terça-feira, 7 de maio de 2013

“O preço do livro”, quem querem enganar?

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Este domingo na parte de tendências e debates da Folha a senhora Karine Pansa, presidente da CBL, publicou um texto abjeto para justificar o estupro intelectual que representa o preço do livro no Brasil. Mais do que torturar dados e usa-los de forma espúria, a brincadeira é esconder o óbvio, o senso comum, e ao contrário do que disse a senhora Pansa, os preços no Brasil são muito altos, inchados e com enorme margem de gordura.

Mas como é de costume, não vamos ficar só nos “achismos”, vamos aos números da Pansa, e os que ela quer esconder.

“Entre 2011 e 2010, o preço médio do livro no Brasil recuou 6,11% nas vendas das editoras ao mercado. No acumulado entre 2004, quando as editoras tiveram isenção do PIS/Cofins, e 2011, a queda foi de 21,8%. Descontada a inflação, significa decréscimo real de 44,9%. Os números constam da pesquisa anual “Produção e Vendas do Mercado Editorial Brasileiro”, realizada pela conceituada Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE).”

Preço médio não representa nada, se resolverem imprimir folhetins mais baratos, o preço médio cai, de jeito nenhum representa que o preço caiu, e eu pergunto a você consumidor de livros, você viu o preço diminuir? Um livro quando está barato é na faixa de R$30,00, a maioria dos que vejo está na faixa entre R$50,00 e R$60,00! Pudera que esperamos promoções de limpa de estoque, só aí o livro é vendido a preços razoáveis, caso contrário, melhor esperar, e isto é refletido nas vendagens irrisórias do mercado brasileiro perto de outros países, aqui quatro mil exemplares vendidos é um sucesso! Óbvio, a este preço, nem lá fora um livro faz sucesso. Pergunto, estou eu mentindo? Exagerando? Ou é isso que vemos em nossas livrarias? E olha a que conclusão chega Pansa:

“Os números mostram que o mercado editorial, por meio da redução dos preços, dentre outras numerosas ações que vêm sendo empreendidas, está avançando na meta prioritária de ampliar o hábito de leitura.”

Consegue acreditar? A despeito da pesquisa de que o brasileiro lê menos. Se os dados anteriores são irrisórios, o que digam os próximos:

“Ainda segundo o DataFolha, os visitantes, que foram 750 mil na Bienal Internacional do Livro de São Paulo em 2012, compraram mais: 82% dos freqüentadores, ante 80% em 2010, adquiriram livros no evento. A média cresceu de cinco títulos, em 2010, para seis por pessoa.”

Pesquisa feita na Bienal Internacional do Livro... qual a sua relevância? Quem vai a uma bienal vai para comprar livros, não vai comprar legumes, certo? Ou será que vão procurando um fogão e uma geladeira mais em conta? O que representa isso para o Brasil? Nada! As pessoas vão ficar esperando uma bienal para comprar livros? Quantos lá foram? Qual a representatividade? Cansa-me ter que retrucar textos de gente tão privada intelectualmente, ou gente que acha que o mundo é feito só de idiotas e ousa falar asneiras tão gritantes.

Vamos a mais uma peça falaciosa:


”O número é 7,2% superior ao registrado em 2010, quando cerca de 438 milhões de exemplares foram comercializados. Do ponto de vista do faturamento, o resultado também foi positivo, e atingiu a casa dos R$ 4,837 bilhões – um crescimento de 7,36% sobre o ano anterior, o que, se descontada a inflação de 6,5% pelo IPCA do período, corresponde a um aumento real de 0,81%.

Esse baixo aumento real do faturamento mostra que as editoras estão trabalhando com pequenas margens, visando prioritariamente manter os preços cada vez mais acessíveis para os brasileiros.”

Editoras trabalhando com pequenas margens? HAHAHAHAHAHAHAHA! Esta só dá para rir, preços acessíveis? E depois querem legalizar as drogas no Brasil! O que ela está tomando?  O texto acima tem uma falácia que de tão velha vem com um nome em latim: “post hoc ergo propter hoc”( "depois disso, logo causado por isso"), ou seja, não há qualquer relação causal entre os dados da pesquisa e a afirmação do segundo parágrafo. E só quem não compra livro cai nesta conversa, quem não sente no bolso. Continuando o desfile de falsidades:

“São visíveis os avanços no sentido de reduzir o preço do livro e promover a sua democratização, o que não condiz com o que foi afirmado no artigo "Direito sem ordem de chegada", publicado por esta Folha no último dia 27.”

Vejam o parágrafo a que Pansa refere-se;

“Como os consumidores estão acostumados ao patamar de preços atual, o valor economizado com a limitação das meias-entradas tende a ser convertido em lucro empresarial --foi o que aconteceu com a isenção de PIS/Cofins concedida ao setor editorial em 2004: as editoras prometeram redução dos preços dos livros, mas os preços permaneceram os mesmos, e o valor da isenção foi incorporado pelas empresas.”

É isto que ocorre, preços não diminuem e livro não é democratizado, o preço alto funciona como uma censura branca, impedindo a leitura do povo mais humilde.

Para fechar com chave de esterco, ela arremata:

“Há, porém, muito a fazer em várias frentes, incluindo o sistema de ensino, as famílias, as entidades de classe do setor editorial e o poder público, em especial por meio de uma efetiva reforma tributária e de medidas positivas como o Vale-Cultura. Se todos fizerem sua parte, o livro passará a ser um direito inerente à cidadania brasileira.”

A velha desculpa do Brasil país do futuro que nunca chega! Tenta agora empurrar a culpa para o sujeito genérico: “a sociedade”. Detalhe, o “se todos fizerem sua parte” é só para encobrir que o lado editorial não faz a sua! E o que nos diz isto de maneira gritante? Livro no Brasil não tem imposto, os encargos trabalhistas são caríssimos, mas os salários são baixos, portanto, não é o nosso gargalo em relação ao preço fora. Um livro de U$15,00 é considerado já um livro caro, fora do Brasil, e sua venda cai muito, isto para um público onde o salário base gira em torno de U$2000, perto do índice de pobreza daquele país, nem consideramos o salário médio, somente o dos mais pobres pois aí a coisa fica ainda pior. O americano considera caro pagar U$15,00 por um livro, e os livros colocados nesta faixa tem vendagens pequenas a não ser que seja o mega bestseller. Qual seria este preço na equivalência do ganho do brasileiro? R$6,00, sim é isto mesmo, os Americanos acham um livro que custa o equivalente a R$6,00 caro! E a despeito de toda esta matemática, livros aqui são mais caros que nos EUA sem fazer a conversão pelos equivalentes do salário. Um livro de U$25,00(R$50,00) já é considerado caríssimo pelos americanos que ganham muito mais que os brasileiros, e a Pansa tem a coragem de dizer que estamos democratizando o mercado, dá para acreditar?

Se a coisa não fosse fedorenta no mercado do papel, no ebook fica ainda pior, não há como justificar o preço altíssimo do ebook no Brasil, é uma ofensa! E sabe quem prospera? A pirataria! Sim, muita gente com os e-readers ainda caríssimos por conta do imposto do PT tira a injustiça do preço pegando livro na internet, os livros piratas estão bombando! E quem sofre com isso é o autor. Pois é ele que deveria ser pago por um livro, foi quem teve o trabalho, e não precisa muito, o que ele ganha das editoras é ínfimo, por conta disto são muito poucos os brasileiros que conseguem viver desta atividade e consequentemente terem tempo para trabalhar um livro como se deve. Com preços abusivos o consumidor sente-se roubado, injustiçado, o preço do livro no Brasil não é razoável, se fosse menor as pessoas encontrariam um senso de justiça em pagar ao autor por seu trabalho, mas quem paga é um otário, financia uma máquina parasita, gorda e mesquinha que só quer saber de encher a pança de dinheiro, pensa com o excólex e vive esta vida solitária.

Alex

12 comentários:

  1. É isso mesmo Alex:

    "E sabe quem prospera? A pirataria! Sim, muita gente com os e-readers ainda caríssimos por conta do imposto do PT tira a injustiça do preço pegando livro na internet, os livros piratas estão bombando!"

    Tenho um Nook com o qual não posso comprar livros da B&N e as opções no mercado brasileiro não são muitas. Acabo pegando livros via torrent. Fico feliz em dizer que já lí 6 desde o início deste ano e procurando o 7º (É mais que a média acumulada de livros que li nos 4 últimos anos).

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    1. Raniere, tenho, também, um Nook e, pelo contrário, tenho comprado muito, e transferido para o meu Nook via cabo. Compro na Cultura, saraiva, Gato Sabido e Kobobrasil.

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    2. Tenho preguiça de ficar criando conta em várias lojas virtuais e alguns livros que queria ler ainda não foram traduzidos para o português e existia uma boa versão epub sem DRM via torrent (acabei não indo procurar nas lojas brasileiras).

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  2. Eu ainda uso bastante a pirataria para ler. Apesar de tentar evitar. Tenho todos os livros da guerra dos tronos e queria comprar apenas o ultimo para o Kindle, mas o preço não foi convidativo =/

    Já comprei alguns livros na Amazon americana, e tenho aproveitado algumas promoções na Brasileira (aquela livros da semana abaixo de 9,90).

    Tou louco para comprar o livro do "Jogos Vorazes", a versão americana sai por 9 reais e a brasileira por 24 reais. Fica difícil assim =/

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    1. Lembro do ano passado, quando "Jogos Vorazes" estava na moda que o preço nacional era ~R$35,00 e a versão americana na Amazon era ~US$10,00.

      Os preços eram próximos, apenas a realidade financeira dos países era diferente.

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    2. Realmente, consultando o site da Amazon, é mesmo uma vergonha. A Amazon vende o livro The Hunger Games, por R$ 9,90 (percebam que o preço já sai em reais). O mesmo livro, no mesmo site, na mesma moeda, na versão em português custa R$ 26. Piada de mal gosto.

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    3. Se você procurar, vai encontrar uma versão com os três livros juntos, em inglês, que está sendo vendida por R$ 38,15. Já os três saem em português por R$ 78,39. Mesmo com os custos de tradução e obtenção dos direitos de uso no Brasil, não se justifica tamanha diferença. Aliás, nada justifica os preços praticados aqui no Brasil, em qualquer setor ou produto.

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  3. Alex li neste blog como remover a propaganda do kindle sem pagar nada e deu certo se quiser fazer um post sobre isso vai o link
    http://www.pontogeek.com.br/blog/como-remover-propagandas-do-seu-kindle-sem-pagar/

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  4. Só compro livros impressos didáticos(cursos, dicionários, guias e etc...) quando não encontro para download antes...

    Ebooks eu nunca comprei e só vou comprar quando eles custarem menos de 2 reais e tem que ser caprichado... nada de google translator e "adaptações", tem que ser igual o original.

    sei lá, eu acho tudo muito caro... num mundo perfeito o governo financiaria o escritor/professor e todo material didático(livros, dvds, cursos online) seria gratuito ou quase de graça... sigo pirateando.

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    1. Olá DDL93,

      existem vários ebooks (não didáticos) que são bem caprichados e custam menos de US$2. Não são os best-seller mas em sua maioria são bem escritos. E existem também os livros clássicos que já se encontram em domínio público que a Amazon vende a US$0 (isso mesmo, a zero dolares), pelos menos até a última vez que tinha procurado.

      Concordo com você, em um mundo perfeito o material didático seria gratuito. REA, Recursos Educacionais Abertos, é uma das minhas áreas de interesse pois além de serem gratuitos a licença permite você usar como desejar (inclusive remixar e vender).

      Att,
      Raniere

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  5. Essa discrepância só pode ser uma coisa: O Valor das traduções para o português é alto, porque? Porque aqui se valoriza o tradutor. :P brincadeira!
    Tirando a piada - porque essa mulher só pode estar trollando -, é simples como esses cortes mostram. No Brasil, não se respeita o Leitor. Mas não é pessoal, nem se respeita o Cidadão, o Eleitor, o Estudante, então como esperar que respeitem o Leitor?

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