quinta-feira, 12 de julho de 2012

Comparações para refletir

Aumentar Letra Diminuir Letra

Faz bastante tempo que temos discutido o eBook por aqui e em outros sítios como uma promessa, uma revolução prestes a dar as caras. Anúncios, adiamentos, desmentidos e confirmações; notícias e mais notícias, mas os fatos mesmo são pouco alvissareiros, as vendas de e-books ainda são medíocres e endossam a postura sem audácia dos nossos players.

Não gosto de avaliações do tipo "ó dia, ó céus, ó vida!", mas parece que a coisa está mesmo empacada aqui no Brasil e as causas disso parece já terem sido repisadas diversas vezes por todos que se inteiram do assunto - abrangem responsabilidades de quem escreve, de quem publica / edita, das livrarias e, naturalmente, os leitores.

Sem fugir à ruminação dessas causas, acredito que uma maior oferta de títulos com preços camaradas daria uma força, mas isso isoladamente não altera o cenário, pois ao longo de 2011 e neste primeiro semestre de 2012 pudemos acompanhar um aumento significativo da oferta de títulos nas livrarias online nacionais.

Então, passemos ao nosso conhecido e defendido argumento relativo à disponibilidade e preço dos eReaders somado à questão do reduzido número de leitores vorazes (porque, possivelmente, seria para este tipo de leitor que faria sentido o investimento num dispositivo de leitura dedicado) de que dispomos no Brasil e para pensar no assunto, olhemos para um outro cenário como a Espanha, por exemplo. A cena da foto (trata-se de uma moça lendo em um sony reader rosa choque, em pé, no metrô de Barcelona) é comum. Aliás, muito comum. Em qualquer  transporte público de Madri, Sevilla ou Barcelona, é quase certo que você vai encontrar pelo menos uma pessoa lendo em um e-reader. Algumas vezes verá mais de uma e em todas elas encontrará pessoas lendo livros impressos - diferentes estilos literários e fenótipos variados.
Se passar por uma  FNAC ou redes como o Corte Inglés, encontrará uma grande variedade eReaders, sobre os quais os atendentes saberão falar – explicar funções, como comprar, diferenças de resolução da tela e formatos de arquivo que estão aptos a ler. Os preços destes eReaders, na sua maioria, ficam na casa de 99 a 159 euros.
Qual destas situações realmente determina a diferença no volume de leitura (não necessariamente compra, pois lá também deve existir um volume muito grande obras em domínio público que podem ser  armazenadas nos e-readers) de e-books? O fator preponderande é o hábito de ler que se manifesta em todo lugar, independente do meio de leitura, ou está na oferta de aparelhos? Ou será uma combinação indissociável de ambos? Minha tendência é concluir que se nos restringirmos à discussão tecnológica e de mercado sem pensar num modo de fomentar efetivamente a leitura, corremos o risco de ficarmos no ponto em que nos encontramos hoje.

4 comentários:

  1. Maurem,

    Eu sempre tentei incentivar a leitura, e o principal empecilho que encontrei sempre foi o preço do livro, com um livro barato custando R$30,00 e a média a R$49,00, literatura é um hábito para bolsos mais abastados, não há como incentivar alguém a ler neste preço. Quatro livros, algo que um leitor consome fácil no mês, é o preço do e-reader, se não tivesse imposto como diz a constituição. Não adianta todos os programas de incentivo à leitura do mundo se o livro per si não é acessível, é como incentivar os brasileiros a esquiar na neve, quantos vão praticar? Não adianta falar que temos meia dúzia de livros baratos, literatura antes de tudo é escolha. Dento do bolso do brasileiro a escolha é limitadíssima.

    Abraço,
    Alex

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  2. Sem e-readers, com preço alto e com dificuldade se se comprar títulos fica difícil popularizar qualquer coisa em qualquer lugar do mundo.

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    1. A falta de títulos é o que mais me incomoda. Ultimamente, por exemplo, me interessei pela obra de Graciliano Ramos, particularmente "Grande Sertão: Veredas" e "Vidas Secas". Acontece que não existe NENHUM livro do autor em e-book à venda. A mesma coisa com Nelson Rodrigues. Nada. De estrangeiros, não encontrei nenhum do John Le Carré. Cem Anos de Solidão também não existe em Português. Isso falando do que me lembro de cabeça de ter procurado recentemente. Sou obrigado a baixar, infelizmente.

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  3. Uma correção: "Grande Sertão: Veredas" é do Guimarães Rosa.

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