quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Brasil país do futuro, sem letras, sem livros, Brasil sem futuro.

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Ficamos aqui na janela, observando o mundo girar, as coisas acontecerem, e o Brasil parado; sempre odiei aquele espírito “estrangeirista”, onde tudo que vem de fora é melhor, espírito de colônia, onde tudo de bom vinha da corte, da moda de Paris e mais recente da industrialização estrangeira. O que faço se meu país, meu governo, os verdadeiros piratas que aqui vem saquear, e os vagabundos que se comportam como os condenados pela corte a vir cumprir pena no Brasil, fazem com que me sinta um estrangeiro em minha terra?

Vejo notícias do mundo, o ebook está acontecendo, mas não no Brasil, eles já ganham mais que nós e tem leitura mais barata, com o ebook ainda mais acessível lêem mais, eu, e talvez uns poucos de vocês que nos lêem mudamos nossa situação, compramos os aparelhos, importamos dois, para dar um ao governo, e assim temos acesso à nova revolução literária, lemos inglês, compramos na internet, e apesar de ganharmos menos, pagamos no livro o preço dos estrangeiros, muito mais em conta que o preço praticado aqui. Se lá fora existe uma briga comercial em proveito do leitor, com o departamento de justiça americano processando quem queria fazer lobby para manter o preço do livro alto, em detrimento de seu menor custo eletrônico; aqui é o contrário, governo e editores unem-se para nos privar da literatura e da cultura acessíveis, livro não é bom para o populacho das colônias.

Se esta guerra entre papel e eletrônico é travada em campos privados, se a guerra existe entre dois eletrônicos, nas regras do capitalismo, quem ganha é o consumidor, pois a competição diz que ganha quem oferecer o melhor para nós, o mais acessível e ainda ter lucro no processo. Na guerra do capitalismo não há vergonha, foi feito para ser assim, já venceu as ditaduras do socialismo governista por ser mais eficiente; o regime onde o estado diz o que é bom para ti perdeu, ao menos na antiga URSS, mas não aqui. Sem esconder, Mikitani San, CEO da Rakuten/Kobo, empunhou uma camiseta escrito “Destroy Amazon”, nada melhor para o leitor, pois nas regras do capitalismo, ganha o consumidor, desde que sempre exista guerra. Aqui não há, vivemos na paz, a paz dos mortos, um país moribundo em cultura, desperdiçando seus jovens, escravizando suas mentes.

O Brasil não é um capitalista, nem tão pouco se declara uma ditadura socialista, mas temos o capitalismo de estado, o pior dos mundos. Neste regime, empresas privadas ganham como piratas saqueadores, com a ajuda do governo, nenhuma grande empresa privada sobrevive sem beijar a mão do rei, sem submeter-se ao governo em acordos secretos, à margem do povo, que em teoria representa, por isso pagamos mais caro que o primeiro mundo na telefonia e internet e recebemos em troca a qualidade do quinto mundo, com a complacência ou cumplicidade do governo, não o republicano, mas o das sombras, que faz tratativas que não podem ser ouvidas pelo brasileiro, estrangeiro em seu próprio país. Criam dificuldades para vender as facilidades, rifam o povo brasileiro para quem oferecer mais.

Nós brasileiros estrangeiros, que temos um e-reader, lemos o idioma do reino, fugimos desde país e somos refugiados no primeiro mundo, o brasileiro estrangeiro pobre não pode ter esse luxo, é exilado da África subsaariana colonial do país, e este, maioria, é mantido um aleijão intelectual, gado de curral, pobres de um país rico, afinal, se a Espanha ameaça quebrar ao pagar sete e meio por cento de juros, como nós, pobres, pagamos muito mais e não quebramos? Se o Brasil é pobre, não é de dinheiro, não é de terras, é de espírito; quem ouse ser um patriota acaba apenas como um policarpista acéfalo, peão dos que querem manter o país do fututro, futuro este que nunca chega, e nem querem que chegue.

Tudo bem quando as coisas são mantidas no futuro, não existe, não tem data, é sempre uma promessa a ser cumprida, o problema é quando o futuro colide com a realidade. Vejam o julgamento do mensalão, o interesse era deixar para o futuro, onde nunca seria resolvido e esquecido, e assim, depois dos crimes prescreverem, estariam os criminosos livres, mas há pressão, se deixar crimes prescreverem assim, por procrastinação, o Supremo Tribunal Federal perderia toda a credibilidade, e seria justo que o brasileiro ao encontrar um destes juízes na rua lhes cuspisse na cara. O mensalão não está indo a julgamento por que querem, mas por que devem, e eles não gostam de ser escravos de suas obrigações, de seus cargos, da constituição que lhes garante a posição e juraram defender, a eles apetece o absolutismo, mas temem a história e sabem que o maior absolutista já perdeu a cabeça ao tripudiar do povo. E aí chegamos a um impasse, o supremo pode ter o destino de Luiz XVI. Por isso vemos hoje o julgamento, e ele será decisivo para saber se no futuro a corrupção que açoita os brasileiros será regra. Não existe meio termo, o volume de crimes demonstrado pelo procurador da república, toma dimensões monstruosas, talvez só rivalizadas se resolverem apurar os escândalos da Delta, mas sabemos que nada será apurado, a Polícia Federal já está encoleirada, tomada pelos delegados ferrabrás que ofereceram a Jefferson. O mensalão só veio à tona por denúncia de Jefferson, e em uma época onde o domínio do governismo não era tão completo, pelo menos ao tentar jogar o PTB no fogo para salvar o PT, esta guerra beneficiou o cidadão, e é assim nas democracias, quem mantém o governo limpo é o conflito entre os que querem ocupar o governo. Se todos se juntam para lesar o cidadão, voltamos à ditadura ou ao absolutismo, praticamente a mesma coisa, este acordo que impede a investigação da Delta que está em curso, tornando a CPMI uma palhaçada, um picadeiro onde assistimos a performance dos palhaços.

Futuro, a bem dos que se locupletam no governo é bom que a educação e a cultura fiquem sempre no futuro e não se difundam no cidadão, que sem cultura, não se sabe cidadão, e isto é sabido até nas polis de Atenas, sem educação, não há democracia, nem a rudimentar tentada pelos gregos. E todos sabem que livro é cultura, educação, e ter acesso a eles pode educar um povo, é perigoso, tanto que na época da ditadura foi boicotado, nenhum absolutista gosta de livros livres, a entrada do ebook no Brasil e seu aparelho necessário: o e-reader, ameaça o governo, liberdade é perigosa. As editoras brasileiras já estão bem encabrestadas, reduzidas a lambedoras de botas do governo, não que sejam como as telefônicas ou construtoras, “dividindo seus lucros”, mas mantendo os olhos e os ouvidos do cidadão fechados, “o que o olho não vê o coração não sente”, manipulam o que se diz e o que se ouve, assim como jornais revistas e televisão, todos dependem do governo, prestam vassalagem, os poucos que se insurgem devem ser massacrados, cultura e educação insurge-se contra o governo, deve ser massacrada. A cultura dos livros é especialmente perigosa, pois pode fazer a pessoa pensar com a própria cabeça, independer de ideologias que lhes coloquem palavras na boca. O bom é a educação sem cultura, educação sem leitura, melhor chamar de doutrinação. Bom é ter diploma, mas não ter cultura ou leitura, uma pesquisa mostrou que trinta e oito por cento dos universitários não dominam habilidades básicas de leitura e escrita, são analfabetos funcionais, pois quem teve um mínimo acesso a livros nos três primeiros anos da alfabetização já deveria dominar estas habilidades, e se não dominasse não deveria ser permitido prosseguir, mas eis nossa situação: universitários semi-analfabetos.

Por muito tempo convivemos com a inflação e parecia invencível, mas quando foi derrotada, não no futuro, mas no presente, e agora no passado, parece um problema irrisório, a educação é mais um destes desafios, deixado para o futuro, por quem não tem a intenção de resolver, sem acesso a livros o brasileiro nunca terá educação de verdade, e colocar obstáculos no livro é querer um país inculto. Sinto-me um marmitão ao ler as notícias do ebook lá fora, e ver aqui este marasmo, justo onde o ebook poderia representar mais, fora eles já tem acesso a livros, para eles não é uma questão fundamental, mas a nós é vital, desde a primeira prensa no Brasil, nosso livro nunca foi acessível, e nossa medíocre literatura reflete este panorama nefasto. Para eles, fora, o livro eletrônico é uma guerra comercial, com o leitor, consumidor beneficiado. Aqui é o nosso governo que impõe obstáculos ao acesso da leitura, e o fazem de modo oblíquo de modo a não mostrar sua verdadeira intenção, querem ficar nas sombras, sem que descubramos os verdadeiros culpados, mas existem horas que a coisa fica evidente, e quando a constituição, em seu artigo 150 diz explicitamente:

“Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
VI – instituir impostos sobre:
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.”

A insistência do PT, o governo, em taxar o livro, mostra de maneira clara que querem boicotar a educação, são contra o livro livre e contra a educação do brasileiro, e aí voltamos ao mensalão, pois esta lei está na constituição, a mesma corte que julga os mensaleiros, uma corte política, por mais que se diga o contrário. Todo ministro do supremo sabe no seu íntimo que no momento de sua escolha, não era o biscoitinho mais recheado do pacote, foi lá elevado por uma conjuntura política e por um mínimo de competência, não por excelência jurídica. Já por várias vezes o supremo violou o texto de que é guardião, em favor de um tal “direito das ruas”, o artigo quinto, fundamental em nossa constituição e em qualquer uma, princípio básico de democracia, foi violado, em favor das “ruas”, ou ao menos a um interesse que se disfarça de popular. No caso do mensalão, clama a defesa por um julgamento técnico, que não obedeça às ruas e livre a cara dos acusados de corrupção das provas avassaladoras demonstradas pela procuradoria da república. Qualquer coisa que livre os mesaleiros de juntarem-se à população carcerária normal, com ladrões de galinha, assassinos e traficantes indicará favorecimento, um presente a corruptos, que ao contrário do assassino que matou um em pessoa, matam milhares indiretamente, por levar dinheiro da segurança e da saúde, e claro, da educação. Depois de sete anos em suspenso, chegou hora do julgamento e há reputações em jogo, e o futuro do Brasil que será decidido: Corrupto tem que dar recibo para ser preso? O julgamento do mensalão vai decidir se o supremo é complacente com corruptos. Me enoja a simples menção que os acusados não tem direito de defesa, estão ali os advogados mais bem pagos do Brasil, defesas de milhões, pagas por muitos que se dizem humildes e sem posses, se eles não tem defesa, quem teria? O ladrão de margarina? Ou o pobre homônimo de bandidos, jogados junto da população carcerária por engano? Hipocrisia tem limite, são uns coitados estes mensaleiros, dando consultorias milionárias a empresas que fazem negócios com o governo enquanto esperam no conforto o seu julgamento. Quem não tem direto à defesa é o cidadão à mercê destes e de outros, sempre mal intencionados, dispostos a manter a monarquia. Por isso lhes é desagradável o momento em que o povo clama por cabeças, sejam elas de políticos ou juízes, o julgamento está em curso, deve ser decidido, não pode mais ser protelado. E esta corte que é nomeada politicamente deve mostrar pelo menos em figura que é independente. Para nós leitores, um dos juizes da corte tem especial atenção, Toffoli. Deixe-me lembra-los  a trajetória do jabuti, foi reprovado no 165 e 166 concursos para juiz de primeiro grau em São Paulo, tomou pau no primeiro turno nos anos de 94 e 95, não conseguiu por concurso público, competindo com novatos, entrar na magistratura mais baixa, mas foi indicado como assessor jurídico da Casa Civil da Presidência da República, vassalo de José Dirceu, veja que foi indicado, por ser advogado do PT. Também foi indicado para trabalhar na AGU, e mesmo tendo à época uma pendenga judicial por prestar consultoria privada para um governo que já dispunha em seus quadros de uma consultoria jurídica, foi indicado ao supremo. É este o ministro que proferiu a mais recente decisão monocrática sobre ebooks, contra sua imunidade tributária, acatando o recurso do estado do Rio de Janeiro vencido nas instâncias anteriores, é interessante notar que retiraram o argumento de cinco autores contrários à imunidade tributária no livro “Imunidades tributárias” coordenado pelo Ives Gandra, mas no mesmo livro, trinta e cinco autores eram favoráveis à imunidade tributária do livro eletrônico! Esse é o ministro do PT, e se não bastasse, mesmo sendo por lei impedido de participar do julgamento do mensalão, está lá para tumultuar o processo, e quem sabe melar o julgamento caso o resultado não seja favorável a seus antigos patronos. Qualquer coisa que não coloque os mensaleiros junto à população carcerária “normal”, será um bônus, um prêmio para os monarcas, a prova que justiça no Brasil só existe para punir pobre, ou mal relacionado. Já que os brasileiros não mais são iguais perante a lei, visto a violação do artigo quinto pelo próprio supremo.

Ofereço-lhes os links para educarem-se na questão, nas mãos de juristas competentes:







Para quem já freqüenta esta página sabe que esta bandeira já enverguei algumas vezes, e ainda faço pressão com um bom argumento, que pode doer no governo no único lugar que sente, na eleição e nos votos, pois são imunes ao apelo do bem viver do cidadão brasileiro. O governo Dilma e o PT ao cobrarem o imposto da vergonha sobre o livro eletrônico, boicotam a única chance do brasileiro educar-se de verdade, pois será primeira vez na história que poderemos ter livros acessíveis, se os preços forem os praticados internacionalmente. Com esta atitude o governo mostra que é contra o livro e contra a educação, não adianta dizer o contrário, são atitudes que contam, e todas as atitudes do governo Dilma, do PT e de seus asseclas, mostram que querem o brasileiro menos educado, e nem o mais humilde e inculto brasileiro vota em quem se declara contra a educação, se não param com o imposto da vergonha pelo bem, que o parem por pressão, quando encontrarem um candidato petista, levem a verdade na sua cara: São contra a educação!

Digo tudo isso pois nenhuma editora brasileira se mostrará contra o governo, nem muito menos as estrangeiras, que dependem do governo para entrar no Brasil, eles usam o poder, o nosso poder contra nós para nos manterem ignorantes e subservientes ao seu projeto de poder. Se nós cidadãos não lutarmos pelo nosso direito, este grafado na carta máxima, nos será retirado, nós cidadãos livres somos os únicos que o governo ainda não controla, pois somos nós que o financiamos e não o contrário, como acontece com os grandes grupos “sociocapitalistas” que se beneficiam do sangue brasileiro vendido a preço de banana pelo governo.

Estamos no marasmo, esperando, quando a questão educação é urgente, deixamos para o futuro, e sem educação agora, ficamos sem futuro. Estamos esperando Amazon ou Kobo, duas empresas privadas para que tenhamos e-readers e ebooks no Brasil, a preços justos, as maiores editoras são contra, o governo é contra, Dilma e o PT são contra. Você acha que estas empresas não levam em conta o governo, as garantias democráticas e os impostos antes de entrar em um país? Levam tudo em conta e muito mais, e nós a quem interessa, ficamos aqui na janela, vendo as coisas acontecerem no mundo e deixados no subdesenvolvimento, pois é conveniente ao nosso governo. Faz-me mal falar do prospero mercado de livros lá fora quando o nosso está na espera do futuro que nunca chega, como no Brasil colônia, o que é bom vem de fora, a nós brasileiros é deixada a lavagem literária dada aos porcos que nossas editoras nos oferecem a preço de ouro.

O supremo está na berlinda, se permite a corrupção e livra a cara dos mensaleiros saberemos definitivamente onde começar a degola, a situação tem que ser resolvida, não pode ser protelada, deixada para o futuro; queremos livros baratos, já, não no futuro, livros que caibam no bolso do brasileiro e que serão a base, a fundação alicerçando a educação do brasileiro, para o futuro ser agora, já!

Alex

47 comentários:

  1. Caro Alex.

    Concordei com muito do que você disse, mas uma de minhas ressalvas vem do afirmado: "mas temem a história e sabem que o maior absolutista já perdeu a cabeça ao tripudiar do povo. E aí chegamos a um impasse, o supremo pode ter o destino de Luiz XVI"
    Não só nesse trecho como em todo o post subjaz uma fé no povo brasileiro (e deixo claro: o povo brasileiro em geral, independente de classes)que não consigo ter. O neoliberalismo já concluiu sua missão que é a de introjetar no cidadão o culto ao individualismo. "Seja diferente!", clamam-o os anúncios, e essa diferença (ao que eu observei) sempre passa por "pensar no meu acima de tudo". Em suma, não acredito no "queremos livros baratos" e em outras frases conclamatórias a não ser quando partem de um nicho muito reduzido de mentes pensantes. O que esperar de um povo cujo maior interesse vem de tramas de adolescentes vampirescos em decadentes tramas pós-românticas, ou de narrativas edificantes, todas elas tendo em comum um mundo e cultura que em nada remetem a nossa torpe realidade?
    Tenho vivido de perto essa realidade. Tenho observado a insofismável situação de decadência reflexiva, que mais se acentua nesses jovens que irão levar adiante esse país. Considero a importância da adesão ao e-book como passo importante para o futuro da leitura e literatura, mas não vejo como passo decisivo. De nada adianta a livre (ou a razoável - em termos pecuniários) distribuição do livro no país, se o que temos é uma raça que mal sabe a importância de assimilar a mensagem existencial e crítica extraída de um poema ou conto... Assimilemos o advento do e-book, ótimo! Então o leitor conseguirá comprar a preço de banana Stephanie Meyer, Sparks, Rowling... Que grande revolução!
    Acho que a batalha antes vem da disseminação da Literatura (assim mesmo, com L maiúsculo), no que o e-book não será um passo decisivo. Será sem dúvida para nós, leitores já dos velhos calhamaços gutembergianos, uma ótima pedida, mas não para um país que ainda se une às nove horas da noite em frente à televisão para acompanhar a trama das oito.
    Parece frouxo meu argumento? Não se considerarmos que na internet já circula a um tempo considerável versões completamente gratuitas de e-books da mais alta literatura, mas que a juventude hodierna mal quer ter contato.
    E como encontrarmos consenso ideológico em torno da questão? Não acredito em manifestações coletivas (malgrado a minha vontade, frise-se), observando cada vez mais pessoas de razoável atitude reflexiva se metendo em suas torres de marfim, incapazes sequer de um diálogo verdadeiro com o outro. Vemos no mundo mobilizações de protesto, mas são fatias desconexas sem um impulso ideológico consistente. Como esperar que no Brasil, onde graça a preguiça e a lei do "menor esforço", poderá se erigir um movimento de incentivo a leitura ciberespacial?
    Boa ou má, é a minha opinião.

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    1. Daniel,

      Meu ponto é simples, sem livro barato, não há leitura, não há qualquer possibilidade de educação, às pessoas deve ser dado a possibilidade de experimentar a literatura em todos os sabores e assim educarem-se, sem acesso ao livro isto não ocorre, ler é um aprendizado progressivo, você não vai de cara no primeiro ano dar a uma criança Ulysses do Joyce, deve dar algo leve, e os infanto-juvenis servem para isso, um Harry Potter é perfeito, infelizmente como nossos leitores são subdesenvolvidos, precisam de treino. Com o tempo de leitura você cansa de certos livros e vai para outros mais complexos, acredito que este processo deve acontecer de forma natural, você só conhece vinhos bons ao comparar com os ruins.

      Literatura, e principalmente alta literatura é um pouco de costume, lembro da primeira vez que comi sushi, nem era comum como é hoje, estranhei, foi só da quinta ou sexta vez que aprendi a apreciar, o mesmo acredito que ocorre com a literatura, se comparo Harry Potter, toda a coleção, com os livros infanto-juvenis que li na escola, é mais complexo ( a partir do terceiro) e acho que esta “dificuldade” progressiva dos livros saindo de uma escrita bem pobre e infantil dos dois primeiros até o padrão normal do entretenimento moderno é um bom rito de passagem para a garotada.

      Literatura tem que ser prazer e é um gosto, assim como um aprendizado progressivo, na escola tive pesadelos com Machado, João Cabral, e muitos outros que agora gosto, não era tempo, não tinha experiência de vida ou de leitura, e esta experiência só vem se você tiver livros à mão para experimentar.

      Ainda leio “pulp”, me diverte e não compete com outras leituras tachadas de mais eruditas, são diferentes, para estados de espírito diferentes.

      Em todas minhas tentativas de cativar jovens com livro deparei-me com um obstáculo intransponível, o preço. Presenteio um, a pessoa gosta, presenteio outro, também gosta, mas não sou milionário, estes que presenteio não tem condições de continuar leitores, não tem dinheiro, acredito que para incentivar a leitura os livros devem estar acessíveis, qualquer livro, de tanto ler, você cansa das estórias formulaicas e vai procurar novos caminhos, é natural, uma hora você chega em livros mais complexos, mas para isso é preciso ter acessível os livros.

      Abraço,
      Alex

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  2. Olá, Alex.
    Entendo sua posição. Inclusive, pelo que está subtendido, você é professor (creio que de Português ou História, se me permiti a especulação). Entretanto, é nesse mesmo âmbito em que sou mais pessimista. Coloquemos a coisa em perspectiva: os livros estão caros, tal assertiva é correta; não se deve iniciar um infante ainda se muitos dentes num filé mignon, ok: eu também não comecei com um Joyce...
    Agora, as ressalvas: Não proliferam pela web (repito) textos em formato pdf e e-book? E não há tantas nostálgicas (para nós, claro) bibliotecas onde o sujeito pode ter acesso à mangas, hqs, fanzines e, vá lá, livros?... Então eu pergunto: por que pode se contar nos dedos os downloads de livros de domínio público? Por que são inúmeras as perguntas no Yahoo! Respostas ("alguém pode me fornecer um resumo da Moreninha?", "alguém pode me fornecer uma opinião sobre um poema Barroco?")? Por que as bibliotecas são lugares ermos onde uma ou outra "mosca branca" aparece?
    Será que a adesão e disseminação do e-book ("porque jovem hoje em dia só se liga no que é moderno e eletrônico") vai mudar o quadro precário de leitura em nosso país?

    Sobre as ditas leituras profundas... Há inúmeras leituras infanto-juvenis que são mais relevantes que Harry Potter et caterva... Crer que o sujeito vai naturalmente abandonar o mingau para começar a mordiscar caviar é algo problemático. Sou da escola que ainda crê que a leitura deve causar incômodo, coceira, por isso não creio que alguém que inicie na "outra escola" irá evoluir naturalmente. Empiricamente é o que vejo nas conduções e nos exemplos próximos que tenho...

    Sobre meu conto, eis o link: http://www.danielmattoss.blogspot.com.br/2012/08/um-conto-do-livro-contos-juvenistas.html
    Sobre o e-mail, desculpe a ignorância nas novas tecnologias (vim da geração que ainda ia para a biblioteca com um almaço em mãos para fazer um trabalho escolar...), mas não julgo que seja algo pessoal demais ou feito para "esconder" algo de alguém... Só sinalizei com essa possibilidade para ser respeitoso com o gênero textual Blog: creio que se deve falar nele apenas o tópico do post, daí minha afirmação de que o e-mail "é mais incisivo e objetivo".
    Mas dizer que tudo isso é só minha opinião é pleonasmo, certo?

    Ainda sobre o conto, podemos discutir, não narcisisticamente sobre seu valor, mas sobre novas formas de narrar... E se elas fluem. Caso comente, espero todo o rigor de que é capaz para fazê-lo.

    Grande abraço, meu caro.
    D.

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    1. Daniel,

      Gosto de dar aula, mas não dediquei-me ao magistério, nem sou oficialmente da área de letras ou história, infelizmente os professores já estavam muito desvalorizados, para cativar qualquer simpatia profissional. Livros não só estão caros, mas sempre foram caros na história do Brasil, nunca foram acessíveis, assim o ebook, no e-reader é a primeira possibilidade na história do país em que livros poderão ser acessíveis.

      Sim, proliferam pela web textos gratuitos, e livros muito bons em domínio público gratuitos, mas mesmo eu, só comecei a ler literatura em formato eletrônico quando pousei as mãos em um e-reader com e-ink, antes, ler eletrônico era factível apenas para textos técnicos, literatura não tinha o conforto do papel, o e-reader trouxe este conforto, ele substitui o papel e permite ler literatura. Farto-me no que está gratuito no Projeto Gutenberg, se antes comprar um original de Bacon nas livrarias era caríssimo, hoje é gratuito, como muitos outros. Sherlock Holmes, Jules Verne, Robert Louis Stevenson, excelentes para iniciar os neófitos literários, se tiver um e-reader, estarão disponíveis gratuitamente, com o conforto do papel. Se eu não lia literatura antes do e-reader, não espero que os outros o façam, por isso minha ênfase no aparelho.

      Na minha época de colégio teria preferido um resumo da moreninha, em vez de ler o livro, esta literatura obrigatória, em tempo errado, é derrogatória da apreciação literária, eu que sempre gostei de ler, nunca gostei dos clássicos obrigatórios no colégio, estes livros sempre foram um pânico, só depois com mais experiência, venci os fantasmas para encarar estes livros, a moreninha não gosto até hoje, mas Guimarães Rosa, um dos meus maiores pânicos escolares, agora é palatável.

      Não vejo as bibliotecas ermas, mas ao contrário, com filas de reserva para os livros mais procurados, ler na biblioteca, também não é confortável. Não sou dos que acham que literatura causa incômodo, pois nunca me causou, não gostei de ler livros obrigado, mas viajar com no Nautilus, explorar o interior da terra ou viajar com Bilbo pela primeira vez fora de seu buraco é delicioso, não existe filme que compete com um bom livro, a experiência é muito mais intensa, livros mais complexos vem com a experiência, a fúria louca de Arab, o sinismo de Tristram Shandy, ou todo conflito humano da pensão Vauquer, são refinamentos do gosto literário, mas eu ainda gosto de uma aventura, escrita apenas na medida certa.

      Sobre o conto, posto depois de ler com mais calma, no meu e-reader para poder ler com o conforto necessário, não aqui no computador, ferramenta imprópria, assim colocarei na página do conto minhas impressões.

      Abraço,
      Alex

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  3. Gostaria de ver um comparativo dos preços de telefonia, internet e outros serviços entre os países pra ter uma noção melhor sobre esta ladainha que diz que aqui pagamos mais caro por tais e tais serviços.

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    1. Sem procurar muito:
      Um exemplo

      Eu pago o dobro por metade da velocidade, fictícia, pois o serviço é péssimo, e nem tenho ligações nacionais ilimitadas no pacote.

      É só procurar que encontra, no caso da telefonia celular é ainda mais absurda a diferença de preço.

      Alex

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    2. Mais aí você cita um exemplo. Eu digo algo tipo pegar 10 países de diferentes continentes e níveis econômicos e comparar o PIB, renda per capita e outros índices com os preços cobrados pelos serviços, qualidade dos serviços e tal. Assim citando casos separados dá pra achar também locais em que se paga mais caro. Por exemplo: No norte do Brasil se paga mais caro por 1 mega do que pagamos por 35 mega nas grandes cidades. Porquê será? É culpa do governo ou o problema é mais complexo?

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    3. Países com ganho salarial maior que o Brasil tem internet e telefonia muito mais barato, posso citar: EUA, Japão, França, Espanha, dos que tenho amigos, lá eles ganham mais e pagam menos, tirando EUA, temos mais celulares que Japão, França e Espanha juntos, mas pagamos o preço dos países mais corruptos da África. A função da Anatel seria justamente regular o mercado para que o consumidor brasileiro não seja explorado, por cartéis privados, mas foi politizada. Lula apoiou uma fusão ilegal, com dinheiro público, e depois mudou a lei para privilegiar uma telefônica, a mesma que financiou a empresa de seu filho, e pior, soubemos que se o filho do Lula fosse citado por este absurdo na CPI do mensalão, o relatório não seria aprovado. Jefferson, agora denunciou a oferta de um delegado ferrabrás, de fantasia da polícia federal. A polícia federal não apurou nada na empresa do filho do Lula, o delegado ferrabrás? Diante das procuradorias do consumidor interferirem na telefonia em prol do cidadão a Anatel fez um jogo de cena, mas quem tem celular e internet sabe o quão ruim é o serviço no Brasil, e pior, pagamos mais que todo primeiro mundo. Será que devemos comparar a telefonia e internet do Brasil, com os países infectos de corrupção da África subsaariana? Pois é aí que se encontra o nível de corrupção de nosso governo?

      Alex

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  4. Alex, gostei da sua resposta, quando li o comentário do Daniel fiquei assustada, porque creio eu, temos bons livros, as pessoas graças a Deus tem gostos diferentes, não acho que só os que lêem clássicos tem que ser considerados os certos, existem bons clássicos e outros chatos, como tem ótimos outros livros e outros não. É o leitor que irá decidir o que é bom ou não, para mim a leitura que não torna uma pessoa melhor, uma pessoa "mais exigente" no bom sentido não fez o seu papel. Eu estou nos meus 40 anos e ainda gosto de ler livros infanto juvenis que me divertem em alguns momentos, mas também gosto de ler livros mais profundos que me fazem refletir em vários pontos. Tenho muito medo dos que se consideram superior aos outros por acharem que só seus pontos de vista estão certos, temos que ter as nossas opiniões mas sempre estarmos abertos a novas perspectivas que a vida e a literatura nos traz.
    Sobre a questão dos preços dos livros no Brasil também concordo infelizmente os preços não ajudam na divulgação, só quem experimentou e aprendeu o poder dos livros é que gasta em literatura. Espero e tenho esperança que no futuro possa ser diferente, tento fazer minha parte também dando livros de presentes, meu serviço me ajuda a ter a chance de divulgar livros num site e sempre coloco a importância de se ler e dou dicas de livros para que mais pessoas passem a ter o hábito de leitura que é transformador, e creio também que o e-reader e e-book possam ser o marco de divisão de um período em que poucos tinham acesso a livros, agora com o poder da internet em qualquer lugar do mundo podemos ter acessos a e-books diversos, de autores que nunca ouvimos falar e ir assim montando nossa estante virtual. Para um Brasil melhor e que lute pelos seus direitos só com uma população leitora que aprenda a ser mais exigente e isso para mim só através do e-book com preços justos. O e-reader mais conhecido pela maioria é o positivo já que vende em livrarias físicas, mas infelizmente bem inferior em qualidade num preço absurdo. Quem sabe a chegada da Amazon e Kobo seja o despertar de uma nova fase literária no Brasil, com qualidade e preço baixo, sonhar é preciso, não podemos perder a esperança que teremos um futuro melhor...

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    1. Concordo contigo Marta, as pessoas devem ter acesso a tudo para que escolham o que gostam, sou como você, leio livros que as pessoas fogem, mas me dou o direito de divertir-me com um Harry Potter sem esperar Hemingway. Quando estou cansado, não consigo ler livros de escrita complexa, as nuances me passam batido, preciso de tempo e calma, quando não tenho, leio meus Zelaznys e Neal Stephensons, gosto, é divertido. Ainda lembro o gosto amargo de ler forçado no colégio, literatura tem que ser liberdade.

      Abraço,
      Alex

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  5. Alex e também Martinha...

    Creio que não se entendeu bem o espírito de minhas afirmações... Não disse que devemos ler sempre os Clássicos (assim mesmo, com C maiúsculo; aliás, creio que em meu comentário nem usei a palavra), mas devemos investir na Literatura que tira da zona do conforto, nos desperta para algo. Não estou sozinho nessa opinião, vide o viés de Kafka:

    "Em última análise, parece-me que devíamos ler apenas livros que nos mordam e firam. Se o livro que estamos a ler não nos desperta violentamente como uma pancada na cabeça, para que nos havemos de dar ao trabalho de o ler? Para nos dar felicidade, como tu dizes? Por Deus, seríamos igualmente felizes sem livros nenhuns; em caso de necessidade, podíamos nós próprios escrever livros que nos tornassem felizes. Do que precisamos é de livros que nos atinjam como a desgraça mais dolorosa, como a morte de alguém que amávamos mais do que a nós próprios, que nos façam sentir como se tivéssemos sido expulsos para o meio dos montes, longe de qualquer presença humana, como um suicídio. Um livro tem de ser a picareta para o mar gelado dentro de nós".

    Que motivo haveria para discordar disso, uma vez que os livros que se perpetuaram em minha mente foram os que mais me causaram incômodo? Lembro até hoje da cena da queimadura que a mãe impõe à filha para impedir que ela prossiga em suas aulas de piano, no livro Quem Roubou Minha Infância... esse livro é um clássico?
    Não é questão de impor meus gostos a ninguém ou me achar "superior aos outros por achar que só meus pontos de vista estão certos"... aliás, infelizmente nesse país expor sua opinião e lutar (com argumentos) por ela gera incômodo em outrem. Você acaba virando o "senhor da Razão" para eles.
    Em suma: o livro que se perpetua em minha memória por seu valor intrínseco, sendo ele um clássico ou não, é o que vale para mim. Isso é mais ou menos óbvio de dizer, porque caso contrário nem pegaria do lápis para escrever minha literatura.
    Sobre o ponto das bibliotecas estarem ou não ermas... Acho que a questão é considerar por região. Na que eu moro, vejo sempre alguns gatos pingados (a maior parte está nos telecentros). O foco da questão não é também ler em biblioteca, mas nela pegar um exemplar e viajar com ele em casa (como eu e pessoas da minha geração – pré-banda larga - faziam).

    Por favor, não me tomem como um ditador da boa leitura ("a única válida"). Não estou tirando liberdade de ninguém; que se leia o que melhor apetecer.
    Entretanto ligar o avanço cultural do país com o crescimento da leitura indiscriminada cuja distribuição será beneficiada com o e-book (o qual também apoio), acho problemático. Ótimo para o leitor ter a liberdade de ler o que quer, mas para o país é melhor o crescimento da leitura que se destaca por seu viés crítico social e existencial. É o que penso.

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    1. Daniel,

      Acredito que a visão do Kafka, reflete bem sua literatura, mas além deste estereótipo, há algo mais sutil em seus escritos, uma mestria de forma, esta mais fundamental para diferenciar os bons escritores, passa despercebida. Este “desassossego”( ô palavrinha que odeio) vira um certo clichê, uma justificativa para a “grotescologia” que abunda na literatura. Chocar pela desgraça é um recurso fácil, mas pela beleza, muitíssimo mais difícil, não é impressionante como um Fitzgerald nos encanta com seu lirismo? Há uma mestria sutil, diferente da cisão grosseira.

      Acredito que até os livros ruins nos mudam, eu não consegui avançar muitas páginas na Saga da Stephanie Meyers, aliás, só vi meninas que gostaram, meu primeiro impulso era pegar a cabeça da Bela e bater na parede até que ela se toque da própria estupidez. Tem gente que adorou, eu achei insuportável, existe um estereótipo, uma diferença entre homens e mulheres, além do óbvio, claro. É uma experiência, a mim, péssima, incômoda, e nem vou ler, é este o bom incômodo? Mas aprendi, algumas amigas muito queridas gostaram do livro, amigas que me indicaram livros que adorei, neste somos diametralmente opostos.

      O homem tem capacidade do pior e do melhor, se guiar-se por Freud e Nietzsche, vai abraçar o niilismo, o que acho uma postura estúpida, por ser de certa forma derrotista, mas é uma visão pessoal que não posso contestar, acho mais irritante ser um otimista, é mais desafiador, é o que faz a vida valer. Por isso prefiro a sutileza do belo, sem ser óbvio, ou medíocre, munido da excelência, uma procura constante e alvissareira.

      Sempre ao deparar-me com um problema, tomo o caminho do engenheiro, disseco-o em seus componentes e vejo onde deve ser mudado. No caso da falta de leitura e cultura do brasileiro, há uma constatação óbvia, sem livros acessíveis não há educação nem cultura, livros devem ser livres, caso contrário vira doutrinação, é necessário que cada um encontre o seu caminho, e é o caminho que educa, não o diploma no final. Desta maneira pragmática chego à conclusão que o primeiro passo é ter acesso a livros, pois sem eles nada existe. As pessoas tem que ler, seja o que for, pois o próximo passo, não existirá sem leitura. O acesso aos livros é a condição inicial, sem ela nada acontece.

      Abraço,
      Alex

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  6. Olá novamente, Alex.

    Sou um tanto irritante às vezes porque gosto de ir numa questão até o fim, por isso peço que se estou sendo chato para você, dê-me um toque. Mas creio que dessa nossa conversa não sairemos os mesmos, e é isso que vale, mas do que a inútil contenda de "quem está certo"...

    De fato, Alex, deve-se ter acesso aos livros. Estes devem ser baratos, como o são aqui nos sebos de São Paulo onde posso comprar um Dickens por cinco reais, ou coleçõezinhas de primeiros passos por um... Caro Alex, não te parece que o problema é que há muito estímulo nos tempos atuais, mas não estímulo à leitura e sim à banalidades e consumismos? Certamente, o fato de um vestido que a personagem da novela das oito usa ser mais influente do que os caminhos que o julgamento do Mensalão está tomando, ou das ideias que um autor tipo Milton Hatoun constrói em seus livros, dá o que pensar, não?...
    Será que antes de fornecer acesso a livros, devemos lutar para que sua relevância seja maior no mundo extra-escola, mundo este que absolutamente não o acentua? Não é a televisão que dita as relevãncias nesses tempos? Ou a internet com suas multiplicidades? (vide http://www.danielmattoss.blogspot.com.br/2012/06/sobre-o-nonsense-que-envolve-esses-dias.html). Como podemos suscitar um hábito de leitura se, após passar pelos portões da escola, o sujeito não encontra nada que o estimule? Que a leitura "não está na moda".

    Sobre o incômodo, este deve ser entendido não como um mal estar, mas como a
    "picareta para o mar gelado dentro de nós"; em suma: nossas velhas convicções. Não que eu sinta náusea ou choque por uma cena que um autor constrói. Mas em O Processo do mesmo Kafka o incômodo está justamente em que todos nós estamos condenados a um destino por um crime que não cometemos, sem falar que a sociedade se volta contra nós (e esta sociedade sabe menos do que nós acerca do Tribunal, mas aceita seus ditames). Isso não incomoda? Seu texto sobre a liberdade cerceada na web não me desperta justamente pelo incômodo que me causa em me saber vigiado?
    É isso, meu caro. Já respondi em meu blog as questões que me levantou sobre meu conto. Sobre o tópico desse post, creio que fui feliz ao traduzir assim minha visão:

    "Ótimo para o leitor (o indivíduo) ter a liberdade de ler o que quer, mas para o país é melhor o crescimento da leitura que se destaca por seu viés crítico social e existencial. É o que penso."

    A Rússia toda se transformou pelas ideias socialistas de Marx (não vem ao caso o fato delas terem sido deturpadas ou não); mas não acredito que a juventude criará aquela força contestatória de tempos idos com leituras como Rowling... não podemos afirmar que essa juventude irá se cansar desses livros e procurará outros (não foi assim que aconteceu comigo); e se sua utilidade é de unicamente preparar o leitor para leituras ditas "profundas", que parca validade, não? Por que não sentir prazer com essas leituras ditas "profundas" (ri às gargalhadas com O homem do Subterrâneo dostoievskiano)? Será que o leitor precisará ler um "autor menor" para poder abordar meus Contos Juvenistas? Estes precisarão ser mediados? Então não alcancei meu intento...

    No mais é isso, Alex. Desculpe a prolixidade.
    Forte abraço,
    D.

    P.S.: A imagem que ilustra este post não precisaria ser necessariamente do autor que colocou, não?...

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    1. Daniel,

      Não se preocupe, não acredito que questões tenham fim, mas ficam paradas no melhor paradigma ou argumento, até que um melhor apareça. Portanto vamos ser do contra e nos dar ao luxo de aprofundar-nos em um assunto, desta maneira, “subversiva”.

      Tomo por base a frase que você definiu para resumir sua fala: "Ótimo para o leitor (o indivíduo) ter a liberdade de ler o que quer, mas para o país é melhor o crescimento da leitura que se destaca por seu viés crítico social e existencial. É o que penso."

      Ela tem um condicional, eu não coloco condicional no acesso à leitura, pois como disse antes, ela é o fundamento, sem ela não há literatura, nem para o melhor, nem para o pior.
      Não sei que sebo você freqüenta, mas um Trevanian está mais de R$30,00 acho um absurdo! E se quiser aqui nós te oferecemos Oliver, traduzido pelo Machado “de grátis”, também “A Metamorfose”, pelo mesmo preço. É só ter um e-reader e entrar na nossa lojinha.

      Não acho que haja muito estímulo, há sim falta de concentração, e inabilidade de educadores cativarem alunos, a diversidade de informação só torna crítico o hiato que há nos métodos escolares com currículos fixos e obrigatórios, o que se aprende na escola é muito pouco, mas forçado torna-se impalatável e muito,tarefa árdua, o professor deve cativar o aluno para o conhecimento, usando da melhor arma que todos temos embutida, nossa curiosidade, é ela, justamente ela que a escola moderna se encarrega de matar. Você navega nos milhares de estímulos distrativos, concentrado na sua curiosidade, que não aceita cabresto.

      Eu prefiro a descoberta ao incômodo, você pode tomar um gole de vinho como quem toma refrigerante, mas se você parar para analisar com os próprios sensos, vai ver uma diversidade de sabores que lhe passava despercebida, há vinhos com mais notas, outros mais simples, e a porta para este universo é mergulhar no próprio senso, sentir experimentar descobrir, e este desenvolvimento só acontece se tomar vinhos, ver as diferenças, e escolher o que mais afina com seu gosto, o desenvolvimento depende da sua cultura, assim como os livros, por isso tem que experimentar, tudo.

      Eu analiso de forma diferente os gêneros, se a pessoa pretende seu texto literário, estará competindo com Shakespeare, Hemingway, Joyce, Defoe, Joseph Conrad e todos os maiores. Se escreveu uma obra de fantasia, Tolkien está aí para ser desafiado, e assim por diante. Escrever literário é desafiador e um gosto adquirido, pela experiência, não adianta dar um grande texto na mão de quem não tem bagagem para aproveitar, como não adianta dar um grande vinho a quem não sabe apreciar, a não ser que seja por moda, por status. Tem muito leitor dito culto que não entende patavinas do que lê, gosta do livro de papel pois pode mostrar, mas não sabe apreciar, não experimenta por si, mas por outros, às vezes propaganda, ou moda, moda erudita, mas tão moda como o vestido da novela.

      Milton Hatoun, está aí um dos que acho péssimos, estereotipado, toda imagem, toda metáfora no dois irmãos gira no conflito e todo o resto fica pobre, personagens bidimensionais na descrição Roth dos trópicos, sem falar na escrita desconexa e medíocre. Neste ponto sou a favor do que diz Schopenhauer em seu ensaio sobre literatura.

      A imagem que coloquei é só porque o Raskolnikov é fichinha perto dos mensaleiros...


      Abraço,
      Alex

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  7. Olá, Alex. Bom dia!
    Muito bom que você, a contrapelo, siga a tendência de não se furtar a um diálogo extenso... São tempos sombrios os que vivemos, e aquele que insiste numa questão é tachado de "chato" ou "dono da razão". Ter um mínimo de traço de personalidade neste particular o exclui do geral.
    Sobre a minha visão abrir um condicional... Não que ela imponha esse condicional, apenas se curva à realidade de que há certas leituras que mudam os rumos de mentalidades e, consequentemente, de um país. Hoje em dia, no país recém saído de uma ditadura militar, e traumatizado por isso, criou-se o culto à liberdade sem condicionais para o indivíduo: tudo o que ELE ACHAR benéfico, deve fazer. À princípio não há nada de errado nisso, entretanto sorrateiramente observamos cada vez mais pessoas metidas em seus próprios mundinhos de necessidades. O indivíduo se afastou do coletivo, de uma consciência coletiva que ponha em perspectiva os problemas do outro e seu país. Enxergo nisso o triunfo do capitalismo (não há tempo para se refletir, tanto quanto para consumir), e não consigo me livrar da ideia de que os livros que nada acrescentam desempenham aí algum tipo de papel, assim como em outras artes... Foi a música de Dylan que norteou a revolta juvenil na América, que mexeu com suas cabeças.
    Sobre os sebos... É realmente complicado. Adquiri recentemente a obra completa do Castro Alves por módicos 45 reais, e tenho testemunhado coleções de livros, como os dá Abril, que propiciam Defoe, James, etc., pela bagatela de 1 real (justamente porque há um encalhamento desse tipo de literatura), e isto me leva ao argumento seguinte:
    Não vislumbro que o processo de se optar por um tipo de literatura, não clássica ou canonizada, mas sim "nutritiva" se dê naturalmente, assim como não vejo que toda leitura provoca uma mudança (significativa). Tenho argumentos empíricos que norteiam essa posição: já conheci gente que colecionava Sabrinas e nunca se cansava, não saia daquilo; no outro oposto, li estórias infanto-juvenis em minha infância que não condicionaram a leitura do Memórias Póstumas que só iria ler adolescente POR IR NA ONDA DOS AMIGOS. Resumindo: não há estímulo na vida pós-escola que aja em prol da leitura relevante, e quando essa desperta, normalmente vem de um estímulo que não é caudatário às leituras "prazerosas".
    Sobre a escola... Velho problema este. Minha visão é simples: há educadores de má vontade? Sim, há. Mas não creio que sejam estes os culpados da falta de leitura, ou mesmo da situação deprimente do ensino moderno. Não há estímulo pós escola, a mídia e os outro meios de comunicação (a internet aí inclusa) que são definitivos para a formação de uma mentalidade prestam um desserviço à educação. Hoje tudo o que um adolescente precisa saber sobre como se comportar, como deve agir ou pensar, vem de programas como Pânico, e nem o mais carismático professor irá mudar isso. Considerando que meu argumento seja falho, vejamos: o professor mais eficiente em estimular a leitura conseguirá cair nas graças de TODOS aos que leciona? E esse "todos" irá sair da escola direto para a biblioteca, ainda tomados pelo súbito desejo de leitura que esse iluminado educador propiciou?

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  8. (continuação)
    Caro Alex, mesmo quando eu era um estudante (ou melhor, aluno) jamais me furtei a atribuir a mim a culpa pelo desleixo. Talvez estivesse sendo muito rigoroso comigo, mas o que vinha a me cativar e formar minha cabeça era justamente o que as emissoras transmitiam, em detrimento dos livros. E a despeito de alguns professores cativantes (poucos, admito) jamais dei o passo autônomo em direção ao conhecimento que o livro proporciona.
    Vejo os professores hoje como bode expiatório de um sistema que engloba governo, mídia, o indivíduo (esse jamais deve ser tomado como um incauto) e o pensamento coletivo (que se une quando o assunto é nulidade). À propósito, estou escrevendo atualmente um conto de nome Memórias do Magistério. Talvez o publique em meu blog à medida que ele vai progredindo, como outrora era a cultura da publicação em folhetim...
    E já que toquei no assunto, já respondi em meu blog suas observações cuidadosas a respeito de meu conto. Embora tenha tomado o máximo de cuidado em não me justificar, acho que acabei fazendo-o...
    No mais é isso,
    Abraço,
    D.

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    1. Daniel,

      Nosso diálogo está de bom nível, o que me cansa são pessoas que usam de artifícios dialéticos ou falácias para vencer um argumento para o qual não tem contra argumento, enfada, pois você tem que ficar repetindo o argumento que não foi destruído, apenas encoberto por dialética vigarista, que na forma escrita tem pouquíssima eficácia. Veja o quão atípicos somos ao levar uma discussão um pouco mais profunda na internet, não é divertido ser assim “apócrifo”, na sociedade que diz valorizar a individualidade? Não são sombrios os nossos tempos, o que vemos, nada mais é do que o comportamento não visível antes da exposição na internet, eu sempre acredito que a liberdade vem a bem, veja como esta ferramenta permite aprofundar um tema, mas ninguém usa. Existe uma regra que proíba aprofundar discussões? Não! Então por que não são aprofundadas? Pois esta superficialidade é a norma, mesmo nos círculos que deveriam ser mais profundos, como o acadêmico.

      Você diz que seu argumento não tem necessariamente um condicional, mas: ”Não que ela imponha esse condicional, apenas se curva à realidade de que há certas leituras que mudam os rumos de mentalidades e, consequentemente, de um país. Hoje em dia, no país recém saído de uma ditadura militar, e traumatizado por isso, criou-se o culto à liberdade sem condicionais para o indivíduo: tudo o que ELE ACHAR benéfico, deve fazer. À princípio não há nada de errado nisso, entretanto sorrateiramente observamos cada vez mais pessoas metidas em seus próprios mundinhos de necessidades. O indivíduo se afastou do coletivo, de uma consciência coletiva que ponha em perspectiva os problemas do outro e seu país. Enxergo nisso o triunfo do capitalismo (não há tempo para se refletir, tanto quanto para consumir), e não consigo me livrar da ideia de que os livros que nada acrescentam desempenham aí algum tipo de papel, assim como em outras artes...

      Eu acredito que a liberdade é sem condicionais, e que o limite da minha liberdade está na fronteira da liberdade do outro, não é um pensamento coletivista e nem individualista, no momento que a minha liberdade é igual à dos outros, e não sobrepõe a dos outros, aí está a medida do meu respeito da liberdade alheia e da minha própria. A China tem um pensamento coletivista, não tem privacidade nem liberdade individual, sob a desculpa do coletivo damos a desculpa de violar o direito do cidadão, mas se todos tiverem o mesmo direito, o coletivo se forma da soma dos direitos individuais.

      Quem vai policiar os bons e os maus livros? O partido comunista chinês? O PT? Ou o partido dos trabalhadores alemão? Joyce foi proscrito, deveria ser banido? Todo coletivo é essencialmente e por definição medíocre, é este coletivo que vai determinar o que posso ou não ler? Ou quem serão os sábios que governarão na república de Platão? Diante destas perguntas, não é a liberdade incondicional uma melhor resposta? Deixe que leiam “Sabrina”, só não quero que me obriguem a ler “Sabrina” pelo coletivo sempre mediocrizante.

      Em vez de ficar me repetindo, condensei aqui alguns de meus pontos sobre educação:

      Tablets e alfafa para alimentar a ignorância

      Abraço,
      Alex

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  9. Concordo plenamente com sua assertiva sobre liberdade, nem seria louco de dizer o contrário. No entanto, há uma régua subjacente que regula os limites da liberdade, não posso sair por aí fazendo o que quero... Sim, eu sei do jogo de liberdade enquanto respeito mútuo entre o "eu" e o "outro", mas a questão é: Quem determina essa liberdade? Toda essa discussão está nas acusações de fascismo da polícia e do governo que a administra, quando ocorre sessões de espancamento gratuito em passeatas... Não temos liberdade de nos manifestar?
    Alex, temos outra uma questão interessante: a inteligência nasce apenas do individual.
    Você formulou a pergunta "Quem vai policiar os bons e os maus livros". Acho que os pcns e diretrizes básicas do ensino respondem (ou alguém idealizou que responderiam) por essa prerrogativa. A escola também. O bom livro é aquele que acrescenta, esse deveria se o paradigma. Aí você me pergunta: como você pode definir o que acrescenta ou não... Sinceramente não sei, mas entramos em acordo de que a Literatura acrescenta e Sabrina não. Seria papel da estilística explicar por quê? Nós dois temos uma visão parecida sobre validade da literatura... Como chegamos a isso, nós que nem ao mesmo sabemos qual o semblante um do outro? Nem sabemos se somos vizinhos ou se moramos no mesmo estado... Como houve essa confluência de ideias? Quem responde por essa inclinação de gostos nossos? Não seria a leitura justamente da boa Literatura que criou esse "filtro" em nós?
    Então a questão não é obrigar a ler Sabrina para impor que ela seja boa (pela visão do pensamento coletivo), mas sim acreditar que os bons livros nos formam em nossos gostos... Uma vez ouvi uma estória sobre uma professora que via sua aluna lendo uma coisa de somenos importância e que fingia fascínio por aquilo, pedindo emprestado. Daí lógico que ela tirava um livro de valor e emprestava para a aluna... Tempos depois, essa aluna virou uma professora. Interessante, não?
    Acredito no valor intrínseco da Arte, e que esse valor conduzirá o leitor a um caminho sempre mais elevado do que o outrora percorrido. Não é tudo que se lê, porém, que terá a mesma força: Não posso atribuir a um trecho da Máscara da Morte Rubra, de Poe, citado num gibi meu do x-men o interesse futuro em ler Histórias Extraordinárias.
    Quando um diálogo se estende um pouco, o leitmotiv dele costuma ser um pouco esquecido. Durante nossa conversa, você martelou bastante na liberdade do leitor em escolher o que quer, o que segundo minha visão seria bom para o leitor mas não para o elevamento do nível cultural do país... Leia novamente o título do post. Perceba a primeira palavra que o abre. O que está em jogo?

    Sobre os tempos sombrios, gostei muito da colocação. Também enxergo na internet uma espécie de "manifestação coletiva" das taras e inclinações internas. Não há toa, quando se visita um site é quase impossível não ver uma mulher seminua, ou uma propaganda, ou os famosos "trolls", etc. No comentário que fez em meu blog, você falou que a internet não criou esses problemas, mas é interessante como ela os instiga justamente pelo anonimato de que, por exemplo, um "troll" goza. Pode-se xingar a vontade, mexericar, etc., sem perigo de comprometimento.

    Mas ainda enxergo nesses tempos algo aterrador que não havia (em mesma intensidade) em minha época. Antes alguém como Renato Russo unir milhares de pessoas ao som de versos como "Descompasso, despedício, herdeiros são agora da virtude que perdemos...", "E há tempos são os jovens que adoecem...".

    O que temos hoje?
    Grande abraço,
    D.

    P.S.: "Superficialidade é a norma", você afirmou. A questão é: o que alimenta a superficialidade (consciente ou inconscientemente) desses tempos?

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    1. Daniel,

      Sempre me pego com seus condicionais: ”Concordo plenamente com sua assertiva sobre liberdade, nem seria louco de dizer o contrário. No entanto, há uma régua subjacente que regula os limites da liberdade, não posso sair por aí fazendo o que quero...”

      Eu acredito no direito individual, e ele só existe quando é igual para todos, sem condicionais, quem viola meu direito, viola minha liberdade, que é exatamente a mesma do violador. Somente a igualdade de direitos determina suas fronteiras. Temos direito de nos manifestar, mas esta manifestação não pode violar o direito dos outros, querem protestar? Protestem nas calçadas, e de modo a não atrapalhar os pedestres no seu direito; no momento que saem em passeata, bloqueando o trânsito,deixa de ser um direito mas uma violação à liberdade de outros indivíduos. Com os direitos individuais bem conhecidos, limitados às áreas comuns, o cidadão é mais consciente dos seus direitos, o mesmo dos outros.

      Vejo que não leu o link que postei na mensagem anterior, caso contrário não escreveria isto: "Quem vai policiar os bons e os maus livros". Acho que os pcns e diretrizes básicas do ensino respondem (ou alguém idealizou que responderiam) por essa prerrogativa. A escola também. Tenho pelos ocupantes de postos no MEC o mais profundo desprezo, são inúteis que não podem justificar o dinheiro público neles investido, é este tipo de caterva que você quer que decida o que deve ser lido? Mesmo quando os postos, longe dos sábios da república de Platão, estão aparelhados por um partido ignorante e vigarista?

      Outra assunção errônea: “Aí você me pergunta: como você pode definir o que acrescenta ou não... Sinceramente não sei, mas entramos em acordo de que a Literatura acrescenta e Sabrina não.” Não entramos neste acordo, só disse que não quero que me obriguem a ler Sabrina, como não quero que me obriguem a ler “Menido de Engenho” de José Lins do Rego, e nem “Morte e Vida Severiana”, pois só gosto de João Cabral depois de “Serial”. Acredito que em matéria de livros a liberdade deve ser incondicional, não acho que alguém possa forçar um livro, como não acredito que possa proibir ou boicotar outro por motivo direto ou oblíquo. A ninguém a não ser a própria pessoa deve ser dado este poder. Como não acredito no criacionismo e nem no “design inteligente”, devo valorizar a diversidade e deixar que o leitor tome o seu caminho, em liberdade. Posso ajudar, seduzir para as minhas paixões, mas não obrigar ou proibir, é o caminho do prazer, e não da autoridade que faz com que as pessoas apreciem as boas coisas da vida com os próprios sensos, é preciso que a prórpia pessoa aprecie, e isto tem um passo, o tempo certo. Veja como exemplo a música erudita contemporânea, é tão alienígena que só os músicos, e somente os músicos que a praticam apreciam, morreu como forma de comunicação! Quantos lêem um Joyce hoje? Já foi obra proscrita, como está condenando “Sabrina”, mas já é velha, e mesmo assim fora de linha com o leitor moderno, quem quiser seguir este caminho corre o mesmo risco da música erudita, literatura tão hermética que não mais que uma mão de pessoas serão capazes de ler, e não por mérito, mas por serem do mesmo clube.

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    2. continuando:

      Temo que tenha-me lido de maneira incorreta novamente: ” Leia novamente o título do post. Perceba a primeira palavra que o abre. O que está em jogo?” Esqueceu meu desprezo aos Policarpos e seu feijões guandus em detrimento às ervilhas? Se uso o limite da minha fronteira política é por ter hoje cidadania apenas no interior destes muros, mas não me impede de olhar para a terra e sua atmosfera, único local que posso morar neste imenso universo, e assim como brasileiro, não me vejo diferente dos meus desejos de direto de todos cidadãos do mundo, como vimos, certos nacionalismos e dirigismos, sem liberdade, podem conduzir a um triste fim.

      Não acho que a liberdade sexual na internet seja sombria, muito ao contrário, a internet nos faz perceber que a maioria dos nossos instintos ainda são sexuais, e que a repressão só leva à exacerbação, quer ter milhares de hits em um blog? Faça um de sexo! É bom para colocar certos comportamentos médios em perspectiva. Trolls são mais inofensivos na internet, hoje eles vociferam o que antes não teriam coragem, mas fariam a rede de fofocas que é mais deplorável, e isto não é de hoje, leia o ensaio de Schopenhauer em literatura e verá lá os trolls medíocres tão bem caracterizados, como hoje na internet.

      Renato Russo não é mais nem menos aterrador do que já tínhamos com o Robertão, pior, ainda temos...!

      Nem vou discutir arte aqui pois a coisa vai longe, temos visões opostas, eu sou essencialmente anti-misticismo, a mim o mundano da arte não é depreciativo, mas sim real. Vou deixar esta parte para o seu blog, mas coloco aqui um link para um ensaio que essencialmente é um pensamento sobre a arte, e pode embasar nossas discussões futuras, pois expressa minhas idéias na questão:
      O Minuto da Fotografia

      Aprecio a boa cozinha, conheço e pratico, mas me dou ao luxo de comer uma coxinha no bar da esquina, não é a melhor, às vezes o recheio é seco, poderia ser melhor temperada. Às vezes quero coxinha, mesmo não sendo a melhor, também existem as que cuspo. Sei e vejo que a JK Rowling é uma péssima escritora, mas seu texto não é ilegível, e assim como a coxinha, o bruxinho pode ser divertido como nossa cerveja vagabunda.

      Abraço,
      Alex

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  10. Olá, Alex.

    Dessa vez escrevo para dizer que lhe darei uma resposta satisfatória apenas quando entrar nos links que sugeriu e, como no método hermenêutico, computar o todo para depois chegar ao particular.
    Parece um tanto descaso de minha parte, mas o problema é quando você trabalha muito e não tem o auxílio de uma unidade móvel "internética" para maximizar o tempo e alimentar o diálogo que, comparando com os que eventualmente tenho, é infinitamente mais consistente e necessário...

    Nem mesmo abordarei a questão do misticismo da Arte, embora possa argumentar de pronto que não há misticismo, mas sim consciência pura e lógica de que sem esses livros dos quais não saímos os mesmo após a leitura, tal como o rio de Heráclito, a vida seria infinitamente mais medíocre do que já é...

    A despeito da coxinha/Rowling: não esqueça que ela há de fazer mal ao seu organismo, hein! E sobre a palavra "gosto" (devo admitir que protelo muito em conjugar esse "verbo imperioso" no mundo moderno em minha vida...), observando que alguns filósofos gregos apareceram eventualmente em seu discurso, retomo o argumento (que se não me engano é de Sócrates/Platão) que nem sempre aquilo que lhe agrada o paladar é salutar para você, tal qual o remédio amargo à língua mas benéfico à saúde (em contraponto ao doce mais açucarado).

    Até a próxima
    Daniel.

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    1. Daniel,

      Lembro que a diferença entre remédio e veneno está na dose, tudo em demasia é venenoso! Até alface e água. Se não percebeu minha preferência aos lps de Sócrates em detrimento a outras bandas populares, deve ver que não escuto bandas sofistas e qualquer forma de relativismo, pelo simples motivo de Sócrates já as ter exposto ao ridículo, portanto, Heráclito me soa uma barata da história que ainda não foi exterminada, o paradigma de Zenão pelo relativismo nunca teria solução, mas o cálculo ousou resolver o que era para não ter solução e assim construímos pontes enormes e pisamos na lua. Heráclito, sofistas, relativismo, técnica dialética, são excrecências de nosso passado tentando combater a renitente razão. Não tenha pressa, este é o bom da internet.

      Abraço,
      Alex

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  11. Caro Alex.

    Escrevo aqui algo que seria do âmbito de nosso diálogo no meu blog, mas acho que aqui você vem mais constantemente; na verdade é uma pergunta que esqueci de fazer: você também incursiona pela criação literária?
    A bem da verdade, o fato de não ter ainda me deparado com um texto literário seu já me deveria ter tirado a dúvida, mas não sei se sua recalcitrância na exposição de elementos mais pessoais (tais como dados pessoais) abarca também uma possível dedicação à escrita.

    Sobre o comentário em meu blog, achei o mais incisivo que até agora fez e, dadas a pertinência dele e seu conhecimento, nada me resta senão voltar à mesa de trabalho.

    Até a próxima (quando terminar a leitura de seus artigos...)
    Daniel.

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  12. Olá, Alex.

    Retomo nosso diálogo após a leitura de quatro artigos seus ("A droga da literatura", "Prosa poética", "O minuto da fotografia" e "Tablets e alfafa para alimentar a ignorância!", este o mais pertinente para o momento atual). Entretanto, anda de iniciar, acho pertinente seguir o conselho voltairiano para uma consistente discussão: "Se quer discutir, primeiro defina os termos". Nada mais pertinente, levando-se em conta sua frase no blog: "estamos falhando em interpretar a fala alheia". Portanto, estes são os meus termos (e minha relação com eles):

    . Liberdade: Bem essencial a ser buscado, entretanto atualmente não logrou-se ainda fazê-lo em sua plenitude. O mesmo vale pela tão propalada democracia.
    . Condicionais: Não abro condições, reflito apenas nas relações Eu/Mundo (como tão bem fez Drummond), e sempre nesse particular O MUNDO SAI GANHANDO; tal constatação condiciona meus pensamentos.
    . Livros: Como você mesmo afirmou "Posso entreter-me lendo Hemingway? Posso. Entreter-me com Victor Hugo, Dickens ou Fitzgerald? Claro"; então por que diabos vou procurar entretenimento em outras searas? Posso me entreter e ainda "de bônus" alcançar a "elevação da alma", como você bem se expressou...
    . Literatura (ou arte) passada ou futura: Se Joyce ou a música de câmara (não usemos o termo erudita...) não mais comunica, é porque é ARTE PASSADA (que você afirmou não existir), ou seja: datada, morta. A literatura (ou arte) futura é a Alta Literatura (ou Arte). Ou seja: é CONTÍNUA no tempo e espaço. Hamlet é "Literatura Futura".
    . Arte: habilidade (que se materializa numa determinada linguagem) que o artista tem de ARRANCAR DE ACORDES, ARGILA, MÁRMORE, TONS DE COR, PALAVRAS, ETC., uma significação que está além DA NATUREZA BRUTA DELAS. A língua é dicotomia significado/significante; o artista que a tira dessa natureza PARA EXPRESSAR O SER EM SUA EXISTÊNCIA, E EXPRESSAR ESSA MESMA EXISTÊNCIA, FAZ ARTE.

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  13. (Continuação)

    Agora, vamos a discussão.
    1) A liberdade deve existir na leitura. Isso é maravilhoso, sublime. Mas enquanto fenômeno, digamos, Existencialista. Não há condicional aqui... Que diferença faz ao pedaço de terra em que vivo ler algo que em nada me acrescenta reflexivamente; mas sim: Morte e vida severina me faz sair de minhas preocupaçõezinhas mesquinhas e olhar para o sujeito que sofre penúrias no norte do país.
    Trocando em miúdos: quando fiz menção ao tema do post, quis dizer que sua discussão nele não é a de um patriota nacionalista. Quis dizer que se o tópico fosse a liberdade individual na leitura, O TEMA DO BLOG NEM FARIA MENÇÃO AO "BRASIL SEM FUTURO". Como já disse: a leitura indiscriminada e não controlada é boa para o indivíduo, mas através dela O PAÍS (NÃO IMPORTA SE O BRASIL O QUALQUER OUTRO, AQUI O QUE VALE É O CONCEITO) ganhará mais mentes pensantes e críticas? Pessoas que, como você, param uns minutos de seu dia para escrever um artigo refletindo sobre o "Brasil sem futuro?". Meu ceticismo está justamente em por em dúvida se a simples liberdade individual (que DEVE existir) na leitura irá evoluir para uma leitura mais exigente e assim fazer a diferença "num país sem futuro" (minha coleção dos x-men não me levaram a ler Literatura). Então meu argumento final: o e-book é maravilhoso por democratizar a leitura, mas assim como o tablet das escolas, não adiantará em nada (para o "país sem futuro") se não houver uma força cultural revolucionária que proporcione uma mudança de mentalidade A PATENTEAR O PRAZER DA ALTA LITERATURA, sendo assim não só boa para o indivíduo mas para o futuro do país em que vive. Já pensamos demais em nós mesmos, já gozamos demais dessa "liberdade", vamos pensar agora no outro, no pedaço de terá em que pisamos e vivemos... Sim, sabemos que saio da leitura de um artigo seu com mais ideias na cachola do que lendo Sabrina, não faz sentido não admitir isso.
    O seu post, em toda sua extensão, não reclama da liberdade cerceada do indivíduo em ler o que quiser, RECLAMA DO NÃO ACESSO A LIVROS BARATOS PARA O BEM DO BRASIL, logo o interesse do post é nacional, não individual.
    Não vou obrigar ninguém a nada, o MEC não deve fazê-lo, ninguém deve... Mas não vou ser ingênuo em crer que tudo está bem (no país) porque está se lendo mais.

    2)Sobre condicionais. Você os trata como figuras retóricas no meu discurso. Não, esses "condicionais" nasceram de minhas leituras. Desde que sai do ventre materno, não tive escolha: as coisas estavam aí, num estado estabelecido. Ou eu as aceito ou eu as aceito, não posso voltar para onde vim.
    Desculpe, sei que esse argumento prima pela tosquice, mas veja: você disse que acredita na liberdade que não suplante a de outro. Pois bem: a constituição (que regula e estabelece isso) me dá direito, se sou profissional da saúde, a fazer greve. Faço a greve. Estou tirando o direito do outro cidadão que está nas filas intermináveis do SUS... Como resolvemos isso? Estou errado? Mas então, como lograr minha prerrogativa de ter um bom ambiente de trabalho e condições salariais dignas se o estado pode solenemente ignorar minha manifestação sem greve, uma vez que vivo num país cujos cidadãos primam pela mesquinharia, usufruindo (como devem, aliás) de suas liberdades... A quantidade que manifesta é sempre irrisória, não pode se operar assim a democracia. Assim, eu o direito do outro de acesso a saúde buscando o meu direito de condições dignas de trabalho.
    A democracia é outro problema: devo acreditar que minha palavra, a de um assalariado que paga seus impostos, tem igual peso que a de um mendigo da esquina? (continua...)

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  14. 3) Arte. Como já li seu extremamente rico artigo sobre a fotografia podemos abordar algumas questões (as que mais me chamaram a atenção, uma vez que dissecar seu artigo aqui seria trabalhoso). A despeito do significante Arte haver surgido após a prática de escrita, instrumentos, etc.; (como no caso o termo Barroco), creio que o significado já preexistia à prática, e não pauto essa minha opinião em nenhum livro histórico exegético ou qualquer outro... Podemos entender o impulso do ser humano em arrancar do bruto o sublime o motor primeiro para o que viria a ser nomeado como Arte.
    Sua visão (que afronta a ideia de estilos de época) é interessante, mas se escrevo (por exemplo) preciso absorver "as verdades" (termo proustiano) que subjazem entre um ser e outro, numa determinada época e lugar, e assim produzir minha obra. Não à toa, escritores como Vieira viam com clareza uma "moda literária" recorrente em sua época, e a criticavam (aderindo também, em alguns aspectos).
    Sobre a dicotomia pintura/fotografia, você coloca o nível de detalhamentos como parâmetros de superação de um contra o outro, mas creio que são linguagens diferentes. Quando olho um quadro, não estou apenas interessado nos detalhes, mas também nas tonalidades que o artista usou, e (mais importante) por que usou tais tonalidades. Os movimentos modernos deram essa ênfase na percepção individual do artista (por exemplo, o impressionismo), e nesse jogo (penso com minhas limitações) o que vale é não a atitude reflexa com a realidade, mas a visão do artista, sua percepção subjetiva.
    Achei interessante sua assertiva "a arte não é mais ingênua", mas admito que não a entendi...
    Se hoje a "imagem é banal" e quase ninguém gasta "mínimos cinco minutos a observar uma foto" então, tal qual os livros, as fotos sem uma concepção artística fazem tão mal como os livros "ruins e inúteis" que constituem "um desperdício de tinta em nossos tempos" (obrigado pela indicação de Schopenhauer, aliás!).
    Será que essa enxurrada de imagens sem uma concepção não prestam um desserviço às obras artísticas fotográficas?

    Nesse seu artigo também encontrei expressões tais como "elevação da alma" e "dádiva brilhante" aplicadas ao fazer artístico que mal se casam com o "mundano ato" de fazer arte.
    Ademais, seu texto é caudaloso, rico mesmo. O que apontei aqui são pontos nos quais busco um esclarecimento, os demais me provocaram contemplação e admiração. Concordo com eles.

    Se Russo e Robertão possuem a mesma essência, é melhor não se esmerar em elaborar canções... Esta ideia de que não há épocas melhores que outras não me desce... talvez esteja mal informado sobre esse tempo. Talvez haja grandes artistas populares, com grandes contribuições artísticas ainda por cima, que estejam passando batido por mim. Sim, porque já estou farto de Funk, sertanejo-funk, forró-funk...

    Gostaria de falar dos outros artigos, mas não cabe nesse diálogo. Fica contraproducente. No entanto talvez (em meu blog) possamos desenvolver melhor a questão (principalmente do polêmico Tablets e alfafa para alimentar a ignorância). Espero que a pergunta que fiz anteriormente não lhe tenha incomodado.

    No mais é isso...
    Abraço,
    D.

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    1. Daniel,

      É sempre bom colocar as prerrogativas e assinalar onde nossa visão diverge. Liberdade per si é um tema que suscitaria tratados filosóficos, mas minha visão é simples, tendo a colocar em pauta a liberdade do homem selvagem, vivendo na natureza, ela é a base, não é uma visão “russeauniana” idealizada com o bom selvagem, mas apenas uma referência de qual seria nosso direito natural, e assim nosso limite de liberdade. Lógico que a condição de vida do homem hoje não é a da sua evolução, e se não fossem os avanços sócio-culturais e tecnológicos, fome, pestes, pragas e guerras já teriam diminuído a população, impedidos que estaríamos pelo paradigma malthusiano. A primeira medida da liberdade e do direito individual é que eles devem ser iguais para todos, sem isto não há liberdade. Uma constituição é uma carta de direitos, migalha para os famintos, mas essencial para que uma democracia não torne-se uma ditadura de maiorias. Assim como a democracia, os direitos constitucionais são um trabalho em progresso, ainda devemos lutar pelo que achamos justo e aperfeiçoar o sistema, e a medida da justiça começa com a igualdade de direitos. Quando vejo os poucos direitos que temos assegurados na carta serem diminuídos, vejo a imposição da ditadura, devemos caminhar para o lado de mais direitos, mais liberdade e total igualdade.

      Aí chegamos aos seus condicionais que diz ser ” O MUNDO SAI GANHANDO”, aí ficamos entra as visões idealistas de sociedade de Sócrates, Platão e Aristóteles ante o pragmatismo maquiavélico. “O Príncipe” é um tratado histórico, e tem uma prerrogativa: a manutenção do poder, nele não há igualdade ou liberdade levados em consideração, mas apenas considerações históricas de como ditadores mantiveram a desigualdade e o poder, é essencialmente pragmático, pois toma exatamente os exemplos históricos, os exemplos em que o mundo sai ganhando, e aí vemos que ser temido é melhor e mais eficiente que ser amado. Acontece que este tipo de visão é infértil, e tudo que foi novo, não se baseou no que já existia, o mundo que sai ganhando; por ser contra o mundo que sai ganhando foi que Joyce escreveu Ulysses, ele não era parte do mundo, mas parte do idealismo de um escritor, materializado pela sua habilidade, assim, veja como o pragmatismo maquiavélico que vê o mundo e sua história são derrogativos à criação humana, e mais que isto, barreira contra a arte. Nesta visão nem a realidade mais verdadeira de Einstein teria existência. Sócrates foi mestre de Platão, e era um fervoroso defensor da igualdade e da democracia, por falta de um direito individual, Sócrates foi morto pela democracia que tornou-se uma ditadura da maioria, o jovem Platão viu seu mestre ser morto pela imbecilidade humana e divisou a república dos sábios e seu discípulo que não era um ateniense idealizou um caminho alternativo, o idealismo é um trabalho em progresso em direção ao futuro, o pragmatismo uma força estática, no sentido de manter tudo como está, manter o príncipe no poder.

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    2. Continuando:

      Minha visão é a do engenheiro, se para uma máquina funcionar são precisas exatas três engrenagens, não adianta ter a segunda e a terceira certas se a primeira é a errada, necessária às outras três funcionarem. Livros e literatura são assim, antes de tudo as pessoas devem ter liberdade, pois ler não é só para a literatura, mas para toda atividade humana. É uma atividade progressiva, como dirigir, não se começa com um carro de fórmula 1, tem que pegar o simples e básico e infelizmente mesmo grande parte dos brasileiros adultos estão em estágio muito inferior, assim o que quer que leiam, se gostarem, vai ajuda-los com o domínio da língua, literatura é antes de tudo escolha e liberdade, pois só com elas pode-se ter o prazer da leitura, ninguém lê com prazer um livro obrigado por melhor que seja, e nossa escola está aí para provar, é quase um tratamento pavloviano, associando o ato de ler à dor, obrigando autores chatíssimos e sem relevância para o universo do leitor, só conseguiríamos resultados piores na leitura se colocássemos os alunos em gaiolas metálicas e cada vez que o aluno ameaçasse ler lhe déssemos um choque.

      Por isto digo e afirmo que o pré-requisito para toda leitura é a liberdade, você precisa saber ler para usar um livro de cozinha, o manual do videocassete, o livro de crochê, Sabrina, Harry Potter, a Constituição ou o panfleto da dengue, mas não precisa saber música para escutar funk carioca, e nem o Funk original da Motown. Ler é básico e serve para tudo, por isso tem que ter liberdade, um grande musicista pode não ler Joyce, mas ler Shostakovich, é sua escolha, que só acontece em liberdade. Prefiro música erudita, pois câmara refere-se normalmente a pequenos “ensembles”, e música clássica é de apenas um período.

      Em termos de definição de arte, prefiro a anciã de significativa habilidade artesã, seja no ofício que for, pois “PARA EXPRESSAR O SER EM SUA EXISTÊNCIA, E EXPRESSAR ESSA MESMA EXISTÊNCIA, FAZ ARTE.” É uma definição que excluiria toda arte pré-romântica que expressava a glória dos deuses, de deus ou da natureza vinda de deus. No limite e um caminho chega-se ao inusitado, ao novo e isto nada tem em comum com os movimentos de seu tempo, mas é um evento único e individual, fruto de quem ousou caminhar em trilhos inexistentes. Quando digo que a arte não é mais ingênua, quero dizer que o artista não pode se dar ao luxo da ignorância, deve saber o que o precedeu, para pelo menos não repetir o mesmo caminho e encontrar as pegadas nos já trilhados. É mundana, feita pelo homem de carne e osso, cuidado com meu texto, às vezes uso da ironia, “uma dádiva divina”, mas diferente do Bloom que usa a mística judaica para classificar os cânones notáveis, eu acredito que a arte só tem existência quando materializa-se em sua forma mundana, seja no texto de Cervantes, nas Sinfonias de Beethoven ou no pincel de mestre Leonardo ou no cinzel de Michelangelo. Para mim a arte conceitual é um excrescência, saída da mesma fábrica de salsichas que produz funk em vez de Funk e pagode em vez de Samba, produtos de uma máquina industrial, a mesma que compacta lixo e vende os resíduos.

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    3. As pessoas devem olhar primeiro para si, resolver suas prioridades, antes de olhar para os outros; em primeiros socorros se aprende que quem não está em um estado de segurança, ao tentar o resgate, só aumenta o número de vítimas. Não confunda pensar em si com esquecer dos outros, pois não dá, vivemos juntos neste mundo, mas se todos pensarem em si, vão poder resolver o coletivo, não é o si do egoísmo, mas do entendimento e da plenitude, a sociedade dos egoístas de Max Stirner pressupõe que cada um seja responsável por si antes de o ser pelo outro e assim, respeitando os direitos e a liberdade alheia, temos que não precisamos preocuparmos com os outros, pois estão seguros, como nós. É muito diferente da vizinha fofoqueira que em vez de resolver a própria vida, fica preocupando-se com a dos outros. Preocupo-me com o país por que vivo nele, assim como vivo no planeta terra, mas meu raio de ação está limitado a estes muros, não posso ter liberdade individual se não existe liberdade no Brasil, é um pré-requisito, estamos inseridos no contexto brasileiro, não no americano. Não consigo ver onde uma leitura controlada vá formar mentes críticas e pensantes, uma vez que a crítica vem da liberdade de pensamento e esta vem da liberdade de leitura. Liberdade de leitura é o pré-requisito para tudo! Sem esta liberdade não há evolução para nada, “uma força cultural revolucionária” foi o que tentaram na China e na URSS, viu o resultado? Apenas ditaduras e atrocidades, não existe quem possa cercear a liberdade, por melhor motivo que imagine ter, só a liberdade fomenta a diversidade que permite a evolução. Não pensamos em nós, não resolvemos nossos problemas, pois se todos o fizessem, não haveria problemas, que existem pois pensamos nos outros, sem resolver as nossas questões. É com cada um resolvendo os seus problemas, tomando responsabilidade pela própria vida, que fazemos uma sociedade solidária, consciente de sua liberdade e da liberdade do outro, que é igual à nossa.

      No caso citado do médico em greve violando o direito do usuário do SUS e da constituição como definitiva de direito, já me manifestei, como disse, o que se tem na constituição não é o direito definitivo, mas sim o esboço das migalhas que conseguimos, nos cabe lutar para que este mínimo não seja tirado. E se não tivermos mais médicos, assim como não temos professores por ser uma carreira de fracassados? Onde na liberdade do selvagem há direito a atendimento médico? Como fazem os habitantes do nepal a dias de um médico? Serão pessoas escravizadas para serem médicos? Onde ser atendido por médico vem na nossa evolução natural? Você está confundindo liberdade e direitos com leis existentes, Maquiavel em detrimento a Sócrates, Platão e Aristóteles. A liberdade do homem ou o direito do Príncipe em detrimento aos outros homens.

      Não consigo conviver com a idéia de estilos de época juntos com o ideal artístico, uma vez que o estilo de época é por definição medíocre e a arte é o absoluto oposto, e isto é visto com facilidade nas fraturas da visão historicista. Tudo que o estudo acadêmico e historicista consegue é uma boa definição da mediocridade, mas falham completamente em entender a excelência artística. E assim cada grande artista é único e independente do seu tempo, pois avançou no território do desconhecido, que só foi mapeado depois de seus passos.

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    4. Finalizando:

      Na questão pintura fotografia, o detalhamento da imagem foi um paradigma real, um desafio para a habilidade do artista, mas no momento que surgiu a fotografia, este detalhe tornou-se de somenos importância. É uma questão de objetivos, hoje você vê a pintura com um desafio diferente de Leonardo e Caravaggio. E por mais que na época o mictório de Duchamp representasse uma crítica, hoje, é apenas um urinol. Bienais de arte tornam-se mijódromos colossais! Palco de uma arte conceitual que não tem existência fora daqueles muros e sem aquele patrocínio.

      Hoje a imagem é banal, mas só a liberdade permite ao observador apurar os sentidos, é uma escolha, para quem conhece em profundidade a boa fotografia, sabe que esta profissional que se encontra em outdoors, ônibus e banheiros é apenas um escremento, mas uma boa foto pode estar em um banheiro, pois não é o local nem a moldura que determina o que é uma boa foto. E assim como livros, conseguir distinguir uma bvoa foto exige muita cultura, não se pode ser ingênuo deve-se conhecer os caminhos já trilhados pela arte para conhecer os trabalhos que são meras cópias. Verá no trabalho do Sebastião Salgado uma série de fotos com a exata mesma concepção de fotos famosas da história, e esta fraude só prospera por falta de cultura da audiência. Devo obrigar o mundo a conhecer toda a arte fotográfica assim como todos os clássicos literários? É uma escolha, e só deveria representar vergonha aos artistas ou críticos que não vêem onde está a cópia e são enganados, por um discurso mitificante sem conexão com a realidade mundana da fotografia e da arte.

      Abraço,
      Alex

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  15. Olá, caro Alex.

    Seria muito desleixo e pouco caso responder de pronto o seu texto cuidadoso, por tal preferi elucubrar um pouco... Sem a pretensão de dar a última palavra, creio que o resultante de nosso diálogo é justamente a constatação de nossas visões diversificadas. Ainda sim, longe da recalcitrância dos ignorantes, creio que aprendemos muito com esse diálogo.

    Ainda sim, não me furtarei de fazer alguns comentários...
    Sua constatação de que a constituição é basilar, mas é "migalha para os famintos” é sintomática de tudo quanto afirmei aqui sobre liberdade: esta é sempre um devir, um vir a ser. Existirá a liberdade em plenitude? Creio que não. Podemos lutar diariamente para obtê-la, aliás: devemos. Mas não sei se chegaremos a triunfar. Você citou Joyce com seu Ulisses, ambos como movimentos opostos ao “Mundo sai ganhando”. Sou mais kafkiano: os seres unem-se no coletivo, cria instituições, e essas mesmas acabam por esmagar o indivíduo. Todos sabem da mecânica do “tribunal”, ninguém o compreende, mas todos o aceitam e obedece: a maestria de Kafka está nisso: o absurdo que deriva de nós mesmos.
    Mas, claro, posso estar errado. Admiro sua visão, está seria o meu ideal. Mas apenas um ideal (pelo qual vale muito a pena lutar).
    Sobre Maquiavel... é problemático. Seu tratado é pragmático, nele não cabem especulações. Entretanto creio que os motivos que levaram o pensador italiano a escrevê-lo podem ser levados em conta e mudar certas perspectivas... Há quem sustente que ele só escreveu o Príncipe por uma necessidade, digamos, patriótica: A Itália da época era dividida pela contenda entre guelfos e gibelinos, unificar o poder seria um ato revolucionário, tal como hoje o é a luta pela democracia; Itália: uma região que só viria a se unificar às portas do século XX. Não seria o Príncipe, nessa perspectiva, mais que uma concepção pragmática histórica?

    Sobre leitura, de fato temos argumentos para validar nossas visões. Você defende que é preciso um mínimo de leitura superficial para se abordar não a Alta Literatura, mas sim uma literatura que diga algo (lembra minha menção a Quem roubou minha infância?), assim poderemos ler o mais elaborado, e a evolução é natural... isso equivale a dizer que o sujeito que vive de assistir os blockbusters de hollywood irá querer depois de um tempo e naturalmente querer assistir Bergman, Antonioni ou Kubrick. A minha opinião é o contrário: o sujeito irá se contorcer no sofá (ou poltrona) com os tempos mortos, a temática, os enquadramentos... Ou seja: assistir blockbuster irá justamente condicionar um gosto oposto ao dos espécimes da Sétima Arte... Mas entendo sua visão, Alex.
    Abordarei minha visão do assunto (e minha birra com o verbo “gostar”) quando comentar seu artigo A droga da Literatura.

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  16. Sobre visão de Arte, não vale a pena seguir. Tolstói tinha uma visão semelhante à sua, e a minha e semelhante à de Proust. Ambos foram gigantes da literatura, no que concluímos que a excelência não vem de definições. Não é possível (facilmente) contestar Proust em O tempo redescoberto... Se você já o leu, diga-me como se posiciona ante as assertivas proustianas.
    Sobre sua visão dos estilos de época, convém lembrar das posições de Ezra Pound em seu ABC da literatura (se não me engano), principalmente a distinção que faz entre os mestres, os seguidores e o criadores (se bem me lembro...).

    Não defendo o policiamento da leitura. No entanto, se estiver na posição de sugerir para um garoto a leitura do Pequeno Príncipe (um dos maiores livros que já li, ao lado de Guerra e Paz e Em busca do tempo perdido, diga-se de passagem e à despeito das misses) em lugar de Harry Potter (se ele perguntar para mim qual é o melhor para ler), eu o farei.

    Sobre fotografia... Bem, seria redundante dizer, mas ainda sim o farei: o consumo de determinados produtos adestram e viciam nossa percepção e gostos. É a minha visão. O movimento definitivo que faz com que o sujeito encontre prazer e utilidade nas Memórias Póstumas sempre pressupõe uma força interior que impelirá ante as dificuldades, dificuldades que outros tipos de leitura não elidirá.

    À propósito, Alex, eu postei minha visão sobre a prosa poética, fazendo inclusive menção ao seu artigo... Visite-me e vamos dialogar.

    Grande abraço,
    D.

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    1. Daniel,

      Acho que não me entendeu quando citei o Ulysses, não quis falar sobre sua estória, mas da existência do próprio livro, que é algo diferente de tudo que existia, assim como os livros do kafka, no pragmatismo ambas as obras não existiriam, elas ganharam sobre o mundo de seu tempo e não o contrário.

      Do que me consta de Maquiavel e da dedicatória do livro, foi escrito para beijar a bunda dos Médici e ajuda-lo a conseguir um empreguinho “público”, mostrando o valor do seu trabalho. É um trabalho histórico, pragmático ao extremo e contraponto dos ideais aristotélicos dogmáticos na igreja. O pragmatismo em oposição ao idealismo, o mundo ganha contra eu ganho o mundo.

      Sobre literatura enfatizo que consciência crítica é uma escolha, e esta só ocorre em liberdade, forçar um texto por melhor que seja não fomenta a consciência, pois não é uma escolha pessoal, é preciso dar liberdade às pessoas, sem ela por mais que se leia textos consagrados, os mesmo viram doutrinação e não escolha que gera consciência crítica. Só existe crítica na comparação. Por isso afirmo que só a liberdade incondicional é capaz de gerar o verdadeiro gosto literário. Só quem fez a escolha e não foi obrigado ;e capaz de apreciar.

      Não seria mais fácil você me dizer qual “assertiva proustiana” lhe interessa do que eu escrever um tratado sobre o último livro do “Em Busca do Tempo Perdido”? Diga qual seu ponto.

      Se ler com cuidado verá que tenho mais em comum com o Pound do que imagina, e infelizmente mais do que eu gostaria, uma vez que ele apoiou o fascismo como mais estético, pecado que não consigo relevar e emblemático da sua alienação frente ao mundo. Prefiro ver onde Ezra Pound e a visão acadêmica colidem.

      Eu sugeriria Harry Potter em vez da raposinha abusiva e manipuladora do pequeno príncipe, mas é uma sugestão e a decisão deve ser sempre do leitor, consci6encia vem da escolha pessoal não do conteúdo. Você pode viciar e condicionar o gosto com o que quiser, sem a escolha do leitor, sem a liberdade para que esta escolha existe, não há consciência. Não pense que os soviéticos eram amantes da música erudita pois a entendiam, mas por imposição, e mesmo gostando de musica erudita, nunca desenvolverem uma consciência crítica para apreciar por escolha própria. Liberdade é a palavra fundamental do caso, sem ela nada existe; a engrenagem mestra.

      Abraço,
      Alex

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  17. Olá, Alex

    Eu não fiz menção à estória de Bloom, Molly e Dedalus (o que, aliás, seria pedantismo, uma vez que não li o Ulisses, apenas trechos). Talvez você tenha sido levado a essa impressão por citar a estória d’O processo... Serei sintético: Toda obra de envergadura que é lançada é uma vitória contra o mundo, cuja tendência é degenerar-se progressivamente no que diz respeito aos alimentos do espírito, mas acho esses momentâneos triunfos muito poucos. Citei o processo porque resume muito de minha visão sobre a dicotomia EU/MUNDO (instituições).

    Sobre Maquiavel, realmente eu só quis levantar uma hipótese (deve ter percebido que sou mais de levantá-las que soltar definições —não que não tenha algumas). Há muito deixei passar batido por mim as intenções digamos “pragmáticas” e de conveniência que levam um escritor a produzir sua obra. Deveria me deter na constatação perturbadora de que Dante escreveu sua grande obra maior com o fim de retornar a sua terra?

    Se este sacro poema houver podido
    (Em que tem posto a mão o céu e a terra
    E em que hei por tanto tempo emagrecido)

    Aquele ódio abrandar que me desterra
    Do belo aprisco, onde eu dormi cordeiro,
    Contrário aos lobos, que lhe movem guerra;

    Sem falar nos exemplos de Camões e do próprio Maquiavel. Não sei sinceramente se as mesquinhas pretensões de grandes mentes pensantes condicionaram certas tendências inerentes à obra. Também não sei se o pragmatismo do Príncipe seria o exemplo do Mundo Ganha... Havia um príncipe centralizador e forte na Itália do século XVI? Se sim, a obra não passa de bajulação histórica; se não, sou levado a crer (sem total convicção, no entanto) que é fruto do idealismo de Maquiavel... Vou retomar sua leitura com essa nova chave que você me proporcionou.

    Sobre a questão de literatura... Caro Alex, eu entendi sua posição e a respeito. E acho que também entendeu a minha (por mais que termos que usou como “leitura consagrada” nada tem a ver com minha posição). Só para esclarecer: não defendo a leitura de textos consagrados em detrimento a textos populares e superficiais. Defendo o ESTÍMULO à leitura de textos cujo principal predicado é “sua substância nutritiva” (a menção de Quem roubou minha infância? é sintetizadora de minha posição). Não sou de tal maneira inábil a ponto de não enxergar em Harry Potter alguns pontos interessantes, tais como a ambiguidade do herói que a certa altura passa a se confundir com o vilão, os sentimentos afetivos juvenis sendo mais difíceis de lidar que com poções e encantamentos (aliás, boa sacada), a visão estereotipada do corpo docente de hogwarts (que se presta às mil maravilhas à visão dos profissionais pinçada no artigo “Tablets e Alfafa...”), etc.; mas a questão é que o leitor (salvo engano meu) não é levado a se deter nessas particularidades. Elas não são o tópico da obra, mas sim a milenar luta entre o bem e o mal. Aliás, uma vez terminada a saga do “bruxinho” o leitor dificilmente voltará a ela para buscar novas significações, ao contrário do Pequeno Príncipe (que surpreendentemente, PELA FORMA QUE VOCÊ COLOCOU, se resumi a uma “raposinha abusiva e manipuladora”).
    Em sua menção à obra de Saint-Exupery não há espaço para o simbolismo dos Baobás (por que o autor previne às crianças que não os deixe crescer? Nós adultos não estaríamos envoltos deles, e cegos ao extremo?); o que são os pequenos planetas com seres os mais interessantes? Não é válido apreciar o tempo que se perde ao ir em direção a um poço de água cristalina, ao invés de ter a facilidade de uma pírula (lição valiosíssima para os tempos modernos)?
    Na sua menção à obra há espaço para a minha filha de doze anos que, após o término da leitura, mal escondeu de nós as lágrimas e, surpreendentemente, pediu para ler o livro de novo?

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  18. (Continuação)

    Queria lhe participar também de minha experiência com a leitura. Um dos passos decisivos de minha vida futura tal como ela agora se configura foi, aos 17 anos, sem que ninguém me forçasse ou deseja-se auferir status entre os pares jovens, ler forçadamente o Fausto, de Goethe. Devo confessar que muitos foram os contratempos: o gigantismo da obra, suas referências multiculturais, o veredito de minha professora na época dizendo que não tinha capacidade para empreender tal leitura... No entanto, uma força atrativa me impulsionava para diante. Hoje ainda sei de cor sua dedicatória, além de olhar para o livro com carinho, e não repulsa. Desde então passei a não me achar tão alto-suficiente a ponto de abandonar algo porque simplesmente “não gosto”. A leitura do Fausto não fluiu em mim com as afluentes de prazer-leitor, mas ainda sim me transformou. Então me formulei a pergunta: o valor inerente de algo consiste unicamente no meu “paladar”? Por que utilizá-lo como critério único de minhas ações? Não há coisas infinitamente mais apetitosas, mas que não me demovem do lugar? Não confio tanto em mim e levanto hipóteses sobre as coisas. Aprendi com fontes tão díspares quanto a Bíblia e o Hagakure que o verdadeiro avanço se dá quando se supera o maior inimigo: você mesmo. Por isso, passei a utilizar com parcimônia o verbo “gostar”.
    Não quero fazer prosélitos nem impor minha filosofia, mas aos que costumam sair um pouco de suas certezas para dialogar verdadeiramente com o outro ofereço meu proceder para constatar possíveis inconsistências nele (o meu proceder).

    Assim também não sou prosélito de Proust. Acho que é o maior artista que já conheci, mas não enxergo na arte uma religião. Aliás, sua pergunta sobre fazer tratado do Tempo Redescoberto não procede... Quem o leu sabe que há apenas um tema nuclear nesse derradeiro livro, ao redor do qual gravitam, acessórios, os demais temas (inclusive o do Tempo): a Obra de Arte, ou melhor, a Arte. Sem falar que o contexto de nossa conversa já elucida a menção a esta obra. Não pretendo folhear o livro com o fito de colocar aqui seus trechos, mas deixo um que tenho de cabeça e que é sintomático para nossa discussão:

    “A cada momento o artista precisar ouvir seu instinto, e é isso que faz da Arte A MAIS REAL DE TODAS AS COISAS. A impressão é para o artista o que o experimento é para o cientista, com a única diferença de que para o cientista a experimentação precede a inteligência e para o artista, esta vem depois da impressão”.

    Se for comentar este trecho, favor contextualizá-lo em nossas reflexões sobre Arte (ou alta Arte).

    As estimas de sempre...
    D.

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    1. Daniel,

      Você usou o texto do kafka como alegoria do seu ponto, o meu, é que às vezes, contra todo o pragmatismo, o indivíduo resolve fazer algo diferente e mudar, tomar rédeas de seu destino e não se deixar levar à deriva pelas correntes. Não sei de onde tira esta idéia que estamos degenerando lentamente, se pensa na média medíocre da população, a escravidão não mais é tolerada, nem o abuso animal; se a internet dá mais visibilidade à média, ao contrário de antes, também dá mais acesso ao conhecimento, e foi ele que fez estas mudanças, lembre, na época que livros não circulavam, tivemos mil anos de escuridão. Foi o acesso a novas idéias e à cultura que mudou esta situação, portanto, por qualquer ângulo que se veja, no panorama histórico, o vetor aponta para maior consciência da sociedade; não se esqueça, uma sociedade é feita de indivíduos e não o contrário, assim, é a iniciativa individual, as atitudes individuais que fazem o todo.

      Como você vê, não me deixo derrotar por este pragmatismo infértil mediocrizante e impotente, mas não deixo de ser objetivo na interpretação de um texto, e apego-me à hipótese mais provável, não hipóteses soltas e desconexas. Leia “O Príncipe”, verá claramente que é um tratado histórico, contabilizando como os exemplos passados sucederam ou falharam em manter o poder, esta sua frase nem tem sentido se tivesse lido a obra: “Havia um príncipe centralizador e forte na Itália do século XVI?”, completamente fora do contexto.

      A mim o ponto principal de Harry Potter é ser um livro em linguagem corrente agradável e necessitar de um mínimo de proficiência básica em leitura que a maioria dos brasileiros não tem, ponto e pronto. Não me preocupo com ideologias da história ou qualquer substância nutritiva, pão é ótimo, mas pode matar os celíacos. Leiam, comam o que lhes aprouver, pois sem isso não há corpo, e sem ele nada existe!

      Não ligo para o conteúdo ideológico dos livros, se quero pensamento vou ler filosofia, preocupo-me no livro com a habilidade do homem entender uma frase, conectar idéias e formar imagens, sem isto, nada existe. De posse desta habilidade básica, a pessoa pode ter acesso a todas idéias escritas e escolher as que mais lhe fazem eco, sem liberdade não há consciência. É preciso saber ler, ter proficiência, e para isto o acesso livre aos livros é fundamental, e no mesmo acesso estão idéias, que os livros arrastam consigo.

      Lamento pelo seu dilema de Fausto, mas minha interação com literatura sempre foi permeada de prazer, gosto do encanto do desafio, assim, uma obra difícil nunca me afligiu, apenas as inúteis, sinto-me perdendo tempo, aborrecidas, enfadonhas, as que vão contra o meu vetor de movimento.

      Acabei lendo Prost com a idéia errada, foi me indicado como um livro de filosofia, mas é um romancista, não que parte do existencialismo não esteja em romances, dirigi-me ao movimento depois de ler “On The Road”, e quis saber mais do assunto, e lá estavam indicados Sartre, Camus e Proust; li, o final da filosofia sem ter domínio do começo da história. Lógico que lendo os três, sem bagagem anterior, gera muita confusão, não me arrependo, mas não recomendo, principalmente Nietzsche, uma pena perigosa. Um tema nuclear no “Tempo Redescoberto”? E este não seria a guerra, a passagem do tempo e a mudança das pessoas frente à sociedade? A morte? Posso ter lido há muito tempo, mas as divagações do personagem sobre arte me parecem apenas parte de um todo maior, e não exatamente a única voz do autor no texto, vejo ali um romance, muito mais complexo do que uma mística da arte.

      Aqui estamos discutindo o acesso aos livros, não exatamente arte, que ficou no seu blog, como já disse não sou favorável a mistificações mesmo que venham de Proust. Acho o texto que postou poético, mas escasso em qualquer verdade útil, mais propenso à mistificação da arte do que do seu real fomento. E qualquer que seja a arte, ela não vem sem liberdade.

      Abraço,
      Alex

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  19. Caro Alex,

    Nossos pontos de argumentação são distintos. Ao ler a linha inicial de seu comentário, identifiquei (salvo engano meu) uma tendência ao existencialismo (antes de chegar no "dirigi-me ao movimento" e sua experiência com Kerouac). Eu não tenho essa tendência. Luto para me "derrotar" (Hagakure). Quando penso no social penso no sujeito que vive debaixo da ponte, na seca nordestina, na criança nascida no berço da miséria, etc., não penso somente em artistas e escritores. Amo a Literatura (à despeito de meu início nela, que lhe causa "lástimas"), mas não vejo as coisas desse único prisma. Talvez o FHC siga também essa linha de ideias quando afirmou que quem não entrava na USP era burro, mas vejo pessoas que por força de pagarem impostos e lutarem por necessidades unicamente físicas e de lazer se afastam delas mesmas, e do "outro".
    Não afirmei que "estamos degenerando progressivamente", mas sim que o Mundo está degenerando. Se falta argumentos para tal assertiva, basta olhar para o país (sempre olhar para o País) e ver um processo de corrupção que passa por ser o maior da estória. É ver também o sadismo dos estudantes (sempre inocentes), que sempre foram assim (em média), mas que hoje manifestam um novo requinte: gravar suas agressividades e expô-las para voyeurismo coletivo.
    A escravidão não é mais tolerada ou foi substituída por outra forma, mais sutil?
    Há maior consciência da sociedade? Talvez. Há maior Ação da sociedade (1968, Diretas Já, Caras Pintadas)? Sugiro a leitura de um post meu: danielmattoss.blogspot.com/2012/07/juventudes.html
    Não vou entrar na questão da leitura (ou da minha não-leitura) do Príncipe, uma vez que já coloquei que irei relê-lo. Mas não me parece razoável colocar que por um viés diverso do seu, a leitura não havia sido empreendida. Chega a ser taxativo. Ulisses eu não li. Afirmei-o. Não tenho problema de reconhecer o que não consta de minha leitura, e se ler direito meu comentário ao qual responde verá expressões que relativizam o que disse (o que não é covardia... Simples honestidade). Aliás, a leitura patriótica que imputaram a Maquiavel não é minha... Só achei que, usando de liberdade, poderia citá-la.
    Apesar de ser um tratado diacrônico/histórico sobre o Poder, tem seu peso sincrônico. Ninguém escreve uma obra sem pensar no tempo que vive. Shakespeare escrevia sobre as monarquias passadas refletindo nas entrelinhas a que viveu (ou melhor: as que viveu: Elizabeth I e James I, antes que pense que estou incorrendo em pedantismo aqui também).
    É o caso do Príncipe? Não sei. Limito-me a levantar a hipótese, mas não sou um acadêmico. Creio que como leitor posso ter a liberdade de fazê-lo. Não pretendo ser o erudito em maquiavelismo. Também não tenho uma régua para mensurar o que é hipótese boa ou ruim. Acho que o que deve ser bom ou ruim é a conclusão (minha opinião).
    Sobre sua afirmativa "Não me preocupo com ideologias da história", parece contraditório se lembrar da "raposinha" (se é que li corretamente o que observou do Pequeno Príncipe... Nas palavras não se registram intenções). Se entendi direito, sua posição é a de total liberdade. Você leria com prazer uma leitura que buscasse lhe imputar alguma ideologia?

    Não enxerguei qualquer dilema em minha relação com o Fausto. Em nenhum momento me questionei do porquê estar trilhando um caminho pedregoso que, depois, foi fluindo qual um rio. Então você colocou "mas minha interação..."; este enunciado resolve tudo: Temos relações opostas, e seríamos tolos se virássemos as costas um para o outro porque não compactuamos. O seu parágrafo foi paradigmático: você não pode desqualificar meus argumentos nascidos da experiência, nem eu posso fazê-lo no que toca ao seu sistema... Apertemos a mão, e fiquemos assim. Qual o sentido de "lamento"?

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  20. (continuando)
    Sobre Proust... o leitmotiv para minha leitura inicial dele foi unicamente a Memória Involuntária, elemento que me seduzia. Até aquele momento nem sabia aonde a narrativa iria parar, foi quando cheguei no Tempo Redescoberto... Entendi então que, por ser o livro final na verdade o início de tudo, o tema nuclear era o próprio fazer artístico. Minha leitura. Meu sistema é ver em que direção os enunciados estão caminhando. Releia o Tempo Redescoberto e verá que, do início ao fim, discuti-se Arte, seja na impropriedade da dita Realista, até na visão de que a Arte é a mais real de todas as coisas. A guerra, a mudança das pessoas, a passagem do tempo: tudo está subordinado a confecção e eternização de uma Obra de Arte (o próprio Em Busca do Tempo Perdido). O último enunciado é sintomático de tudo quanto afirmo.
    "O romance é mais complexo do que uma mística da arte..." Realmente releia. E assim você poderá não ser a favor, mesmo que vindo de Proust. Se achou o que afirmei mistificação, imagino o que achará ao reler a obra.

    Abraços,
    D.

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    1. Daniel,

      Estamos desviando demais do ponto, coloquei Maquiavel em oposição a Platão e Aristóteles, para caracterizar a sua frase “o mundo ganha”, mostrando que nem sempre ele ganha, e isto é verdade para toda arte do mundo. Concordamos que acesso livre aos livros é condição primeira para todo o resto? Uma vez que sem livros nem educação nem cultura existem.

      Se concordamos que livros devem ser livres, não vale mais a pena começar a divulgar a verdade sobre este governo vigarista do PT e denunciar os verdadeiros intentos da Dilma ao manter o imposto sobre o livro eletrônico em oposição ao que diz a constituição?

      Vamos fazer pressão contra os corruptos e divulgar a verdade: o PT é contra a educação! São eles nossos inimigos, inimigos do povo brasileiro, são eles que estão no poder e querem manter a ignorância, sem o livro livre nada florescerá no terreno da cultura e educação, e este é o intento verdadeiro do governo.

      Estou aqui fazendo minha parte, ajude-me a divulgar a verdade e fazer com que o PT sinta a pressão na eleição, pois só assim vão parar com o imposto imoral, vamos torná-los parias até que parem com este imposto indecente, que está nos atrasando, e assim, com livro livre, vamos nos concentrar em cativar pessoas para a qualidade.

      Abraço,
      Alex

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  21. O que aprendi com a discussão de vocês, não aprendi em anos na escola ! Resumidamente eu apoio a ideia central do Daniel, que vê o problema da falta de leitura na população e não no governo (claro que este tem sua parte na culpa).Isso porque eu vivencio diariamente a falta de interesse pela leitura nas escolas do ensino médio de São Paulo, os alunos mesmo os de condições menores têm Pads de ponta ou pelo menos uteis para ler em pdf confortavelmente, eles têm acesso livre wi-fi na escola e em casa a maioria tem acesso a rede. Seria muito fácil para a maior parte desses alunos baixar um arquivo em pdf (qualquer tipo de livro), mas eles não o fazem !
    No metrô temos livros dos mais diversos tipos quase de graça, sempre compro lá por míseros R$2,00 obras ótimas, e praticamente todos utilizam esse meio de transporte mas não gastam um centavo em livros.
    Aqueles que leem não saem de obras juvenis com muitas ilustrações e letras grandes, já é alguma coisa, mas para um aluno do ensino médio ler obras como aquelas e ainda com dificuldades na compreensão eu acho um absurdo.

    Mesmo alunos de rede particular tem aversão a leitura, até a obras prazerosas como as de Júlio Verne !

    Só para ilustrar e concluir :

    Vi em uma escola estrangeira aqui no Brasil uma exceção, os alunos eram apaixonados pela leitura, gostavam mais de ler do que de assistir a filmes e etc. Fiquei impressionado com a diferença de mentalidade entre nós e eles.Mesmo estes estrangeiros não sendo tão criativos e incríveis como os nossos brasileirinhos, em questão de conhecimento eles ensinavam até os nossos professores,o que não é vergonha nenhuma e normal na medida em que sabemos que o professor fez faculdade e deveria (em tese) ter um pouco mais de conhecimentos que o aluno.

    Isso nos mostra uma face preocupante da população, que esta intimamente ligada a nossa cultura.

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    1. ANubis,

      Vou lhe fazer umas perguntas, como ter gosto por livros se eles sempre foram caros na história do Brasil? Foi a escola pública que fez-me ter gosto por leitura, mas foi o incentivo de meus pais, que nunca me negaram um livro, que fez o hábito firmar-se.

      Não é o acesso ao livro pré-requisito de todo o resto? O e-reader não seria uma magnífica possibilidade de mudar este cenário? Sem o livro livre, há possibilidade de mudar o cenário? Este imposto que o PT cobra, não é imundo? Contra a constituição e contra o acesso aos livros do brasileiro?

      Abraço,
      Alex

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  24. Olá, Alex.

    Tenho estado muito empenhado ultimamente com diversas atividades, e como não possuo a facilidade de um Tablet ou um Kindle, ou mesmo um mísero celular, o diálogo tende a ficar muito espaçado. Porque, para mim, o diálogo é que vale, assim como a satisfação de entrar em contato com pessoas (como você e ANubis, que leu nosso diálogo) que tem a boa vontade de perder um tempo para se equalizar com as ideias do "outro".
    Como você constatou, realmente a conversa está desfocando do ponto principal, daí minha iniciativa de haver pedido seu e-mail antes, porque o gênero blog está sempre vinculado à temática do post vigente. Não que esteja insistindo para você me passá-lo agora, mas só para pô-lo a par de uma constatação prévia minha de que a conversa iria render.
    Tenho, sempre que possível, acompanhado os novos posts que os colaboradores do Ebookbr tem colocado e para mim ficou claro sua área de atuação: a de divulgar os benefícios do e-reader (do qual, confesso, sei pouco) e divulgar as ações em contrário que os governos têm adotado contra ele.
    No caso, Alex, eu posso ajudar como já faço: divulgando os artigos, além de expor minhas ideias.
    Para mim o que mais vale é isso: o diálogo. Nele, inclusive, você entrou em contato com meu sistema de ideias e, creio eu, acho que entendeu que sou cético contra a mobilização da coletividade. Infelizmente, no país em que vivemos, nem toda a grande coletividade que se manifesta em Brasília é TODA a coletividade necessária para pressionar o governo federal. Não que se deva ficar no imobilismo, mas o máximo a fazer é no campo individual.
    Não tenho ilusões com esse governo, muito menos tive nos que os precederam. Nesse campo (adotando a sua ideia sobre outro assunto diferente deste) sou obrigado a confessar que nada mudou, nada "degenerou" com o passar do tempo. A educação continua relegada a segundo, ou melhor, a último plano. PT et caterva são a mesma coisa para mim. O que podemos fazer é o que já fazemos. É só.

    Eu sei quais são suas ideias com relação ao e-reader, mas gostaria de lhe perguntar sobre o investimento em âmbito nacional para que este emplaque e mude o triste quadro da educação: Como podemos fazer para que TODOS (incluindo o aluno do Dante Alighieri e da escola Pedro Taques da zona leste)tenham acesso ao suporte móvel que permite a leitura das obras transmigradas para a internet? Sim, porque sem um mísero Tablet que seja os livros digitalizados ou transmigrados para nova plataforma não lograrão êxito de mercado.

    No mais é isso,
    Abraços
    D.

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    1. Daniel,

      Lamento informar, mas nem tablet ou kindle com 3G se prestam para escrever textos mais longos, tem que ter calma e um teclado minimamente decente. O grande benefício do e-reader é baratear a literatura, pois o leitor, de posse do aparelho tem mesmo que de graça uma infinidade de títulos para ler, com o mesmo conforto do papel; como o Brasil é um país onde a literatura nunca foi acessível, o e-reader pode cumprir esta tarefa, além de democratizar o mercado editorial. Meu problema não é mobilização da coletividade, é acesso, sem acesso não há mais nada, veja o caso dos celulares, todos tem um, são acessíveis, livro não, e-reader menos ainda, e só custam lá fora U$70,00. Nunca tive ilusão com nenhum governo, mas o PT é especial em termos de decepção, para quem se disse diferente seguiu as regras do PSDB muito bem, e de maneira acéfala, sem saber o que fazia, e estamos nessa, pior hoje do que quando o PT assumiu o governo, fora a corrupção organizada, vide mensalão. Isto é muito pior do que tínhamos, degradação, caminhar para trás; perdemos uma oportunidade de ouro no crescimento mundial por conta da incompetência do governo, os jumento do PT.

      O investimento para o e-reader é o acesso, pois a desoneração do imposto incostitucional, não vai causar qualquer problema, visto o pouco que arrecada sobre os poucos que podem pagar dois aparelhos para dar um ao governo, qual o investimento da telefonia celular? Como se expandiu? Acesso é a palavra chave, a base de tudo, sem o qual nada existe.

      Abraço,
      Alex

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  25. post sensacional e boas réplicas

    esse país só muda com banho de sangue. Todas as grandes nações tiveram o seu.

    já me cansei do país do pretérito mais que perfeito. Hoje prefiro começar eu mesmo uma grande nação. Quando estiver pronta e todos com minha cara, vão notar.

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    1. Banho de sangue não funciona, normalmente é o sangue errado que escoa, veja a guerra do Paraguai, veja quantos morrem na nossa guerra civil cotidiana do crime. O único jeito é educação.

      Abraço,
      Alê

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