sexta-feira, 9 de novembro de 2012

E-books - ame ou odeie, mas não ignore

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Há quem defenda que não importa se você ama e-books ou se os odeia, porque de qualquer modo eles são o futuro do negócio editorial. Não que não haja por trás da afirmação uma postura tendenciosa, aliás, um post que inclui chamada para participar no Digital Book World 2013 apresenta 2 das razões pelas quais um sujeito detesta e-books e, em contraponto discorre sobre 6 motivos para amá-los. 

As desvantagens do e-book são correlacionados ao preço, à necessidade de aquisição de hardware, à não "posse" do livro, já que o que se adquire é uma licença de uso (que pode ser cassada sem maiores explicações ou chances de discussão como vimos a pouco tempo no caso da Amazon), além das dificuldades ou restrições para o empréstimo (a menos que se quebre o DRM).
É interessante notar que o tema do preço, atribuído como um problema do nosso país, também ocorre fora daqui. A existência de versões impressas mais caras que o e-book não é exclusividade nossa, embora não possamos esquecer do valor relativo dos livros frente à remuneração medida de nossa população e da população americana, por exemplo.
O artigo "Why Some People Hate Ebooks; and Why I Love Them" argumenta tanto em relação ao preço como à posse que o volume de vendas existente significaria basicamente que a maioria das pessoas não está exatamente preocupada com esses temas. Ou seja, aceitam pagar o preço estabelecido pelos e-books e não parecem se importar com o risco de não poderem mais deter os e-books pelos quais pagaram não muito menos que um livro impresso de uma hora para outra. Eu faria outra reflexão, ao menos em relação ao segundo tema: até que ponto as pessoas estão cientes disso? Nos EUA eu não tenho a menor ideia, mas aqui o mais provável é que a imensa maioria não tenha clareza sobre isso.
Sobre as razões para amor o e-book, o preço também é citado, porque no geral, embora não com a diferença desejada por alguns leitores, eles são mais baratos do que a versão impressa (também nos EUA a diferença média fica em torno de 30%, já havia comentado sobre isso aqui).
A conveniência de carregar uma biblioteca no bolso é destacada por Jeremy Greenfield e nisso eu concordo com ele. Ter qualquer livro à disposição até na fila do supermercado é impagável e acaba favorecendo que se leia mais, o que também é citado como vantagem no post. As demais vantagens falam da possibilidade de acesso a um e-book em diferentes dispositivos (no e-reader, tablet e telefone, por exemplo, conforme o que esteja à mão no momento em que dá vontade de ler), a versatilidade de baterias duráveis como o kindle e o interesse do autor pelo case de negócio que os e-books representam.
Na segunda quinzena de Janeiro de 2013, o Digital Book World Conference + Expo reunirá, predominantemente representantes do time que ama e-books, ou ao menos gosta da ideia de ganhar dinheiro com eles. A julgar pelos objetivos do programa, não faz parte das preocupações de quem move o setor buscar o possível desejo dos leitores, mas sim as formas mais eficazes de alavancar mercados e vendas.
Não, gente, isso não é uma choradeira contra o malefício do capitalismo (embora eu considere um sistema pouco louvável) e uma tentativa de bancar a carpideira das artes. Seria mais uma provocação à criatividade alheia (que bom que funcionasse com a minha também) para encontrar as brechas nessa rede que poderiam representar oportunidades reais de divulgar bom conteúdo e fazer com que o seu consumo (não no sentido de mercado) aumentasse – trocando em miúdos: mais gente lendo (coisas de qualidade) e crescendo com isso. Alguém aí com ideias, palpites, propostas? Aliás, alguém que vá participar desse evento??

Por Maurem Kayna (a partir da dica de Antonio Hermida no Google+)






6 comentários:

  1. Maurem,

    É preciso pontuar, e de maneira bastante enfática, que a não posse do ebook não é uma característica do livro eletrônico, como a se dizer que livros precisam do selo real para existir, foi uma imposição na Inglaterra, caiu, junto com a monarquia exclusiva. Existem autores na própria Amazon que vendem seus livros sem DRM, o que te permite a posse e conversão do arquivo, esta é uma escolha de quem vende o livro, e se o público a rejeitar, quem vende sem DRM ganha espaço; o mesmo digo ao preço, é óbvio que um ebook tem um custo infinitamente menor que o papel, e autores podem vender livros ao preço que desejarem, cabe ao público decidir se para aquele autor e título o preço é justo. É preciso notar que há uma batalha em curso, e esta nem é travada dentro das normas aceitas do capitalismo, uma vez que grandes empresas querem criar para si monopólios, sendo donas do formato proprietário do livro eletrônico, impedindo a livre concorrência. Sim, o capitalismo é desprezível, mas nem ele e nem democracia é o que temos no momento, há hipocrisia, e o puro capitalismo e democracia já seriam um avanço.

    A internet veio aumentar o acesso à informação, mas é preciso notar que este acesso não chegou à informação contida nos livros, uma vez que só com o e-reader o livro eletrônico ganha um suporte com o mesmo conforto do papel. E isto é mais crítico nos tipos de literatura que sei que gosta, Virginia Woolf seria um texto impossível ou quase sem gosto lido em tablet. Há uma revolução no meio, um ganho, está sendo contestada, como um dia os monges copistas e reis se impuseram contra a prensa de Gutenberg. Imagine onde estaríamos hoje sem a tal invenção, ainda na idade das trevas. O livro eletrônico com o e-reader veio aumentar o nível de acesso ao livro, o supra sumo da cultura que herdamos de nossos ancestrais.

    Eu sou dos que acredita que acesso e liberdade sempre vem a bem, principalmente quando o assunto é cultura e a livre circulação e contestação de idéias, é preciso notar que mesmo em nossos tempos, séculos depois da idade das trevas, ainda existem regimes obscurantistas que querem controlar o livro, Cuba é um exemplo. Não nos cabe procurar brechas, pois elas se referem ao cercado que querem colocar e não à verdadeira natureza da tecnologia. Veja que controverso: o livro eletrônico junto com a internet que permite uma difusão da literatura e cultura jamais sonhadas nem por Gutenberg, vem com mais empecilhos que o livro de papel, mas não próprios do meio, mas por quem quer restringir o direito que já tínhamos na antiga tecnologia do papel. Mais uma vez devemos lutar pelas “prensas” livres, a liberdade de imprensa, que não é exclusiva de jornais, mas sim do povo.

    Abraço,
    Alex

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  2. Olá. Eu já vi que tablet são péssimos para leituras. Já vi um ipad na minha frente e que sua luz é forte demais para ler, comprei um Sony Tablet S2 para ler e vou ter que vender pois é nocivo para os meus olhos. Pouco tempo de leitura cansa a vista e é fácil ser dispersivo com tanto app no aparelho.

    Estou de olho no Kindle, só que estou com dúvidas de qual aparelho é o melhor pra mim. Os modelos da 4ª geração não me interessaram por te darem acesso à internet, o que não é uma coisa boa, pelo menos para mim. Eu estava querendo pegar um da 3 geração com teclado usado no mercado livre mas realmente, não conheço ninguém que tenha um kindle. O que vocês acham? É melhor pegar um de 3ª geração ou ir atrás de um da 2ª ou de 1ª geração importado no amazon? Como a tecnologia do e-ink evoluiu? O contraste do e-ink ficou mais forte de um kindle para outro? Gostariam que me dessem uma sugestão de qual kindle pegar. Eu prefiro sem touch e de preferência com um contraste não muito forte e sem navegador de internet, quero apenas para ler.

    E claro, onde posso comprar um kindle na internet?

    Conto com a ajuda de vocês

    Leonardo

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    1. Leo,

      O acesso à web dos e-readers pode ser classificado de capenga a inexistente, é preciso saber qual o aspecto que lhe desagrada para ajudar, não recomendo comprar um e-reader mais velho por conta da durabilidade da bateria, mesmo sem uso a bateria de lítio degrada. Principalmente se ficou sem ser carregada por muito tempo. Pense, qual ecossistema de livros quer fazer parte, epubs com e sem DRM ou sistema Amazon, isto é decisivo. Atualmente o único e-reader fácil de ser comprado do Brasil é o Kindle, mas a Kobo anunciou parceria com a Cultura para este mês. O kindle 3 ainda é vendido pela própria Amazon.

      Abraço,
      Alex

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  3. Leonardo, se vc quer um e-reader sem ser touch eu iria de kindle 3 ou 4 só com Wi-fi e não com 3G já que vc só quer para ler, o Wi- fi é usado para baixar os ebooks comprados na Amazon e daí vem direto para o aparelho. O kindle 3 é muito bom, mas particularmente eu prefiro o kindle 4 porque é bem leve e como é só para leitura não é necessário o teclado. Espero ter ajudado.

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  4. Primeiramente obrigado a Martinha Rossi e Alê por responderem meu comentário.

    Já que o navegador é fraco assim então vou deixar isso de lado. Pretendo comprar livros na internet só que não tenho a menor idéia de como funciona, se é pelo cartão ou por boleto ou mesmo se no brasil tem esse tipo de serviço de vendas de livros que funciona. É muito caro um ebook? Se eu quiser portar meus própios e-books/pdfs como funciona? O kindle é igual um pen drive? É só copiar e colar os arquivos?

    Outra dúvida é sobre o aumentar e diminuir da fonte: funciona para pdfs? Ou eu preciso converter para o formato do kindle? Além disso, quais os formatos o kindle 3 e 4 suportam, respectivamente?

    Vocês saberiam me dizer se há alguma diferença entre o contraste do Kindle 3 e o Kindle 4? Se a luz dele é mais forte? Pra mim isso é essencial por causa dos meus olhos. Eu já li muitoo em PC e resultado são muitos vasos sanguineos dos olhos arrebentados. Eu com 22 anos tenho tantos vasos arrebentados quanto um sujeito de 40 anos de tanto ler no pc. Isso é deprimente. Li em alguns reviews que tinha notado uma leve mudança na luz do aparelho que está um pouco mais forte.

    Só ressaltando, não me interesse pelo modelo touch.

    Grato

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    1. Oi Leo, quando você compra o Kindle você pode comprar pela Amazon e o kindle lê mobi, se vc tem livros sem DRM vc pode converter por um programa de graça que vc baixa no seu PC, o "Calibre", e converte o pdf para mobi que é o que se lê no Kindle, se os teus pdfs tem gráfico ou desenho não fica muito bom, mas só texto fica bom.
      Segundo, um bom e-reader para ler pdf sem converter é o Sony Reader que é touch mas tem botões para se manusear manualmente, mas pelo Mercado Livre sai caro aí compensa vc importar pelo Ebay que sai bem mais barato.
      Diminuir ou aumentar fonte no pdf não dá, mas vc dependendo do aparelho da zoom isso acontece no Sony reader já fiz a experiência.
      Se o seu interesse é comprar livros em português aqui no Brasil por enquanto a melhor opção é ler em epub, o que o Kindle não lê, mas parece que a Amazon esta vindo para o Brasil aí as coisas irão mudar e teremos livros em português para o kindle na versão mobi. Mas como disse se os seus livros não tem DRM vc facilmente converte ele para mobi.
      Os outros e-readers kobo, Nook são touch. Tem e-readers antigos que são manuais o Cool-er, o Iriver e Cybook e-reader vendido na Fnac mas estes estão caros e bem antigos.
      No mercado livre o Kindle 4 vc paga 399 e tem um rapaz chamado Flaviotronico que varias vezes quando volta dos EUA vende kindle 4 por 299 reais. Compensa comprar novo porque vc tem a garantia da própria Amazon que realmente funciona por um ano. O kindle 3 também é bom. Sugiro que no Youtube vc procure por Kindle 3 X Kindle4 e tem vários vídeos mostrando a diferença entre eles. Eu particularmente prefiro o kindle 4 por ser mais leve e mais prático já que para mim o que interessa é a leitura eu não tenho o hábito de escrever notas então o kindle 4 é mais funcional.
      Agora Leo qualquer e-reader que vc comprar vc não terá problema com a sua vista, ela não tem luminosidade como o PC ou o tablet, por isso o e-ink que é feito o e-reader é como se fosse um livro. Tenho certeza qual seja o e-reader que escolher vc irá se apaixonar por ele e entrará para a lista dos fãs do e-reader, se realmente ler é o que vc gosta, vai de e-reader que vc não irá se arrepender.
      Boa noite, fico na torcida para vc escolher um bom e-reader.

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