quinta-feira, 6 de junho de 2013

Karine Pansa pensa que o brasileiro leitor é idiota, só assim para afirmar: “Mais barato o livro, maior inclusão”.

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Seria cômico se não fosse trágico, o preço abusivo dos livros tem condenado gerações de brasileiros humildes à ignorância involuntária, um verdadeiro crime! Mas pior é afirmar para o brasileiro leitor que o livro está barato, eu lhe pergunto, você acha o livro no Brasil barato? Como podemos comparar com o livro em países com maior poder aquisitivo onde o preço nominal do livro é menor? Vamos parar com a palhaçada! Já respondi a falácia da Pansa aqui no Ebookbr, e ela em resposta a um novo comentário na folha, diz novamente as mesmas mentiras numéricas que já desmascaramos, é muita cara de pau! Afinal amigos, vocês não acham o livro no Brasil muito barato?

Vejam o que disseram Pablo Ortellado e Luciana Lima:

"Essa última observação ensejou resposta da presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Em artigo nesta Folha ("O preço do livro", 5/5), ela argumenta que, desde a isenção do PIS/Pasep, em 2004, o preço do livro caiu 44,9%. E utiliza como evidência um estudo encomendado pela própria CBL à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
Os números, por si só inverossímeis, merecem reflexão mais detida porque apontam para o problema mais amplo do uso de dados de empresas privadas na orientação de políticas públicas.
O levantamento buscou estimar o preço médio dos livros a partir de questionários enviados às editoras. Uma das dificuldades desse tipo de pesquisa deve ser destacada: os dados são autodeclarados e não podem ser auditados."

Vejam a profundidade da palhaçada: A CBL encomenda uma pesquisa para a Fipe, que é feita com um questionário às editoras que tem intenção de mostrar que o preço do livro baixou. Vejam o comentário da dupla:

"No fundo, dizer que a pesquisa da Fipe indicou que o preço do livro caiu 44,9% significa apenas que as próprias empresas disseram que baixaram o preço. E elas disseram isso no contexto das críticas do ex-presidente Lula de que, a despeito da isenção, o preço do livro não tinha caído. Como as editoras estavam interessadas em demonstrar essa redução, seu depoimento não é crível."

E vejam a resposta de Pansa:

"O argumento utilizado por Ortellado e Luciana é o de que os dados para a pesquisa são fornecidos pelas editoras e, portanto, não seriam confiáveis. Ora, além de ninguém poder fazer irresponsavelmente uma acusação grave como essa, há de se considerar que a Fipe, instituição com alta credibilidade, jamais se prestaria a trabalhar com base duvidosa de números. 

Questionar isso é uma ofensa a uma organização muito séria e de reconhecida competência. Ademais, no capitalismo democrático e nas nações civilizadas, pesquisas de preços e de faturamento são feitas com os dados do mercado, justamente porque são concretos e os que melhor expressam a realidade."

Conseguem acreditar? A pesquisa encomendada pelos editores, respondida pelos editores, é confiável pois foi feita pela Fipe... Sim, este é o argumento da Pansa, e a despeito desta numerologia, você consumidor de livros, leitor, viu o preço baixar? O livro está barato? Favorece a inclusão? Segundo a Pansa o preço do livro caiu pela metade!

Os pesquisadores questionam Pansa usando dados oficiais mostrando que na parte pública a redução de preço foi ínfima, vejam:

"Como contraponto, podemos buscar os dados públicos do maior programa de compras governamentais, o Programa Nacional do Livro Didático. Tomando o ano de 2004 como base e corrigindo os valores pela inflação, notamos nos últimos oito anos apenas uma pequena variação (em torno de R$ 7,50, em valores de 2012). É de chamar a atenção a disparidade entre o dado público, que indica estabilidade dos preços, e o dado privado, que indica uma redução de quase 45%."

Preparem o óleo de peroba que a coisa agora é forte, a resposta de Pansa:

"Para que Ortellado e Luciana fiquem melhor informados, explico: em meu artigo, deixei muito claro que os números apresentados eram exclusivamente relativos ao mercado, excluindo, portanto, vendas ao governo. E comemoro: que ótimo que a dupla de articulistas reconhece que também caíram os preços médios dos livros que o governo compra para distribuir aos estudantes das escolas públicas!"

Aqui vale um adendo, o governo é responsável por 40% do mercado de livros, ou seja, o título que for escolhido vira um bestseller instantâneo, mesmo que ninguém goste do livro, e assim pessoas como a Marilena Chauí podem dizer em voz alta que odeiam a classe média, pois ficaram ricas com livros que o governo compra, e como ela editoras e autores vivem pendurados nas bolsas escrotais do governo, é assim que se mantém o brasileiro pobre fora de qualquer literatura que preste. O e-reader pode acabar com esta mentalidade mesquinha, conferindo liberdade ao que se lê ou ao que se publica, por isso Dilma e o PT cobram um imposto que pela simples hermenêutica legal da leitura da constituição já estaria banido. O brasileiro ignorante, gado de curral, é o suporte do governo PT, e precisa ser mantido pobre e dependente, em situação humilhante a esmolar benefícios do governo.

A picaretagem é clara, só torturando números para chegar às conclusões absurdas de que o livro é barato, acessível e está 45% mais barato; você leitor que compra livros, vem acompanhando dia após dia os preços, acredita em tamanho insulto à sua inteligência? Aguardem, no próximo artigo a Pansa vai dizer que as ruas são feitas de chocolate e as nuvens de algodão doce.

Alex

4 comentários:

  1. Não creio que o livro em geral esteja mais barato, e sim que "é possível encontrar livros interessantes mais barato que antigamente". Sites de varejo sempre tem promoções interessantes, é dá para achar coisas boas em sebos e lojas de departamento.

    Mas se eu disser que *preciso* comprar agora um Manual de Contabilidade Societária ou um livro X de Medicina... não dá para dizer que é barato nunca.

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    1. Paulo,

      Estes livros mais baratos são desova de estoque, é mais barato vender do que armazenar, como os livros vendidos nas máquinas do metro, não contam como política de preços e sim como administração de prejuízo. Mas se você quer um livro específico, raramente o encontra fora da faixa de cinqüenta reais ou mais, esse preço absurdo torna um livro item impossível para os mais pobres, proporcionalmente, para termos o mesmo nível de acesso dos Norte Americanos, um livro aqui deve custar no máximo R$4,00! Ou seja, só existirá se o brasileiro ter um e-reader na mão, por isto minha insitência no e-reader.

      Abraço,
      Alex

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  2. Alguns livros continuam tão caros quanto antigamente. Eu comprei os livros do Tolkien, o Hobbit, a trilogia do anel e o Silmarilion logo no início dos anos 2000, quando o salário mínimo estava por volta de 300 reais. O preço médio dos livros naquela época era em média R$ 59,00. Detalhe, eu morava em Fortaleza e não havia nenhuma grande livraria dando desconto nos preços. Com os filmes, os livros da trilogia tiveram seus preços reduzidos, mas o Hobbit e o Silmarilion continuaram caros. Passada a onda dos filmes, os preços voltaram a subir e estão na faixa de preço entre R$ 39,00 e R$ 49,00, com a edição completa sendo vendida por R$ 149,00.

    Já o Silmarilion está sendo vendido por absurdos R$ 72,50 na Saraiva. Já o Hobbit, por causa do filme, está sendo vendido a R$ 29,00.

    Claro, se considerarmos que do início dos anos 2000 até agora houve um aumento considerável do salário mínimo, pode-se dizer que os livros estão mais baratos agora do que antes. Só que é um barato que ainda é MUITO CARO, e não acredito que tenha sido a isenção a responsável pelo patamar dos preços hoje em dia, e sim as necessidades exploratórias da editoras e as mudanças que ocorreram no mercado nos últimos 10 anos.

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  3. Alefe,

    Continuamos na nossa luta para acabar com este imposto imoral, mas falar desta podridão política me enoja, assim, deixa o estômago parar de revirar que volto a tocar no assunto, afinal, precisamos mostrar a verdadeira cara dos monstros e facínoras que são contra o livro.

    Abraço,
    Alex

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