quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Novo e-reader Sony PRS-T2, traz à luz questões interessantes.

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Ano após ano vemos a renovação dos modelos de aparelhos eletrônicos, o último Sony PRS-T1 foi agora substituído pelo PRS-T2, que de diferente apresenta a inexistência de saída de áudio, integração com facebook e evernote, coisa de software, de resto não muda quase nada.

Não estou aqui para fazer propaganda gratuita para a Sony, mas para comentar um fenômeno interessante: a longevidade dos e-readers. Como o livro prensado que ficou aí por mais de quinhentos anos, o e-reader por ser, vamos por assim dizer “mono função”, é um aparelho que só tem um objetivo, ler livros; a tela e-ink é a característica básica do verdadeiro leitor de livros por simular o conforto da literatura no papel, ela impõe limitações para o uso indiscriminado do aparelho em outras funções, tem refresh lento, somente preto e branco e gasta pouca bateria pois na leitura ficamos vários minutos em uma única página, ela só gasta energia ao mudar a imagem da página, se for apresentar um vídeo, a bateria não dura vinte minutos.

Uma vez que o aparelho cumpra sua função, vai servir ao leitor até que pife, e assim não obsolesce como outros equipamentos; inventaram que você tem que trocar de celular todo ano, para quem usa celular como um telefone, pode dar-se ao luxo de usar o aparelho até a bateria perder sua durabilidade, visto que trocar a “peça” é mais caro que comprar um novo celular. Ao perder sua vida útil ou função os aparelhos viram lixo, milhares deles impactando o ambiente duas vezes, ao serem fabricados e ao serem descartados. Não é preciso ser gênio para ver que este não é um comportamento inteligente, mas é lucrativo para os fabricantes de aparelhos.

Foi-se época em que a durabilidade de um utensílio era valorizada, móveis e geladeiras para durar uma vida, sem virarem lixo para contaminar e entulhar o ambiente, com novas compras e descartes; mas o e-reader por ser um aparelho feito para uma função, enquanto cumpre seu papel, não precisa ser trocado. Ainda uso meu antigo Sony 600, faz o que deve, e apesar de eu ter um Kindle touch, ainda uso na maioria do tempo o Sony antigo, pois ele tem uma função que se mantém nos Sonys modernos, a possibilidade de anotar, riscando ou desenhando na página do próprio livro. Esta é uma função muito útil, mesmo eu que sempre achei crime escrever em livros, pela possibilidade de ler o livro sem as marcas, adotei a prática, utilíssima ao corrigir um texto, ou anotar um pensamento. Ela já está presente há muito tempo no Sony, e só nele, acho incrível que uma função tão útil não esteja disponível nos outros e-readers, uma vez que é apenas uma questão de software e a inclusão de um stylus, a canetinha sem tinta, muito melhor que usar o dedo para escrever, se dependesse da genialidade de Jobs, as crianças no colégio estariam molhando os dedos em tinteiros...

Tenho dois readers, e só uso meu Kindle para ler livros comprados na Amazon, uma vez que não tenho como os transferir para o Sony, é o lixo do DRM e a mania destas lojas de quererem marcar território como cachorros, mijando em seus dispositivos, e os tornando menos funcionais. E nisto entra a decisão da Sony de retirar de seu aparelho a capacidade de som, livros de áudio tem o mesmo sistema de proteção de cópias e precisam de um aparelho que os aceite, ao tirar a função excluem do uso os não videntes. Temos vagas para deficientes nas ruas e em supermercados, rampas e banheiros para cadeirantes, mas na literatura segregamos os deficientes visuais, o que poderia significar dar acesso aos cegos a livros que em braile são caríssimos e limitados, colocando áudio livros nos e-readers que podem ser acessíveis a todos, foi retirado. O tio de uma amiga que tem uma degeneração ocular testou meu kindle na função “read to me” e ficou maravilhado, ganhou um aparelho e voltou a “ler” livros em inglês. Será que sou só eu que vejo no som do e-reader, tanto quanto rampas, uma necessidade de inclusão dos deficientes visuais?

Há um ato engraçado no lançamento da Sony, um blogueiro do “The Digital Reader” Nate Hoffelder, recebeu a dica de um leitor sobre um anúncio de uma loja que vende para soldados no exterior, lá o preço do e-reader já estava em promoção antes do lançamento, U$99 em vez dos U$129 anunciados pela Sony. Neste meio de blogs, um ecoa a notícia do outro, mas neste caso não ocorreu, pois como supõe o blogueiro, os outros estavam sob um tipo de contrato de silêncio, e ele não, se o tivessem calado com o contrato, o furo não existiria; preciso dizer que este tipo de contrato não tem amparo na lei brasileira, que prioriza o texto legal em vez dos acordos individuais.

Uma vez que eu resolvi um problema, encontrei uma maneira de cumprir uma tarefa, não quero um bando de executivos tapados e fominhas me obrigando a aprender um novo sistema para fazer o que eu já fazia antes, é burro, inútil e irritante. Eu e a maioria dos meus amigos homens, uma vez que encontramos uma calça que gostamos, queremos voltar à loja, sem experimentar, comprar o mesmo modelo e o mesmo tamanho sem ter que experimentar ou procurar mais, e esperamos que isto aconteça sempre para nos poupar da terrível saga de procurar e experimentar milhares de calças. Também não queremos novos dispositivos para fazer o que já fazíamos antes. Será que já não chegou a hora dos fabricantes pararem com esta mania de ficar trocando de dispositivos anualmente, mesmo sem avanços úteis? No caso do Sony o sumiço da saída de áudio é um downgrade, produto novo pior que o velho. Fique com o antigo.

Alex

10 comentários:

  1. Oi Alex, estou acompanhando os comentários do Prs-T2 na internet, e achei que em comparação ao PRs-t1 a mudança foi pouca. Mas diferente de vc eu gosto de e-reader novo, não que eu deixe de usar o antigo mas gosto de ter e-reader novo para variar. Sobre o áudio para mim é importante porque agrega as pessoas com deficiência visual.
    Vamos ver o que os outros estão preparando em futuros e-readers, a função com luz é interessante, e a cor por mais que não seja primordial ler com cores, já que o texto é preto, a capa com cor dá vida, mas é lógico que não é o principal, o principal já esta aí, ajudando a nossa leitura diária e o inesgotável desejo do conhecimento.

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    1. Oi Marta,

      A luz no nook está sendo decepcionante, e a fragilidade da película não ajuda. Comprei um lâmpada de livro ridícula de U$5,00 no dealextreme que resolve bem. Meu problema com a cor, é que se para ter cor, tiver que perder resolução no preto e branco, prefiro não ter, a tela em 800x600 PB é legal, para ter a mesma resolução em cor, teria que ter mais que o triplo da resolução, caso contrário vai ficar pior.

      Abraço,
      Alex

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  2. Olá Alex,
    mais uma vez parabéns pelo artigo.

    Concordo totalmente com você em relação ao "inventaram que você tem que trocar de celular todo ano" e, principalmente, "não quero um bando de executivos tapados e fominhas me obrigando a aprender um novo sistema para fazer o que eu já fazia antes, é burro, inútil e irritante".
    Sobre o "novo sistema", estou torcendo para que o projeto Firefox OS (também conhecido como B2G, boot to geeck) da Mozilla tenha sucesso pois pelo que li e conversei com os desenvolvedores seria muito fácil portar o sistema do seu celular antigo para o novo quando a bateria não estiver mais funcionando (e quem sabe alguém também não porta ele para o Prs-T2, Kindle, Nook, Kobo ... tendo a opção de anotar nos arquivos .epub e .pdf).

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    1. Raniere,

      Nem sabia do projeto de OS da firefox, não há muito que discutir, mesmo em comparação com os sistemas comerciais, ninguém bate o linux em performance, visto ser o core de quase tudo que está por aí. Só precisamos tomar cuidado pois querem privatizar o Linux. O kernel já é o mesmo, falta a compatibilidade dos periféricos, é uma briga, vamos ver no que dá. Mas o sistema livre não tem concorrência, eles Não podem admitir que algo criado por uma comunidade sem fins lucrativos seja tecnologicamente muito superior aos OSs comerciais.

      Abraço,
      Alex

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  3. O E-reader é m aparelho minimalista por natureza e por isso seu público não busca exatamente um monte de funções.
    Uma das únicas inovações que eu acredito que virá por ai será o surgimento de um aparelho flexível, como uma agenda de couro por exemplo. Ele ficaria indistinguível de um livro de papel e poderia ser levado no bolso, etc.

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    1. Abrantes,

      Tenho lá minhas dúvidas em relação à durabilidade destes dobráveis, quero ver para crer, o mirasol que era revolucionário morreu, uma porcaria, tudo é bonito antes de cair nas mãos do público.

      Abraço,
      Alex

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  4. Alguns apostam que ainda há espaço para avanços, mesmo que não seja um aparelho com e-ink colorido. Seria interessante ver a Amazon lançar um novo Kindle com algumas funções novas, ou usando atualizações de hardware já implementadas pela concorrência, como a função Glow do Nook e a tela e-ink HD que a LG já usa.

    Acho que o grande fator determinante de se avançar ou não é o preço final do produto.

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    1. Mobile,

      Foi a queda de preço do e-reader nos EUA que alavancou as vendas de ebook. Preço final é muito importante, determina o acesso ao aparelho e sua popularidade, é inegável.

      Alex

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  5. 6 de setembro tem conferência da Amazon. Novo Kindle e novo Kindle Fire?

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  6. Esse modelo da Sony da para ler no escuro? Grande parte de minhas leituras são neste tipo de ambiente. Pelo que andei vendo, esse aparelho parece ser melhor que o kobo? Concorda? Porém para ser minha opção de compra, só preciso saber sobre essa questão de iluminação.

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