terça-feira, 19 de março de 2013

A Cultura de iludir o consumidor

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Acesso a caixa de entrada de emails e um deles chama-me atenção cujo título brilhava na tela mais que rojão de São João:


"eBooks com 50% de desconto! A praticidade de uma biblioteca na sua mão!"



Em segundos, minha mente foi invadida por dois pensamentos otimistas:

1) O mercado brasileiro chegou ao ponto de amadurecimento suficiente para iniciar programa de ofertas, com redução de margens de lucros das livrarias e correlatos, com o intuito de atração de clientes por meio do corte de preços dos ebooks.

2) O conceito que mais destaca o e-book do livro físico, a praticidade e disponibilidade de se ter uma biblioteca nas mãos, está sendo popularizado pelo poder massivo da propaganda.

Após esse momento de profundo deleite, fui a colheita dos frutos, vamos ver quais ebooks estão na oferta...

Eis que tomo um soco na boca do estômago e a ilusão se escorre tão rápida como o deletar de um email: a grandiosa oferta de 50% simplesmente é um embuste abusivo.

Chega-se a essa conclusão ao verificar que os preços não diferem dos aplicados pelos concorrentes quando se compara os preços dos e-books contidos no encarte, ditos em oferta.

Por exemplo o e-book Além do Bem e do Mal, Nietzsche, no e-mail  de R$ 20,00 por R$10,00, na Amazon o preço parte do menor valor.

Já era de se esperar, afinal somos o país que copia as práticas mundias de varejo, como o Black Friday, no qual se vende "tudo pela metade do dobro", por que seria diferente dessa livraria?

O caso realmente é revoltante, pois é uma prática lesiva aos consumidores mais desatentos, induzindo-os aos erro, o que infringe o Código do Consumidor (lei nº 8078/90) que conceitua PROPAGANDA ENGANOSA: 

Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.§ 1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.”
Os pensamentos otimistas sobre o amadurecimento do mercado de livros digitais se desfaz no mais puro asco e desprezo ao setor de propaganda da livraria Cultura que menospreza e engana o seu consumidor dessa forma espúria e vil.

Fiquem atentos leitores e consumidores, e aqueles que receberam esse e-mail  enganoso, manifestem-se no SAC para mostrar não se pode subestimar o poder do consumidor.

Se alguém do Ministério Público e  Procon nos lê, faça-no os favor de encaminhar uma notificação para que esse caso não venha mais acontecer.

Mas quanto ao segundo pesamento, bem, pelo menos isso é verdadeiro.

9 comentários:

  1. Agradeço a equipe da Livraria Cultura pela resposta.

    E ao Juliano pelo comentário. Faço dele minhas palavras.

    Cogitei que o preço igual nos dois fornecedores tinha muito mais reflexo no preço flat da negociação com a Editora Companhia das Letras, que bom para os consumidores e para o mercado.

    Mas se o concorrente pratica o mesmo preço, não foi imprudente anunciar a oferta de 50% como uma ótima oportunidade dada pela Cultura aos seus consumidores?

    O varejo é muito dinâmico, e o deslize do marketing da Cultura foi bem desastroso.

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  2. História surreal, este livro que custa R$20,00 em sua versão eletrônica, sem ter que gastar em papel, impressão e distribuição, é um livro em domínio público e a tradução para o inglês, assim como o original em alemão, são gratuitos. Mesmo com a suposta promoção, R$10 é caríssimo para uma obra em domínio público! Se o preço é dependente da editora, não há que a Cultura falar em promoção, ainda mais em um livro como este, que mesmo na pseudo promoção está caríssimo! Parece que aqui no Brasil tudo é avacalhado, nos EUA um comportamento semelhante de combinação de preços entre as antigas “big six” deu um processo por conluio na formação de preços.

    Alex

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Eu sei que as editoras criticam bastante a Amazon nos Estados Unidos por impor condições que forcem a redução de preços, mas eu, como leitora, acho isso positivo. Já aqui no Brasil, os preços são todos "tabelados", até a casa dos centavos. Se a gente pesquisar os preços dos ebooks de editoras nacionais nas livrarias online (Amazon, Google Play, Livraria Cultura e na maioria dos casos até Gato Sabido), quase todos os preços são idênticos, não tem concorrência nenhuma.
    Ainda bem que eu posso comprar os livros em inglês, cujos preços são muito inferiores às suas respectivas versões em português, e estes sim têm concorrência e promoções de verdade.
    Como exemplo, vejam na Amazon brasileira o primeiro livro da trilogia Hunger Games/Jogos Vorazes, que sai por R$9,92 em inglês e R$26,13 em português. O mesmo livro! Não dá para imaginar que apenas a tradução justifique tamanha diferença no preço, não é?
    É uma pena que nem todos os leitores tenham acesso a esta opção de ler as versões em inglês...
    As livrarias tem que começar a forçar um pouco a barra para baixar os preços, como a Amazon faz nos Estados Unidos, senão ebooks nunca vão emplacar pra valer aqui no Brasil.

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  5. Essa prática de preços iguais imposta pelas editoras não poderia ser considerada cartel??

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  6. Mobile, eu acredito que esta prática não possa ser considerada cartel já que estamos falando do mesmo produto, no caso o livro. Cartel é quando empresas que vendem produtos concorrentes combinam preços. Seria cartel, por exemplo, se a Livraria Cultura vendesse o Kobo com o mesmo preço do Kindle da Amazon, que não é o caso.
    Neste caso, é a mesma coisa que encontramos com inúmeros outros produtos, onde o preço "sugerido" pelo fabricante ou fornecedor é cumprido à risca pelos vendedores, que não tentam diminuir suas margens de lucro nem em centavos ou negociar preços mais baixos para tentar atrair o comprador.

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  7. O problema é: o preço é sugerido ou imposto? Não há concorrência porque as Amazon e Cultura/Kobo não querem, ou porque são impedidos de concorrer?

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  8. Apenas um comentário triste. Ontem saiu o resltado do processo que a livraria cultura entrou sobre a cobrança de impostos em e-readers.

    http://s.conjur.com.br/dl/reades-imunidade-tributos.pdf

    E foi broxante, foi rejeitada pois PAPEL é PAPEL. E nós não precisamos de um incentivo á leitura nenhuma =_= Barbarie!!

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  9. Daeron... Calma calma essa decisão que você colocou é sobre a analise da isenção do imposto em sede de liminar (ou seja antes da decisão final do processo).
    Ainda terá a decisão final.

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