quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Dica de e-book: As Ondas, Virginia Woolf

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Comprei o e-book em ePub e tive quebrar o DRM e converter para Mobi com o Calibre para poder ler no Kindle. A conversão não ficou 100%, várias palavras acabaram emendadas e os parágrafos não ficaram justificados. Com tudo isso, ainda foi uma das leituras mais impactantes dos últimos anos (Acho que desde Ensaio sobre a cegueira – que não é melhor que este, não me sentia tão tomada por um livro). Fiquei por um bom tempo entre a vontade de devorar o texto até o fim e a de economizar a satisfação da leitura, protelando a sua conclusão.
Visualmente, para quem lê em ePub, o e-book ficou bom, embora se trate de uma adaptação (provável conversão) de edição impressa. O preço é decente (R$ 9,00) e o processo de compra (na Buqui) foi muito tranquilo.
Não há propriamente uma história e, no entanto, há toda a história possível dos personagens (há seis "vozes" que atravessam todo o livro, mas há uma figura que só é apresentada pela visão dos demais que também tem importância capital no quadro) desde a infância até o escurecer da consciência. Os solilóquios são entremeados com descrições que soam como pinturas de cenas na praia – do alvorecer à noite – com o movimento do mar e o efeito do sol sobre as coisas dando a tonalidade das sensações experimentadas ao longo da vida.
Não é leitura fácil, talvez pela poeticidade extrema com que estão contaminadas as vozes dos sujeitos que Virginia devassa. A transição entre as falas de um e outro não tem avisos e foi necessário voltar várias vezes na leitura até me situar quanto às marcas de cada personalidade.
À medida que o "dia" avança, algumas vozes vão se calando, até concentrarem-se numa única. No limiar da noite (morte) inclusive não fica claro (ao menos para mim) se a confusão no solilóquio final vem de uma visão depois do fim ou é apenas a perda gradativa da lucidez. A narrativa é melancólica como pode ser a vida de alguém que sente intensamente as agulhadas da existência. Descrições belas como uma paisagem impressionista.

Por Maurem Kayna

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