segunda-feira, 9 de julho de 2012

e-Escritor

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Essa adição do prefixo "e-"em tanta coisa que nos cerca atualmente (e-book, e-mail, e-bank, e-reader) torna natural e aceitável o seu emprego para uma imensa gama de termos, então, vamos ao e-Escritor.

Poder-se-ia começar por discutir se existe de fato algo que distinga um escritor, digamos, tradicional, do escritor de e-books. Se pensarmos no conteúdo envolvido, especialmente se este conteúdo for literatura, ficção, eu defenderia ardorosamente que não há e sequer deveria existir alguma diferença. Nenhuma alé da possibilidade de publicação em e-book além ou ao invés da publicação em papel.

Embora não faltem dicas e listas de recomendações (até eu já me atrevi a fazê-lo) para o escritor que queira publicar um e-book, se analisarmos todas elas não será difícil concluir que o ponto inicial e indispensável é o próprio trabalho da escrita (devidamente precedido e eternamente acompanhado da leitura, porque se atrever a denominar-se escritor sem ser um leitor voraz, é crime inafiançável).

Porém, o mundo moderno e o novo universo que se abriu (ou se entreabre aqui no Brasil) com o e-book parece querer impor outras rotinas para o escritor que queira ser lido além da elaboração de um bom texto. Digo "parece"porque talvez o meio tenha mudado, mas a necessidade em si continua a mesma desde os tempos de qualquer dos clássicos que admiramos.


Tempos atrás o Eduardo postou essa lista de 10 passos  (adaptados do Ben Arogundade) para se alcançar sucesso com e-books. Gostei especialmente do primeiro passo, que pede a eliminação do sentimento vitimista. Isso vale para qualquer autor, e melhor ainda, para qualquer artista. Depois, vem a necessidade de talento - dispensa comentários, embora esse aspecto seja driblado muitas vezes (o que talvez seja compreensível, já que se trata de matéria cuja avaliação envolve certo grau de subjetividade). Seguindo, o próximo passo fala da importância de ter várias habilidades (especialmente no ramo da informática e uso da web). Isso vale só para autor de e-books? Certamente não. É novo? Também não, pois sempre houve mais autores querendo publicar do que editoras ou meios similares com recurso e interesse para fazê-lo. É verdade que hoje o problema deve estar mais grave porque tudo que existe sobre o planeta (menos os recursos naturais) teve enorme crescimento, mas a maioria dos grandes escritores da história não chegou à publicação antes de muito esforço, contatos, favores, relações com as pessoas certas no momento necessário. O mundo mudou em termos tecnológicos, mas em termos de funcionamento, nem tanto...

Os passos 4 a 9 mencionados no artigo adaptado pelo Eduardo, apresentam a necessidade do e-escritor que pretende ter boas vendas, entender o seu mercado. Para aqueles que olham para o livro como produto artístico, pura e simplesmente, isso pode soar um tanto herético (eu mesma torço o nariz para essa coisa de "escolher o gênero certo", mas pensemos nisso de outra forma: mesmo que a ambição do autor seja cunhar uma obra de arte que se perpetue no tempo pela riqueza, densidade ou ineditismo do conteúdo, essa obra tem um público alvo. Ter a consciência de "para quem se escreve"é um bom ponto de partida e já me pegaram sem resposta para essa pergunta algumas vezes. Além disso, saber a que tipo de leitor se pretende agradar (ou mesmo chocar) é importante independente do meio de publicação escolhido. Até para saber para quais editoras vai arriscar enviar o seu material o escritor tem de estar ciente do direcionamento daquilo que produz.

Por fim, o passo derradeiro é colocado como uma alfinetada: "não tenha vida social". Isso, pensando na necessidade de marketing virtual que também é uma habilidade necessária para tentar o sucesso com e-books, pode soar até incoerente, mas a dica é simples e irretorquível: quer chegar a algum lugar (não interessa no que!)? então vai ter que ralar muito. E fazer tudo isso, ainda não garante nada, mas não fazer assegura algo simples: não sair do lugar.

E esse blá blá blá todo só para dizer que continuo achando que o que interessa realmente é a qualidade do conteúdo. O meio pelo qual ele vai circular vai mudando de tempos em tempos e isso pode demorar um tantinho mais aqui em Terra Brasilis, mas vai acontecer. O importante é que mantenhamos a atenção no fomento e na busca da produção de literatura de valor (e insisto em me referir à e-books ou livros de literatura porque acredito que a lógica de autores, editores e mercado da não ficção é deveras distinto do universo da ficção).




Um comentário:

  1. Pontos de vista e observações bastantes úteis.
    Gostei muito do "atrever a denominar-se escritor sem ser um leitor voraz, é crime inafiançável".

    Por isso ainda não 'viabilizei' nenhum dos livros que já escrevi. Tenho medo enorme de cometer 'tal crime'....rs!

    Enquanto não chegar "naquele ponto", ficará no HD.

    Uma pessoa manjar de informática, escrever suficientemente bem, ter disposição, disponibilidade e ainda encontrar "portas abertas", ah! esse pode se proclamar um 'Escolhido'.

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