quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Mesmo sem querer e-readers viram elite.

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Quem comprou um e-reader não sai por aí exibindo o aparelho, muito ao contrário, até evitam a exposição, ler em e-ink é muito prático, para quem só quer desfrutar do prazer para os quais livros são feitos; não exibir volumes em estantes, e conseguir livros com muito mais facilidade, leitura no meio eletrônico não tem igual. Além disso, a maioria dos leitores quer ver livros tornarem-se populares, não vi um leitor que adotou o eletrônico dizer o contrário.

Os usuários de iphone, ou uma boa parte deles, gostam da exclusividade, pertencerem a uma suposta elite que pode adquirir o caríssimo aparelho, nem que seja em milhares de prestações. Quando o instagram, um programa popular do iOS, lançou sua versão Android houverem muitas reclamações, pois a ralé que pode comprar um aparelho muito mais barato, poderia usar a mesma rede, “contaminando” o serviço. Parece que comprar um iphone caro te coloca em um clube de elite, é parte do status que impulsiona a marca, um medíocre ao comprar o aparelho torna-se membro do clube exclusivo, e para ele não interessa a popularização do aparelho ou do sistema. Tem gente que compra um iphone sem pensar nisto, mas as reações dos que desprezavam a entrada dos usuários de Android na rede do instagram, expôs de maneira clara o “elitismo vulgar”.

O e-reader é um aparelho barato, pelo menos lá fora sem o imposto da vergonha que o governo PT e a Dilma cobram no aparelho, não justifica alguém querer compra-lo para ser de qualquer elite, e o aparelho só serve para leitores, pessoas interessadas em ler livros, de posse de um lê-se muito mais. Infelizmente, quem tem um e-reader está tornando-se parte de uma elite involuntária de pessoas que lêem mais, muito mais que os leitores de papel por conta da praticidade, excepcionalmente só o ato de ler já te coloca fora da média populacional, uma vez que livros sempre foram caros, mas o leitor eletrônico é uma elite dentro dos leitores, uma vez que por falta de títulos e preços altíssimos do livro em português, ele no mínimo é bilíngüe, pode encontrar gratuito várias obras magníficas da literatura que estão em domínio público e ler sem gastar nem mais um tostão; e apesar de gastar menos, paradoxalmente, em nosso país virou elite, involuntária, mas muito mais qualificada que os usuários de iphone.

Ninguém dos e-readers quer ser elite, mas restringir os seres pensantes é a política corrente do governo, pois só a boçalidade permite uma classe política tão desclassificada como a nossa. Livros e educação de verdade são perigosos, podem fazer as pessoas pensarem, difíceis de serem enganadas, caras para serem compradas com mixarias eleitorais, pois sabem: o que o governo dá não é de graça mas pago nos impostos, portanto não é favor, é dever.

A elite iphone é medíocre, mas pior é a comunidade de grandes editoras brasileiras, que por cobrarem em média cinqüenta reais em um livro, o tornam inacessível e assim diminuem o próprio mercado, guardando o território como hienas famintas defendendo as próprias fezes. O e-reader se barato, pode mudar este panorama, não sou idiota a achar que é a única medida que vai impulsionar a cultura popular e aumentar a leitura da população, mas é a primeira, primordial, sem esta medida, sem livros acessíveis, pode-se tomar todas as providências, pois nada irá acontecer; infelizmente é o que querem. Livro é a base essencial da cultura e educação, não queremos ser elite, queremos os e-reader, os livros e o acesso dos autores aos leitores democratizado.

Parabéns leitor de livros eletrônico, você é elite, mesmo sem querer, vamos acabar com este ranço e permitir a todos terem acesso ao livro, assim podemos voltar ao conforto da nossa leitura anônima que nos delicia nos momentos de intimidade com o livro. Só quando o leitor deixar de ser elite, é que nossos políticos deixarão de ser ralé.

Alex

8 comentários:

  1. Verdade Alex, ótimo post, nós fãs do e-reader e da leitura, fazemos de tudo para divulgar este aparelhinho maravilhoso, atualmente ando com o meu kobo touch na bolsa e quando estou lendo me perguntam que aparelho é este e vou explicando, acho que já tenho uma lista de pessoas que estão esperando a Livraria cultura começar a vender para eles adquirirem já que possivelmente isso ocorrerá este ano, assim esperamos... Mas de jeito nenhum me considero elite, mesmo que os outros possam pensar isso. Creio que a vida é feita de escolhas, e prefiro gastar meu dinheiro no que me dá prazer e invisto em literatura. Nós sabemos o quanto é importante comprar um aparelho que nos proporciona o prazer de ler e ter a facilidade em portabilidade, em números de e-books e acesso fácil a estes. Espero que num futuro próximo muitos brasileiros tenham a alegria de adquirir o e-reader e viajar pelo mundo da leitura que sempre nos acrescenta conhecimento e prazer.

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  2. Alex,
    ótimo texto.

    Faço minhas as palavras da Martinha.

    Raniere

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  3. Alex Cmb,

    Fico abismado com sua cara de pau, o projeto 114/10 está rodando desde 2010! Agora que foi aprovado, o governo é contra e diz que vai regulamentar, veja bem “regulamentar” e não liberar o tal imposto, coisa que já podia ter feito antes! Não seria mais fácil ser a favor? Se o governo tem poder, não poderia já ter liberado o imposto antes? Em vez disso ficou cobrando imposto em detrimento do brasileiro, fico cada vez mais abismado com o nível de hipocrisia deste governo e de seus simpatizantes, me enoja!

    Alex

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  4. Aeroporto é o lugar [pelo menos no Brasil] para "calcular" a participação de e-readers. Já vi alguns Kindles, Kobo e até o Positivo Alfa nas salas de embarque.

    Mas infelizmente, no Brasil o LIVRO é uma 'coisa' elitizada :( Não é só uma questão de preço (já não é tão absurdo como há algum tempo, e aumenta a oferta de títulos populares em lugares populares: supermercado e lojas de departamento), mas de cultura que precisa mudar.

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  5. Alessandro Fernandes,

    Caso não notou, foi a reação dos possuidores de iphone em relação aos possuidores de Android que estou comentando, como disse, tem gente que compra um iphone por outros motivos, mas há muitos incomodados a ponto de criarem a tal reação oposta do instagram, e não foram poucos. Isto sim é mediocridade!

    Alex

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  6. leitores de livro em geral são elite no brasil

    ninguém lê mais, mesmo email. Interpretação de texto é algo assombroso para a maioria.

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  7. Concordo. O e-reader sozinho não vai salvar o Brasil.

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