quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Novos e-readers: A propaganda e o imbecil coletivo.

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Amazon, Kobo e Sony anunciaram seus novos modelos de e-reader, e para ser sincero, não muda quase nada. A grande inovação seria a adoção de uma nova tecnologia de telas e-ink chamada Carta, que em teoria oferece novamente 50% a mais de contraste. Você que tem um e-reader na mão com tela Pearl, tem dificuldade para ler? Já viu alguém trocar um livro de papel pois ele é impresso em papel de maior contraste? Aliás, já viu alguém preocupar-se com isso quando o livro pode ser lido sem problemas? Na prática mal se nota a diferença entre a tela de menor e a de maior definição, ambas servem para ler muito bem. A propaganda acha que os leitores são idiotas, ofende sua inteligência, a grande novidade nos novos e-readers é que não há novidade!

Blogueiros sem o menor senso já afirmam que o novo kindle paperwhite faz o novo Kobo Aura de 6” já obsoleto, pois o Kindle teria a nova tela Carta que não fará a menor diferença na funcionalidade do aparelho. Acreditem, e mais, o Kindle que supostamente não tinha problemas na “touchscreen”, agora teve este recurso “melhorado”, antes do novo modelo ninguém admitia que havia problemas. E o pior, a grande diferença que favorece o Kobo sobre o Kindle é relevada, a maior memória e a possibilidade de expandir via SD.

A grande funcionalidade que distingue o Sony dos outros e-readers é a capacidade que tem de escrever na página do livro, nenhum outro preocupou-se em implementar este recurso tão útil. Por terem som e a função “read to me” os kindles antigos ainda são superiores aos novos, à exceção da luz para quem precisa, mas que é facilmente resolvida com uma lanterna de livro, mais barata que comprar a função embutida. O grande problema da Kobo é que ela é estúpida obrigando o leitor a um processo de registro trabalhoso em vez de facilitar para o usuário, coisa que a Amazon faz muito bem.

Garanto que a volta do som e da função de leitura seria muito mais bem vinda pelos usuários do que as atuais besteiras, com meu Kindle Touch na mochila e um headphone posso andar por aí ouvindo um livro, quem não tem prática de inglês poderia ouvir, ler e ter um dicionário no texto de maneira simples, uma ferramenta inestimável para quem está aprendendo a língua. É óbvio que a Amazon não é pró leitor, ela favorece sua loja, assim que compraram e passaram a comercializar audiolivros extirparam do e-reader a função de leitura, assim, se quiser ouvir o livro tem que comprar o audiobook do mesmo título, se ele existir, além disso, a pouca memória é para lhe forçar a usar o sistema de “nuvem” da loja, o que te obriga a estar conectado em wifi ou 3G consumindo banda, em vez de ter todos os seus textos na memória do aparelho sem mais chateações.

O mais interessante é que não foram anunciadas novidades para os e-readers mais baratos, ao que parece continuam os mesmos, ainda bons para ler. Neste quesito quem destaca-se é a Kobo com o mini, que é pequeno e portátil para quem quer o dispositivo presente o tempo todo.

Já a tempos percebeu-se que o melhor papel para leitura, o que dá maior conforto ao olho, não é o extremamente branco, mas o que tem uma matiz mais amarelada, independente disto a maioria dos leitores nunca viu diferença, assim como não verá na nova tecnologia de tela. Precisamos acabar com esta cultura da obsolescência forçada dos equipamentos eletrônicos, ela é burra, pressiona o ambiente e não contribui para o desenvolvimento humano, apenas para o ganho financeiro suicida.

Alex

15 comentários:

  1. Alex, este ano eu também não tenho vontade de trocar meu e-reader comprei o meu PW ano passado e é o que mais uso, e ganhei um Glo, acho o e-reader da Sony bem superior ao da kobo, porque trava muito toda atualização ou quando compra livro na kobo e por wi-fi vai passar o livro trava. Por isso parei de comprar na kobo e só compro na Amazon também porque atualmente os livros estão mais baratos na Amazon e também o dicionário no kindle é bem mais rápido de se obter o significado. Eu gosto da concorrência mas em questão de leitura creio que a Amazon é superior no e-reader. Mas a Sony também é boa e a kobo com tela plana do novo Aura é bonito, mas ainda acho que o sistema do kindle é superior, espero que no futuro os três possam se equiparar para termos a liberdade de escolher e não ficarmos presos. A única coisa que acho que falta no kindle é quando desligamos ficar aparecendo o livro que estamos lendo. Porque as propagandas, ou a tela de descanso são horrorosas e enjoa de tanto que é repetitivo. Vamos esperar ano que vem, este ano meu dinheiro vai para e-books, estava guardando um pouquinho por mês para adquirir um novo kindle mas as atualizações não me fizeram querer gastar nele, não acho que vale o preço. Só para se ter uma ideia, fiz uma simulação na Amazon americana envio internacional para saber o quanto sairia a taxa é tão alta que pela cotação do dolar ontem o wi-fi sairia por 830 reais, um absurdo. Vamos ver o que ano que vem traz este ano nada de realmente diferente que irá influenciar minha leitura para melhorar a qualidade.

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    1. Marta,

      Realmente não há sentido em trocar de e-reader pois os novos modelos nada trazem de avanço, tenho o Kindle Touch mas acabo usando mais o Sony PRS-600 por conta de poder escrever na páginas. Se comparar com o que eu gastava antes em livro de papel nem é tão caro, mas é uma questão de princípio, conscientizarmo-nos que a terra não é uma grande lata de lixo para descartar aparelhos perfeitamente funcionais e ter novas funções que sequer vamos perceber ou utilizar.

      Abraço,
      Alex

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  2. Olha, a luz do PW não é facilmente substituída por uma lanterna, não.
    Eu tinha o touch e testei diversos tipos de lanternas, inclusive algumas capas com lanterna embutida e nenhuma delas foi melhor ou igual à tela do PW.

    Assim, eu sempre achei o text-to-speech do kindle touch muito ruim, mas concordo que seria muito bom ter essa funcionalidade melhorada ao invés de descontinuada no PW.

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    1. Minha lanterna de livro de U$5,00 do dx.com funcionou perfeitamente, leio bem com ela, 3AAA recarregáveis duram uma eternidade e no escuro total ainda funciona como lanterna sem gastar a bateria do e-reader. Às vezes à noite fico ouvindo um livro até dormir, gostaria que o read-to-me tivesse um timer para desligar o aparelho.

      Abraço,
      Alex

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  3. Toda empresa quer convencer o consumidor a trocar os seus produtos. Afinal, isso gera mais lucro. Mas com o ereader a coisa é mais complicada. Se estou lendo bem nele vou trocar para quê?

    Eu tenho o Kobo touch e não vou troca-lo tão cedo.

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    1. Edgar,

      Isto que faz é consumir com consciência, ciente dos seus objetivos e usos, e vale para grande parte de nossa vida, há muito tempo assisti uma animação de um belga alcunhado Picha e nela figurava um povo caricato chamado de “Gros Cons”, grandes trabalhadores faziam tarefas idiotas e inúteis, e desde este tempo quando vejo algo do gênero, vem-me à cabeça a musiquinha dos Lês Gros Cons. Hoje, mais do que nunca, a propaganda investe no consumo irracional, as pessoas ficam ofendidas quando sua irracionalidade é posta em discussão, mas é verdade.

      Abraço,
      Alex

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  4. A questão não é tentar te convencer a comprar. Eu acho que as atualizações de telas e-ink tem acontecido em um espaço de tempo razoável. Essa é apenas a terceira geração de telas, e é natural que as empresas lancem modelos que explorem a nova tecnologia, pois se não lançarem, outras farão.

    Eu tenho o PW eu não vou trocá-lo agora apenas por causa da nova tela ou por causa da iluminação melhorada, ainda mais sabendo que mais cedo ou mais tarde as mudanças no software serão implementadas também na primeira geração do paperwhite.

    Alex, quando você fala sobre o text-to-speech, eu entendo seu lado, pois eu também usava bastante aquele recurso no meu Kindle Keyboard. Mas a Amazon é uma empresa, e o motivo deles estarem no mercado é bem simples: ganhar dinheiro. É o melhor para o leitor? Não... mas que empresa pensa primeiro no consumidor? Nenhuma. A Amazon ainda tem o mérito de prestar bons serviços, eficientes, e de oferecer, na medida do possível, bons preços. Mas não se engane, o negócio deles é ganhar dinheiro, e talvez seja por isso que eles ainda não abriram a e-store loja aqui... porque aqui tudo é mais caro, tudo é mais complicado, e competir no mercado viciado do Brasil não é tão simples quanto no mercado americano, que te oferece todas as possibilidades em infraestrutura com uma carga de impostos reduzida.

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    1. Mobile,

      As telas mudam, faz parte do desenvolvimento tecnológico, mas não torna os objetos antigos obsoletos quando não oferecem um efetivo aumento de funcionalidade, neste campo a e-ink é monopolista e a cada evolução de sua tecnologia fica mais difícil para empresas concorrentes. Em teoria os competidores da e-ink ainda são as telas led coloridas, mas o intento aqui é a emulação do livro em toda sua capacidade, coisa que o e-ink faz bem, mas o led faz porcamente, para quem lê a diferença é abissal, mas entre uma e-ink e outra e-ink mais moderna, não existe diferença prática no conforto de leitura, nesta última troca. Livro é um objeto simples, permaneceu inalterado por séculos, funciona, cumpre sua função, não cria novas necessidades.

      É óbvio que a Amazon é uma empresa capitalista e como todas visa o lucro, é assim que as coisas funcionam, e tratar o consumidor bem é um diferencial competitivo, não um favor ou gentileza, vai no limite em que ainda existe competição. Já falei isto muitas vezes aqui quando afirmam os editores tradicionais que a Amazon é a encarnação do capeta, ela só cresceu e está costumada a competir, coisa que os editores nacionais principalmente, nunca fizeram, vivem em um conluio sem competição; infelizmente são empresas nojentamente familiares.

      No caso do text-to-speech foi a Amazon que implementou, fez propaganda, criou o uso e depois e deixou seu consumidor na mão, é uma espécie de traição. Nos Sony, você ainda escreve nas páginas, sua principal força.

      Abraço,
      Alex

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  5. Bacana seu blog, artigos interessantes

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  6. O ruim das obsolescências programadas é o quanto elas expõem da roda viva em que estamos metidos. As empresas não são queridinhas e querem ganhar dinheiro, mas também precisamos lembrar que toda a sobreviência do atual modelo social está alicerçada no consumo. Menos consumo = menos empregos. E menos empregos fazem desespero de muita gente. Gostaria de ver muito empenho em discutir essa equação e encontrar novas soluções. E livros bem podem ajudar, não? ;o)

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    1. Maurem,

      No caso de mercado de consumo, mercado de trabalho e obsolescência programada os eletrônicos são de certa maneira inócuos pois suas linhas de produção empregam relativamente poucas pessoas, principalmente em se considerando o Brasil. Aí o maior debate é o consumo inútil, o consumismo puro, e aí é que você enfiou o dedo dentro da ferida, cutucou e arrancou... Aí é que a coisa dói e não se pode sequer fazer o debate, pois mexe de forma profunda em como é trançado o nosso tecido social. Mas vale debater, importantíssimo! Mas é difícil quem queira debater sem coloração ideológica que não leva a nada. Debate importantíssimo, difícil achar bons interlocutores interessados na verdade e um mínimo de pragmatismo a longo prazo visando o ser humano e não sua inserção econômica na sociedade.

      Abraço,
      Alex

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  7. Nada a ver com sua postagem, mas você já viu a quantidade de livros gratuitos com nome de autor errado na Amazon Brasil? Só do Machado de Assis devem ter uns 300 livros! E é cada título que vou te contar...
    Será que eles farão algum controle disso?

    Abraço!

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    1. Não vi, mas é algo que já aconteceu antes na Amazon USA e diminuiu depois que eles começaram a filtrar melhor o material, mas como a filtragem é eletrônica e acéfala, gerou também um monte de erros que acabou gerando confusão, infelizmente a Amazon Brasil é uma caricatura grotesca da Amazon USA e os autores brasileiros são tratados como de segunda categoria, sendo obrigados a dar exclusividade de seus textos para auferir os royalties de 70%, uma discriminação clara, vergonhosa.

      Abraço,
      Alex

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  8. Em minha opinião, utilidades realmente uteis seriam uma memoria mais interessante, menos peso e flexibilidade do material, mais resistencia da tela E-ink (uma caneta que cai nela estraga). Luz não acho importante, wi-fi sim. O som seria uma boa, mas tambem não sinto falta. E acho que o principal, barateamento de custo, nem que depenasse o equipamento deixando só a função de leitura e transferencia por USB, o importante seria um custo entre R$80 a R$150. Acima disso tira completamente a atenção de uma pessoa. Embora não seja desculpa, afinal todos esses oferecem leitores gratis, pra computador, tablet e celular (ate aqueles Xing-ling de R$100).

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  9. Alex, muito bom o seu blog. Sou usuário dos livros digitais desde o tempo do palm. Comecei com um palm M515 e depois passei para um Tungsten E que foi roubado. Então me voltei para os celulares, já que os aparelhos dedicados à leitura como o Kindle 1, custava uma fortuna para se trazer para o Brasil. Só consegui entrar no mundo Kindle em sua versão 3, e como vc disse em um trecho do texto, os mais antigos, são tão bons quanto os novos, se não melhores. Bom, eu acho o meu kindle muito superior aos modelos de hoje que são menores em memória, por exemplo, o meu kindle 3 ou keyboard como é chamado hoje, tem 4gb contra 2gb dos atuais. A tela dos novos é mais clara sim, mas como vc mesmo disse, isso não muda absolutamente nada na leitura final. Acho bacana as empresas até tentarem melhorar seus aparelhos, mas acho mesmo é que deveriam entrar massivamente na guerra contra os impostos que esses aparelhos recebem para serem comercializados no país. Acho que de tecnologia, os eReaders que são vendidos por aqui já estão de bom tamanho, não precisam de mais nada, só ficarem mais baratos, assim como os livros, que ainda continuam muito, mas muito caros. Abraços.

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