quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Círculo do e-book (?)

Aumentar Letra Diminuir Letra

Costumo prestar atenção ao surgimento ou crescimento de iniciativas ocupadas com o e-book no Brasil. Com isso, vejo muitas iniciativas oferecendo serviço de edição / produção de e-books para autores (pelo menos 10, sem grandes esforços em pesquisa*) iniciantes. Em geral tais iniciativas não são propriamente editoras mas prestadores de serviço em editoração / publicação.

É uma oportunidade de negócios, sem dúvida, portanto não critico, ao contrário, acredito na importância de uma oferta qualificada desse serviço. Alguns desses empreendimentos oferecem mais que a editoração, alcançando também distribuição em livrarias online ou plataformas próprias de comercialização de e-books e um número um pouco menor oferece também a divulgação. Poucos oferecem (como opcionais) a leitura crítica e revisão, mas esse não é o foco central. Quase nenhum tem um processo de curadoria com foco em publicações digitais.

A questão a discutir, no entanto é: se há tanto movimento na produção de e-books isso deveria estar se refletindo, pelo menos em certa escala, em aumento de "oferta e consumo" de e-books, certo? Não, as coisas não são assim tão lineares e há várias razões para isso.

Primeiro, embora não disponha de informações (nem precisas nem questionáveis) atualizadas sobre o volume de vendas de e-books para brasileiros, é patente que esse meio de leitura continua sendo apenas uma perspectiva futura. Se a leitura em si já não é popular por aqui, a leitura de e-books muitíssimo menos.

Segundo, o crescimento de e-books produzidos se concentra basicamente em publicações independentes. Em geral são mais a concretização de um capricho ou desejo pessoal que uma empresa literária de possibilidades reais.

Sim, é repetitivo mencionar o caso, mas sem disponibilidade e acesso a e-readers, o cenário dificilmente se altera, pois sem essa mudança as editoras "de verdade" também não terão pressões reais para disponibilizar seu catálogo em e-books. Ah, mas e os tablets? Usuários de tablets podem também consumir, eventualmente e-books, mas não em intensidade e frequência capazes de fazer pressão.

Por outro lado, será que a não popularização ou ao menos o acesso mais factível aos e-readers é o único responsável pelo atual cenário? Voltamos então a outros argumentos, todos já um pouco gastos – preço do e-book, a diversidade / incompatibilidade de formatos, a confusão de aplicativos para leitura e por aí vai.

Para dar uma chance aos difundidos conselhos do catálogo da autoajuda e trabalhos motivacionais (que costumo deplorar), tentemos abordar as possibilidades de solução ao invés de nos concentrarmos excessivamente nos problemas. Sabem do que lembrei? Do círculo do livro. Na época de universidade, quando o acervo da biblioteca da UFSM e o esquema de empréstimo entre amigos eram minha única possibilidade de ler (por causa do preço, não pela falta de títulos que interessassem nas livrarias), uma parcela expressiva dos títulos a que tive acesso, vinha dessa iniciativa. Naqueles dias o Círculo já nem estava mais operando como um um empreendimento editorial, e eu tinha a equivocada impressão de o nome aludia a uma espécie de clube de leitura pensado por pessoas que gostavam de ler e partilhar experiências.

Um círculo do e-book, incorporando todas as complexidades do cenário atual seria algo viável? Meu momento viagem, aproveitando que escrevo do aeroporto.  






* seguem links dos 10 primeiros exemplos que me ocorreram (não se trata de recomendação ou publicidade, mas de ilustração do tema), em ordem alfabética;


Bookebooks
Buqui
Digital Books
Dualpixel
Hondana
Jaguatirica Digital
Livros Ilimitados
Livrus
Obliq Press
Simplissimo

Por Maurem Kayna

2 comentários:

  1. Maurem,

    Minha mãe era do círculo, eu ainda era pequenino e gostava de folhear a revista, às vezes até pedia alguns títulos, não lembro se os preços eram melhores que as livrarias, mas se não me engano, aquelas edições capa dura não se encontrava em livrarias normais. Com cada revista pedíamos ao menos um livro, não lembro qual era a vantagem, mas as estantes aqui de casa estão forradas destes livros.

    Abraço,
    Alex

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  2. Oi Alex! Não tenho certeza, mas acho que havia vantagem quando mais de um título era comprado. A sacada legal era a formação de um grupo que acabava fazendo propaganda do empreendimento e divulgando os títulos, mesmo que houvesse a forte cultura do empréstimo entre as pessoas com gostos similares, isso não deve ter representado grande perda, ao contrário. Não tenho comigo nenhum exemplar dessa época, mas li muitos (ih... momento nostalgia... risos)

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