sábado, 15 de dezembro de 2012

A morte do e-reader e os idiotas que não sabem usar um cérebro.

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Mais uma vez uma destas companhias que faz futurologia espúria vem com seus gráficos tentar enfiar o e-reader em um caixão, desta vez são uns idiotas de uma tal IHS iSuppli e um bando de blogueiros que em vez de usar o cérebro, escreve com o músculo que a maioria usa para sentar, dá para ter vergonha alheia de gente assim, propagam asneiras sem usar a amêndoa que tem como massa cinzenta. Para diferir deste rebanho bovino, vamos fazer o que os outros se recusaram: pensar.

Aqui vocês vão ver uma peça deste sensacionalismo irracional, e aqui a própria IHS iSuppli com suas análises de mercado que não valem um tostão furado. Olhem com calma e acompanhem-me.

No artigo intitulado “A morte do e-book reader” da Busines Insider vocês vão ver um gráfico, que diz “Carregamentos de ebook readers”, é preciso notar que não há nenhuma referência de onde saíram os dados, mas há uma anotação interessante no canto direito: os dados para 2013, 2014, 2015 e 2016 são estimativas, ou seja: chute!

Para confiar em dados é preciso saber de onde vieram, não mencionam, mas vamos supor que o único dado supostamente real, vendas(shipments) de e-readers em 2011 e 2012(que ainda não terminou) seja real. Aí o gráfico registra uma queda, houveram menos shipments de e-readers em 2012(que ainda não terminou) do que em 2011. Se fizéssemos o mesmo gráfico para carne, teríamos também uma queda? E para aço? E chuveiros elétricos? O que isto significa, segundo as inteligências raras do IHS iSuppli: dispositivos uni-função estariam sendo substituídos por dispositivos multi-função como os tablets, assim mp3 players e câmeras digitais estariam no mesmo barco, mas e a carne? E o Aço? E os chuveiros elétricos? Também estariam sendo substituídos por dispositivos multi-função? Será que eles se tocaram que o mundo está em uma de suas crises programadas do capitalismo e as pessoas estão perdendo emprego, sem dinheiro para comer e morar, muito menos para comprar eletrônicos, carne ou chuveiros elétricos?

Olharam para o cadáver, ele esta morto, mas não checaram o pulso, eles querem ver ele morto, mas será que o movimento do abdômen e o ronco não mostram que ele está dormindo? Não! Afirmam com toda certeza em suas análises: Está morto! Este parece um bom legista para ti? Por sorte analistas de mercado não colocam suas vidas e reputação na dança quando falam asneiras, mas deveriam. Lembram do ipad? Todos os analistas de mercado disseram que seria um fracasso como foram os outros tablets lançados antes dele, o que aconteceu? O ipad foi lançado a U$500 e não a U$2000 como os outros tablets, foi um sucesso! Mas para citar um exemplo mais vexaminoso destes futurologistas, qual as notas dos bancos americanos que faliram dadas pelas agências de classificação de risco? A máxima, sem risco, resultado: faliram! Sempre me pergunto quem são os imbecis que ainda tão trela para estes fracassados? Errar uma vez pode ser descuido, mas persistir no erro é burrice! É muito esforço para alinhar-se com híbridos eqüinos.

Estes pseudoanalistas não vêem nem a natureza do que tem à sua frente, o que é um e-reader? é um aparelhinho para ler livros, substitui o papel, com o mesmo conforto e fazendo com que livros tenham custo de distribuição ínfimo perto dos exemplares de papel, para quem ele vai vender? Ora, simples, para leitores, para quem já lê livros em papel! Venderá e-readers para quem quer navegar na internet mas não lê? Não! Venderá e-readers para quem gosta de joguinhos bobos tipo angry birds e não lê? Não! Venderá e-readers para analistas de mercado que não sabem ler? Não! Posso prever que os motores de aeromodelos deixarão de ser produzidos, pois as donas de casa preferem batedeiras de bolo? Óbvio que não, uma dona de casa nunca compraria um motor de aeromodelo, assim como um não leitor nunca compraria um e-reader. Leitores já são um mercado críptico, não é o tipo de gente que vai com as massas e segue de maneira acéfala a televisão, aliás leitores são aqueles que abandonam a televisão em seus períodos de leitura, ô povinho esquisito, pior ainda, gostam de usar o cérebro e pensar, deixar que as palavras do livro coagulem em imagens que nem o mais ousado estúdio de filmes pode criar.

E-readers são longevos, ao contrário do tablet e do celular que precisam ser trocados anualmente, ou pelo menos tentam te forçar a trocar anualmente, o e-reader por ter uma única função pode durar anos até quebrar ou perder a capacidade da bateria que não pode ser trocada, assim vai acumulando e-readers na mão das pessoas, ainda funcionais, ainda em uso para ler, e com as pessoas comprando livros. O meu celular eu só troco quando a bateria não se agüenta mais, pois achar uma nova bateria e o preço não compensa, melhor trocar o aparelho, o que é um desperdício que gera um impacto ambiental monstruoso, mas é financeiramente e praticamente mais viável, e não importa o meu cuidado, as baterias não agüentam mais que quatro anos, talvez durem mais nos e-readers, mas vai chegar um ponto que todos vão trocar os e-readers em massa,pois é o aparelho que satisfaz leitores e não pode ser substituído por um tablet e sua tela genérica.

Em termos de mercado a característica que define um e-reader é a tela e-ink, que só é produzida pela e-ink, nenhum competidor ainda conseguiu competir, portanto, todas as vendas, todo o lucro com telas e-ink vai para uma única empresa, quantas empresas fabricam telas para tablets? Qual o seu market share? O que dá mais dinheiro, produzir tela e-ink e dominar o mercado ou produzir outras telas e repartir o mercado em diversos competidores? Existem companhias que fabricam motores de aeromodelos e sobrevivem há mais de trinta anos? Por que não fecharam? Pois quem quer aeromodelismo ainda compra motores para aeromodelos, assim como quem quer ler vai preferir o e-ink às telas de tablets que oferecem uma péssima experiência de leitura.

Além disso tem outros fatores: o tablet já está distribuído pelo mundo, o e-reader não, vejam nosso exemplo somente este mês que tivemos o início de vendas de e-readers a preços minimamente aceitáveis, ou seja, há ainda muitos mercados onde o tablet já entrou mas não possuem e-reader à disposição para o público comprar; em casos como o Brasil, onde o preço do livro de papel é caríssimo, ainda há a possibilidade de vender e-readers para quem não lê por conta do preço absurdo dos livros. E olha que interessante, as principais livrarias que vendem e-readers tem tido dificuldade de suprir a demanda do mercado para os novos e-readers.

Diante do exposto acima, dá para acreditar na análise de mercado destes incompetentes? E pior, dá para acreditar nos blogueiros acéfalos que repetem esta bobagem sem pensar? O que nos faz pensar, assim como pesquisas eleitorais, não teriam estas previsões não papel de prever nada, mas influenciar o presente para acabar com os e-readers? Acho que já expliquei o motivo do tablet odiar o e-reader mais capaz para ler. O que vocês acham? Vigarice ou burrice crônica?

Alex

29 comentários:

  1. A Cultura tá com dificuldade de suprir a demanda do Kobo Touch? que bom, sinal que o mercado vai acontecer mesmo...

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  2. Oi Alex, quando vejo estas pessoas falarem que o e-reader irá morrer, por um lado fico com receio porque não consigo ler um livro num tablet muita luminosidade mesmo diminuindo a intensidade do brilho e por outro lado penso que realmente eles nunca leram num e-reader e compararam com um tablet, porque o e-reader é muito superior no quesito leitura e é o que queremos. Não entendo o porque desta perseguição contra o e-reader. Gosto da comparação quando vc respondeu para uma pessoa sobre quem é profissional gosta do melhor, um fotografo não quer um tablet que tira fotos e sim uma máquina superior para ter fotos nítidas. Nós também, LEITORES só queremos um aparelho para lermos e mais nada. Será que é tão difícil as pessoas entenderem isso? O e-reader nunca vai ser como o tablet e nós nem queremos, queremos somente que o e-reader seja o que é, para leitura.
    Atualmente com o meu dinheiro o quanto eu gastava em livros físicos que são bem caros no Brasil, compro hoje bem mais baratos e-books na Amazon e posso me dar o luxo com o restante do dinheiro que gastaria com livros de comprar um e-reader, para ver como os livros físicos no Brasil são absurdos. Agora me imaginar lendo o que leio num tablet, IMPENSÁVEL. Mas gosto é gosto, e tem pessoas que amam ler num celular o que acho desconfortável ou num tablet que acho ruim também. Mas o instrumento ideal de leitura digital é incontestavelmente o E-reader, só espero que a Sony, a Kobo e a Amazon continue apostando nele mesmo com o número de leitores em menor número, porque comparar leitores e não leitores é covardia mesmo em países desenvolvidos, muitos preferem Dvds e outros divertimentos, eles não descobriram o prazer que se tem em ler um livro e o aprendizado que isto nos traz, que bom que fomos agraciados com o hábito da leitura que nos permite momentos de puro lazer e felicidade.

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    1. Marta,

      Disse bem, não conseguimos ler em um tablet, a leitura eletrônica só existe para nós pois usamos e-readers, se com tablet ainda estaríamos comprando papel, com todas as dificuldades e custos envolvidos. Para você ver que quem diz que tablet substituirá o e-reader não entende nada do assunto, um ignorante completo, e por conclusão é alguém que não lê, fora do nosso mercado.

      Abraço,
      Alex

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  3. Olha só o que encontrei: http://www.statista.com/statistics/184476/sales-of-electronic-readers-worldwide-by-2014/

    Nesse chart da mesma iSuppli mostra uma projeção que eles fizeram em 2010 para os anos de 2011 a 2014.

    2011 - 16 milhões
    2012 - 21,5 milhões
    2013 - 26 milhões
    2014 - 30 milhões

    É interessante ver como essas previsões são aparentemente feitas sem levar em conta tudo o que está acontecendo no mercado e no mundo. E certamente, essa tabela que decreta o fim dos eReaders não levou em consideração os novos mercados que Amazon e Kobo estão entrando.

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    1. Obrigado pelo link, para você ver como eles erram e nem ficam vermelhos, a projeção de vendas de e-readers para 2011 foi muito menor do que a venda efetiva, um quarto maior! Como podemos acreditar nestas previsões? Quem, são os otários que as levam a sério?

      Abraço,
      Alex

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  4. e-Reader vai morrer ? Não creio. Mas o e-Reader que vemos hoje ainda é muito... Bem não sei como dizer mas é ainda muito pouco papel.

    Tenho a parafernália toda, smartphone, e-Reader, tablet, notebook, etc. o smartphone tem uma tela simplesmente muito pequena (mas estão crescendo) o tablet é muito pesado, o note nem se fala e ainda é um forninho.

    O que acho que ainda vai mudar:
    * o e-Reader vai deixar de ser tão frágil, um livro pode cair no chão (o dos outros, o meu não) que ainda funciona, pode ate tomar chuva (novamente o meu não :) )
    * o e-Reader deve fica mais leve (?) ou mais ergonômico. Ler deitado ainda acho incomodo com o e-Reader, talvez esses com iluminação sejam mais confortáveis, nunca usei.
    * ainda é caro. É acessível ? Para algumas classes econômicas, sim, não para todas, o livro é, pode ate ser que o livro novo, lançamento não seja mas lembre-se que temos os sebos.
    * as editoras ainda precisam se adaptar, não existe (legalmente) empréstimo (o que existe não é a mesma coisa que na versão de papel), venda de usados, acho que o custo do eBook deveria ser mais baixo.

    Em resumo, morrer ? Não mas ainda vai mudar o produto ainda é muito inicial...

    (pronto podem começar a malhar o que eu disse :) )

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    1. Jacques,

      Não acho que tem o que malhar, também quero um e-reader mais resistente que eu possa por acidente dormir sobre ele sem quebrar, pois gosto de ser embalado no sono com a leitura e acontecia de repousar o livro uns minutinhos para no dia seguinte encontra-lo todo amarfanhado junto dos lençóis. À prova d’água seria interessante, mas meus livros de papel não podem tomar chuva, ficam uma desgraça, páginas colam e rasgam, quando seca engruvinha e abre como uma rosa, quando não caem as pétalas soltas da cola da encadernação.

      Não acho que ele precisa ser mais leve, a maioria dos meus livros de papel é mais pesada, talvez a forma menos quadrada, com o abaulado traseiro como o Nook dê uma “pega” melhor. Em relação à iluminação o ebook tem o mesmo problema do livro de papel e a mesma solução. Comparei o ipad com um livrão que tenho o Lectures on Physics que é mais pesado, o problema não é o peso mas o ângulo de leitura, o livro pode ser lido em qualquer inclinação, assim você o apóia no colo e nem sente o peso, o ipad tem que ficar em um ângulo específico, o que te mantém segurando o aparelho e logo a fadiga. Testei também a emissão de luz, o tablet joga na cara do leitor dezesseis vezes mais luz que o e-reader no mesmo ambiente, mesmo colocando em imagem negativa, ainda fustiga o leitor com quatro vezes mais luz.

      Ainda é caro para o poder aquisitivo dos brasileiros, e infelizmente este governo vigarista é o principal problema, pois cobram imposto quando a constituição veda o mesmo no livro, não fosse o imposto, o preço seria o mesmo praticado fora. Eu não sei onde você encontra livro de sebo barato, aqui em Sampa são caríssimos, muito próximos do preço do novo, só coisa que ninguém quer ler é barato, e lembre que nos e-readers todos os clássicos em domínio público são gratuitos, nem em sebo os encontra tão baratos.

      As editoras não tem e não vão adaptar-se quem tem que exigir os seus direitos é o consumidor, emprestar ou vender livros, afinal, compramos ou não os livros digitais? O Brasil tem a vantagem do código do consumidor e este pseudo aluguel é francamente contra o consumidor.

      Muito ainda deve mudar, mas o principal é que a tela e-ink desaparece na mão como o papel, e esta é a principal diferença e fator de conforto para o leitor, até em leituras curtas o tablet é deletério, pois impossibilita um alto grau de concentração, pode não notar no Harry Potter, mas vai perceber com certeza no Faulkner. Não é o mercado que ganha ou perde sem o e-reader, é o leitor e a literatura, o tablet não é um suporte adequado para o que tínhamos em papel e ainda teremos, tablet em oposição ao e-reader é pernicioso para literatura e impossibilita a formação de literatos.

      Alex

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    2. :) E eu achando que era só eu que usava livros como soporíferos...

      Que a água prejudica muito os livros de papel, eu concordo, mas não os destrói.

      Minha adolescência foi recheada de livros de bolso, a grande maioria de Portugal, então estou acostumado com liros mais leves...

      Com relação à iluminação, muito embora esse ponto não seja muito importante (para mim) mencionei assim mesmo. Na minha impressão acho que o livro de papel aproveita a iluminação ambiente melhor que o e-Ink mas pode ser apenas impressão.

      Bem, concordo com os impostos, mas não é o único problema. A margem de lucro praticada aqui também é maior e, aqui, temos mais degraus entre o fabricante e o usuário, o que acumula a margem de lucro... Sem os impostos abusivos o preço melhoraria mas duvido que fosse o mesmo de la de fora.

      Com relação aos sebos, posso estar enganado, as os últimos que comprei para meu filho como leitura escolar foram menos da metade do preço (veja http://www.estantevirtual.com.br/).

      Harry Potter ? Desconheço... É bom ? Brincadeira, simplesmente acho que não merece 1/10 da fama que tem. Muito embora Neil Gaiman tenha dito que não ainda considero Harry Potter plagio do trabalho dele. Mas estou divagando, entendo que você diz, existem livros de leitura leve e aqueles que demandam mais atenção.

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    3. Jacques,

      Não são exatamente soporíferos, à exceção de meus livros de botânica, uma página do “Anatomia das plantas com sementes” e você é arrastado por Morfeu. Alguns lhe mantém acordado madrugada à dentro, é agradável adormecer na companhia do livro. Depende do ponto de vista se água não destrói e da quantidade de água, na minha mochila os livros sempre ficavam em sacos plásticos por conta de chuva. Li muitos pockets americanos por seu preço ínfimo(antigamente), mas acho o e-reader até mais portátil, confesso que no começo você estranha, mas tal diferença não durou uma semana, hoje é o livro de papel que me desagrada perto do conforto do e-reader.

      Resolvi qualquer problema de iluminação com uma lanterna de livro de U$5,00 do dealextreme, mas em luz normal acho o e-reader e o livro de papel semelhantes.

      Sim, a margem de lucro aqui é maior, mas também custos trabalhistas e até a burocracia, mas lá os e-readers vem da china, tem frete e imposto e também lucro do lojista, mas sempre tem os aproveitadores que resolveram vender e-reader a R$800 quando fora custava U$150...

      Já acho um livro de sebo na metade do preço caro, mas nunca encontro um Asimov ou outro livro procurado barato, nem na metade do preço, e se falamos em leituras escolares, tem muita coisa em domínio público que no e-reader sai de graça. Como sempre comprei livros nos EUA acho os preços brasileiros uma afronta.

      Literatura mais erudita é impossível no tablet, mas mesmo o Gaiman e o Potter perdem parte do sabor, a experiência é menos intensa. O tablet é inimigo da literatura, do hábito de ler.

      Abraço,
      Alex

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    4. Metade do preço ate esta caro mesmo. Mas so fico sabendo que meu filho precisa de um livro na véspera, ai estou restrito aos sebos de BH mesmo, sendo que se fosse pegar o mais barato ja vi ate por 20% ou menos do preço de capa.

      Ahhh Asimov! Clarke, Heilein, K.Dick, Simak, Van Vogt... Infindáveis horas de leitura que preencheram minha adolescência...

      Tinha tudo em papel, longa e triste História. Comprar tudo de novo apenas para ter sendo que voltaria a ler um ou outro ? Por mais que me doa, o que decidi foi baixar edições de "avaliação" mas possuir a biblioteca em um HD (uns 40 mil títulos apenas de FC e Fantasia) é pálido frente a estantes cheias de livros como era no passado. De meus livros restam apenas os Argonautas!

      Divagação à parte, porque Literatura mais erudita impossível no tablet? Tenho lido mais em formato digital que em papel, continuo preferindo o papel mas, em alguns casos a competição é até desleal (outro dia comprei um livro na Amazon, de um autor que não conhecia, apenas pelo titulo ter agradado. O outro fator que possibilitou esta compra de oportunidade foi o preço ($1.02) e ausência de frete.

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    5. Jacques, vc consegue ler no tablet? Eu tentei várias vezes e não consegui minha vista arde muito, para leituras longas o e-reader é sensacional atualmente troquei os livros físicos pelos e-books. Realmente os preços da Amazon são convidativos, a compulsão de comprar inúmeros e-books é enorme.

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    6. Jacques,

      O tablet impossibilita a leitura mais complexa pois não permite a concentração e abstração necessárias; como a Marta, eu achava que era apenas nos textos longos por conta da fadiga ocular, mas percebi ao ler alguns contos que o nível de leitura necessário era impossível no tablet, aí bolei o “Faulkner Test” que consiste em pegar um conto do Faulkner, minha sugestão é “Barn Burning”, leia em ambos dispositivos, como a escrita deste autor é superlativa, com sentenças compostas, descrevendo detalhes da estória compondo diferentes camadas de significação, é um texto que exige muito em termos de concentração/abstração e com este exemplo extremo a diferença entre os dispositivos fica mais que evidente; mas mesmo em textos mais simples a diferença ocorre, e a falta de concentração/abstração lhe tira parte da ambientação, aquela sensação viva de estar participando da estória, lida nas páginas, desenrolada em sua mente.

      A minha hipótese para a diferença é justamente o lançamento de certa quantidade de luz diretamente no globo ocular, o que pode interferir com o ciclo hormonal claro/escuro de hormônios pineais como a melatonina/serotonina, diminuindo drasticamente o “uptake” de serotonina para conversão em melatonina. Aí você me perguntaria se o mesmo não ocorreria lendo um livro ou ebook em local muito iluminado como em luz solar direta, a realidade é que o tablet não pode ser lido em ambientes muito iluminados, apenas em ambientes com pouca iluminação onde a íris fica muito mais aberta, permitindo mais luz entrar no fundo do olho. Já medi com um fotômetro o lançamento de luz do tablet contra o e-reader no mesmo ambiente, vai de quatro vezes mais a dezesseis vezes mais luz, dependendo da regulação do tablet e uso de imagem negativa em vez de positiva. Lógico que qualquer conclusão neste sentido iria necessitar de maior empenho experimental, por enquanto fica a hipótese, mas faça o “Faulkner Test” e verá por si o que digo.

      Abraço,
      Alex

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    7. Martinha,
      Ja li no tablet, a claridade até que não foi o fator que me incomodou, foi o peso. No meu caso tenho o Kobo (221g) com uma capa (142g) e um Tablet de 10.1" (561g) com capa (202g). Antes das capas a diferença de peso era 340g com as capas 400g. A capa no Kobo já incomodou um pouco mas depois do ocorrido com a tela do primeiro resolvi não arriscar (vai-se entender, não foi dano físico mas mesmo assim a capa me transmite segurança).

      Alex,
      Vou procurar uma versão do conto em ePub e testar. Mas quando leio com o Kobo isso acontece com eu sentado, andando, deitado, etc. Com o tablet apenas sentado. Isso costuma ter uma certa influencia também...

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    8. Jacques,

      A posição em que você usa o aparelho tem grande influência, isto já havia sido notado por um CEO de uma famosa companhia de eletrônicos japonesa referindo-se ao uso do computador onde você inclina-se à frente em posição de atenção, e a televisão onde relaxa inclinado para trás; pois no fundo ambos são telas idênticas.

      Abraço,
      Alex

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  5. Eu leio meus ebooks no Galaxy Tab 7 e acho ótimo. Leio no escuro, deitada, seguro o tablet com uma mão só, apoio na colcha e nas almofadas, etc. A questão da luminosidade não me incomoda nem um pouco, pois para ler sempre altero o brilho da tela para o mínimo possível, além disso basta você trocar o fundo branco do papel do ebook para um daqueles beginhos tipo papel envelhecido (disponíveis em vários programas de leitura) que vai poder ler com o maior conforto.
    Não tenho nada contra e-readers e até ia comprar um kindle (quando ainda não era vendido por aqui), mas a Samsung lançou o tablet de 7 polegadas, que é leve e ainda me dá a possibilidade de entrar na net, ver emails, jogar (ainda que alguns joguinhos bobos), além de ler meus ebooks... Pela relação custo-benefício acabei preferindo o tablet e não me arrependi.
    Acho que todos os gadgets têm seu lugar no mercado, vai da necessidade e do gosto de cada um. No meu caso, aposentei o desktop e uso um notebook com configuração top pra trabalhar e jogar em casa; nas viagens - quando preciso trabalhar também - levo meu netbook que dá conta do recado perfeitamente e roda tudo que preciso; no dia a dia, em viagens de lazer e quando estou deitada na cama de noite, uso o tablet pra ler, ouvir músicas, ver filmes, acessar net e emails.

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    1. E antes que venham me xingar, eu não estou defendendo os tablets e nem criticando os e-readers, estou contando da minha experiência de leitura com o tablet.
      Detesto estas discussões intermináveis e agressivas entre xiitas "Apple x Samsung", "tablet x e-readers" - acho totalmente desnecessário, porque cada um pode comprar o quiser e preferir o que quiser, mas tem a obrigação de respeitar as preferências e escolhas dos outros, mesmo não concordando com elas.
      Eu mesma penso em comprar um e-reader - talvez um Kobo Mini pelo tamanho - por causa da duração da bateria, o que acho ótimo, e não pela questão da tela e-ink. Mas vou sentir falta das cores das figuras e da possibilidade de sublinhar trechos com cores fluorescentes e de mudar o plano de fundo para opções coloridas, mas fazer o que... Um dia provavelmente vamos ter tudo junto no mesmo gadget...

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    2. Déa,

      Você já pegou um e-reader na mão para ler? Você costuma ler em papel? Lê ficção literária? Seu consumo de livros é maior ou menor que uma centena ao ano?


      Abraço,
      Alex

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    3. Déa, em termos gerais, concordo com você, discussões xiitas são um porre mas, especificamente aqui, a discussão não esta sedo xiita e não houve nenhum desrespeito a preferencias ou escolhas alheias.

      Cada usa usa o que quer, concordo, para livros uso o eReader, para revistas em quadrinhos, o tablet, para documentação de ferramentas, processos, etc. o computador (junto da referida ferramenta, etc.)

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    4. Então Jacques, eu não afirmei que houve desrespeito aqui, apenas coloquei aquele adendo pois, em blogs e sites, em geral, é bem comum que apareça algum xiita disposto a brigar pelo simples fato de uma pessoa manifestar sua opinião. E eu quis deixar bem claro que estava apenas postando minha experiência com tablet para leitura, pois em relação a e-readers ainda não posso opinar, já que nunca utilizei um. Além disso, acho bastante útil conhecer várias opiniões de usuários antes de adquirir qualquer equipamento/gadget.

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    5. Então foi ma interpretação de minha parte.

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  6. Alê,
    Ainda não tive oportunidade de ler usando um e-reader. Estou esperando o Kobo Mini chegar por aqui para comprá-lo e poder tirar minhas conclusões (e postar aqui). Por enquanto só tive experiência de leitura em PC e no tablet, por isso postei minha opinião sobre o tablet.
    Eu tenho muitos livros em casa e, apesar de todos os cuidados que sempre tomei vários acabam ficando amarelados ou até mesmo mofados. Fora o trabalho que é para limpar todos, tirar poeira e higienizar um por um. Por isso, de uns 2 anos pra cá, parei de comprar livros em papel (à exceção dos livros de arte e guias de museus).
    Comecei a procurar ebooks e no início lia no netbook. Desconfortável e cansativo sim, mas eu trabalho muitas horas por dia em frente a um PC (faço pesquisa e dou aula de Física Nuclear na universidade), então não tem muito como fugir disso.
    Leio principalmente autores clássicos, biografias históricas, filosofia, história antiga e medieval, cabala judaica e história da arte. Atualmente leio bem menos do que antes - quando chegava a ler 2 ou 3 livros por semana - por causa do trabalho e das viagens para congressos e tal. Mas ainda assim vejo que ter um tablet ou e-reader para ler ebooks é fundamental.
    Ah, e parabéns pelo blog - que já está salvo nos meus favoritos e foi recomendado para vários amigos...

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    1. Déa,

      Ler em e-reader e-ink é uma experiência que deve fazer pessoalmente, antes de ter um em mãos eu não tinha idéia da diferença, anos luz em relação aos tablets; substitui os livros de papel, com muita praticidade como você viu no seu tablet, mas com o conforto de ler em papel, se não fosse ele, leria digitalmente apenas os livros técnicos, pois para o cantinho reservado à literatura, tablets não servem. No começo achava que a tela era pequena, mas logo isto passou, aí achava que os e-readers de 5” seriam muito pequenos para se ler com conforto, emprestei de um amigo um Sony de tela menor e vi que também é bom de ler, por isso, como você, também espero o Kobo Mini, não porque não tenha e-reader, mas porque quero um menor e mais discreto para ler em todo lugar. Como meus livros não tem figuras, as cores não me fazem falta, no meu Sony eu posso rabiscar a página como em um livro de papel, e por esta função continuo usando-o em vez do mais novo Kindle Touch, aliás, um hábito que considerava sacrilégio nos livros de papel, mas com um toque o vandalismo desaparece. Como livros de papel não podem trocar o fundo, está aí algo que nunca me fará falta, ou seja, tablets fazem “mais coisa”, mas eu só quero ler, e com o maior conforto, assim é na substituição do livro de papel que o e-reader tem sua força.

      Neste blog somos essencialmente leitores, que se preocupam e dão importância às suas leituras, por isso ficamos abespinhados com as campanhas contra os e-readers do qual este artigo é uma resposta. Temos tablets e e-readers, mas preferimos ler no e-reader, não queremos que os tablets desapareçam, os usamos para outras coisas, mas ao que parece, tem gente que usa tablets, nunca viu um e-reader ou não lê, mas faz questão que o e-reader desapareça, a despeito de quem gosta do aparelho, gosta de ler e sem ele ainda estaria usando papel com todos os seus problemas inerentes. Seja bem vinda.

      Abraço,
      Alex

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    2. Déa,antes de comprar o Kobo Mini, teste o bicho.

      Eu já li muito num tablet de 7 polegadas, atualmente tenho um Kobo touch, 6 polegadas. A diferença de tamanho é bem pronunciada, pois como as polegadas são contadas na diagonal, é uma bela diferença de tela. Eu mesmo tive de me acostumar um pouco em como é menor que 7 polegadas (mas adoro E-Ink)

      5 polegadas de tela, o dispositivo deve ter mais ou menos o tamanho de uma carteira grande, não sei se cabem 2 parágrafos na tela (nunca mexi em um de 5 polegadas).

      Meu sonho é um E-Reader com tela de 8 polegadas.

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    3. Silvio,
      Acho que não vou ter muito problema com o tamanho da tela, pois eu quero comprar exatamente por ser pequeno e bem leve...Pra levar na bolsa no dia a dia, ler nas filas, no metrô, etc. Mas obrigada pela dica, de qq forma...
      Abs.

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  7. Previsões, previsões... sobre a morte do e-reader, sobre o apocalipse. Alias estou surpreso o mundo não acabou, continua como sempre o aquecimento global, a novela do mensalão, Dirceu e os 40 mensaleiros (deve ter mais alguns perdidos no congresso, congresso esse que o presidente queria abrigar foragidos), o cruel assasinato de crianças na pré escola dos Estados Unidos, a corrupção que assola o Brasil em todos escalões e o povo morrendo nas filas dos hospitais publicos, aguardando 12 horas para ser atendido numa "emergencia". Acho que perdemos uma boa oportunidade nesse 21/21/2012..

    André

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    Boas compras!

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  9. Caro Alex: Muito bom artigo. Meu português é ruim e peço desculpas. Mas a atitude destes caras me lembrou de mim mesmo. Vou pôr um exemplo: ha um tempo fiquei namorando uma motocicleta estilo italiano que queria comprar. Finalmente, por medo a terminar embaixo de algum caminhão desisti, mas comprei uma vaporeira elétrica, muito mais barata e que faz umas verduras ao vapor deliciosas. Minha decisão então foi escolher entre uma moto e uma vaporeira. Bom, acho que estes caras estão igual do que eu: a diferencia é que eles nao sabem distinguir pra que serve uma e outra. Saudações.

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    1. Mario,

      O ponto é exatamente este, é como se sua ‘vaporeira elétrica” fosse acabar com as motos, não faz sentido, como não faz sentido colocar tablets e e-readers na mesma categoria. O que acho estranho é que a hostilidade venha do lado tablet, pois a maioria de quem tem e-reader tem tablet...

      Abraço,
      Alex

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  10. Sei lá se o e-Reader morrerá! Mas acho muito, mas muito dificil mesmo o e-ink e a leitura digital morrerem. Creio que haverá transformações e evoluçõs nos/dos formatos, mas a leitura digital é caminho sem volta!

    O que atrapalha a difusão do e-reader é que ele ainda está muito voltado para aqueles que tem a leitura como um entretenimento. Quem trabalha com textos acadêmicos, sabe que a grande maioria deles se encontra (e é ainda produzida) no formato PDF. E ler PDF sem imprimir, só mesmo num tablet de 10" - ao menos por enquanto!

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