terça-feira, 30 de outubro de 2012

Vamos Falar de ebooks?

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Esta semana ouvi de uma amiga que eu era o seu amigo mais tecnológico. Uma espécie de rei dos nerds, um Dr. Gadgets. Isso porque ela ficou sabendo que eu tenho um iPad e um Kindle.

Gastei bons bocados de tempo e saliva tentando explicar que os dois produtos destinavam-se a coisas completamente diferentes. Não sei se consegui.

Enquanto nas outras 5 maiores economias do mundo (somos a 6a, sabe Deus como) os ereaders desfilam pelos taxis e metrôs, parques e salões de beleza, aqui no Brasil tudo se resume a iPads.

Ereaders? Ebooks? E-Ink? Fala sério, quantos brasileiros sabem que isso existe?

Em um país com quase 14 milhões de analfabetos (perto de 10% da população) seria pedir demais que mais que alguns nerds conheçam ebooks.

Alguém já viu na TV, entre uma safadeza da Carminha ou uma pentelhação do Faustão  alguma propaganda falando sobre as incríveis qualidades do Positivo Ypy, do Alfa, do iRiver, do Cool-er? Claro que não.

Não temos incentivos fiscais, não temos propaganda, não temos nada.

Quando isso vai mudar?

Torço e espero que o cenário mude quando a Amazon chegar (se chegar).  Que ela compre logo o Submarino, a Saraiva, o Globo.com, o programa Voz do Brasil, que seja.

E que venha com uma política agressiva de preços e principalmente de merchandising. Que o Kindle fique tão conhecido quanto o hipster iPad.

Falando em mercado, este final de ano anda movimentado no mundo (realmente) civilizado.

Fingimos surpresa com o iPad mini (a Apple já foi melhor em guardar segredo), novos modelos de Nexus 7, fora os lançamentos recentes de Kindles e Nooks.

Sem separarmos o joio do trigo (ou o e-ink do LCD), falando simplesmente de telas para leitura, temos hoje um leque de muitas opções. Lá fora, lembre-se.

E o melhor, preços para todos os bolsos.

Não dá uma invejinha de saber que nos EUA você pode entrar na lojinha da esquina e sair com um Kindle pagando $69? Tá, você quer um Kindle Fire sem HD, você é chique (mas nem tanto). Abra a carteira e gaste $159.

Por $69, ou, R$138,00 você pode ter um leitor digital. Isso é muito menos que um box do Dexter no Submarino (e olha que adoro o Dexter).

Vai dizer que não deu vontade de ir correndo comprar a nova versão (alguém percebeu que lançaram uma nova versão?) do Positivo Ypy  com preços a partir de R$699?

Mas não vou ficar apenas reclamando. A situação vai mudar, para melhor. Como todos os países em desenvolvimento, um dia vamos... nos desenvolver.

Enquanto isso, vou pensar em uma forma mais eficiente de explicar para a próxima amiga que é legal e plausivelmente necessário ter um iPad e um Kindle, e que não, não comprei um Kindle para jogar Angry Birds em cinquenta tons de cinza.

Alex Godoy

4 comentários:

  1. Alex Godoy, em primeiro lugar, welcome back!!!
    O chato do nosso cenário é essa eterna postergação das expectativas, não! E, pelo jeito, e bem possível que Kobo aconteça antes do Kindle. Sobre iPad, a melhor definição que li outro dia é que a ibookstore "brasileira" é esse arremedo que é porque a apple se interessa mais "por coisas que piscam", livros não são um interesse real para eles.

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  2. Obrigado Maurem. É ótimo estar "de volta".

    Eu sou um eterno torcedor, torço para que o nosso mercado cresça, torço para que as grandes empresas virem seus olhos para o Brasil.

    Às vezes elas viram, como a Amazon. Ai a "burrocracia" estraga tudo.

    Quando finalmente entram no mercado, em vez de gerar real concorrência elas oportunamente entram na dança do "lucro Brasil". Vide o exemplo das montadores coreanas de automóveis.

    Kindle, Kobo, iPad... para mim, mais importante do que quem vai dominar é quem vai aumentar a variedade de títulos.

    Enquanto não conseguir ler "Agassi" digitalmente por meios legais eu não me sentirei realizado...

    Abs.

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  3. Muito bom ler artigos de pessoas antenadas e com coragem de dizer o que pensam.

    Vendi meu Kindle WiFi+3G e comprei o Fire HD. E, diga-se de passagem: é "bão dimais"!

    Apesar de ter comprado meu primeiro eReader a dois anos, até hoje não conheci uma única pessoa que tenha um leitor digital que não seja o PC.

    Conheço muitas pessoas que amam a leitura e vivem comprando livros físicos. Nenhuma destas, mesmo eu mostrando a facilidade da leitura e os vários recurso do Kindle, além do preço, é claro, mesmo assim nenhuma se interessou.
    Nenhuma das pessoas que conheço conseguiu enxergar do que se está a tratar! Não conseguem ou não querem "ver" que a "coisa" está mudando.

    Também né, não vivem sem sua "brejas", sem suas novelas, sem os "futebois", carnavais, etc.
    Que se pode esperar disso?

    Achei muito engraçado isso que você disse: "Torço e espero que o cenário mude quando a Amazon chegar (se chegar). Que ela compre logo o Submarino, a Saraiva, o Globo.com, o programa Voz do Brasil, que seja."

    Que vão, sabemos que sim (eu acredito nisso). E, quando chegarem, e tomara que seja ainda este ano, poderemos sugerir-lhes que comprem também a NET, a Vivo, a Claro, a Tim, etc.
    Ah! a gente sofre demais com estes "pangarés"!!! - Minha nossa!

    Parabéns pela postagem!

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  4. Obrigado Gilmar, comentários assim que alegram a semana de um humilde escritor amador como eu.

    Valeu mesmo. Forte abraço.

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