sexta-feira, 8 de março de 2013

Os e-readers à venda no Brasil.

Aumentar Letra Diminuir Letra



Até alguns meses atrás comprar um e-reader com preço menor significava ter que importar o aparelho do estrangeiro, e ainda pagar 60% de imposto sobre o valor do aparelho e também sobre o valor do frete, taxa esta que não existiria se o governo respeitasse o que diz a constituição em relação aos livros; a outra alternativa para pagar menos no e-reader implica em viajar ao exterior e trazer o aparelho em viagem usando da cota sem imposto de produtos adquiridos no exterior, esta ainda é a alternativa mais barata, pois aqui paga-se imposto de importação que não incide sobre livro, apesar do e-reader ser a acepção moderna do livro. Shakespeare é autor, e está idêntico em papel ou e-reader, também Rabelais, Goethe, Flaubert e Joyce, os mesmos livros em papel lidos no e-reader, mas com imposto.

O e-reader com tela e-ink é o único aparelho que permite o mesmo ou maior conforto que o papel para leitura, o único substituto viável para quem gosta de ler em papel, principalmente obras mais complexas que exigem maior concentração, você até pode ler ebooks em um tablet, em computador, no celular, mas o conforto, a sublimação encontrada nestes aparelhos é muitíssimo inferior ao que já encontra-se no papel, substitutos ineptos. Por estas características as mega livrarias adotaram o aparelho tentando controla-lo, fazendo com que o leitor fique de certa maneira obrigado a realizar suas compras de livros dentro do sistema dono do e-reader, por padrão ou conforto. A adoção do e-reader por livrarias quase acabou com os aparelhos independentes, aqueles sem vínculo, onde em teoria o cliente pode escolher de maneira mais livre onde quer comprar seus ebooks.

O medo mortal das editoras e livrarias é que a facilidade de cópia e distribuição do minúsculo arquivo digital que contém um livro inviabilize a comercialização deste produto, assim, mesmo independente do aparelho, usa-se o sistema de DRM para garantir que o livro não possa ser copiado e lido sem autorização expressa do editor ou livraria. O livro com DRM está criptografado, embaralhado por um código para que não possa ser aberto fora dos programas que tenham a chave para destravar o arquivo, e esta chave é individual para cada leitor, assim o seu ebook não pode ser lido no aparelho do seu amigo. Esta briga pelo DRM e o domínio dos aparelhos e sistemas usados na leitura digital, representa a tentativa de monopólio da literatura digital, enquanto existe concorrência o leitor consumidor se beneficia, quanto mais concorrência melhor para o leitor. Desta maneira se alguém ganhar a briga pelo domínio do sistema, quem sofre é o leitor; também o autor, seu fornecedor. Como exemplo claro disto temos a situação do nosso mercado editorial de papel, onde as editoras grandes que pagam menos para imprimir ditam preços extorsivos do livro de papel para o brasileiro, tornando livro e literatura artigo de luxo ao alcance de poucos cidadãos, este é o efeito do domínio do mercado: ignorância.

Neste exato momento temos duas livrarias competindo: Amazon e Kobo, a primeira mais restrita, só aceitando livros em seu formato proprietário, a segunda aceita o Adobe DRM, o único sistema DRM aceito nos e-readers que é usado e pago, pois também é proprietário, por outras livrarias. Existem livros livres, como os do Projeto Gutenberg que são livres de DRM e encontrados em todos os formatos, mas só autores independentes tem a ousadia de vender livros sem DRM.

A Amazon que é o sistema mais restrito, tem à venda nos EUA três e-readers, apenas um disponível no Brasil, o chamado Kindle 4 ou só Kindle, o aparelho mais simples. A Kobo em parceria com a livraria Cultura vende no Brasil hoje toda sua linha de aparelhos: O Kobo Touch, o Kobo Mini e o Kobo Glow. Vamos a eles:

Amazon Kindle 4

É essencialmente o aparelho lançado pela Amazon no ano retrasado com tela de 6”, 800x600 de resolução, não tem tela sensível, apenas 2Gb de memória compartilhada com o sistema sem possibilidade de expansão, a bateria dura cerca de um mês, lê os formatos proprietários da Amazon: Mobi, prc, KF8, AZW, TXT e PDF com grandes restrições, pois é quase impossível ler um arquivo .pdf com conforto. Apesar da tela não ser sensível e o aparelho ser bem simples, os livros formatados para e-readers são lidos com total conforto, pesa 170 gramas. Tem wi-fi como todos os aparelhos, e livros da própria Amazon podem ser comprados diretamente da interface do aparelho conectado wireless. A loja Amazon Br é separada da loja Amazon USA, inclusive com conteúdos e preços diferentes.

Preço no Brasil: R$299

Preço nos EUA sem propaganda: R$180

Preço aproximado do imposto para o privilégio de ler: R$120

Kobo Touch

É o aparelho mais antigo lançado pelo Kobo no ano retrasado com tela de 6”, 800x600 de resolução, tela sensível, 2Gb de memória expansível através de micro SD de até 32Gb de memória, a bateria dura cerca de um mês, lê os formatos: epub, Mobi, PDF, TXT, HTML e RTF, aceita o adobe DRM, assim livros de qualquer livraria que use o sistema podem ser lidos no aparelho. Aceita os formatos de quadrinho CBZ e CBR. Pesa 185 gramas e apresenta grande conforto para leitura com opções de fontes mais amplas que o Kindle e uma leitura de PDF aceitável. Com o Kobo sua conta na Livraria Cultura, na Kobo Br e Kobo Canadá é a mesma, e conectado wireless por wi-fi pode-se comprar livros na interface do aparelho.

Preço no Brasil: R$399

Preço nos EUA: R$190

Preço aproximado do imposto para o privilégio de ler: R$200

Kobo Mini

Lançado no ano passado é um dos mais portáteis e-readers disponíveis, tem tela de 5” com 800x600 de resolução sensível ao toque, 2Gb de memória compartilhado com o sistema sem possibilidade de expansão, duração da bateria de cerca de um mês, lê os formatos: epub, PDF, Mobi, TXT, HTML, XHTML, RTF e aceita adobe DRM, para quadrinhos lê CBR e CBZ. Pesa apenas 134 gramas e tamanho diminuto de 10cm por 13cm, muito fácil de carregar para todo lugar, sua grande vantagem. Como os outros aceita a compra de livros diretamente no aparelho conectado em rede wi-fi.

Preço no Brasil: R$289

Preço nos EUA: R$160

Preço aproximado do imposto para o privilégio de ler: R$120

Kobo Glo

Também lançado no ano passado, o seu diferencial é possuir um sistema de iluminação que permite ler no escuro com conforto sem o uso de uma fonte externa de luz, tem tela de 6” com 1024x758 de resolução sensível ao toque, 2 Gb de memória expansível com micro SD de até 32Gb, a bateria dura cerca de um mês, lê os formatos: epub, PDF, TXT, HTML, XHTML, RTF e aceita adobe DRM, para quadrinhos lê CBR e CBZ. Pesa 185 gramas e conecta-se à rede via wi-fi, pode-se adquirir livros diretamente na interface do aparelho. Não mencionei, mas todos os e-readers conectan-se ao computador através de porta USB e cabo fornecido e os livros podem ser transferidos para o aparelho como se fosse um pendrive, desde que sem DRM, para transferir livros com DRM deve-se usar a interface própria, seja da Adobe, seja da livraria. De diferente que o Kobo Touch tem a luz, tela de maior resolução e não aceita Mobi, tem um processador um pouco mais rápido.

Preço no Brasil: R$449

Preço nos EUA: R$260

Preço aproximado do imposto para o privilégio de ler: R$190

No momento estas são as opções para o e-leitor brasileiro, se tiver a oportunidade, compre o seu leitor fora sem o imposto da vergonha cobrado pelo governo, mas se você tem dinheiro e não se preocupa em gastar, não é um limitante para ti, pague o imposto imoral e seja parte de uma elite de leitores que lêem mais mesmo gastando menos, tenha a maioria da cultura dita “clássica” gratuita no seu aparelho e acesse um novo mercado onde autores independentes oferecem livros muito mais baratos e com a mesma ou maior qualidade sem o intermédio de editoras. Literatura antes de tudo é liberdade, e com o e-reader você será mais livre para escolher o que quer ler, no preço que quer pagar.

Alex

4 comentários:

  1. Alex, boa tarde. Escrevi para o email do contato do site mas não recebi resposta, como leio os seus posts e sei que gosta do Sony tenho um Sony PRS-T2 vermelho com pouquíssimo uso, porque uso o kindle, e agora estou usando o kobo mini para ler epub, e geralmente dou meus e-readers para pessoas que gostam de ler. Gostaria de perguntar se gostaria para vc, ou senão quiser para vc pode fazer um sorteio no blog. Aguardo resposta.

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    1. Oi Marta,

      Obrigado pela oferta, sim, gosto muito do Sony por sua capacidade de poder rabiscar as páginas dos livros, mas já tenho meus readers, assim, seria mais interessante que doasse o aparelho a alguém que se dedique a incentivar a leitura, estendendo o escopo do trabalho para o mundo digital, um sorteio só beneficiaria um único usuário, desta maneira o reader poderia ser utilizado para dar a muitos o gostinho da literatura digital. Me proponho a abrir um post convocando quem faz este serviço e pedindo que proponha uma forma de uso do aparelho para o propósito dentro do trabalho que já faz, toda discussão seria na área de comentários e caberia a ti decidir quem recebe o seu aparelho. Desta maneira selecionamos, damos visibilidade ao debate e no final, alguém que já incentiva leitura pode fazer o trabalho também no meio digital. É só uma idéia, como o aparelho é seu, a decisão é sua.

      Abraço,
      Alex

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    2. Boa tarde Alex, pode fazer esta sua idéia e depois me passa o endereço para eu enviar o e-reader, o mais importante é que a pessoa que receber realmente irá usá-lo. Obrigada.

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  2. Oi Marta! Eu como estou desempregado não posso comprar um e-reader. E mesmo conseguindo um trabalho, ainda levará algum tempo pra isso porque, no momento, há outras prioridades maiores que a compra de um e-reader, que não é tão barato para todos, como parece, mesmo sendo até mais barato que alguns tablets "xing ling" que nesse caso, não tem a tela e-ink.

    Já tenho vários livros baixados da internet, a maioria do Stephen King, que eu adoro, guardados e esperando o momento em que comprarei um leitor digital, para serem lidos, se bem que já tentei ler através do PC pelo programa da amazon, mas não é a mesma coisa... ler pelo monitor cansa muito a minha vista.

    E um e-reader não só me motivaria a ler mais, como também ao meu pai, que não tem o hábito de ler, principalmente por causa da fonte, sempre pequena, que é usada atualmente nos livros de papel. O que é um problema para alguém com a idade dele. Aumentar a letra em qualquer livro que seja, seria de grande ajuda pra ele que não lê nada que não seja a Bíblia, em uma edição com letras maiores, dada a ele por mim, mas com a letra que ainda é pequena demais pra ele.

    Então quero fazer parte deste sorteio, esperando sem pressa o resultado. Se eu não ganhar, eu esperarei até a hora de poder comprar um. Mas se eu ganhar, tenha certeza de que será bem usado!

    Abraço!

    Cristiano.

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