segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Amazon.com.br e a falta de democratização do acesso

Aumentar Letra Diminuir Letra



"Oba, a Amazon.com.br está no ar!" eu comemorei toda feliz com a novidade na semana passada. Ainda bem que não soltei fogos antes da hora... A segregação é total!

Sim, a versão tupiniquim do maior site de vendas on-line dos EUA reconhece a minha conta já existente na Amazon.com, mas apesar de ser recebida prontamente, eu me senti como se estivesse constantemente do lado de fora, com o nariz grudado na vitrine. Deve ser assim que os expatriados europeus se sentem ao visitar os sites italianoalemão e espanhol.

Eu posso navegar pela recém-aberta loja Kindle e babar no grande acervo de livros em português, escritos originalmente no meu idioma ou traduzidos de outra língua. Porém, o site se recusa a me deixar comprar qualquer título por lá.

Oras, se a loja só está vendendo livros em formato Kindle, por que a restrição geográfica? Não é preciso mandar encomenda pelo correio e os títulos são enviados pelo chamado Whispernet, serviço que entrega o conteúdo comprado diretamente ao leitor digital. Então, qual é o problema?

Vamos para um exemplo prático: Suponhamos que eu quisesse comprar um livro 100% brasileiro, como a biografia que narra a luta do ator Reinaldo Gianecchini contra o câncer e está estampado logo na primeira página da loja Kindle. Ao clicar na capa do livro, o que eu vejo é isto:



Deu para notar que o botão "Comprar" nem aparece? Em vez dele, o que eu vejo é isto:



Pois bem... Clico no link e sou levada para a página principal "Kindle Store" dos EUA. Bom, vamos procurar pelo livro "Giane" então:



Your search "Giane" did not match 
any products in Kindle Store.


É, não era bem isto que eu estava procurando...

Pensei que, se tratando de Kindle, as portas estariam abertas para mim. Poderia ler os livros brasileiros no meu "bichinho" a torto e a direito, mas a coisa não é bem assim. É como se a Amazon me dissesse: "Tá no Brasil? Compra no Brasil. Tá fora? Reza pro livro estar disponível, senão nem tenha esperanças, querida!"

Ah, continuará a imperar a lei da gambiarra! Será necessário ter uma conta bancária no Brasil e alguém fisicamente na terrinha para ver o botão Comprar e fazer o site enviar o livro para o meu Kindle pela internet? 

Não, acredito que nem isso funcionaria. O Kindle precisa de passaporte, gente! Ele não pode ir e vir, cruzar fronteiras ao seu bel-prazer. Quando você compra o aparelho, precisa cadastrar a "residência" dele. E se mudar de país, será barrado dos demais destinos disponíveis, pelo menos até mudar de endereço novamente.

Conversando com muita gente nessa última semana, cheguei à seguinte conclusão: a culpa não é 100% da Amazon. Quem coloca o produto à disposição tem poder de decisão. 

Por exemplo, os autores independentes com quem trabalhei colocaram a versão em português dos seus livros na Amazon.com e, sem que precisassem fazer nada, todo o seu acervo (sem distinção de idioma) apareceu instantaneamente na Amazon.com.br. 



Porém, estou sem saber se eles precisam ou não estipular um preço em reais para que os leitores brasileiros possam efetuar a compra localmente. O site parece ter feito a conversão de moeda, partindo do preço original em dólares, mas na própria página do livro aparece a seguinte mensagem: 

"Não há informações de preço disponíveis"


No caso das editoras, conversei com Noga Sklar, da KBR, que descobriu que existe sim uma restrição territorial, uma opção que a editora pode clicar para deixar seu acervo indisponível fora do Brasil.

É, um banho de água fria. Sabe, Dona Amazon, eu não quero roubar; quero pagar pelos livros com o meu rico dinheirinho! Será que a situação se resolve nas próximas semanas, depois de o site estrear assim, no susto? Aguardaremos...


17 comentários:

  1. Esse é outros é o que no final acaba gerando a nossa tão "amada" pirataria.. Amada entre aspas, porque cidadãos de respeito não gostam de fazer, mas imagine como seria no mundo sem ela? Seríamos dominados por gravadoras, editoras e outras "oras" que só cobiçam o lucro e o enriquecimento sem causa...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Meu amigo Marcio,
      Tenho um acervo de mais de 2.000 ebooks pois os leio desde 2001, quando ainda era no desktop, nunca me curvei a estes pseudo contra pirataria, inclusive alguns ebooks eu pacientemente os escrevi para o formato digital e os lancei na rede, hoje em dia esta mais fácil o acesso a livros digitalizados e sinceramente a amazon não fede e não cheira, pelo menos para mim, amigo em minha opinião os escritores devem se dissociar das grandes editoras e fazer como alguns já fazem que é lançar ebooks independentes e vende-los na rede com facilidade e lucro.

      Excluir
  2. Testei hoje o funcionamento da Amazon.com X Amaxon.com.br após migração de conta.
    Após entrar na Amazon Brasil e ser redirecionado para a migração de conta a minha conta Kindle fica desasociada da conta USA e fica apenas no Brasil.
    Ficando assim impossibilitado de comprar livros pela Amazon.com, quando é realizada a tentativa você é redirecionado para Amazon.com.br.
    A alternativa é mudar o país de referência no cadastro, onde é pedido endereço e telefone de contato nos EUA.

    ResponderExcluir
  3. Pessoal, tenho de destacar, muitoruim essa fragmentação da Amazon. Pra começo de conversa, o Kindle que vão trazer terá o software antigo, sem 'cover view' e outras coisas. Além disso, as lojas serem fragmentadas, nesses tempos internéticos, é uma porcaria sem tamanho.

    Pontão pra Kobo/Cultura nesse quesito. Sem nenhuma alteração, nenhuma gambiarra, você tem acesso à loja da Cultura E Kobo. E o software é atualizado mundialmente, o mais moderno sempre.

    ResponderExcluir
  4. Obrigada pelos comentários. Vamos continuar de olho para ver se a coisa muda depois do lançamento apressado.

    Uma boa novidade é que as políticas parecem estar mudando um pouco. Há um mês, tentei comprar um livro na loja Kindle italiana em Amazon.it e acontecia o mesmo: não podia nem ver o botão de compra, só aquela mensagenzinha chata me mandando para o Amazon.com.

    Indo para a loja dos EUA, eu continuava sem poder comprar a versão italiana dos livros do autor Beppe Servignini, por exemplo, disponíveis só na loja italiana. Na loja americana só havia três títulos Kindle, todos em inglês.

    Pois bem, hoje eu tentei novamente e lá estão todos os livros, tanto em inglês como em italiano, na loja Kindle da Amazon.com.

    Espero que estejam mesmo acabando com as lacunas geográficas e/ou as editoras estão se tocando da tal opção que restringe o acervo, promovendo assim uma verdadeira democratização do acesso! :)

    ResponderExcluir
  5. Achei o artigo bem desinformado, isso sempre ocorreu na Amazon com as outras lojas, seja a britânica, a francesa, alemã... Para você comprar em uma loja, precisa migrar sua conta para lá e se você quiser migrar de volta é só trocar.

    Tá seria melhor que não fosse necessário nada disso, mas também não é nenhum grande trabalho, muito menos falta de democratização, não precisa dos correios ou gambiarra, apenas atenção.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Marcus, realmente não devia ter chamado de"gambiarra" foi um termo impreciso, mea culpa, mas acho que foi a frustração.

      Mas continuo achando absurdo, em sendo no final das contas a mesma empresa, essa regionalização de acesso.

      Pelo que andei lendo por aí, há inclusive diferenças de preço entre as Amazons!

      Não acho legal não, continuo achando um ponto negativo.

      Excluir
    2. Acredito que isso tenha a ver com uma questão legal, de direitos de distribuição apenas para determinados países, por força contratual entre editoras/autores e vendedoras.
      Mas como esses contratos são sempre muito sigilosos, não dá pra ter certeza.

      Excluir
    3. Ãndei fazendo uma pesquisa de alguns livros em inglêsna Amazon e percebi que pelo menos nos títulos que pesquisei, o valor dos livros eram quase exatamente a conversão do dólar para o real, em pelo menos um dos exemplos até foi um pouquinho menor.

      E mais uma vez, as questões de vendas e preços não são apenas ditadas pela Amazon, existem contratos com validade territorial limitada (por um simples motivo, a editora ou quem detém os direitos da obra os vendem a pessoas diferentes e em termos diferentes e os contratos precisam ser respeitados), existem livros que a Amazon não pode vender fora dos EUA/Canadá, por exemplo, ou outros que apenas são vendidos na loja britânia, etc.

      Por fim, a política de preços da Amazon é bem predatória(o que pode ser bom para o consumidor a princípio, por que força a redução dos preços inflacionados no Brasil, mas também pode ter perigosa a médio prazo, por que pode eliminar boa parte da concorrência), mas não são apenas eles que ditam o preço, se os contratos que eles conseguiram fechar com as grandes editoras não permite uma boa margem, não adianta chorar, o valor dos ebooks não vai descer muito, especialmente por que os números de vendas no Brasil são MUITO baixos.

      Excluir
  6. Bom, não tive nenhum problema desse tipo com o Kobo. Comprei o aparelho em Paris, ativei em Londres (Criei minha conta no kobobooks.com), trouxe para o Brasil, e pra minha surpresa, quando liguei na internet ele já reconheceu de cara os livros em português da Cultura.
    Muito satisfeito.

    ResponderExcluir
  7. Obrigada pelos comentários.

    Também usei a palavra "gambiarra" porque a ideia de migrar a conta de um lado para outro toda vez que você quiser comprar um livro em outro idioma e/ou disponível somente em um território é uma ótima definição para "gambiarra", "jeitinho" e "solução provisória que se torna permanente". Tal método é completamente impraticável.

    Eu compreenderia a indisponibilidade de material digital, já que nem todas as editoras estão preparadas para lançar uma versão diferente da impressa, como já vêm fazendo como padrão. Porém restringir a distribuição de um material eletrônico que já existe para um público disposto a pagar, deixando-o disponível somente a este ou aquele território, é o cúmulo do atraso...

    Aliás, mencionei exatamente os sites da Amazon para a Alemanha, a Espanha e a Itália, então não compreendo a crítica negativa de que o artigo é "desinformado", apesar de respeitar a sua opinião, Marcus.

    ResponderExcluir
  8. A propósito, alguém está conseguindo comprar/baixar amostras direto pelo aparelho? Até agora só consigo pelo site.

    ResponderExcluir
  9. Tenho assinatura de um jornal e de uma revista na Amazon.com. Gostaria de saber se eu "nacionalizar" minha conta para o .com.br, irei perder essas assinaturas???
    Alguém tentou?
    Desta forma, acho que a "gambiarra" seria ficar trocando de conta entre EUA e BR para ter acesso a ambas.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Alguém está em situação parecida? Infelizmente não tenho nenhuma assinatura pelo Kindle, então não saberia responder... Gostaria de saber também. Obrigada pela contribuição!

      Excluir
    2. Mauro,

      Pelo que vi, você perde as assinaturas, o que já foi cobrado de exemplares que não recebeu será restituído, mas seu acesso às publicações já recebidas não é permitido na conta brasileira.

      Abraço,
      Alex

      Excluir
    3. Amigos,
      O suporte do amazon.com.br está bem eficiente.
      Fiz duas perguntas a eles. Uma sobre as assinaturas de jornais e revistas e a outra sobre compra de presentes na forma de conteúdo KINDLE que poderiam ser enviados para o meu Kindle registrado nos EUA.

      As duas respostas foram decepcionantes.
      As assinaturas são perdidas pois não há ainda serviço de assinaturas no BR.
      O envio / compra de presentes não está funcionando no BR.

      Well. Continuo então com a conta nos EUA. Conteúdo nacional compro em formato epub, retiro as restrições, converto para Kindle e, facil facil, sem que a Amazon ganhe nenhum centavo, tenho o conteúdo para ser lido no meu kindle. Eles poderiam facilitar a nossa vida e ganhar algum também não é mesmo???

      Abs,

      Mauro Gold

      Excluir
    4. Exatamente Mauro estou com vc.
      Não vou migrar minha conta dos USA para o Brasil porque os títulos disponíveis lá me interessam do que os que vendem por aqui.
      E caso queira ler uma coisa ou outra,...eu dou meu jeito. ;-)

      Excluir