sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Tudo que você precisa saber hoje sobre ebooks e e-readers em um único post.

Aumentar Letra Diminuir Letra



Ebooks estão por aí há muito tempo, em vários formatos, alguns já extintos, mas o computador pessoal não tinha o conforto necessário para substituir o livro de papel, principalmente em literatura, foi o advento da criação do e-reader que tornou o ebook sinônimo de livro, e isso já faz alguns anos, a tecnologia evoluiu, barateou os aparelhos e chegamos ao ponto em que estamos hoje, onde é difícil melhorias significativas nos equipamentos, sejam e-readers ou tablets, atingimos um platô e os dispositivos de dois ou três anos ainda são correntes, mais realidade no caso do e-reader que só faz ler ebooks; nos tablets ainda dá para enganar com novas versões do sistema operacional para tornar os antigos obsoletos sem poder rodar novos programas, isso no caso de livros seria uma catástrofe! Por isso é importante os standards de formato, assim como meus livros de papel, quero poder ler os mesmos ebooks daqui há trinta anos, uma centena ou mais, ao contrário dos meus jogos de computador que não rodam mais.

A indústria de eletrônicos vive de novidades, mesmo que inúteis, vejam a estupidez dos “smartwatchs”, não acharam o que fazer com eles, mas a arte literária vive da excelência imortal e livros de cinco séculos atrás ainda estão vivos. O e-reader veio oferecer o conforto do papel para o livro eletrônico, e só por fazer isto, algo que o papel já faz em centenas de anos, não sofre da obsolescência de outros equipamentos; quem tem e-readers de quatro anos atrás ainda está bem servido lendo muito bem, pois é isso que eles devem fazer.

Dá para ler ebooks em tablets, existem muitos programas e as próprias livrarias os oferecem gratuitos para os principais sistemas operacionais, mas não é a mesma coisa, nem parecido, não é confortável, quem gosta de ler não satisfaz-se com um tablet, só o e-reader oferece a mesma imersão e conforto do papel, não há comparação possível para o leitor dedicado. Ao outro lado o papel ainda existe, e existirá por muito tempo, mas o livro de papel é pesado e pouco prático, ocupa muito espaço para guardar sem contar toda logística de impressão e distribuição, que encarece significativamente o livro. O ebook permite a publicação mais simples, oferecendo acesso direto dos autores aos leitores.

Antes os e-readers no Brasil ou eram caríssimos ou a solução era importar diretamente os aparelhos, hoje já são facilmente adquiridos aqui com garantia na Amazon ou na Livraria Cultura que representa a Kobo, todos os aparelhos funcionam muito bem, você lerá bem em qualquer um deles, as diferenças são mínimas, uns são maiores outros menores, alguns tem luz outros não, e o kindle básico é o único sem tela Touch, o que não é uma grande desvantagem. A principal diferença está no sistema de cada loja, quem tem um kindle, em teoria, só lê livros da Amazon, pois só suporta os formatos proprietários, já o Kobo suporta o Adobe DRM que é como a maioria das lojas vende seus livros protegidos, assim quem tem um Kobo pode comprar livros na maioria das lojas com exceção da Amazon. Quase todos os e-readers da Kobo permitem expansão através de micro SD, assim pode levar todos os seus ebooks consigo, nos Kindles só é possível armazenar uns mil e duzentos livros normais, sem muitos gráficos, o resto precisa de conexão online para ficar estocado nos servidores da Amazon.

Quando você comprava um livro de papel tinha vários direitos, emprestar a quem quiser e vender depois de lido, o DRM foi feito para restringir o direito do proprietário do livro, existem ebooks sem DRM, mas a maioria das lojas vende com DRM e o seu leitor deve ser capaz de decodificar esta proteção para ler o livro, que é codificado para cada aparelho, assim, não dá para copiar seu livro do e-reder para ler em outro aparelho, deve faze-lo através dos programas das lojas, registrando cada gadget que tenha, e criando um ebook novo com código para ser aberto apenas no equipamento registrado. O DRM é um sistema de código, o livro armazenado no seu aparelho está todo “embaralhado”, e o e-reader deve ter um programa capaz de colocar o livro no formato correto, os Kobos tem o programa de DRM da Adobe e os Kindles o da Amazon, mas tem gente que já quebrou estes códigos criando programas capazes de retirar a proteção dos livros e transforma-los em arquivos epub ou mobi que qualquer leitor pode ler ou converter, assim, quem quiser comprar um livro da Amazon e ler no Kobo deve quebrar o DRM e vice versa e fazer o que chama-se “sideload”.

Quando os e-readers foram lançados o único jeito de carregar um livro no aparelho era o “sideload”, conecta-se o aparelho no computador através de um cabo USB e copia-se o livro como se fosse para um pendrive, mas como livrarias online tornaram-se as principais “fabricantes” e distribuidoras de e-readers, incluíram a capacidade de comprar direto de suas lojas através de wifi ou 3G, assim você compra o livro e imediatamente ele já é enviado ao seu aparelho e carregado em suas estantes virtuais, uma grande comodidade, não há dúvida, mas te restringe a livros adquiridos nas livrarias, que vale lembrar também oferecem conteúdo gratuito que pode ser adquirido da mesma maneira. Mas há fora do sistema das livrarias um grande número de livros gratuitos e livres de direitos que permitem a cópia e distribuição legal, grande parte do melhor da literatura, um livro torna-se domínio público quando passa setenta anos do aniversário de morte do autor, desta maneira, grande parte da literatura está em domínio público e pode ser adquirida gratuitamente, livros que em papel custam fortunas ou nem mais são encontrados estão gratuitos na internet e isso não é pouca coisa. Nosso sistema bizzarro não dá muito valor para o que é gratuito, mas Machado de Assis, Fernando Pessoa, Poe, Cervantes e Shakespeare estão nesta categoria, assim como muitos outros dos grandes.

Estes são os e-readers à venda hoje no Brasil:



Kindle básico

Tela- 6” E-ink pearl 800x600 167ppi
Peso - 170g
Memórira - 2 GB interno, 1,25 GB para o usuário.
Expansão de memória- Não
Bateria - 1 mês (wifi desligado)
Formatos de ebook- AZW, Mobi, PRC, TXT, PDF.
Tela Touch - Não
Iluminação- Não
Preço R$299,00
Preço aproximado sem o imposto da vergonha R$149,00

Kindle Paperwhite

Tela – 6” E-ink carta 1024x758 212ppi
Peso – 213g (wifi)  214g (3G)
Memória - interna 1,25 GB para o usuário.
Expansão de memória- Não
Bateria – Aproximadamente 2 meses com luz no nível 10 e wifi desligado
Formatos de ebook- AZW3, AZW, Mobi, PRC, TXT, PDF.
Tela Touch- Sim
Iluminação- Sim
Preço R$479,00 (wifi) R$699,00 (3G)
Preço aproximado sem o imposto da vergonha R$239 (wifi) R$349,00 (3G)

Kobo Mini

Tela - 5” E-ink 800x600
Peso - 134g
Memória- intena de 2 GB com 1GB para o usuário.
Expansão de memória- Não
Bateria- 1 mês  (wifi desligado)
Formatos de ebook- epub, PDF, JPEG, GIF, PNG, TIFF, TXT, (X)HTML, RTF, CBZ, CBR  Aceita adobe DRM
Tela Touch- Sim
Iluminação- Não
Preço R$289
Preço aproximado sem o imposto da vergonha R$139,00

Kobo Touch

Tela- 6”E-ink pearl 800x600
Peso - 185g
Memória- interna 2GB com 1GB para o usuário
Expansão de memória- até 32GB com cartão micro SD
Bateria- 1 mês  (wifi desligado)
Formatos de ebook- epub, Mobi, PDF, JPEG, GIF, PNG, TIFF, TXT, (X)HTML, RTF, CBZ, CBR  Aceita adobe DRM
Tela Touch- Sim
Iluminação- Não
Preço R$399,00
Preço aproximado sem o imposto da vergonha R$199,00

Kobo Glo

Tela- 6” E-ink pearl 1024x768
Peso- 185g
Memória- interna 2GB com 1GB para o usuário
Expansão de memória- até 32GB com cartão micro SD
Bateria- 1 mês  (wifi desligado)
Formatos de ebook- epub, PDF, JPEG, GIF, PNG, TIFF, TXT, (X)HTML, RTF, CBZ, CBR  Aceita adobe DRM
Tela Touch- Sim
Iluminação- Sim
Preço R$479,00
Preço aproximado sem o imposto da vergonha R$239,00

Kobo Aura HD

Tela- 6,8” E-ink pearl 1440x1080 265ppi
Peso- 240g
Memória – interna 4GB com 3GB para o usuário
Expansão de memória- até 32GB com cartão micro SD
Bateria- 2 meses (wifi desligado)
Formatos de ebook- epub, Mobi, PDF, JPEG, GIF, PNG, TIFF, TXT, (X)HTML, RTF, CBZ, CBR  Aceita adobe DRM
Tela Touch- Sim
Iluminação- Sim
Preço R$659,00
Preço aproximado sem o imposto da vergonha R$329,00

Para fomentar a educação, cultura e permitir a liberdade de expressão a constituição brasileira tem um dispositivo que impede que o poder público cobre imposto sobre livros, jornais e revistas. A simples hermenêutica mais ralé já estende esta imunidade a ebooks e e-readers, mas o governo Dilma e o PT que fomentam de forma ativa a ignorância cobra imposto para inviabilizar tal conquista para o brasileiro pobre. É vexatório, por isso chamamos a este imposto: imposto da vergonha! Incluímos na lista acima quanto custaria o e-reader aproximadamente sem o imposto da vergonha. Se quiser ver o país crescer deve lutar pelo livro, base da educação e expurgar seus inimigos, os que gostam de um país de ignorantes.

Cada país do mundo vive uma realidade diferente frente à literatura em formato digital, no Brasil, um país que nunca teve livros a preços acessíveis à maioria mais pobre, o e-reader é a chance de quebrar esta barreira sem depender de esmolas governamentais, o próprio mercado encarrega-se da tarefa, se a nós que já lemos muito o e-reader é apenas um item que torna a leitura mais prática e confortável, para os não leitores é a chance de escaparem da ignorância impingida por décadas de descaso com a educação, assim aqui ele representa mais do que nos EUA ou Europa, é um grande passo que o governo não quer que o Brasil dê. Vocês sabem o que fazer, temos que expurgar os vagabundos vigaristas.

Os principais formatos de ebooks são epub, que é aberto, e mobi, que hoje é propriedade da Amazon. É importante valorizarmos o formato aberto pois é ele que permite a longevidade do livro eletrônico; já existiu um formato de ebook chamado .lit proprietário da microsoft que foi descontinuado, morreu, e junto com ele seus livros! Por isso é importante o formato aberto. Tanto o epub quanto o mobi vieram do PRC, que é uma espécie de texto que flui conforme as características da tela, mas mantém as marcas de pontuação, mais ou menos como é o html das páginas da rede. O mobi foi comprado pela Amazon e o epub desenvolvido com mais liberdade, do mobi vieram os azws. O epub é a melhor versão de ebook atual, pois é o mais padrão e todo código está aberto, mas lembre-se: epub com DRM não é código aberto, é um epub que foi codificado para você não abrir a não ser nas condições especificadas pelo proprietário, assim como os azws da Amazon.

Os epubs ainda sofrem do problema da falta de padronização dos leitores, desta maneira, dependendo do aparelho o mesmo epub terá cara diferente, como acontece com o html e já ocorreu mais, só a standardização do formato diminui essas incompatibilidades, muito se fala hoje no epub3 que permite textos e áudio mais ou menos como o HTML5, mas acredito ser uma bobeira, pelo menos para a maioria dos livros só de letras e gráficos monocromáticos, o epub é muito mais simples e seguro que o epub3, mais padrão, e vídeo para e-ink é mera estupidez, não comporta, não serve. A tela e-ink é magnífica para livros, permite uma bateria durar meses, mas é só para livros, por isso o epub é o melhor formato para o tipo de livro que é lido no e-reader e-ink, que é a maioria da literatura produzida e a se produzir.

O programa obrigatório dos usuários de e-reader é o Calibre, com ele você mantém a sua biblioteca virtual no computador, e ao enviar o livro para o e-reader ele já manda no formato correto e faz a conversão quando necessário, desde que o mesmo não tenha DRM. Ele serve como leitor para ler ebooks no computador, organiza sua biblioteca com presteza e pode ser instalado em um pendrive para ser levado consigo, funciona também como agregador de feeds que são enviados diretamente ao e-reader para ler com conforto, edita metadados, e atualmente ganhou a opção de editar ebooks, e o que é melhor, é gratuito e está sempre evoluindo, o criador Kovid Goyal aceita doações, tem feito um excelente trabalho, além do código do programa ser aberto, não há nada que se compare a ele, é indisputavelmente o melhor.

Quem gosta de carregar páginas da internet no e-reader para ler com calma tem a ferramenta GrabMyBooks, é um aditivo para firefox ou android, é só clicar com o botão direito do mouse sobre a página “Grab This Page”, e depois de salvar várias páginas vá no “GrabMyBook” no menu do botão esquerdo e na página que abrir clique em “GrabMyBook” e salve em epub, pdf ou mobi, depois é transferir para o Calibre e “sideload” para o e-reader.

Uma última dica de fim de férias: Na praia, com aquele sol, é impossível ver a tela de um telefone ou tablet, e-reader e-ink tranqüilo, mas areia e água são inimigas do aparelho, simples, compre um saquinho como o da foto ícone do post ou coloque seu aparelho dentro de um zip ou um saquinho com a ponta fechada e dobrada com fita, você lerá com todo conforto, o único problema são os e-reader com tela capacitiva e sem botão de virar página, assim neste caso a melhor opção são os e-readers mais baratos: Glo, mini e Kindle basic.

Você também pode comprar seu e-reader fora, vai pagar mais barato pois não tem o nosso imposto absurdo se vier na sua cota de U$500, mas lembre-se de verificar se eles aceitam o Adobe DRM, alguns e-readers chineses não aceitam, o que em teoria te impossibilita de comprar livros nas lojas, se for Kindle só vai comprar na Amazon mesmo, mas existem muitos outros e-readers, maiores e menores dos que os vendidos no Brasil.

Acho que com isto traço um panorama atual para quem está começando na leitura digital, seja bem vindo, divirta-se e espalhe, garanto que vai gostar, seja qual aparelho escolher ou o tipo de literatura que preferir. Ler é bom, e tudo que falta ao país são mais leitores, pois ela abre a percepção para o mundo.

Alex

7 comentários:

  1. Na verdade para enviar conteúdo para o Kobo basta usar o "pocket", o Kobo sincroniza com o pocket automaticamente.

    http://help.getpocket.com/customer/portal/articles/1299217-connecting-pocket-to-kobo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Marcos,

      Tem toda razão, o “Pocket” que era o “read it later” funciona da mesma maneira, assim ambos se equivalem, mas nem todos os kobos tem o pocket, é preciso ficar atento se esta funcionalidade lhe interessa, mas o GrabMyBook, funciona para todos, dá para usar o Calibre para fazer o mesmo, mas é preciso configurar um newsfeed da página.

      Abraço,
      Alex

      Excluir
  2. Amanto Moura,

    Obrigado pelo aviso, já foi corrigido, no copy and paste esqueci de mudar este feature do Mini.

    Abraço,
    Alex

    ResponderExcluir
  3. Marta,

    Foi só umas férias neste verão quentíssimo, mas estamos aqui. Na véspera de natal estive na Cultura para comprar presentes e tinha o Mini, mas ao confirmar o preço para a matéria no site, não era possível entrar no ícone de compra, aliás, visitar a loja física só fez-me reafirmar o conforto de comprar ebook online, deus me livre, que inferno! Eu acho que devem ter e-readers de todo tipo, para todo público e todo bolso, se quiserem fazer um cravejado de brilhantes, ótimo, mas todos, do mais barato ao mais caro funcionam muito bem para ler, e em questão de acesso prefiro que os mais baratos sejam ainda mais baratos e igualmente capazes, é uma questão de maturidade de mercado. E vamos trabalhar para fazer este 2014 mais cheio de livros e pessoas interessantes que os lêem.

    Abraço,
    Alex

    ResponderExcluir
  4. Leonardo Tostes,

    O Kindle lê PDF, às vezes é melhor transferir o próprio PDF sem converter. O PDF não é exatamente um programa de livros eletrônicos, ele foi feito para portar documentos que eram “similes” do papel, assim o código não é exatamente padronizado e as formas variam, por isso muitos conversores automáticos não funcionam bem, você pode converter à unha usando o Sigil, mas dá um trabalho louco. O Paulo fez um script que retira algumas das marcas de pontuação estranha, mas não é à toda prova. Como a Marta disse, dá para fazer no Calibre, mandando encontrar e retirar as marcações que geram erros, existem conversores de PDF melhores que tentam “adivinhar” os erros, mas infelizmente nada de solução definitiva.

    Abraço,
    Alex

    ResponderExcluir
  5. Eu não troco meu Ipad Mini por nenhum e-reader vendido no Brasil. Gosto muito de ler nele. Essa história de que a tela é ruim pra ler por horas a fio é balela. É só diminuir o brilho e colocar a "folha" como sépia. Único problema mesmo do mini é a bateria que dura pouco. Agora, me interessei pelo Onyx m92 citado em outro post. Esse sim parece ser um bom e-reader.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. No meu kindle a bateria dura dois meses, no meu sony mais antigo duas semanas, em ambos eu posso ler com luz natural, impossível em qualquer tablet, e a pleno sol não dá para ver nada, tente ler na praia; e no ipad, mesmo diminuindo o brilho e mudando a matiz de cor, e até invertendo branco com preto, o e-reader ainda é infinitamente melhor. Não digo que não dá para ler em um ipad, mas para quem gosta de literatura o e-reader é imbatível.

      Alex

      Excluir