terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

“A inteligência roubada” : Mais ignorância na Folha, agora na voz de Vladimir Safatle.

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Ignorância é apenas não saber, não conhecer e não informar-se, pode ser apenas um pecado sem culpa, ou atitude renitente de quem nada quer saber, existe até quem tem orgulho de ser ignorante; mas sempre acho uma iniqüidade quando ela está na boca de um suposto acadêmico, e pior, criticando um governo sem face, pois seus supostos consultores, especialistas a peso de ouro, desconsideram que o livro é a base de toda educação.

Não discordo, aliás, já mencionei aqui milhares de vezes que livro é a base de toda educação, sem ele nada existe, por isso meu empenho pelo e-reader no Brasil. Quem já se meteu no mercado editorial sabe como os preços dos insumos básicos para imprimir livros são diferentes dependendo do tamanho da editora, um livro que custa cinco reais para uma grande, na mesma tiragem custa vinte e cinco para o pequeno, e a maior parte da diferença está no preço pago pelo papel. Há no Brasil uma estrutura montada que impede que livros sejam confeccionados e vendidos a preços acessíveis, e esse tem sido o maior entrave para a educação e leitura. Portanto, aqui está meu ceticismo em relação ao livro de papel, ao outro lado, surgiu o e-reader, aparelho tecnológico que transpõe todas estas barreiras do papel e permite que os mesmos livros, com o mesmo ou maior conforto, cheguem ao leitor com um custo ínfimo.

O e-reader não é novo, pode ter chegado oficialmente no Brasil apenas no ano passado, mas para um acadêmico que deve manter-se atualizado em base diária, ou no máximo semanal, desconsiderar o e-reader é uma ignorância imperdoável, e é isso mesmo que faz o colunista na contracapa do jornal, ao apontar que 72% das escolas não tem biblioteca e que isto é ignorância de um governo “genérico”.  Vejam: “Pois não faz sentido algum discutir o fracasso educacional brasileiro se questões elementares são negligenciadas a tal ponto”.

Faz sentido ignorar que uma tecnologia muito mais barata pode dar acesso ao livro? Sempre gostei de bibliotecas, mas são caras, difícil de serem mantidas, exigem funcionários e tudo isto gera custos. Outro dia vi o anúncio de uma biblioteca sem papel nos EUA, seria uma grande revolução, sério? No tempo do livro digital biblioteca é um servidor estacionado em qualquer lugar do mundo! Servindo qualquer cidadão, seja através de celulares, tablets, computadores, 3G, 4G, cabo, telefone, e até lanhouse em disquete. Isso é acesso! Já está aí, não precisa ser construído, não precisa de gasto. Nossa constituição já veda imposto ao livro, mas o governo cobra de cada e-reader de R$150 a mais de duzentos só de imposto, e imposto também incide sobre o ebook. A precária biblioteca nacional, cheia de dinheiro está em frangalhos, e o projeto de digitalizar obras, longe de qualquer previsão é um fracasso! O governo paga bolsa tradutor para colocar obras brasileiras fora em editoras privadas, mas não paga tradução de livros em domínio público para oferecer de graça aos brasileiros. A maior desculpa é falta de dinheiro, mas atitudes muito baratas, de imenso custo benefício não são tomadas, ao mesmo tempo vemos propaganda na TV com crianças lendo, mentira grossa! Existe dinheiro para propaganda, e como há, mas iniciativas que nem dependem de dinheiro, com muito maior efetividade não são tomadas.

Expliquem-me como um suposto acadêmico, ao falar de livros e leituras, desconsidera solenemente uma tecnologia que não é nova e pode resolver o problema de forma muito mais efetiva? Para quem não conhece o gajo, é bom avisar que é ideólogo de esquerda; ideologia, seja ela qual for, é uma ferrugem perigosa para qualquer engrenagem cerebral e pode extinguir qualquer vestígio de inteligência, mas ignorância desta monta é difícil ser justificada; denúncias genéricas, sem apontar os responsáveis são inócuas. Apontar problemas sem suas soluções é prática comum do ideólogo, ou apontar resoluções inviáveis, que se sabe não serem implantadas, assim os tais problemas perpetuam-se. Mas ideologia e ignorância vivem dos problemas, florescem com a bagunça, descaso e o mau propósito sem qualquer visão objetiva; e desta maneira em 2013 um suposto acadêmico ignora os ebooks, ignora os e-readers, ignora o imposto do governo que dobra o preço dos aparelhos, ignora que são dez anos de governo dito esquerda e esconde que a solução é barata e simples, mas não é tomada.

A educação e a leitura não podem esperar a construção de bibliotecas, se estivessem prontas e recheadas em dez anos, já teríamos condenado quase três gerações à ignorância involuntária, pense nisso como uma doença contagiosa, quanto mais tempo passa mais a ignorância avança, e tem avançado muito nestes dez anos, somos menos leitores e fora de qualquer padrão internacional na educação, isto reflete no Brasil, morre gente por ignorância, e depois não se sabe como bandidos vão parar no congresso, não é escolha do brasileiro, pensada, apenas um dos nefastos efeitos da falta de uma educação de verdade, aquela que está nos livros, para quem sabe ler.

Alex

6 comentários:

  1. Com certeza o problema do acesso a livros no Brasil é antigo, mas hoje a solução é outra(pelo menos a mais viável)..
    Concordo com o colunista que para a educação melhorar precisa-se valorizar os meios de se passar o conhecimento(professor, livros, etc), mas um investimento hoje em bibliotecas seria obsoleto caso se pensasse no futuro.
    Olhando pelo lado do e-book, pelo menos na teoria, seria a solução perfeita, mas isso no Brasil.. é outro caso.
    Não consigo imaginar hoje um e-reader bom, barato e popular no Brasil, muito menos um e-reader 100% brasileiro.
    Há também a falta de incentivo a leitura, e também o incentivo forçado(como eu que odiava livros como os de Machado de Assis e outros que tinha que ler na escola).
    São tantos problemas que para se solucionar haveria batalhas épicas contra mentes ignorantes.

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  2. Bráulio,

    Os e-readers que usamos hoje, de companhia norte americana ou nipocanadense, são 100% chineses, assim como quase todos os eletrônicos do mundo, no Brasil nem existe fábrica de chips, assim, você nunca verá um e-reader 100% nacional. Todos os e-readers compram a tela e-ink e montam os aparelhos na china, nem as bandeiras brasileiras que são vendidas na 25 de março são 100% nacionais. Mas sem o imposto parasita que é contra a constituição, o leitor pode importar o aparelho de onde quiser, e isto acaba regulando os preços dos aparelhos vendidos no Brasil, um e-reader sem imposto já custa R$140,00, o preço do celular mais barato vendido por aí, e todos já tem celular, portanto acessível, e olha que o e-reader dura muito mais que o celular.

    Há falta de incentivo à leitura e até a prática da leitura forçada de clássicos brasileiros em idade inadequada, mas isso pode ser facilmente combatido, leitura na escola deve ser exclusivamente lúdica, e só quem pode decidir o que gosta ou não de ler é o próprio leitor, por isso a liberdade é fundamental. Os pseudo-educadores tacanhas vão perguntar: “o que uma criança na escola vai aprender lendo Harry Potter?” Respondo, o mesmo que aprendem lendo Machado de Assis: ler, só que com prazer, desde que seja o bruxinho o interesse do aluno, por isso liberdade na literatura é fundamental.

    Problemas são muitos? Não! Devemos identifica-los e remedia-los, só com as medidas acima, e são medidas extremamente simples e de baixíssimo custo, já temos um excelente começo, permitimos que o livro chegue nas mãos do leitor, principal problema, e evitamos os traumas que os professores munidos de pedagogia irracional e ideológica dêem à leitura o mesmo triste fim de Policarpo Quaresma. Vai ser uma batalha, pois o governo do PT aprovou o decreto do Plano Nacional de Direitos Humanos, e nele, em nome de um suposto direito humano genérico e falsificado, apregoam o controle da mídia, livro é mídia e já está controlado pelo governo, financeiramente, pois o governo representa quase a metade de todo lucro das editoras tradicionais. O e-reader volta a trazer liberdade à leitura, e isto o governo não quer permitir em nome do seu plano de controle ditatorial, é este o motivo, está aí a batalha, você acha que se o brasileiro lesse e não fosse ignorante votariam assim em bandidos? Claro que não! Para ter uma população com 75% de analfabetos funcionais é necessário que 75% da população nunca tenha lido um livro por prazer!

    Acesso e prazer, este é o caminho fácil para difundir a leitura; leituras mais requintas só virão se o leitor conseguir ler as mais simples. Quem não lê Harry Potter nunca lerá Machado ou Joyce, pode ter certeza! E quem lê pode iluminar-se, como diz Kant: pensar com a própria cabeça, e assim não aceitar os bandidos que emporcalham o congresso e o executivo.

    Abraço,
    Alex

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    1. é dura realidade mas cheia de esperança..
      o que resta é esperar alguma iniciativa do governo.

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    2. Bráulio,

      O e-reader traz a primeira esperança de termos literatura acessível a leitores e publicação acessível a autores, sem dúvida um presságio alvissareiro. Mas a iniciativa do governo atual está aí: imposto no e-reader e no ebook, cada um que comprar e-reader tem que pagar um pedágio de R$150 a R$250,00 para o governo pelo privilégio de ler. A iniciativa é nossa de denunciar que o governo PT é contra a educação, esta é nossa ferramenta de pressão, para um Brasil mais leitor, mais culto e mais humano.

      Abraço,
      Alex

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  3. Lendo a matéria da folha não vi nehuma crítica contrária ao E-Reader. O colunista apenas propagou o que todo mundo já sabe: educação no Brasil é precária e que o mais básico não é feito.

    Sim, acredito que o meio digital é um ótimo incentivo para a leitura, seja no e-reader, computador, tablet ou celular.

    O que vejo como grande vantagem do livro digital é que obras que já se encontram em domínio público que podem chamar a atenção dos jovens (Julio Verne, H.R. Haggard) podem ser usadas nas escolas a custo zero.

    O mais importante é fazer com que crianças, jovens e adultos tenham gosto pela leitura, a tecnologia usada, se será o papel impresso ou um e-reader, fica à gosto do leitor.

    Quanto às bibliotecas físicas acredito ainda serem importantes em lugares mais interiores do Brasil, como o interior do Nordeste brasileiro, lugares onde as pessoas mal tem energia elétrica em casa, um livro em papel mesmo é muito bem vindo.

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    1. Felipelino,

      O Colunista em questão é um suposto acadêmico, no meu último passeio pelo campus da USP, é normal os professores manterem-se atualizados em base diária, é para isto que são pagos pelo estado, a desatualizarão do Safatle é como falar dos movimentos trabalhistas do século dezenove como se fossem contemporâneos, como disse, é apenas ignorar, não falou mal, apenas ignorou, atitude repreensível no acadêmico de universidade pública.

      O problema do papel no Brasil: é muito custoso, e assim as bibliotecas nunca são construídas, recheadas e mantidas, com o e-reader todos os livros em domínio público tem custo zero, não em papel; além disso, um livro distribuído digitalmente estará nas mãos de todos leitores imediatamente, quanto tempo os mesmos livros vão demorar para chegar no interior do nordeste? Acho que nem estes rincões são desculpa para o papel, afinal, são eles que mais necessitam da educação computacional, e ela é mais barata que uma enorme biblioteca de livros com diversidade finita comparada com a imensa possibilidade de escolha do digital, se lá chega uma urna eletrônica, chega computador e e-reader, é só querer. O problema é que não querem, vão agora fazer o “bolsa novela” para o povo comprar conversores digitais, mas livros nunca, perigosos para um sistema ditatorial que se arvora na ignorância do eleitor.

      Abraço,
      Alex

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