sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Boataria: Amazon, Saraiva, Submarino.

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Boatos no ar, nada confirmado, fontes secretas, muita especulação, até em preços das empresas na bolsa brasileira, sobem e descem. Assim, vamos especular também.

O principal boato: a Amazon estaria procurando uma empresa brasileira para comprar e entrar no país, por conta disto as ações da B2W (responsável por Americanas e Submarino) subiram, lembram que foi a empresa proibida de vender por um período por punição do Procon; agora parece que o alvo dos boatos é a Saraiva. Ações da B2W afundaram e da Saraiva subiram, tudo por conta dos rumores.

Além disso, há mais boatos que a Amazon abriria até novembro aqui uma kindle store, e outros que dizem que fez parcerias com distribuidores de ebooks brasileiros.

Saindo da zona dos boatos: Cultura e Kobo anunciaram parceria para ter os e-readers já em novembro.

Quem é a Amazon? É uma empresa de comércio eletrônico pioneira, começou quando todos achavam que vendas online nunca aconteceriam, e isso em uma país já acostumado com o catálogo da Sears, tão popular que deu origem ao papel higiênico, sério, o catálogo depois de vencido era usado como papel de limpeza, inspirado na idéia criaram o papel higiênico. Ou seja, não acreditavam na venda online em um país onde a venda por catálogo era fortíssima, ao contrário do Brasil. Bezos, atual CEO da Amazon viu no livro o produto ideal para venda online, construiu um catálogo eletrônico onde todo livro poderia ser encontrado, mesmo que não estivesse à venda na loja, eles até se dispunham a procurar uma cópia usada para ti, assim, tornou-se a primeira e única parada para consulta e compra de livros, pois tudo, absolutamente tudo, estava lá. Além disso, tinham um serviço gentil e eficiente, nunca fiquei na mão, tenho 100% de confiança na Amazon. Com isso construíram uma reputação e uma base de clientes, dos mais fiéis e classificados, leitores, o tal público formador de opinião. A partir daí passaram a vender não só livros mas tudo, com a mesma qualidade de serviço e confiabilidade, resultado: são a maior loja de venda online. Mas isto não é tão simples assim, há uma “tecnologia” Amazon por trás de tudo, que garante eficiência em uma estrutura enxuta, por isso os excelentes preços. Não tenha dúvida que por trás dos muros da Amazon há uma estrutura de fazer qualquer aparato militar parecer coisa de criança no jardim de infância.

Se precisasse de uma única palavra para definir a Amazon, esta seria eficiência. Surgiu a tecnologia do e-reader, Amazon não foi pioneira, mas com a maior livraria, assim que abarcou o aparelho e o precificou de maneira correta no mercado, as vendas de ebooks decolaram e continuam subindo, a ponto de ameaçar as editoras de papel. A Amazon nunca esteve para brincadeira, assim que passaram a ter volume, começaram a vender com preços agressivos; competidores como mandam as leis de mercado, favorecendo o consumidor. Enquanto a Amazon vendia bens físicos, a escolha de compra era do consumidor, você comprava na Amazon pois ela tinha o melhor serviço e preço, com o lançamento do seu e-reader, que só aceita produtos da Amazon, ela quis encarcerar o consumidor, deixando-lhe refém de seu sistema.

Como aqui é uma página de livros e e-readers, cabe um parêntesis sobre o desenvolvimento e preço do dispositivo. Um e-reader é composto de três partes: hardware, sistema e livros. É a tela e-ink que diferencia o aparelho de outros computadores, como celular, tablet e até relógios; é um computador, mas por conta da tela específica, que mostra imagens estáticas sem gastar bateria, e com o mesmo ou maior conforto do papel, torna-se um aparelho de uso quase exclusivo de leitores, que ficam um tempo em uma mesma página, e assim a bateria dura meses, esta tela é ruim para quase tudo, mas excelente para leitura, diria imbatível. Qualquer empresa pode produzir o dispositivo, mas apenas livrarias podem vender a preços menores para poder ter o lucro na venda de conteúdo, desta maneira os modelos que floresceram e tornaram-se populares foram os vinculados a livrarias online.

Quem detonou a corrida para o e-reader foi a Sony, o PRS-600 que antes custava em torno de U$300 caiu para quase a metade, alguns meses depois foi a Amazon que anunciou seu e-reader, ainda mais barato e assim criou-se o mercado de ebooks, que já existe por décadas, mas que por falta de conforto na leitura nunca decolou como um mercado viável. Com o aparelho os consumidores de livros de papel migram para o conforto e facilidade da leitura eletrônica. Recebem livros em segundos em vez de semanas, não pagam taxa de entrega, além do óbvio ululante: é muito mais fácil replicar um arquivo minúsculo de computador do que um livro em papel.

Como os aparelhos eram produzidos por livrarias com o intuito de vender seu conteúdo, a opção foi por criar um sistema que tornasse o cliente que comprasse um dispositivo escravo do sistema do livreiro, assim a Amazon comprou o formato .Mobi que era diferente de um outro que tentava abarcar um padrão para o livro digital, o epub. Ambos nasceram juntos, mas diferenciaram-se por motivos comerciais, muito do Mobi é o antigo .prc, uma das primeiras tentativas de padronizar o livro digital.

Livrarias produzem os aparelhos em vez de empresas independentes, e passaram a controlar o sistema para manter os leitores cativos, e por conta disto, o conteúdo sem o qual o e-reader não existe, o livro, passou a ter a limitação do sistema da livraria, com estratégias diferentes dependendo dos vendedores. O livro de papel não depende de sistema, pode ser comprado e lido em qualquer lugar, mas se você tem um kindle só compra na Amazon, e se não tem não compra, é um mundo fechado.

Nos últimos lançamentos a Amazon apertou a coleira no leitor, oferecendo dispositivos com espaço extremamente limitado para que o consumidor fique dependente do seu sistema online.

Agora voltamos aos boatos de mercado e como anda o Brasil nesta história. A Kobo já anunciou sua parceria com a Cultura, a Amazon disse na Bienal do livro que só entraria no Brasil depois de um ano. A Kobo não está sozinha, ela foi comprada pela Rakuten, uma empresa de comércio eletrônico, forte competidora da Amazon, eles já estão no Brasil, dão passos lentos mas seguros implantando seu eficiente modelo de negócios. A Amazon vender livros é uma causalidade, foi uma estratégia de Bezos para iniciar seu comércio eletrônico, mas lhe garantiu uma base de clientes altamente qualificados, e mesmo sem querer o nome da Amazon foi associado aos livros, sua eficiência e capacidade. A Rakuten é primordialmente uma companhia de comércio digital, mas a Kobo é uma vendedora de ebooks, não vende livros físicos, apenas os eletrônicos. Para a Amazon ter uma livraria tão bem conceituada é um trunfo, a Rakuten comprou seu trunfo para competir com seu comércio eletrônico.

Tanto os livros da Amazon, como a Kobo, são bandeiras importantes para os sites de comércio digital, não é interesse de nenhuma destas empresas gerir uma operação falha e receber o ônus do consumidor.

Se Rakuten entra com o Kobo e-reader um ano antes da Amazon, forma uma base de clientes que nunca comprará na Amazon brasileira, uma vez que os aparelhos são excludentes. Tirando a base de clientes brasileiros que já compra na Amazon USA, não vai restar muito espaço se a Kobo fizer tudo direitinho. Amazon terá que gastar muito para tomar clientes que já estão fidelizados no sistema Kobo/Rakuten.

Agora vamos especular com os boatos mais recentes: a compra da Saraiva. Primeiro, a Saraiva já foi uma das livrarias a manifestar-se agressivamente contra a Amazon perante seus fornecedores, sua compra no mercado poderia significar acabar com um competidor hostil, e assim, quanto mais hostil, mais cara fica a Saraiva para a compra, até que os valores adocem as conversas. Vale a pena para a Amazon pagar tanto por isso? Duvido!
A Saraiva não é uma única, Amazon poderia adquirir apenas uma parte, a parte da editora depende das compras governamentais para o seu faturamento, e dependendo de como se “negocia” com o governo o valor pode chegar a zero, lembrem da Delta, subiu como um foguete, caiu como um meteoro, do zero para a maior construtora do Brasil em poucas semanas e novamente ao zero. Não importa quanto lucre a parte editorial da Saraiva, sem o governo ela não vale nada. Restam lojas, site e uma logística discutível. A Amazon, mesmo nos EUA não tem lojas físicas, não faz parte da sua estratégia, até vai contra, imagine lojas físicas no Brasil! Dispendiosas, com o pessoal ruim que conhecemos nas unidades da Saraiva e sem a flexibilidade que existe nos EUA para demitir funcionários, herdando um passivo morto que não pode ser demitido e nem vai chegar nem perto dos standards exigidos pela Amazon, isso custa muito para manter, comprar esta estrutura seria suicídio. E aí resta o site, e um dos motivos que nós leitores queremos Amazon aqui é para não ter o atendimento que recebemos da Saraiva, a cultura é muito melhor na parte de livros físicos, mesmo nas lojas, não tem comparação, é mais cara para quem não tem o cartão mais cultura, mas com o cartão, que todos podem fazer gratuitamente, o preço é o mesmo, só não tem tantas promoções de bestsellers, mas como compro quase sempre livros físicos somente para presente, prefiro o atendimento e a embalagem de presente da cultura. Na parte digital eles são sofríveis, baixei errado um livro, no computador de um amigo, e fiquei com o mesmo travado, sem poder baixar novamente, eu sou chato assim, uma vez que deu mancada, nunca mais.

Do que entendo a Kobo vai usar o que a Cultura tem forte, a loja física, espero que fiquem longe do site da Cultura ou que o façam nos moldes da Kobo canadense. Não faz muito sentido a Amazon comprar e pagar caro um sistema que os leitores já não gostam. Mais um ponto, a Amazon adiou o envio de Kindle paperwhite para a Europa, como conseguiriam suprir o Brasil? Pelo menos a ponto de competir com a Kobo?

Amazon no Brasil sem kindle é ridículo, uma vez que só quem tem o aparelho pode comprar seus produtos, kindle store sem kindle, mais ridículo ainda.

Abraço,
Alex

4 comentários:

  1. A Saraiva desmentiu o último boato, e as ações caíram novamente. Eu acredito que, se o boato da Amazon abrir a Kindle Store aqui em Novembro for verdade, eles devem vender o Kindle direto dos EUA, o que já acontece. A diferença deve estar em algum tipo de desconto, ou no fato deles bancarem o imposto e o frete. Eles podem ser agressivos assim no começo, e lucrar depois com o consumo. Estamos a poucas semanas do começo da "guerra" entre Kobo e Amazon por aqui. O bom é que vamos assistir de camarote o embate. Espero que no fim das contas o vencedor seja o leitor brasileiro.

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  2. Boatos são assim, sem fundamento, mas seria estúpido a Amazon vender kindles direto dos EUA, pois o imposto simplificado, é muito mais caro que o imposto de importação normal, sem contar as desvantagens do frete, que também recebe cobrança de imposto. Seria muito mais inteligente a Amazon importar os aparelhos para o Brasil a preço de revendedor, em importação regular que tem muito menos imposto, e vender aqui, em vez bancar o imposto pessoal caríssimo.

    Alex

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  3. Só adicionando mais um boato. Hoje dia 22/10 começou a surgir vários livros na ibooks strore da applebr. Um dia antes do evento lá do possível lançamento do ipamini focado em educação.

    Fontes dizem que a Apple planeja para amanha o lançamento da sua loja de livros.

    Dos livros postos hoje algumas coisas a dizer:

    - A loja está em dólar
    -O preço está salgado, Guerra dos Tronos Livro 1 e 2 saindo por 19$ livro 3 23$. Arte da guerra saindo a 13$. Lembrando valores em dólares e por esses exemplos mais caros que os livros impressos. @_@


    Dito isso com o ajeitamento da KOBO com a cultura, o lançamento da loja ibookstore da apple antes de novembro é bem possível que a Amazon tenha acelerado o processo para não sair muito atrasada.


    Mas a se dizer pelos preços parece que as editoras ganharam a briga de braço e nós vamos sair perdendo =/

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    1. Saímos perdendo no mercado que poderíamos ter, mas , se ninguém comprar, os preços caem, pode acreditar, essa é uma das belezas do capitalismo. Os preços estão ridículos de altos. então o negócio é não comprar.

      Eu mesmo só compro a preço justo, divulgo até a L&PM, que faz versões digitais da coleção pocket dela (são textos integrais) a R$ 13-17, isso sim é preço de livro digital, pago numa boa.

      O crime maior do que uma "editora" colocar esse preço é COMPRARMOS a esse preço, aí legitimamos isso!

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