quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

E-reader no aprendizado de línguas.

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Há muitas maneiras de aprender uma nova língua, rápidas ou lentas, prazerosas ou penosas, e nisto o aparelho e-reader pode ser uma ferramenta fundamental. Quando era ainda bem garoto o pai de um amigo deu-me um conselho valioso sobre a melhor maneira de aprender línguas: “compre uma revista de um assunto que gosta muito e comece a ler com um dicionário”, simples assim; este pequeno “insight” foi uma das coisas mais úteis que aprendi na vida. Lá fui eu comprar um exemplar da revista “Alpinisme et Randonnée” e um pequeno e prático dicionário de francês, funcionou. Na época revistas sobre escaladas e caminhadas eram inexistentes no Brasil, e o pouco de informação que recebíamos nas revistas era precioso, assim, o assunto não podia interessar-me mais e com isto toda dificuldade inicial de ter que procurar cada palavra no dicionário foi superada, sem nem mesmo perceber. Meu francês, lendo, ficou excelente, já falar é outra estória, pois não tinha acesso à língua para ouvir. Como todos tive inglês na escola, e como a maioria não aprendi nada, aqueles textos estúpidos dos livros do CCAA que tive a infelicidade de usar da quinta série ao terceiro ano, eram perfeitos para desestimular qualquer interesse, e pior, criar uma aversão ao idioma. Até o fim do colégio o francês cobria bem minhas necessidades, e as boas livrarias do centro eram bem recheadas no idioma, com preços muito mais convidativos que os livros em inglês.

Na universidade não tive como escapar, os professores nos davam os textos em inglês, e problema seu se não dominasse o idioma, ensino superior não é colégio, era exigido do estudante certa autonomia; quando conseguia, fugia para versões francesas do mesmo texto, mas não era fácil, e assim tive que abraçar a língua angla, aproveitando do velho conselho, comprei um pocket bem baratinho e que gostaria muito de ler: “Moby-Dick”, e um pequeno dicionário que guardo até hoje, meu professor de inglês: “Collins Gen de Inglês-Português”. Juntos, eu e Ahab empreendemos viagem para derrotar a grande baleia branca, e posso garantir-lhe, se conseguir vencer a batalha, ao final do livro seu inglês estará bem decente, lógico que falar o idioma é outra estória, na época o contato com o inglês falado não era simples, mas ao contrário do meu francês, onde se abro a boca gero piadas da minha pronuncia auto-aprendida, tive o prazer de conviver com um americano nativo quando trabalhava em uma editora, o que me fez sem perceber pegar a pronuncia correta e até o forte sotaque.

Tudo isto para dizer que hoje aprender uma língua é muito mais simples, com a internet podemos nos expor aos mais variados idiomas e com o e-reader, o ato de ler um livro procurando cada palavra no dicionário ficou muito mais simples com o dicionário embutido, no Kobo o dicionário Inglês-Português já vem instalado, no kindle é preciso comprar um e instalar, e para os mais avançados o dicionário Inglês-Inglês é perfeito, disponível em ambos os aparelhos, gratuito. Assim, eu repasso o conselho que me foi muito útil: pegue um livro ou texto de um assunto que gosta muito e comece a ler, se o assunto realmente lhe interessa vai ajudar a passar o começo áspero, mas verá que logo seu léxico amplia-se, as consultas ao dicionário tornam-se menos freqüentes, e rapidamente estará lendo no idioma escolhido. Infelizmente o aparelho que eu achava ser a ferramenta perfeita para aprender uma língua, ou pelo menos o inglês, já não existe, é o kindle touch com sua função “read to me”, o kindle 3 ainda pode ser encontrado e é o único ainda com som e a função, mas na hora de consultar o dicionário não é tão conveniente como a versão de tela sensível. Para o estudante de línguas a função de ler em voz alta dá a possibilidade de não só ler, como ouvir como as palavras são pronunciadas, tudo em um único aparelho, torna-o uma grande ferramenta de aprendizado. Existem programas leitores de tablets, gratuitos, que podem ter incorporada a função de leitura, mas não é fácil configurar e usar, os poucos que vi não tem a mesma qualidade do “read to me”.

Aprender uma língua estrangeira nunca foi tão simples e barato, se comparar com os preços dos cursos de idioma, é uma fração ínfima, e garanto-lhe que vai aprender muito mais rápido do que com as duas aulinhas semanais pelo qual paga; existem cursos melhores, onde o professor adapta o aprendizado ao interesse do aluno, mas esses limitam-se a uma elite que pode pagar os preços altíssimos,  assim, em vez de ficar com os cursinhos enlatados com os seus inspirados “my name is Mike”, você pode optar por um texto que lhe desperte interesse e o faça ir adiante, por prazer, não por obrigação, e assim, sem perceber, muito mais rápido, estará dominando uma língua estrangeira.

Às vezes nos questionamos nos velhos dilemas de Savonarola, com todas estas facilidades o Brasil ainda tem três quartos do povo sem domínio do idioma pátrio, e apesar de aprender uma língua estrangeira nunca ter sido mais fácil ou barato, ainda nos deparamos com gente para qual o idioma ainda é uma barreira intransponível, à primeira vista, para quem aprendeu de maneiras mais difíceis e sucedeu, pode parecer que as novas gerações desperdiçam a vantagem que lhes é oferecida e em vez de ir adiante onde demoramos a passar, ficam marcando o passo sem avançar. Mas ao contrário do Frei italiano da Florença renascentista, não acredito que as facilidades tornem o homem mais indolente, pois tem gente que dadas as possibilidades aproveita ao máximo e avança em velocidade nunca antes possível, desta maneira, acredito que o acesso à cultura sempre vem a bem, e ler, seja o que for, já é um grande ganho para um país de maioria semi-analfabeta. Negar o acesso à leitura e à cultura, deveria ser um dos crimes mais hediondos, punido com o maior rigor da lei, pois pode não parecer, mas ignorância e complacência matam mais do que tudo no mundo.

Alex

9 comentários:

  1. falou tudo..
    nunca fiz um curso de inglês mas
    tenho um inglês de gamer que quebra um galho,
    consegui alguns livros em inglês(alguns que até li) para lê-los, só falta agora um dicionário inglês-português.

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    1. Bráulio,

      Se você já tem o inglês de “gamer”, talvez o dicionário inglês-inglês já seja suficiente para ti.

      Abraço,
      Alex

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  2. Boa parte do meu inglês aprendi com um antigo curso em fitas cassete da BBC, que ganhei de um vizinho (pelo que percebi, ele mesmo não o usou completamente pois os últimos volumes estavam quase novos). Claro, complementei em um tradicional cursinho.

    Ah, se tivesse a tecnologia de hoje com o tempo disponível da juventude... existe uma infinidade de materiais didáticos gratuitos (mesmo, não piratas) pela internet, como o conteúdo distribuído pela BBC. Também outros idiomas, com cursos da Deutsche Welle (até comecei um de alemão, mas tive que parar por me dedicar a estudos técnicos).

    Aliás, desde que comprei um Kindle fiquei imaginando a oportunidade dessa plataforma... materiais didáticos digitais já existem aos montes (vide a Estácio e seu pitoresco tablet "gratuito"), mas acredito que o "pulo do gato" seria a distribuição de conteúdo extra via Whispersync... imagina você na aula recebendo por wifi o material de estudo, a correção do capítulo anterior...

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    1. Paulo,

      Esta integração entre material didático e aparelho leitor já pode ser implantada, é só o professor ser esperto, e óbvio, todos os estudantes terem um e-reader.

      Abraço,
      Alex

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  3. Muito do meu inglês eu devo a jogos e seriados, quando ainda era moleque jogava Magic: The Gathering e a maioria das cartas ainda eram em inglês isso foi treinando meu inglês básicão do ccaa para não ser passado para trás nas partidas, depois mais recentemente com o uso de torrents para ver séries e a demora das legendas saírem comecei a ver sem legendas em português ou com as legendas em inglês mesmo e isso melhorou muito meu inglês principalmente na linguagem mais informal e girias coisas que quase não se aprende em "escolinhas"

    Já li um ou outro livro em inglês usando o kindle e o dicionario en-en mesmo como suporte e ajudou bastante, acho que com certeza se alguém tiver um dicionario en-por pode aprender por esse método numa boa

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  4. Excelente dicionário Inglês-Portugues para Kindle (GRATIS)
    Wordnet 3
    http://eb.lv/dict/

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  5. Excelente dicionário Inglês-Portugues para Kindle (GRATIS)
    WordNet 3 Infused PT English + Portuguese (19MB)
    http://eb.lv/downloads/wn3infpt.mobi

    Tem outrs combinações também
    http://eb.lv/dict/

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  6. Olá,
    Tenho uma dúvida, e gostaria de saber se você pode me responder, estou para comprar um e-reader, um Kindle ou um Kobo, ainda não decidi. Resolvi comprar justamente para treinar meu francês, e queria me valer de um dicionário francês-francês e um francês-português. Você sabe se eles estão disponíveis no aparelho ou se tenho como comprá-los?

    Obrigada!

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    1. Lííh,

      Se você colocar a língua base do seu aparelho como Francês, o dicionário Francês-Francês estará disponível para ti, Francês-Português deverá ser adquirido à parte, no seu caso eu preferiria o Kobo de empresa Canadense, país que tem também o francês como língua, no caso, ele identifica se o texto é inglês ou francês e usa o dicionário correto, pelo menos no Kobo adquirido nos EUA, não sei no caso do brasileiro.

      Abraço,
      Alex

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