segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Razões técnicas para não acreditar em “e-ink” colorido.

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É engraçado quando a tecnologia torna-se um misticismo do futuro, com pessoas acreditando em gadgets futuristas como acreditam em poderes mágicos, é assim com a tal tela reflexiva colorida, para acabar com o debate ignorante, vou desfiar aqui alguns argumentos técnicos, explico como funciona cada tela e tipo de impressão.

Para representar as cores da natureza nas telas bidimensionais em sistemas de apresentação em série, foram criados dois sistemas de cores, um aditivo, onde luz é aplicada para sair do preto, RGB: vermelho (Red), Verde (Green) e azul (Blue). Adiciona-se luz verde, vermelha e azul para imitar todas as cores que conhecemos, assim sem estas luzes, R0, G0, B0, temos a escuridão, o negro, e R255, G255 e B255 o branco total, e variando a proporção entre cada uma das luzes formamos uma paleta de mais de dezesseis milhões de cores; é este o princípio dos monitores CRT, as telas LCD e LED, que projetam luz.

O outro sistema foi criado para imprimir no papel, reflete a luz branca nele incidida, sistema chamado de subtrativo, pois absorve faixas do espectro da luz branca, formando as cores: CMYK - ciano (Cyan), magenta ( Magenta), Amarelo (Yellow) e preto (Key). Seria o sistema de cores para a tela reflexiva.

As telas emissoras de luz são mais simples, precisam de apenas três cores, o sistema refletor de luz precisa acrescentar o preto, pois a mistura das cores não gera um preto de qualidade. Monta-se um pixel com três emissores de luz, no LCD é um cristal com iluminação traseira, no LED uma minúscula fonte de luz. Para o sistema reflexivo a coisa é mais complicada, a priori não existe um “pixel” fixo, os pigmentos são depositados para formar as cores.

As telas coloridas evoluíram dos antigos CRT, que é um tubo catódico e consome muita energia, para os LCD que gastam menos energia, pois são uma espécie de meio transparente colorido com uma luz por trás que é responsável pelo maior consumo, para chegarmos ao LED, que gasta menos energia, pois são minúsculos Light Emiting Diodes que geram a luz e montam as imagens. Mesmo assim, o maior gasto de bateria dos aparelhos é para apresentar as imagens na tela, que ao contrário do que parece, não são estáticas, ficam piscando muito rápido, parte da causa do cansaço visual. Além disso, por uma questão de eficiência energética a luz é focalizada, milhares de pontos emitindo luz diretamente na retina do usuário. Diferente de tudo que vemos na natureza, onde a luz vem refletida e em todos os sentidos.

Ao contrario do que muitos imaginam a tela “e-ink” é uma evolução, uma tecnologia mais nova que visa o conforto visual. E-ink não é o tipo de tela, é a marca, pois este é o único fabricante que conseguiu viabilizar esta tecnologia em escala industrial e preços condizentes, da mesma maneira que chamamos de gilete a todas as lâminas de barbear. A tela propriamente dita é uma tela reflexiva, consiste de um filme eletroforético, um sanduíche de material translúcido contendo em seu interior um gel e dois pigmentos, um carregado eletricamente, uma placa traseira é responsável por gerar uma diferença de potencial variável e assim repelir ou atrair uma das cores, gerando a imagem. O que se vê é matéria, que aflora à superfície ou mergulha para formar as imagens que serão vistas quando a luz incide e reflete sobre a superfície. Desta maneira a tela comporta-se como o papel para os nossos olhos, refletindo luz da mesma maneira.

A definição das telas mais novas é de 1024x758, isso em preto e branco renderiza letras tão boas como as melhores impressões em papel, mas, se a mesma definição fosse usada para cores, para ter a mesma qualidade de letra desta tela preta e branca iríamos precisar telas de 5120x3790! Quanto tempo vai demorar para termos capacidade técnica para esta evolução? Sem isso uma tela pode ser colorida, mas terá a capacidade de leitura de textos P&B drasticamente diminuída. Sem contar na dificuldade de implantar um sistema de pigmentos subtrativos. As atuais telas da e-ink permitem dezesseis tonalidades de cinza, as telas LED permitem 256 variações de intensidade para cada pixel RGB, totalizando mais de dezesseis milhões de possibilidades de cor, se tivesse apenas as dezesseis possibilidades para cada LED teríamos pouco mais de quatro mil cores, parece muito, mas a qualidade da cor seria sofrível.

A tecnologia de telas reflexivas é avançadíssima, uma evolução em relação à tela LED, basta ver quantos produtores de cada tipo de tela existem no mercado, a e-ink tem uma excelência técnica difícil de ser alcançada, criaram uma tela específica para ler, para substituir a grande maioria de livros e documentos impressos no papel, e neste quesito foram extremamente bem sucedidos. Qualquer um vê que só o e-ink consegue substituir o conforto do papel, é o óbvio ululante, o hipopótamo roxo dançando balé na sala de jantar.

O LED é colorido, mostra vídeos, mas é péssimo para ler e come bateria com farinha, os dispositivos e-ink tem dois meses de duração da bateria, em comparação com no máximo dez horas nos tablets, por conta disto pode ser mais leve, portátil e prático. É um dispositivo específico para leitores, e é o leitor que ele agrada, não adianta perguntar aos não leitores o que acham, eles não são o público para o qual o e-ink foi feito. Podemos ter menos leitores que o público em geral, mas estes leitores não são mais crianças que precisam de livros coloridos, as cores já estão nas palavras e na imaginação, é isso que quem não lê não percebe, o e-ink ao nos transportar nos livros ganha as cores que nenhuma tecnologia é capaz de reproduzir!

Alex

17 comentários:

  1. Alex, muito interessante eu não sabia desta parte técnica, para ler não sinto falta da cor, só penso que como acho capas de livros interessantes, gostaria destas com cor. Quem sabe o futuro resolva isto...

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    1. Eu também gosto das capas. Aliás, bem que o Kindle (não sei se outro e-reader faz isso) poderia usar a capa do último livro como descanso de tela. Imaginei isso quando me assustei com o Edward Crepúsculo na propaganda do Special Offers :P

      Eu acho que, mesmo pouco nítidas ou com a aparência envelhecida (pelo menos nos vídeos do Mirasol), uma corzinha deve pegar bem para ilustrações eventuais, gráficos e outros recursos.

      Aliás, lembrei de uma reportagem no Gizmodo mostrando que algum fabricante de LCD estava testando uma versão com menos atualizações da imagem na tela (flick), tentando reduzir o desconforto nesses aparelhos.

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    2. Paulo, o novo Sony reader e a Kobo já faz isso o livro que vc está lendo fica no descanso da tela bem interessante.

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    3. É engraçado, se pensar racionalmente, a capa nem é uma parte constitutiva do livro, a maioria das vezes feita por um artista à revelia do autor, no meu Sony tem “cover browser”, no meu kindle não, aparece apenas o título e autor, sinto falta das capas como ícone do livro, é um costume, irracional, mas sinto falta de procurar pelas capas, é até mais fácil localizar pelas capas pelo seu papel símbolo/ícone em vez do nome. Meu problema com a cor, é quando ela vira uma escolha, a maioria do tempo vou ler o livro em P&B, apenas palavras, para isto quero o máximo, ficando o resto em segundo plano, se para ter cor a qualidade do P&B vai sofrer, prefiro não ter cor, pois troco a função primordial do aparelho por um capricho irracional, lembram do antigo Nook? Tinha uma minúscula tela LCD exclusiva para “cover browser” e o e-ink para leitura, não prosperou, foi o e-ink que sobreviveu. Entre cores e capas fico com o melhor para o livro de texto, e infelizmente, pelo estado da técnica, é uma escolha entre cor e qualidade P&B, fico com o essencial para leitura, sem compromissos com detalhes cosméticos.

      Abraço,
      Alex

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  2. Putz, texto excelente! Acho o a tecnologia de tela e-ink perfeita para o que se propõe a fazer!

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    1. Oi Bruno,

      É isso mesmo, o e-reader com e-ink já é perfeito para o que se propõe: leitura, substituir o papel com vantagens.

      Abraço,
      Alex

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  3. Alex,
    ótimo texto.

    O que eu gostaria é de uma maior integração dos ereaders com a Web. Talvez o futuro não esteja tão longe (https://msujaws.wordpress.com/tag/reader-mode/).

    Raniere

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    1. Raniere,

      Ainda tenho dúvidas sobre esta integração, principalmente por ter servido mais para espionar nossos hábitos de leitura do que para facilitar trocas e interações, que seria o cerne da web. Logo vão querer que nossa geladeira nos espione, nossa fechadura de casa, e tenho medo quando a integração web chegar ao vaso sanitário.

      Abraço,
      Alex

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  4. Pra mim, alguns tons a mais e as telas monocromáticas serão perfeitas, e ainda espero pelo e-reader com tela branca de verdade. A aparência de paperback tira um pouco da beleza, mas ai é uma opinião pessoal minha. Por hora estou satisfeito, tenho tudo no meu kindle, livros, artigos, blogs, mangás, apresentações da faculdade... Leio muito mais por causa do kindle e praticamente não uso mais a impressora.

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    1. Henrique,

      O papel mais branco não é o melhor para textos, é justamente o contrário, já é conhecido que o papel excessivamente branco é ruim e desconfortável, os bons papéis são levemente amarelados, os brancos são mais para impressão fotográfica, sem adicionar um color cast. Eu não acho que vão conseguir muitos tons de cinza, 256 das telas normais LED eu acho pouco em comparação com as fotografias P&B, portanto, se é para ler, mesmo o meu Sony com apenas oito tons faz o papel. Mas reconheço que a tela pearl com dezesseis tons é uma evolução, desde que o preço sempre caia, não sou contra melhorias.

      Abraço,
      Alex

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Mesmo os leitores que não são mais crianças e não precisam do apelo visual da cor para lerem ou se interessarem por um livro, existe leitores que precisam ler textos que têm imagens em cores, que são relevantes para seu melhor entendimento. Essa tecnologia, a meu ver, atende bem àqueles que não precisam das cores num texto. No meu caso essa tecnologia me serviria parcialmente, num estudo de astronomia, física, por exemplo no capítulo de óptica, ela seria deficiente.

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  7. Já existe tela e ink colirida, a cor é meio apagada, mas é cor

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  8. Eu gostaria de uma e-ink colorida para ler quadrinhos também.

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  9. Eu gostaria de uma e-ink colorida para ler quadrinhos também.

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  10. http://abertoatedemadrugada.com/2016/05/e-ink-cria-novo-papel-digital-com-32.html

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  11. Nó cego, se você quer escrever sobre algo, pelo menos PESQUISE sobre esse algo, para não escrever tanta besteira quanto você escreveu.
    Primeiro, telas LCD não é a evolução de telas CRT (de tubo). A tecnologia do cristal líquido surgiu para substituir os Leds em dispositivos pequenos, como calculadoras, pois o LED originalmente consumia muita bateria. A tecnologia que evoluiu da tela de tubo CRT foi a tela de plasma, que quase não se usa mais hoje.
    Basicamente o LCD pode fazer quase a mesma coisa que o e-ink, pois tem a capacidade de ser usado para refletir. Mas em telas de monitores, é usado para bloquear luz, não refletir.
    Quanto aos Leds, foram a evolução das lâmpadas incandescentes, com a vantagem da miniaturização. Mas não produziam a cor azul até o final da década de 90, não servindo portanto para produzir toda a gama de cores. No final da década de 90, com a descoberta do LED azul, foi possível produzir o RGB integral. Mas, de luzes coloridas para telas houve um avanço ainda maior, pois o LED original ainda era grande demais. A evolução do LED é o OLED (LED orgânico) e sua variação AMOLED, estes produzidos de materiais com base em carbono, bem menores, tornando possível sua colocação em telas. E telas de LED, LCD e plasma possuem no mínimo três pontos para formar um pixel colorido, ninguém nunca negou isso, e mesmo assim já é possível a construção de telas de 4K com LCD e com OLED (já era possível na época que você escreveu esse péssimo artigo). E existem telas OLED com 4 elementos, RGBB (vermelho, verde, azul, branco) em 4K.
    Agora, vou explicar a real abobrinha que você diz neste texto péssimo: você diz que não é possível e-ink colorido porque a reflexão da luz na coloração CMYK não é possível. Como não é possível, seu nó cego? A impressão colorida em papel faz exatamente isso, a luz reflete na margarida, assim chamada a unidade de ponto impresso em papel colorido. A margarida não é uma mistura de tintas, é a colocação dos pontos de cores separadas mas tão próximos que os olhos misturam esses pontos, formando as cores. Pegue um impresso colorido em papel e coloque no microscópio para ver a margarida. Assim, basta se fazer o mesmo em telas e-ink coloridas, formando a margarida, com pigmentos eletrônicos CMYK. A única dificuldade é a miniaturização, mas não é uma dificuldade técnica, é uma dificuldade financeira, basta desenvolver a técnica de construção deste material que torne barata sua fabricação em massa. E isso não tem nada a ver com "só uma empresa conseguiu fazer", qualquer empresa pode fazer, só surgiram mais empresas por conta da PATENTE. Assim que a patente cair, o custo também cairá.

    Ah, para constar, se não fosse necessário telas e-ink coloridas, também não seriam necessários impressos de jornais e revistas coloridos. Sua visão míope, limitada e deturpada do mundo da leitura lhe traiu. Não existem somente livros com histórias que não exigem cores, existem livros técnicos que precisam das cores para a transferência do conhecimento visual, então o e-ink CMYK é extremamente necessário.

    E para constar, a tecnologia e-ink colorida já existe. Só está em incubação para redução de custos de produção.

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