terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Carta do Leitor: Experiência com o Kobo.

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Olá amigos,

Meu nome é Lúcio Castro, sou professor de inglês e recentemente adquiri um Kobo Touch, na Livraria Cultura, de Porto Alegre-RS.

Posso afirmar que estou 90% satisfeito com a minha aquisição. Posso levar comigo uma vasta biblioteca e estou feliz em poder colocar no aparelho e portar todos os meus livros favoritos em apenas 185g. Isso seria inacreditável nos anos 70.

Como esse aparelhinho é o primeiro que eu comprei do gênero, tudo é novidade. Eu, que estou acostumado com computadores, não imaginava o quão interessante é essa tecnologia do e-ink (e isso que já estão dizendo que há uma ainda mais nova e melhor).  Realmente, a resolução é ótima e que se aproxima mais de um livro em papel.

No princípio, foi estranho, mas logo me acostumei com a tela extremamente sensível. A tela é tão sensível que, se você estiver em um ônibus e estiver segurando o aparelho, até um solavanco, que nos leva inconscientemente a segurar melhor o aparelhinho para não deixá-lo cair, faz a tela mudar de página.

Porém, o e-reader ainda não me deu a satisfação de ver (e ler) a Ilíada, de Homero, diretamente em grego. Não sou um programador de computadores e isso torna a minha aventura um pouco difícil. Estou tendo que ampliar consideravelmente meus conhecimentos de configuração de texto e codificação a fim de produzir eu mesmo o tipo de texto que eu desejo ver na tela do Kobo.

A verdade é que estamos acostumados com formatos tipo .doc e agora temos de aprender sobre outro formato chamado .epub e a produção de epubs é matéria para um texto à parte.

Para tentar resolver esse problema, mandei um e-mail para a Kobo (que afirma ter um atendimento online, mas, na verdade, trata-se de um email, a ser respondido em até 48h). A resposta - muito respeitosa - que eu obtive da Kobo foi que, infelizmente, a Kobo ainda não mostrará o grego clássico.

A questão é que eu sou um leitor estudioso de outras línguas e nesse quesito a Kobo não me deixou satisfeito. Mas, claro, talvez exigir que o Kobo mostre grego clássico seria pedir demais para uma tecnologia que está apenas começando no mercado internacional. Que eu saiba, o Kobo, o Kindle e outros concorrentes, são aparelhos feitos para um público ainda seleto.

Mas nem tudo está perdido. O meu Kobo Touch traz em si um tipo de fonte chamado Kobo Nickel que, quando selecionado, mostra perfeitamente caracteres cirílicos da língua Russa, por exemplo. Um texto de notícias em grego moderno também aparece, mas não o Grego Clássico com seus caracteres polifônicos. Ainda não testei Latim, mas acredito que irei encontrar o mesmo problema do Grego. Já outras línguas eu não saberia dizer, mas já informo antecipadamente, para alegria dos apaixonados pelo Esperanto, que a fonte Kobo Nickel mostra perfeitamente os caracteres do idioma Esperanto, como se pode ler no e-pub grátis chamado Fabeloj de Andersen (Fábulas de Andersen).

Pesquisando na Internet, encontrei algumas pessoas descrevendo a forma como eles conseguiram ler chinês no Kobo, mas os comandos que eles descrevem com tanta familiaridade é algo nebuloso para mim. Mas deixaram a prova de que ler alfabetos diferentes no Kobo é perfeitamente possível.

Portanto, para o leitor comum, se o objetivo imediato é a leitura de obras clássicas cuja formatação é simples e o idioma em questão adota o alfabeto romano, então um novo mundo se abre para o leitor moderno. O leitor poderá ler e reler todos os clássicos da língua portuguesa e inglesa, por exemplo. Poderá ler grego moderno e russo. Certamente que, quando todos os alfabetos puderem ser satisfatoriamente lidos nos e-readers, todos nós, apaixonados por livros, estaremos no Nirvana digital.

Lúcio Castro

4 comentários:

  1. Olá Lúcio,
    ainda não consegui colocar as mão no Kobo mas até onde eu vi de especificações + reviews uma das funcionalidades que ele possue é você poder adicionar a fonte que você gosta e IMHO é por meio dessa funcionalidade que você poderia conseguir renderizar os caracteres do grego clássico.

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  2. Lúcio, sobre as fontes no kobo touch basta criar uma pasta font no diretório do aparelho e nela inserir os arquivos (.ttf ou .opt). Costumo usar a fonte gentium no kobo por ela ter uma gama bem vasta de caracteres além de ser gratuita. Mas aqui vai um link sobre fontes gregas:

    http://www.greek-language.com/Fonts.html

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  3. Imagino que terei o mesmo problema caso queira ler "O Diário do Rei Tut" e "50 tons de Areia" em hieróglifo clássico. Que pena...

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  4. Oi Lúcio. O meu também foi adquirido na mesma loja e na mesma localidade. Antes de adquirir o meu, pesquisei quais os idiomas suportados. Mas como tu bem lembrou, é uma tecnologia que ainda engatinha e certamente irá avançar muito nos próximos anos. Forte abraço.

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