terça-feira, 16 de outubro de 2012

O que interessa é o lucro, não o acesso a eBooks nas bibliotecas

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Aqui nos EUA já virou rotina os leitores de livros eletrônicos que não desejam comprar um título retirarem uma cópia na biblioteca local. Demos um Kindle de presente de aniversário para um amigo que, com o orçamento apertado, toma um título emprestado atrás do outro, mantendo a leitura em dia sem ficar no vermelho no fim do mês.

Porém, uma tendência preocupante pode colocar água no chope de leitores como o nosso amigo. Considerando a popularidade dos livros eletrônicos nas bibliotecas, há editoras aumentando o preço dos títulos oferecidos. Uma delas é a Hachette USA, cujo aumento ultrapassa os 100%.

As editoras justificam esse aumento dizendo que os livros eletrônicos "não precisam ser repostos periodicamente como as versões impressas" e que "não há limite para o número de empréstimos de cada cópia".

O que as bibliotecas podem fazer, neste caso, para se defender de tal prática predatória? Greve, recusando-se a oferecer livros eletrônicos das editoras que estão passando dos limites? As editoras adorariam a ideia, pois ao que tudo indica a margem de lucro delas é maior com as versões impressas e muitas ainda torcem o nariz para a prática de tomar livros eletrônicos emprestados nas bibliotecas.

Uma campanha de conscientização ajudaria, talvez? É difícil... As bibliotecas seriam forçadas a virar revendedoras de livros para não ficar no prejuízo? Ou simplesmente deixarem de oferecer as versões eletrônicas para não ter que arcar com o aumento nas despesas?

Peter Brantley, em sua excelente coluna no Publisher's Weekly, sugere uma investigação no congresso americano, uma espécie de CPI dos eBooks, por assim dizer. "Talvez esteja na hora de o congresso tomar depoimentos para estudar a possibilidade de legislar o apoio às bibliotecas públicas", afirma o jornalista.

3 comentários:

  1. Rafa,

    Fico com um pouco de inveja, este é um problema que sigo, mas longe da realidade brasileira, é interessante ver os conflitos e o jogo de interesse, mas aqui as coisas ainda estão no paleolítico, com editoras tentando boicotar o livro digital em favor de um mercado minúsculo de leitores de papel frente à população brasileira, até Portugal tem maior cultura leitora que nós, mas lá livros são mais baratos em relação ao que ganha a população.

    Fico admirado como alguns conselhos locais de bibliotecas tem batalhado pelo acesso ao livro, esta das editoras aí cobrarem mais desceu quadrado, mostra que a única coisa que importa é o lucro, já achava uma safadeza as edições “educacionais”de pior qualidade, quando eram vendidas até mais caro que a edição “oficial”em livrarias.

    Abraço,
    Alex

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  2. Para você ver, Alê... O que interessa é o dinheiro no bolso, não os clientes felizes e o sucesso do livro. Até porque, se o meu amigo me recomendar um livro que ele leu da biblioteca, a minha primeira reação é ir na Amazon e comprar uma cópia para o meu Kindle. Ou seja, a editora acaba ganhando pela recomendação de alguém que é frequentador assíduo da biblioteca. Mas, como ninguém para e pensa, a primeira reação deles é mesmo aumentar os preços para não afetar a margem de lucro...

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    1. Rafa,

      Eu acho que as bibliotecas devem boicotar estes livros caríssimos, e pelo que vi é o que muitos conselhos estão fazendo, só quando as editoras verem que livro em biblioteca é divulgação e fará falta, é que vão cobrar preços justos. Quem tiver maior visão ganhará mais mercado.

      Abraço,
      Alex

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