quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O culto à mediocridade não é exclusivo do Brasil: garoto nos EUA é admoestado por ler demais!

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Os EUA tem entre suas patologias a ultracompetitividade, tudo é colocado em um contexto de competição, e na maioria das vezes isto não é saudável, não pela competição em si, mas por privilegiar o vencer a despeito do prazer de fazer, é como se os segundos ou terceiros lugares não tivessem mérito, ou que todo esforço seja desprezado se não se alcança a vitória; e a vitória em si pode ser simplesmente medíocre, tome por base as premiações literárias periódicas, queira ou não queira, o tal certame terá um vencedor, e mesmo se os juizes escolherem o melhor, sem maracutaias ou personalismos, se o nível dos competidores é baixo, o melhor é apenas o melhor dos piores. Vencedor neste caso é e pode ser apenas o título de uma obra extremamente medíocre, o melhor lixo entre o lixo publicado naquele ano.

Mas este não é o caso do jovem Tyler Weaver de nove anos, vencedor de um concurso criado para incentivar a leitura entre as crianças da biblioteca “Hudson Falls Public Library”; por cinco anos seguidos o garoto recebeu a premiação e leu neste período 373 livros, mas a diretora da biblioteca pública acha que ele é bom demais e deve abdicar do prêmio em favor de outros. O concurso convida todos os garotos que leram mais que dez livros para uma festa no final do verão, e o que leu mais livros é premiado. Tyler por ler mais que os outros venceu a contenda por cinco anos seguidos e a diretora acha que em vez de premiar o mérito deve sortear dentre todos participantes em vez de recompensar o mérito; segundo ela Tyler é tão “bom” que desestimula os outros concorrentes. Apesar do conselho da biblioteca achar que a diretora agiu errado, consideram mudar as regras para que o mérito puro não sobressaia e o concurso seja dominado pelo garoto que lê mais, como se ler bastante fosse prejudicial, note que se fizer as contas, só é necessário ler mais de seis livros ao mês para destronar Tyler, e em se considerando textos para infantes, isso nem é muito. O Jovem tem seu mérito e não deve ser desmerecido, em vez de ser excluído deve ser uma meta a ser batida, este é o único e verdadeiro mérito da competitividade, dar-lhe um horizonte mais largo para vislumbrar, em vez de ficar olhando para os próprios pés achando que este é o limite do mundo.

Lá esta notícia levou a muitos comentários condenando a atitude, aqui, duvido. Há embutido em nosso sistema de ensino uma política que penaliza o mérito, em vez do aluno que consegue fazer tudo ser deixado livre para perseguir seus interesses e ir adiante, é obrigado a ficar marcando passo em exercícios inúteis que em vez de os levarem adiante no conhecimento, desestimulam o aluno a progredir além da média medíocre do padrão de ensino, é uma completa estupidez, pois se os alunos que já atingiram os objetivos forem deixados livres e tutelados a avançar seu aprendizado por conta própria, o professor terá tempo extra para dedicar-se aos que não atingiram o objetivo, e assim garantir que ao menos o mínio seja atingido por todos; e para aqueles que o mínimo é um limite muito baixo, devem ser deixados progredir, qual mal há nisso? É preciso acabar com os cabrestos mentais embutidos no sistema de ensino, vocês não tem idéia o quão longe é o horizonte de um garoto curioso. Com a nossa política de mediocridade os ruins são desassistidos e os bons desestimulados, conseguem ver crime maior contra a própria humanidade?

Está ai o motivo do e-reader ser tão combatido, com ele os garotos podem ler mais, ir além, independente das posses financeiras, o pobre não pode destacar-se, deve ser mantida sua pobreza intelectual!

Alex

2 comentários:

  1. Oi Marta,

    Incrível que as pessoas não acham assistir TV uma perda de tempo, ainda mais com a qualidade ofensiva da TV aberta, e a fechada não fica muito atrás. Com o livro escolho o que ler, não fico refém da televisão e sua programação boçal. Recriminar quem lê parece-me o cúmulo da imbecilidade ativa. Será que seremos só nós que juntávamos dinheiro para comprar livros que damos valor ao e-reader? Eu vejo como um presente incomensurável a vastíssima biblioteca em domínio público que já existe, todos os grandes clássicos sem gastar um tostão! Quanto já não gastamos nestes livros em papel?

    Abraço,
    Alex

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  2. Isso me lembra uma matéria da Revista SuperInteressante (vai tempo) que tinha como ilustração uma professora com orelhas de burro, repreendendo um aluno. Ela havia solicitado que ele fizesse uma multiplicação simples como 324 x 285... e ele fracionou cada número em unidades, dezenas e centenas, e fez as multiplicações individualmente, assim... 300x200+300x80+300x5+20x200+... e por aí vai. Ela não só não percebeu que a imaginação e a percepção do aluno iam além, como tentou encarcerá-lo na sua lógica limitada.

    Teve um moleque retardado que que fez algo parecido algum tempo atrás, ta aqui a história:
    http://bit.ly/1cCtDMI

    Espero que gostem!

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