terça-feira, 17 de julho de 2012

Editoras x e-books

Aumentar Letra Diminuir Letra

Uma das razões mais citadas para a fraca performance dos e-books no cenário nacional é a escassez de títulos em português, mas quem visita periodicamente qualquer livraria online pode notar um aumento significativo na variedade e um crescimento lento mas constante dos títulos ofertados.

Agora analisemos um pouco o comportamento das editoras na divulgação de seus próprios e-books. Consultando a loja da Buqui, aleatoriamente, escolhi a editora Zahar para conferir quantos títulos havia disponíveis e pude verificar que há perto de 500 (em geral no formato ePub) à venda. Porém, no próprio site da Zahar ao pesquisar o termo e-book recebe-se a resposta “2 resultados encontrado(s)” sendo uma notícia (antigas) sobre a decisão da Zahar em ter boa parte do seu catálogo disponível no formato eletrônico e de um único link para o catálago.


Já a Companhia das Letras tem uma seção destacada no seu site onde inclusive informa o preço de cada obra para a versão impressão e e-book, mas são apenas 321 títulos, o que é um número bastante pequeno se pensarmos no catálogo completo da editora (3.391 obras). A boa notícia, ao menos para mim, é que alguns títulos de Calvino já estão disponíveis em ePub.

Aparentemente as editoras menores / regionais, como a Dublinense, por exemplo, estão se dedicando com menos temor na prática de lançar uma proporção significativa do catálogo tanto na versão impressa como em e-book, mas isso pode ocorrer apenas porque o número absoluto de títulos a produzir / converter seja menor.

Na Livraria Cultura se pesquisarmos a oferta total de e-books, atualmente aparecem apenas 297 itens. Parece que depois do apagão, uma boa parte das obras não foi “reposta”, o que pode indicar que as editoras não se empenharam tanto assim para tal.

No site da Cosac Naify, que tem uma loja virtual, se pesquisarmos por e-book, o resultado da busca será “0”, parece que nenhum outro movimento além da notícia sobre o lançamento do aplicativo para iOS Entre a Duração e o Tempo (que seria uma parceria com a Cia da Foto), mas sobre o qual não encontrei mais nada de concreto (ou digital, vá lá...).

Quanto ao portal Iba (cujos serviços ainda são de qualidade / facilidade de uso questionáveis), apesar de contar com uma ferramenta que permitiria selecionar a editora, quase me fez desistir da investigação, pois depois de pesquisar uma editora todas as pesquisas seguintes parecem não funcionar direito, mas li encontrei 241 títulos da Bertrand Brasil (Grupo Editorial Record).

Já no site da Bertrand, exista uma guia “e-books”, mas ali não é fácil refinar a busca por um determinado título, mas se você sabe o que procura, pode buscar por título ou autor e nos detalhes do livro haverá a informação se ele está em e-book (se não houver a indicação, conforme-se ou cobre da editora, a escolha é sua).

Esses são apenas alguns exemplos ou flagrantes do quanto ainda há espaço para um maior esforço por parte das editoras em facilitar a vida do leitor que deseja se informar ou mesmo adquirir um determinado e-book. Ei Editoras!??? Vambora revisar o layout dos websites para contemplar de verdade os e-books?

Um comentário:

  1. Eu acho que o mercado brasileiro só vai acordar quando Amazon e Kobo chegarem. Se acontecer aqui algo parecido com o que aconteceu e ainda está acontecendo lá fora, onde muitas livrarias que ignoraram o mercado eletrônico acabaram engolidas, a briga pela sobrevivência será feroz entre as grandes, já as pequenas...

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