um “professor” pois tinha lá suas poucas posses, mas era um velho feio e chato que andava a questionar as pessoas e atrair aos jovens com seus ensinamentos, não era exatamente um sofista, mas eles o consideravam um concorrente, e o cara era bom, por isso o odiavam, tanto que “democraticamente” tramaram a sua morte ou exílio, creio que os sofistas não podiam votar pois nem eram atenienses, mas influenciavam os votantes, eram seus professores. É interessante notar que foi já nessa época que surgiu a figura do demagogo, que falava o que o povo queria ouvir e usava este poder na assembléia para assumir o poder e governar de forma ditatorial, aqueles que usam a democracia contra a própria democracia, parece-lhe familiar? Abra os jornais de hoje...  Os atenienses cresceram nas artes, nas ciências, pois são disciplinas que florescem da livre circulação de idéias, já Esparta fortificou-se na arte da guerra, pois soldados bem treinados e ignorantes é tudo que a destruição precisa. Esparta ganhou a guerra, mas o espírito de Atenas vive até hoje.

Dizem que no início da formação das assembléias Atenas tinha cerca de quatrocentas mil pessoas, sendo que destes uns noventa mil eram considerados cidadãos com direito de voz e voto nas assembléias, estabeleceu-se a igualdade perante às leis e o direito à fala de todos, as assembléias aconteciam mensalmente e precisava de um quorum mínimo de seis mil cidadãos educados. A educação era necessária, como alguém poderia debater na assembléia sem educação, sem saber do que se fala, sem saber como falar? É educação parte fundamental da democracia, e se esta aparente divergência de opiniões pesou para o lado de Esparta e a liga do peloponeso, foi também ela a fonte da resistência ao governo tirânico imposto pelos conquistadores, mesmo que sem o antigo esplendor, práticas democráticas voltaram a ser utilizadas.

A antiga Atenas com todo seu esplendor tinha apenas quatrocentas mil pessoas, cerca da metade eram estrangeiros residentes, outro quarto mulheres sem direito a voto e noventa mil eleitores, legisladores e oradores. São Paulo tem quase doze milhões de pessoas, e o Brasil quase duzentos milhões, será que temos uma sociedade mais complexa do que Atenas? Por óbvio que sim, e exercer a democracia em um meio social tão complexo exige muito mais educação. Geneticamente o homem foi programado para interagir politicamente com quem ele encontra-se, que eram as pessoas de seu grupo, pessoas que vê todo dia e conhece, mas estas mega-sociedades pedem que o morador do Oiapoque opine sobre a vida do cidadão do Chuí, distando mais de quatro mil quilômetros um do outro, e todas as cidades no meio; isso só para dar a dimensão do problema. A democracia é o único sistema que permite a auto-crítica e o aperfeiçoamento, nossa democracia não é a mesma de Atenas, nem a mesma de outros países contemporâneos, inclusive uns até tem a cara de pau de chamar a mais nojenta ditadura de democracia. Democracia por não estar codificada nos genes necessita de educação, ninguém nasce democrático, aprende, e aprende pois é a maneira que melhor encontramos para dirimir os conflitos, democracia não é um dogma rígido, e qualquer um que queira impor democracia como dogma fechado é por natureza um não democrata; esta mutabilidade que permite o aperfeiçoamento torna ainda mais exigente o nível educacional para viver em uma sociedade democrática, pois sob este manto também vivem os piores ditadores, cabe ao cidadão o discernimento para diferenciar um de outro e evitar a praga dos demagogos.

De todas as pragas que empesteiam as culturas democráticas, hoje temos mais uma, que é a democracia representativa, pois os representantes não representam ninguém além de seus próprios umbigos, são todos demagogos por natureza e hipócritas, mentem desavergonhadamente em suas campanhas eleitorais e o povo que lhe emprestou o voto não pode tirar quando traído, se existe uma democracia representativa, quando representantes não representam não há democracia! E na próxima legislatura, mesmo que os antigos hipócritas não sejam votados, novos assumem os cargos e novamente mentem e o povo não tem como retirar a confiança do voto que foi quebrada. Se queremos democracia de verdade, no momento exato em que um político profissional quebra sua promessa com o cidadão, é necessário que o cidadão possa retirar o voto, pois este não mais o representa, e já temos condições de fazer isso! A tecnologia já permite, é só querer, pois a nossa democracia virou a mais pura demagogia.

Democracia precisa de educação, educação precisa de argumentação, e argumentação necessita da liberdade de expressão para que todos os argumentos tenham chance de aparecer; sociedades complexas precisam de educação e argumentação capaz de lidar com todos os múltiplos aspectos da vida em sociedade. Há espaço na rua para esta argumentação ocorrer? Não! Por maior que seja o movimento ele não reúne qualquer porcentagem significativa de uma mega-sociedade, e o que é pior, não há espaço para a argumentação complexa, você pode gritar umas palavras de ordem, umas palavrinhas em um cartaz, mas isso não dá conta de qualquer argumentação de base lógica, muito menos as complexas. Há toda uma mística da voz das ruas, aparece na TV, mas democraticamente falando representam apenas o peido da mosca do cavalo do bandido, é apenas uma violência, mostrar que uma pequena parcela do povo tem condições de ir às vias de fato. Hoje a verdadeira manifestação democrática encontra-se na internet, é aqui que temos condições de desenvolver temas complexos sem ser obrigados à leviandade que sempre produz distorções grosseiras e ignorância. Parte da vida social hoje acontece na internet, e ela é um meio mais capaz de conduzir uma argumentação em mega-sociedades.

Como vocês viram na Grécia antiga os demagogos usavam a democracia para impor a ditadura, mas a fundação democrática, ou a possibilidade de pessoas com idéias divergentes viverem em paz formou a base de um sistema político que permitiu o crescimento dos estados, isso culminou com o império romano. Antes os vencidos na guerra eram aniquilados, sua cultura destruída e seus costumes proscritos, gerando muita revolta, em dado momento grandes impérios implodiam por conflitos internos, Alexandre muito bem instruído percebeu essa força e o império macedônico tornou-se o maior de seu tempo. Os herdeiros do filho da loba, ao deporem sua monarquia, além do conceito de democracia criaram a cultura da “res publica” que mais que a vontade do cidadão, disciplinam como um governo deve agir para o bem do povo. Funcionou em parte, mas, lembra dos demagogos, aqueles que usavam da democracia para instituir a ditadura, também estavam presentes cuidando para que a república romana virasse o império romano. Roma também precisava de educação, informação, discute-se ainda hoje as causas da queda do império, e muitos creditam exclusivamente às invasões bárbaras, como meus antigos e míopes livros de história da era do colégio, mas foi um processo mais longo e lento de degradação das instituições, os bárbaros apenas deram a machadada final. Nas estradas é que circulava o conhecimento e a estrutura de Roma, as estradas eram a internet do império romano, a desestabilização da rede de estradas acabou de vez com as instituições, e assim tiranetes locais e usurpadores bárbaros, além de esfacelar o império, regrediram a humanidade literalmente à barbárie. Toda esta horda de ditadores e seus familiares formou o que no futuro chamou-se aristocracia moderna. A igreja ajudou a consolidar o poder desta aristocracia creditando-lhes um direito divino à tirania, aristocracia significa “os melhores” na acepção dos gregos, estes tais melhores o eram por direito de nascença, por direito divino, não eram confrontados, não podiam ser desafiados.

Democracia precisa de liberdade de expressão, vem antes do voto, pois seu cerne é a argumentação, que só acontece em terrenos verdadeiros se há liberdade, veja os supostos “melhores”, os aristocratas, além de impedirem a educação para o povo, nunca podiam ser confrontados por não aristocratas, uma fuga clara da argumentação honesta. Como é a argumentação que fomenta a educação de verdade e o avanço do conhecimento, com um ente pregador dogmático que não favorece a livre expressão, a deterioração das estradas e aristocráticos tiranetes que escravizam o povo em seus feudos, as idéias gregas foram esquecidas, desapareceram do imaginário popular e assim amargamos um milênio negro. O fim da escuridão veio com uma tecnologia que tornava o conhecimento mais acessível: a prensa de Gutenberg, foi com ela que as idéias gregas voltaram a circular, mas muitos não gostaram, e por mais que os livros ainda fossem caros, uma pequena burguesia composta de plebeus comerciantes e artesãos começou a desafiar a aristocracia imposta e com suas posses adquirir conhecimento.

Note que a aristocracia era definida por uma linhagem sanguínea, um plebeu, mesmo rico, nunca poderia ser um aristocrata, foi a educação de verdade que fez a diferença, a burguesia “ascendeu de classe”, apesar da aristocracia considerar-se um clube fechado, que por ironia do destino veio a apodrecer seus genes com excessivos casamentos consangüíneos. A genética aristocrata é hoje cheia de bombas genéticas, inferior à plebe que não limitou seus genes.

Rousseau apregoou os vícios dos aristocratas e da burguesia, mas creditou-os à educação. Que estupidez! Mas muitos inspiraram-se em seus escritos, os que sentavam-se à esquerda do presidente do parlamento francês, era uma briga por poder, e é necessário notar que do lado esquerdo também sentavam-se republicanos. Parte dos assentos da esquerda era dos socialistas, que pautados pela existência das classes sociais, pregaram sua destruição através de um regime em que, em teoria, todos seriam iguais, aliás, mais iguais, seriam todos obrigados a ser idênticos, negando a realidade diversa da própria raça humana, isso tornou-se uma ideologia, algo que não pode ser contestado, a mesma semente de ignorância que criou a aristocracia. À direita no parlamento sentavam os apoiadores das maneiras tradicionais, onde o anti-argumento era simplesmente: “se sempre foi feito assim, assim deve ser feito”, sem questionamentos, mais uma corrente da ignorância, aliados a eles estava a igreja, mais que costumes tinham um dogma bem desenvolvido, não se questiona um dogma. É preciso salientar que a constituição que norteava a república romana não constituía leis escritas, mas sim costumes, que ainda norteiam as repúblicas modernas.

Enquanto as forças tradicionais tinham o estado e suas forças armadas para manter o poder, os socialistas usavam o povo como seus soldados, o estado tinha que pagar seus combatentes, os socialistas não, era só engana-los ideologicamente para que lutassem por suas causas, essa história de sociedade sem classe era papo para boi dormir, útil para enganar os ignorantes a lutar por suas causas, mas no momento que atingiram o poder a coisa foi diferente, criaram a burguesia do capital alheio, a aristocracia dos donos da voz do povo e vivem até hoje banhados nos mesmos privilégios que usavam para fomentar a inveja no povo ignorante. Sem a ignorância os marxistas não teriam soldados, nunca teriam prosperado, e contribuiu para esta causa o progressismo, que prega a ignorância do passado como o oposto do tradicionalismo acéfalo. E é aqui que tem lugar as revoluções culturais que queimaram livros e pessoas, qualquer traço de intelectualidade verdadeira deveria ser eliminado, pois podia inadvertidamente educar o povo. É incrível, mas criou-se uma cultura da ignorância baseada no progressismo que nada mais é que a velha rotina sofista revisitada, mas agora sob o nome de relativismo. A busca honesta da verdade foi proscrita, foi decretado o fim da verdade, e um monte de pseudo intelectuais formou-se sob a ideologia ignorante de Hegel, Foucault, Adorno e Horkheimer, além de outros, disciplinas que tem em sua base um progressismo acéfalo, sofismo, relativismo, e um ódio mortal a toda busca da verdade, pois ela os inferioriza e mostra a crueza de sua ignorância. Mais do que em qualquer outra disciplina humana este culto à ignorância tomou de assalto as artes, e em especial a literatura.

Hoje com a acessibilidade dos livros através da internet e o conforto de leitura proporcionado pelos e-readers, mais que os livros dos grandes escritores, estão à disposição gratuitos também seus outros escritos, e dá para ver que as penas estavam ativas mais que nos romances, escreviam sobre tudo, principalmente sobre o meio em que viviam, as grandes obras não nasceram do nada, mas do trabalho constante com a escrita, e da elaboração intelectual da própria sociedade, todo esse material funciona como uma base invisível para os grandes escritos. George Orwell não elaborou “1984” e  “A Revolução dos Bichos” do nada, se ler seus escritos verá que a base foi sua realidade, hoje em 2014 vivemos uma realidade muito próxima à imaginada em 1984, pois a base já estava lá, na sociedade inglesa. Leiam os escritos de Orwell,  verão que a Inglaterra pré-guerra já padecia dos mesmos males que vivemos hoje: o estímulo ativo à ignorância através do espalhamento das idéias marxistas e pós-modernas, eles acreditavam no Hitler, o líder esquerdista era louvado nos jornais, qualquer menção pejorativa era desestimulada, atacada de forma sutil e se insistissem até feroz, não se podia falar no assunto, existia uma censura branca, estão vendo uma semelhança com o que existe hoje? Não é mera coincidência, sabe essa história do politicamente correto que vocês acham moderninha, já estava lá! O politicamente correto é uma maneira de evitar que certas questões escolhidas nunca sejam vocalizadas ou debatidas por proibir a própria língua, a novilíngua não foi uma invenção do Orwell, existiu, ainda existe! Peço que não acreditem em mim, mas leiam os escritos não ficcionais de Orwell, é esclarecedor, apenas uma proscrita minoria via em Hitler um monstro, ele era prezado como o grande líder reformista do século vinte, viu alguma semelhança do que vivemos hoje? A ignorância e as mentiras de Hitler eram relevadas na grande mídia, ele podia falar qualquer besteira que seria aplaudido, e isso na Inglaterra, não na Alemanha, viram mais alguma semelhança com o que vivemos hoje? Incrível não! Setenta anos depois e ainda louvamos o mesmo tipo de monstro progressista, sob a mesma bandeira, a modernidade como valor vazio da ignorância. A Inglaterra pré-guerra não aceitava a argumentação frontal e verdadeira, quem tentasse trazer a verdade era banido, veja a vida de Churchill.

Não é a “Revolução Cultural” um perfeito exemplo de novilíngua? Sob este nome Mao expurgou a cultura e fomentou a ignorância, toda cultura foi taxada burguesa para criar um "pré-conceito" que já exclui o debate, desta maneira colocam uma etiqueta no argumento, o que impede que se pense a respeito, mais uma versão do nosso politicamente correto, percebem o nível de policiamento do pensamento em que vivemos hoje? A liberdade de expressão está em nossa constituição, mas certos temas não podem ser nem mesmo debatidos.

Chegamos hoje a um ponto bizarro onde a cultura e principalmente a literatura perderam qualquer parâmetro de verdade, hoje o escritor quer ser artista antes de ser escritor, é um cacoete ridículo, pois é uma inversão que nunca permite a verdade: o escritor escreve, é seu ofício, e se for muito bom faz arte, o mesmo pode-se dizer de um pianista, mas não se faz arte antes de mestrar a mecânica da escrita ou dominar o piano. Estes artistas são apenas impostores que copiam descaradamente as doxas do modernismo do que seria a arte nos textos, e o que é pior, ninguém é capaz de perceber o embuste, e assim a cultura moderna torna-se um empilhamento de lixo inútil que contribui para a ignorância.

Uma das formas ativas de promover a ignorância é, por exemplo, dizer que não se gosta de falar sobre política, e assim impedir que as pessoas se eduquem, pois sem falar no assunto os monstros ficam livres para cometer suas atrocidades, vejam: toda vez devo lembrar que o PT e o governo Dilma ainda cobra imposto no e-reader a despeito do direito constitucional e o fato aberrante do aumento do analfabetismo no Brasil; como viram, o livro livre é inimigo das ideologias de esquerda e sempre foi combatido por aqueles que precisam da mentira, e a despeito de termos um instituto constitucional que proíbe imposto para evitar a censura, ela é imposta sobre o e-reader e ebooks, a versão mais popular que se pode ter da literatura. Mesmo que não falemos nada, o imposto ainda será cobrado e será uma barreira à educação dos mais pobres, e é isso que querem, que esqueçamos enquanto eles perpetram atrocidades, vejam como o aumento do analfabetismo não encontra espaço nos jornais, é um assunto gravíssimo que deveria ser pauta diária, mas não, é escondido da mesma maneira que a imprensa ocultou as atrocidades de Hitler. Faz mais de vinte anos que incentivo a leitura dos jovens e pude ver seus frutos nos adultos que por ventura ainda encontro, mas é doído ver a perda de jovens inteligentes que não puderam progredir na leitura por falta de condições financeiras, é fácil instigar a leitura, afinal, é uma coisa prazerosa, mas é uma coisa que tem que ter seguimento, e a falta de meios financeiros impede que se continue, por isso vejo na tecnologia e-reader uma possibilidade incrível de manter os jovens lendo, pois mesmo sem gastar nem mais um tostão podem continuar lendo a imensidão de material de qualidade que existe livre. Leitura é o principal inimigo da ignorância, o maior mal que nos assola hoje, pois tudo decorre dela. O e-reader pode ser o veículo de uma verdadeira revolução cultural em favor da cultura, não para destruí-la. Argumentação honesta e cultura são base de toda educação, de todo avanço científico, de todo avanço das idéias. A liberdade de expressão é fundamental, pois sem ela não temos argumentos para destruir, é importante que nossos adversários possam falar livremente e expor seus argumentos, para que os possamos destruir, e no caso de fracassarmos, sucumbimos a ele, da mesma maneira que hoje a terra gira em torno do sol. Aqueles que não podem sequer ouvir os argumentos pois perdem, que não podem enfrentar a verdade, são os que não tem condições de destruir os argumentos, mas não podem conviver com eles, nem os aceitar, precisam destruir seus portadores, pessoas, pois a verdade sempre tem mais força que a mentira.

Alex

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