terça-feira, 25 de setembro de 2012

Isso é coisa de leitor.

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Planta eucalipto, espera crescer, cuida, derruba, transporta, pica e dissolve, prensa, seca, enrola, transporta, corta, imprime, encaderna, encaixota, transporta, vende e lê. Simples não? E tudo isso para apenas um livro, um título, para um novo, voltamos ao início. Tudo isto para um processo que poderia ser simples: autor escreve, leitor lê. Não estou desconsiderando todas as etapas de produção de um e-reader, mas no caso, é um único aparelho para milhares de livros. Não imaginaria que autores e editores ficassem felizes? Eliminou-se grande parte de um processo custoso, e assim, o livro pode ficar mais barato. Pode? No preço que você paga pelo livro em papel, a impressão para as grandes editoras custa: vamos dizer 10%; um livro que sai para o consumidor R$50,00, custou R$5,00 para o suporte físico, mas isso só funciona para as grandes, o mesmo volume para um editor pequeno saí por R$20,00 ou R$25,00 dependendo dos “contatos”, vendido pelos mesmos R$50,00. Se você notou, há aí uma matemática que não fecha, o e-reader expõe e destrói o antigo processo, sem política, sem mazelas, sem favores, e queira ou não ele virá, já nas mãos de leitores ávidos, a turminha “avant-garde” de leitores; pasmem, aí não se encontram leitores ditos “modernos” e nem os escritores, que como sua literatura, seus hábitos de leitura permanecem travestidos de uma modernidade barroca, louvando o papel ante à alma imortal do livro que permanece viva no meio eletrônico.

Tudo é questão de tempo, o livro eletrônico é irreversível, e tal qual "juggernaut", avança em seu passo, mas tempo é aquilo que o Brasil não tem, estamos atrasados, existe algo que ninguém pode esconder: o mundo do futuro, tecnológico, competitivo, precisa de educação, e esta só vêm com acesso a livros.

É ridículo pensar que editoras e livrarias vão conseguir evitar o avanço do livro eletrônico no Brasil negando-lhe conteúdo em português, quantos livros de papel existem hoje disponíveis para o leitor comprar? Qual seu custo? Quantos livros encontran-se esgotados, pois não há interesse das editoras em imprimir uma nova edição? Qual o custo de manter um catálogo físico? Qual o custo de manter um catálogo virtual?Qual o custo para o autor publicar seu livro digital? E em papel? E acima de tudo, quanto o leitor tem para gastar em livros?

Vejam que hoje dizem que é classe média quem ganha de R$300,00 a R$1100,00, pague o aluguel, água, telefone, luz, comida, transporte, e veja se sobra dinheiro para quatro livros, três cinemas e três peças de teatro, sem falar de shows de música. Quem tem grana para gastar em apenas quatro livrinhos no mês, e olha que quem lê, ultrapassa esta soma fácil. Torturam os dados para a classe mérdia virar média. Lamento quebrar o sonho, mas sem acesso a cultura e quem sabe educação, este povo é pobre mesmo, sem eufemismos estúpidos.

Nossa única esperança de e-readers no Brasil está nas mãos da Rakuten/Kobo, eles lançaram sua loja em Portugal em parceria com a FNAC, aqui parece que será com a Cultura, mas veja que interessante: Portugal é um país, proporcionalmente, com mais leitores que nós e um mercado editorial mais desenvolvido e exigente. Apesar das diferenças, que acho saudáveis e culturalmente importantes a despeito do acordo ortográfico estúpido feito pelos ignorantes na canetada, brasileiros não só podem ler os livros dos nossos colegas Tugas, mas com e-readers podem comprar livros de além-mar, no sentido inverso do descobrimento. Assim nós, brasileiros e portugueses, somos irmãos na mesma causa, e por favor, não traduzam livros do português para o brasileiro, vamos aprender a conviver com esta saudável e engrandecedora diferença.

Alex

4 comentários:

  1. Olá Alex,
    parabéns por mais este post. Muito bom.

    Foi bom saber da parceria da Rakuten/Kobo com a FNAC em Portugal.

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    1. Raniere,

      É legal a parceria Rakuten/Kobo e Fnac Portugal pois garante a nós acesso à literatura portuguesa.

      Abraço,
      Alex

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  2. Parabéns!

    Muito legal o post. Não vejo a hora de poder comprar um kobo glo em terra pátria.

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    1. Leonardo,

      Eu que já tenho dois readers, quero ver o Kobo Mini.

      Abraço,
      Alex

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