quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Manual de Sobrevivência da Biblioteca Digital

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Antes da prensa livros foram depositários do conhecimento e história humanos, sua sobrevivência é a continuidade da cultura humana, nossa herança. Se livros da antiga Grécia chegaram a nós não foi por seu suporte, mas por sua diversificação, textos que só tinham uma única cópia desapareceram, seja no descaso, seja nos fogos da biblioteca de Alexandria, além disso muitas línguas desapareceram, perdemos a capacidades de decifrar o conteúdo destes arquivos.

Não é difícil imaginar que os mesmos problemas das bibliotecas antigas ainda assolam as modernas, e mais ainda, as digitais. Livros são herança, herdei a biblioteca de meu pai, os mesmos livros que ele leu à minha disposição, guardamos livros para referência, para não ficar ocupando a memória falha com inutilidades, uma rápida consulta à biblioteca e a informação já esquecida estará lá, íntegra, nossa referência. Hoje querem que o livro seja uma posse imaterial, um aluguel, serviço, você compra, mas não tem direito à efêmera cópia. Os livros de meu pai estão seguros em armários e estantes, mas os digitais estariam na tal nuvem, gerenciada por empresas, se elas morrem , você perde seus livros. Do tempo de existência dos livros que herdei, muitas empresas desapareceram da face da terra, muitas grandes, colossais, mas os livros ainda existem, é esta segurança que pretende dar a seus livros? Não precisa ir longe, o formato .lit da Microsoft, morreu, e junto com ele os livros, a Microsoft não morreu, deixou seus livros desvanecerem, e os usuários que não quebraram a proteção e fizeram cópias, perderam seus livros, não deixarão herança, perderam seu direito. A decisão da Microsoft de parar o suporte a seu software Reader, deixou na mão usuários que compraram o conteúdo protegido e restrito. Isto pode acontecer novamente? Sim! Cabe a você proteger-se, tomar medidas para que sua biblioteca não seja destruída.

Livros tem existência por dois fatores, o suporte e a linguagem, não me adianta livros escritos em egípcio antigo, o “software” necessário para decodifica-los tornou-se raro, sem suporte da corporação “Faraó” ou do seu SAC; se eles viraram pó, também não há como os ler. Assim, é importante que tenha seus livros em formatos correntes e que possam ser convertidos para formatos mais novos com facilidade, para isso o programa gratuito Calibre é a grande pedra da roseta do livro digital, interconverte os vários formatos, evitando que o leitor fique escravo de um único, que se desaparecer, perderá seus livros.

Regra 1 – Tenha seus livros em arquivos que podem ser lidos e convertidos para formatos diferentes, além disso, mantenha os livros na linguagem do momento, você deve fazer uma manutenção periódica da sua biblioteca evitando que o desaparecimento de um formato aniquile seus livros.

Tenha certeza de ter acesso ao arquivo “físico” do livro, sua cópia local, e que esta cópia possa ser guardada em outros dispositivos, mantendo uma cópia de segurança. Arquivos digitais são muito delicados, é dito nos meios de computação que quem tem um não tem nenhum. Um livro de papel pode perder uma página e ainda ter a maioria do conteúdo intacto, um arquivo digital pode perder alguns bytes e ficar completamente inutilizado. É uma desvantagem do digital, mas no espaço e peso de um livro, cabe uma biblioteca de vinte andares. É necessário ter cópias dos livros digitais, muitas, para garantir a sobrevivência do livro, o armazenamento digital está cada vez mais barato, um DVD com quatro giga, espaço para milhares de livros custa centavos. O protocolo para armazenar dados em DVD é ter duas cópias em mídias de marcas diferentes e anualmente fazer a manutenção destes arquivos com um teste ou uma nova cópia, pendrives podem ser usados para isso, mas a volatilidade do sistema torna-o mais inseguro que o DVD que depois de “queimado” não pode mais ser mudado, a não ser por deterioração física ou acidente. Arquivos na nuvem não são seguros, a nuvem pode ser um backup extra uma vez que faz parte do protocolo de preservação de dados tê-los em local físico diferente, desta maneira,  se sua casa pegar fogo, você seria muito azarado da outra casa também pegar fogo ao mesmo tempo, perde-se uma cópia, mas mantém-se os arquivos.

Regra 2 – mantenha várias cópias do arquivo e faça uma manutenção periódica.

Esse negócio de fazer manutenção de cópias pode ser chato, mas garanto, dá muito menos trabalho que tirar poeira dos livros de papel.

Cuide bem da sua biblioteca, não compre livros de quem não te permite a posse do arquivo, e assim seus bisnetos poderão desfrutar da sua biblioteca eletrônica


Alex

5 comentários:

  1. Alex,

    A despeito de nosso diálogo continuar ou não, seja por qual motivo for, gostaria de agradecê-lo pela generosidade, escassa nesses tempos, de olhar para um produto de meu estro e ter se dado o trabalho de sondá-lo, analisá-lo e emitir um juízo. Como disse, são escassos os usuários das redes "internéticas" nesses dias que se submetem a entabular um diálogo, ainda que seu interlocutor seja um sujeito cansativo em suas insistências ideológicas...
    Continue nutrindo seu blog Literário. Uma iniciativa que prima pela consistência e pela profundidade de ideias jamais deve ser extinta nesse ambiente.

    Sinceros agradecimentos...
    D.

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    1. Devagar no andor! Está parecendo minha namorada, discussões na internet tem seu tempo, e tenho meus afazeres, quando meu computador trabalha por mim tenho tempo, mas quando ele para é minha vez, e não posso dedicar-me a textos mais longos. Justamente por isso gosto da internet, não tem tempo, e assim como as cartas entre Einstein e Bohr, pode tomar o tempo necessário para responder. E em relação às suas perguntas deixo que a leitura dos meus textos respondam, não objeto pois acho a questão óbvia.

      Abraço,
      Alex

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  2. Não, Alex, está equivocado: não estou me despedindo, muito menos cobrando nada... Só constatei que não havia reconhecido devidamente o seu esforço n'Os caras que pisaram na cauda do tigre. Não devemos perder a oportunidade de, tão logo surja a oportunidade, demonstrar nossa gratidão com as poucas pessoas que não são mesquinhas nesse mundo...
    É óbvio que temos afazeres... Não lhe pedi tempo até ler seus artigos e respondê-los?
    Namorada eu? Ahahah

    Abraço e até a próxima...
    D.

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  3. O post "Manual de Sobrevivência da Biblioteca Digital" trouxe uma reflexão interessante sobre a perenidade dos livros digitais. Parabéns pelo post.
    Aproveito para levantar algumas perguntas relacionadas ao assunto a fim de gerar algumas possíveis respostas.

    (a) Foi citado em um trecho "é importante que tenha seus livros em formatos correntes e que possam ser convertidos para formatos mais novos com facilidade".
    (1) Um problema para o usuário comum são os arquivos DRM, como é o caso do AZW. Como manter em um formato que possa ser convertido se ele é fechado? Apelar para uma ferramenta de desbloqueio seria a solução?

    (b) Adicionalmente foi citado "É necessário ter cópias dos livros digitais, muitas, para garantir a sobrevivência do livro, o armazenamento digital está cada vez mais barato" e citou o exemplo do DVD com verificação de integridade de leitura.
    Eu particularmente uso disco rígido externo, devido ao volume de dados. Abandonei o DVD como ferramenta de backup.
    (2) Como fazer o teste de integridade neste caso? Poderia ser um MD5, SHA-1 ou qualquer outra verificação, no entanto, não conheço nada automatizado ou semi-automatizado que compara uma série de hash's anteriores com os atuais. Qual seria a melhor solução neste caso?
    São perguntas que deixo em aberto.

    Parabéns mais uma vez pelo post.
    Muito boa a discussão sobre o assunto.

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    1. Charles,

      No caso de arquivos protegidos, você tem que quebrar a proteção, se não quiser, faça uma cópia do arquivo e guarde para uso futuro a ferramenta para quebra, assim fica garantido no caso de resolverem descontinuar o formato ou perder a chave. Infelizmente não tem outro jeito se quiser manter seus livros seguros e sob seu controle.

      No caso de livros que são arquivos pequenos, o DVD é uma boa saída, além do conteúdo ser estático uma vez queimado, não fica sujeito a vírus que podem sorrateiramente corromper arquivos. Com o DVD pronto e checado para erros no programa de gravação, você pode gerar um checksum ou um MD5 se achar o primeiro muito genérico, mas ambos pegam com facilidade um DVD que começou a deteriorar-se, e aí que entra a segunda cópia. Existe um programinha gratuito que é interessante: http://dvdisaster.net/en/ , ele consome um pouco de espaço no DVD, mas embute um sistema de correção de erros.

      Abraço,
      Alex

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