quinta-feira, 19 de julho de 2012

Como vocês encontram livros?

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Tenho longa história com livros, procura, caça, descoberta, deleite, há muito nas páginas, mas a floresta é grande, a procura, ainda maior. Ler é escolha, busca, não é só pegar o primeiro livro à frente, abrir e sair lendo, o livro precisa ser encontrado, garimpado, minerado dentre milhares de outros; há muito estou neste safári, e as florestas de estantes assim como as planícies tem mudado constantemente, mas com um pouco de sorte e muita ajuda, consigo encontrar minhas presas, devoradas, colecionadas e compartilhadas; o maravilhoso do livro é que a carne do saber nunca esgota de suas costelas, sempre um banquete a ser devorado, não estraga, não fica velho, um sabor diferente para cada um que degusta.

Se pão é alimento da carne, livro é alimento da alma, lemos para nos nutrir, crescer, ficar fortes; como água, comida, ou ar, o livro para o leitor é uma necessidade básica. Sempre achei que lia o suficiente, mas entremeando a pura leitura estava atividade de caça, horas entre estantes de títulos variados, quando as florestas de livrarias ainda cultivavam diversidade, foram sumindo, aos poucos o nicho desapareceu, e em seu lugar ficaram estantes “monoculturais”, pouco nutritivas e nada apetitosas, muitas vezes cheias de ervas daninhas ou outro tipo de praga, não mais um território de caça rico em diversidade. Tive que ir caçar em outras paragens, animais que a muito ouvira, mas no meu terreno eram preciosos, impossíveis de serem encontrados, aí descobri a diversidade amazônica, tanta presa, muita carne, aves raras, iguarias inestimáveis que ouvira dos lábios de outros caçadores, mas que até então nunca tinha provado.

A diversidade amazônica é tão rica que é muito fácil caçar, exemplares que persegui por anos, estavam lá, ao alcance da mão, prontos a serem colhidos, não mais animais fugidios, frutos passivos. Como se já não bastasse, a caça ficou ainda mais fácil, nada mais de viagens marítimas, ou aéreas, minhas presas chegam mais rápido que as mensagens dos deuses na responsabilidade de mercúrio. Com agricultura tão abundante, é fácil encher o prato, comer, devorar a se fartar, até que nos percamos na fartura, perdidos em tamanha opulência, como escolher o melhor, o mais nutritivo, o mais delicioso em cardápio tão vasto?

Não sei vocês, mas assim que pousei a mão sobre um e-reader, passei a ler mais, não que já não lê-se o suficiente, mas por livros chegarem em minhas mãos rápido e sem esforço, nunca fico sem leitura, e assim, meu consumo de volumes aumentou. Cresceu tanto que tenho que procurar mais, pois as melhores indicações, que sempre recebo de amigos, não mais acompanham meu ritmo de leitura. Preciso encontrar novos livros, principalmente na área de diversão, são os que se esgotam mais rápido. Da fina flor da literatura é fácil, escritores foram sendo consagrados e os verdadeiros venceram a barreira do tempo, indicações certeiras, mas é leitura para a mente ativa e alerta, no dia normal nunca mais que poucas horas; no final cansativo da jornada, ou na soleira de Morfeu é necessária letra leve, escrita menos densa, arejada, mas sem perder qualidade e sabor de uma boa estória.

Ler uma nova obra é descoberta, reler um livro é saudosismo, como visitar os locais da infância que nunca serão os mesmos, uma estória nos surpreende, e esta surpresa só acontece ao ler o livro da primeira vez; por vezes quando não tinha novos livros lia novamente os antigos, mas o sabor nunca é o mesmo; esta literatura leve tem na arte de contar uma estória com palavras escritas seu brilho, se na literatura mais densa uma obra pode ser relida várias vezes para descascar camadas de significados entranhados em uma mesma frase, no entretenimento de qualidade a surpresa maravilha o leitor, é uma arte sutil, e poucos livros conseguem fugir do banal, do óbvio ou do puro mau gosto para conseguir nos deliciar, horrorizar, eletrificar, empolgar com mestria.

Esta literatura “menos séria” precisa de novos livros, ou dos velhos e bons que em sua maioria já li, ou nunca descobri, como encontrar novos livros? Minha principal fonte de indicação de boas leituras são os amigos, que são amigos justamente por termos algo em comum, e este em comum muitas vezes está em livros, assim, se um amigo encontra um livro que lê e gosta, indica, e sei que ali terei algo que também vou gostar, ou alguém para reclamar. No geral são minhas melhores indicações. Crítica de jornal? Esquece! Eles não conseguem ser coerentes com eles mesmos, ou muitos nem lêem o livro inteiro, gastam metade do espaço falando do autor, sua vida, seus prêmios e raramente sobra espaço para o livro, além disso, a crítica brasileira é meio universitária e dogmática, e se lêem por descuido um Harry Potter, é escondido no banheiro para que ninguém veja. Listas de mais vendidos, os “Bestsellers”, também não ajudam, se calhou de eu ler um livro que figura nestas listas, foi coincidência, aliás, o conceito é errôneo, vamos dizer que um mais vendido venda lá seus cem mil livros, vamos também dizer que no Brasil temos 150 milhões de alfabetizados dos quais apenas 25% conseguem ler um livro inteiro e entender: temos uns 37 milhões de potenciais leitores, assim podemos ter por baixo sem intersecção uns trezentos e setenta “bestselllers” comprados por público completamente distinto. O fato de um livro ter vendido cem mil cópias, não o torna bom, pois existem outros trinta e seis milhões e novecentos mil que podem muito bem odiar o livro.

Procurando livros na Amazon encontramos a classificação de estrelinhas, que não diz nada, muitos livros que adorei, assim como muitos clássicos consagrados que também gostei estão com duas ou três estrelas, mas além das estrelas as pessoas escrevem suas críticas, aí às vezes ajuda, se já tiver um livro na mira. Ler as avaliações de cinco estrelas é inútil, pois não haverá crítica, apenas elogio vazio, no geral vejo avaliações de uma estrela, se várias são consistentes apontando falhas, se as falhas são imperdoáveis para a minha leitura, e se os argumentos são bons. Entre duas, três ou quatro estrelas é preciso procurar, às vezes se acha uma crítica bem fundamentada. Feito isto temos a possibilidade de baixar o começo do livro, e aí o autor tem aquele espaço para nos cativar, nem sempre é fácil, alguns livros começam devagar, e devem começar, pois é aí que o autor constrói todo o fundo para embasar a estória, dou como exemplo “ Os Homens que Não Amavam as Mulheres” do Stieg Larsson, a estória só começa a engrenar lá pela página cento e sessenta, mas tudo que veio antes é fundamental na construção dos personagens e da trama, é um livro que gostei, um policial diferente, indicado por uma amiga, que recebeu a indicação de uma amiga. Ouvi muito falar de um livro na internet, li as críticas, as de uma estrela reclamavam que a estória era complicada, tinha muitos personagens, que a linguagem era difícil e era muito descritivo, tudo o que disseram de mau, para mim era bom, baixei a demo, parecia promissor, além disso, já tinha lido alguns pockets da série “Wild cards” do mesmo autor que achei divertido, comprei a série, no final de mais de setecentas páginas do primeiro livro, nada acontece, é o maior prelúdio que já vi, os personagens não são complicados, são aleatórios, como nas novelas da TV, mesmo tendo comprado a série do “A Song of Ice and Fire”, fiquei injuriado e recuso-me a continuar a leitura, essa errei feio, perdi tempo e dinheiro. Li as críticas, li a demo, parecia interessante, comprei, li o primeiro livro e me dei mal. Como achar bons livros? Não me importo que existam os “Guerra dos Tronos” da vida nem os Sidney Sheldons desde que eu não gaste meu dinheiro com eles, me são indiferentes. No caso do Martin já havia lido alguns livros e no geral sigo autores, li quase tudo do Robert Ludlum, acabei encontrando um livro que nunca li, “ The Ambler Warning”, ô porcaria! Acho que nem foi escrito pelo autor, usaram o nome para me enganar, nem o estilo é o mesmo. Tenho dado muito azar nas minhas escolhas solo. Baixo muita demo e não encontro nada interessante.

Tentando reverter este quadro entrei no Goodreads com o seguinte pensamento: se eu encontrar outros leitores com o mesmo perfil que o meu, posso aproveitar da lista deles para encontrar boas sugestões de leitura, comecei a colocar na lista vários livros que li e gostei, mas deparei-me com um problema: dei cinco estrelas para o “Neuromancer” Do Willian Gibson, um livro que gostei e indico sem restrição, também dei cinco para “A Farewell to Arms” e “ The Old Man and the Sea” do Hemingway, livros muito melhores que o “Neuromancer”, e ainda dei três estrelas para o “A Moveable Feast” que é melhor que o do Gibson, mas dentre os Hemingways é o mais fraco. Como classificar coisas tão diferentes com estas cinco estrelinhas? Mesmo com um livro onde a linguagem é mais descuidada, Hemigway ainda é um escritor muitíssimo melhor que o Gibson, mas eu não deixaria de dar cinco estrelas para “Neuromancer” e em comparação com os outros dois do Hemingway, “A Moveable Feast” fica apenas com três estrelas.

Dei minhas notas, criei uma lista que mostra no geral meu gosto literário e fui procurar outros leitores que gostam das mesmas coisas, para ver na lista deles o que seria bom de ler, como encontrar estes leitores? Encontrei um, muitos livros em comum, mas ele deu cinco estrelas para um Sidney Sheldon, como confiar?

Quando entro em uma livraria raramente sou seduzido pelo mar de capas expostas, não é meu território, no geral nada lá há para minha leitura, e se um livro só vende com a capa exposta, estou lascado, no geral, quando as livrarias ainda tinham diversidade, era no fundão, olhando lombadas que encontrava meus livros. Agora com o ebook confortável no e-reader, títulos extintos podem voltar a circular, como aconteceu com os discos de vinil, era raríssimo conseguir um Zappa, hoje é só querer, pode com facilidade comprar toda a coleção. Os velhos vão voltar a competir com os novos para quem não os leu, mas como achar os bons, os melhores, os mais saborosos entre velhos e novos sem cair em armadilhas? Alguma sugestão?

Alex

9 comentários:

  1. Oi Alex, ótimo post. Falar sobre livros é maravilhoso. Na minha opinião, gostar de um gênero literário é questão de gosto pessoal, assim como tem pessoas que gostam do verde, outras gostam do amarelo e assim vai. Antes pelo menos uma vez por semana ficava horas na livraria para selecionar os livros que iria ler, agora na era da internet tudo mudou sempre procurava por preços menores e por indicações de amigos. Amigos estes que na rede social "O livreiro" me indicaram o e-reader que nunca tinha ouvido falar e aonde vendia, adquiri e aí experimentei uma nova dimensão na leitura.
    Eu já li livros de best sellers e alguns foram muito bons, para mim "A menina que roubava livros" é um clássico infantil, assim como "A resposta" um livro sobre a discriminaçao racial que achei muito bem escrito. Depende de gostos e acho que graças a Deus existe variedades para cada tipo.O importante é ler e criar um espírito crítico e sadio, também aprender sobre novos temas e porque não ler livros que nos fazem viajar pela imaginaçao, neste tempo de estresse pelo menos aqui em SP, é extremamente indicado para uma higiene e equilíbrio mental.
    Abraços.

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    1. Marta,

      Sempre acreditei que literatura é escolha, se eu não lesse inglês, teria muita dificuldade para achar o que ler, tem tempo que as editoras só editam “bestsellers”, acho que com o ebook podendo ser lido com o conforto do papel em e-ink, e as facilidades de edição inerentes do meio digital, podemos voltar a ter diversidade, eu gosto de verde, não me importo com quem gosta de amarelo, desde que não me venha infectar com amarelão.Já experimentei livros que não gosto e sei dizer por que não gosto, faz parte da personalidade de qualquer um, suas escolhas é que te dizem quem és, mas existem livros que denigrem, assim como personalidades repulsivas. Adoro viajar na imaginação de um bom autor, veja Poe e Lovecraft, tidos como escritores menores pelos seus assuntos, mas note com qual mestria são criadas suas estórias. É justamente nesta arte do entretenimento que é mais difícil achar bons artistas. Não foram Mozart e Beethoven “entertainers”? E também grandes artistas? Eu gosto de viajar em uma boa estória, mas tenho horror a quem quer enganar-me com clichês velhos para disfarçar a inabilidade com a escrita, falta de imaginação, e pouca espiritualidade.Gosto de textos inteligentes, bem bolados, a pobreza intelectual me enfada.

      As editoras e seu processo fossilizado, nos deram este panorama dicotômico entre ficção literária e entretenimento, mas em realidade, ambos são muito estereotipados. Vamos ver o que nasce de novo na liberdade que o digital permite aos autores. Vamos ter que procurar, mas quem achar algo bom pode espalhar.

      Abraço,
      Alex

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    2. "veja Poe e Lovecraft, tidos como escritores menores pelos seus assuntos, mas note com qual mestria são criadas suas estórias"

      mestres na construção de tensão pela narrativa, como também Stephen King. Provavelmente demanda do gênero de horror.

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  2. Muito bom este post Alex porém bastante abrangente, vou abordar o que vc colocou por partes.

    Primeiro sobre a avaliação de livros, eu entendo perfeitamente o que quis dizer, tenho um dilema parecido com o seu ao avaliar um livro.
    Minha tendencia é que um livro de não ficção baseado em pesquisas ou de divulgação com uma vasta bibliografia é em geral mais bem avaliado do que um livro de não ficção baseado em opinião.
    Ou ainda, um livro sobre um assunto ainda não bem solidificado também recebe uma cotação menor. Por isso um bom livro sobre o modelo padrão será sempre melhor do que um bom livro sobre supercordas, um livro sobre uma pesquisa na área de filosofia normalmente é melhor do que um livro de um cara simplesmente emitindo opiniões.
    Porém nosso julgamento é constantemente influenciado pelo nosso proprio gosto pessoal, não vejo necessidade nenhuma de tentar ser imparcial visto que este não é o caso, estou julgando o livro para mim mesmo, então se me interessa mais ler sobre a China antiga do que sobre a Babilonia talvez as minhas cotações tendam a refletir isto.
    Com relação a livros de não ficção acaba valendo ainda mais o gosto pessoal, (por um acaso este livro que vc citou Neuromancer esta na minha lista). Mesmo no caso dos grandes clássicos perceba que nós tendemos a gostar mais daqueles qe estão dentro de nossa área de interesse.

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    1. Abrantes,

      Meu dilema maior é em relação a livros de entretenimento(ficção), os que acabam mais rápido. Em não ficção acho que o que vale é o argumento, existem livros muito bem referenciados que são apenas reviews, o autor que deve ter um texto coeso, com bons argumentos, e aí sim baseados em fatos, referências. O problema de um livro sobre supercordas é que a maioria tenta vender o peixe, sem deixar claro o que tem base fática e o que é mera especulação, acho legal viajar em idéias, e se ler o livro do Einstein, foi o que ele fez: com seria um laboratório físico em queda livre? Aí ele divisou a relatividade geral.

      Não acredito em imparcialidade, prefiro parcialidades claras e declaradas, todos temos uma personalidade, alguém imparcial seria alguém sem personalidade, um zé nada. Os mais imparciais são sempre os mais mentirosos tentando ocultar sua parcialidade. Gosto dos livros do Harold Bloom, ele deixa claro para que lado vai sua parcialidade, entendo e respeito seu ponto quando desce a lenha no Harry Potter, mas não consigo respeitar o Terry Eagleton, que tenta justificar sua parcialidade em “estudos marxistas”.

      Acredito que no último parágrafo você quis referir-se a ficção, categoria do “Neromancer”. Sim, em ficção muito é gosto, mas existem livros mal escritos, como comida mal feita, desperdício de ingredientes, desperdício de palavras. Como alguém que nunca comeu uma receita bem feita pode ter comparação, aí é que entra a cultura.

      Abraço,
      Alex

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  3. Com relação a indicação de livros, isto me lembra a minha infancia a estante do me avô e aos sebos aqui do Rio de Janeiro.
    Antgamente se ficava restrito ao que estava disponiv el na estante, hoje praticamente tenho acesso a qualquer livro do mundo e as indicacões me chegam de todos os lados não só através da Amazon mas principalmete no Library Thing (que eu acho mais completo do que o goodreads).
    Acho interessante buscar bibliotecas parecidas porém é sempre bom lembrar de um fenomeno presente na internet e ausente no mundo la fora que é a excessiva segmentação/rotularização (existe esta palavra?) que leva a uma radicalização na busca e nos interesses, eu explico.
    Na internet quando você busca livros sobre um determinado assunto é capaz de achar material para o resto de sua vida, comunidades, bibliotecas semelhantes e muitas vezes isto causa um afastamento de livros sobre outros assuntos que eventualmente você poderia se interessar.
    Quando vou a uma livraria de verdade (hoje em dia mais para tomar um café ou um Choop) costumo passear aleatoriamente pelas pratileiras e vez em quando acho algo completamente diferente do que acharia na internet tal viciada é minha busca.
    O site da Amazon por exemplo acha que eu gosto do assunto X e só me oferece dicas daquele assunto, na internet mesmo subconcienteente acabo filtrando somente aquilo também.

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    1. Abrantes,

      Quando eu era mais novo minha escolha era limitada, mas minha cultura e minha leitura também, adorei “O Caso da Borboleta Atíria”, Um Cadáver Ouve Rádio, “O Mistério do Botão Negro”; “Sangue Fresco”, mas com o passar do tempo tornei-me um leitor mais exigente, aprendi a ler Machado que me deu pesadelos no colégio. Eu quero ir adiante, quero bons livros, no momento que você conhece vinho de verdade, sem ser pelo preço, os engodos ficam pobres. Não que os livros que citei acima sejam engodos, são bons livros juvenis, mas apenas juvenis e bem escritos, suco de uva fresca em comparação à complexidade do vinho.

      Já havia lido este argumento do direcionamento do gosto em alguma coluna de jornal, não concordo, por um simples motivo, o que está de capa virada também tem um direcionamento. O inesperado não vem da internet, vem da vida real, nem das livrarias, pois vou sabendo o que procuro. Encontro a diversidade com pessoas, uma vez encontrei por falta de palavra melhor um “desertólogo”, explicou-me o encantamento de conhecer diferentes desertos, nunca tive a oportunidade, mas deste dia em diante o deserto não mais era uma praia sem água, tinha personalidade, quem sabe um dia me aventure em desertos como faço nas serras, ou no mar?

      Abraço,
      Alex

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  4. "não que já não lesse o suficiente"

    grammar nazi at work

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  5. ah, como encontrar bons livros?

    No caso dos clássicos, simplesmente baixo todos os que quero do Project Gutenberg. Acho o projeto realmente fenomenal, mas lamentavelmente, digitalização descontrolada também significa que um dia não poderemos mais contar com o tempo para nos livrarmos de lixo: clássicos de renome partilharão de espaço no mesmo HD com porcarias digitalizadas em nome do arquivamento de toda a cultura possível. Como encontrar os que valem a pena ser lidos, então?

    O sistema de estrelinhas não me diz nada, mas costumo ler os comentários dos que deram 4 estrelas e os dos que deram 1 estrela, para contraponto. Se os que deram 1 estrela só reclamam de trivialidades como fontes, formatação, sumário ou preguiça para ler, sei que o livro é bom.

    Goodreads é legal, mas aparentemente controlado por adolescentes açucarados. A melhor estratégia para formar opinião sobre um livro ainda é folhear. Felizmente a Amazon permite folhear o primeiro capítulo ou comprar, folhear e devolver se não for do seu gosto. Devo dizer que online é uma experiência muito mais confortável do que ficar em pé ao lado de uma estante numa livraria física.

    Não sei em que exatamente Neuromancer seria pior que O velho e o mar. Ambos experiências de leituras radicalmente opostas, mas excelentes em suas propostas. Já ouvi antes que Gibson tem uma escrita chata e tediosa, mas não foi isso que encontrei no livro. Ele te vira de ponta-cabeça com uma narrativa que é uma montanha-russa de conceitos e especulações grotescas sobre um horrível futuro que é também muito plausível (exceto por detalhes técnicos sofríveis como quantidade de memória, em que Gibson errou feio). A narrativa impactante é perfeita para te pôr dentro desse futuro. Já a luta pela vida do velho no mar poderia ser considerada sonolenta, mas é realista, crua e comovente. Em suma, confesso que não vejo exatamente a diferença entre literatura e "best-sellers", exceto tempo. Acho bastante provável que décadas pra frente Stephen King seja considerado o Charles Dickens de sua época. Dickens que também era um best-seller em sua época e igualmente rechaçado como artistas por muitos.

    E não fale mal de Sydney Sheldon. Sem ele não existiria Jeannie.

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