segunda-feira, 15 de outubro de 2012

E-books por aí

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Volta e meia saio à procura de e-books gratuitos que vão sendo disponibilizados na web, geralmente pelos próprios autores, como uma forma de promoção da obra, do nome do autor e, algumas vezes até de editoras. Além da pesquisa direta no Mr. Google e dos e-mails de divulgação que recebo de autores com quem tenho alguma interação, costumo ver o blog A Biblioteca de Raquel, que tem divulgado livros e revistas gratuitos na web. A boa sacada das dicas de Raquel Cozer é que se tratam de títulos que ainda não caíram em domínio público. A parte ruim é que a maioria é PDF (na verdade todos os que fui conferir eram PDF, mas não fiz um censo...).

Ok, também não condeno de todo essa alternativa, afinal, um PDF não precisa de nenhum conhecimento extra do usuário que não possui ou convive com e-readers e pode ser lido na tela do computador sem necessidade de instalar qualquer programa especial. Mas para quem usa e-readers a coisa fica um pouco menos interessante. Se eu for converter um desses arquivos no Calibre para poder ajustar tamanho de fonte, por exemplo, danou-se! Pois a paginação ficará cortando trechos de texto e interrompendo o fluxo da leitura.

A distribuição de e-books gratuitamente pode ser uma maneira razoavelmente eficiente de (auto)divulgação de um autor. Já recebi vários, mas naturalmente nem todos dão ânimo de avançar além das primeiras páginas. No dia nacional da leitura, que coincide com o feriado de doze de outubro, o autor Rodrigo Domit aproveitou para lançar a versão digital do seu Colcha de Retalhos*, disponibilizando o PDF e uma versão de leitura online. Não sou a maior entusiasta dos chamados microcontos, mas alguns desta seleção, que também inclui crônicas, me agradaram um bocado.

Por outro lado, enquanto vejo essa alternativa de disponibilizar materiais deixando para o leitor a decisão de pagar ou não e o quanto, como já fizemos aqui na lojinha do blog, vejo ainda autores que preferem não lançar a versão e-book por terem dúvidas se compensa adotar o formato - seja o que signifique esse "compensar".

E aproveitando o post para fazer um update a partir do comentário de Daniel Banho, a Editora Intrínseca está disponibilizando (de novo, em PDF) trechos de algumas de suas obras. Encontrei vários links quebrados, mas outros funcionando. Longe do ideal, mas é um passo distinto da grande maioria.

Segue um dos micro ou mini-contos do Colcha de Retalhos.




Mulheres
Contrariado, Francisco matou José de tiro; E antes do sangue secar, Severino matou Francisco na faca. Por vingança, Chiquinho matou Severino a golpe de enxada. Traiçoeiro, Zico colocou uma cobra na cama de Chiquinho. Traiçoeira, a cobra mordeu Zico também.
Só sobraram as comadres, que sentaram à varanda, agulhas à mão, e comentaram com desdém:
– Esses homens... 
Rodrigo Domit










* Esta não é uma indicação da Equibe EbookBR, mas uma informação e opinião de exclusiva responsabilidade da autora deste post.



Um comentário:

  1. Olá, Maurem

    Tive a sensação de que este post tornou-se extensão do anterior "das obrigações do autor moderno" no que toca ao papel cada vez mais ativo do autor para com a divulgação de sua obra. Engraçado também como quando o tópico é e-books sempre uma hesitação surge, no caso: "vejo ainda autores que preferem não lançar a versão e-book por terem dúvidas se compensa adotar o formato - seja o que signifique esse "compensar"". A que se deve essa hesitação desses autores? Será porque muitos deles tem a imagem já estabelecida que um livro só se constitui como tal se passar pelo prelo de uma editora?
    No que toca à sua opinião a cerca do mercado editorial, estamos concordes. A tristeza que manifestou também é a minha, e nos faz constatar que o mercado editorial não se movimenta à cata de predicados estilísticos ou sondagens profundas e profíncuas da natureza humana. A proliferação de autores (distinguindo, claro, aqueles que buscam alcançar "verdades" artísticas dos que buscas pelas suas obras alcançar algum sucesso fácil) deveria ser alentadora, mas há mais escritores que leitores aqui por essas plagas...
    Sua ambição (como a de todos que tem conhecimento da palavra "arte") é legítima. Sua afirmação "Mas não falo isso de modo azedo..." ilustra plenamente minha assertiva: "o autor hodierno deve aceitar a realidade atual".
    Para que o panorama da leitura desse país mude, creio que devemos fazer o que já fazemos: investir e disseminar o debate e a leitura crítica e, se a validade da obra não sofrer qualquer arranhão após esse processo, passar para frente essa leitura, pois então o que passa a tornar-se ativo são os predicados dessa obra. Tomemos do Tempo, crítico supremo em questões artísticas, o monopólio da validação de uma obra...

    Não há maneira mais honesta do que esta. Está além da política do "escambo" que você tão corretamente deplora, e nos dá a possibilidade de entrar em contato com a obra de um neófito ou desconhecido (como agora entrei em contato com a obra do Rodrigo Domit citado no post).

    Assim, não é o autor que promove sua literatura. É a própria literatura que se promove, através de seus predicados...

    Abraços,
    D.

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