sábado, 7 de julho de 2012

As Fofocas da Candinha no Mundo do Ebook

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Aqui no blog ficamos de olho no noticiário internacional sobre fatos relevantes ao e-reader e o ebook, e também no noticiário nacional. Na falta de fatos relevantes ou análises mais profundas, muito do jornalismo limita-se a dar vazão a boatos, fofocas e especulações rasas. Houve mais um boato de que a Amazon “continua vindo” para o Brasil, com informações desencontradas sobre quanto custaria aqui um kindle, sem levarem em conta que existem pelo menos cinco tipos diferentes com preços diversos, e como sempre, ninguém da Amazon confirma ou desmente, ô pauta estúpida.

Lançamentos de tablets; já ficou mais que claro que leitores em tablets são residuais, a maioria que compra um não o adquire para leitura e não contribui significativamente para a base de leitores, o que aumenta leitura digital é o e-reader. Todos querem laçar seus dispositivos vinculados à sua loja, Microsoft e Google querem uma fatia do que Apple e Amazon já tem na venda de conteúdo. Nos EUA continua a ação do departamento de justiça contra o cartel armado pelas grandes editoras de papel, e continuam a defender suas ações dizendo que se não o fizerem a Amazon tornar-se-á tão monopolista como eles... os supostos representantes de escritores defendendo as editoras contra aqueles que representam, com o argumento que é bom o escritor ganhar menos e ter menos controle sobre seu trabalho. Parece vigarice para vocês? E é! Haja cara de pau.

A realidade é que o e-reader é um aparelho simples, sua principal característica é a tela e-ink reflexiva com no mínimo 800x600 de definição em preto e branco que mantém a imagem sem gastar energia permitindo alta durabilidade da bateria, ela simula o papel, muito bem, para toda literatura já escrita e ainda por vir, mas a grande realidade é que ficar falando sobre o e-reader é meio como discutir sobre tipos diferentes de papel ou particularidades gráficas de edições de livros. Por ser digital, por poder ser distribuído via internet o ebook, com conforto do papel proporcionado pelo e-reader, muda toda a lógica do mundo editorial e dos escritores. Para quem já tinha um e-reader de quatro anos atrás não muda muito, muda o fato do e-reader mais acessível aumentar o mercado do livro digital, aumentando o número de pessoas que querem vender livros para este cliente. O livro já existia antes da prensa de Gutenberg, com ela e o papel feito de polpa de árvore, tornou-se mais acessível, o e-reader é mais um passo.

O que ainda vai demorar um pouco é a apropriação da possibilidade pelos autores independentes, já tivemos fenômenos que sem o e-reader não seriam possíveis no mercado editorial, mas o campo do autor independente ainda é nebuloso. Tem gente que acha que só por ser independente, o leitor deve ser complacente com erros ou má escrita, isto é ridículo! Tudo bem se uma editora tem uma equipe que pode ajudar o autor no texto, na estória e até escrever o livro para o “autor”, corrigir os erros mais berrantes e dar um formato e polimento profissional ao livro. O independente não pode usar esta desculpa para o seu livro ser inferior, mesmo que seja no polimento final, pois em realidade, a maioria dos leitores não consegue ver além. Ser independente representa mais, não use como desculpa para vender porcaria mal acabada, é parte do trabalho, hoje é parte de ser um autor, se não tem capital faça você mesmo, se tem, contrate profissionais, mas não peça para o leitor desculpar falhas. Acontecem, nas maiores editoras, veja o que ocorreu com a Guerra dos Tronos, depois de passar na mão de não sei quantos profissionais, foi para as lojas faltando o último capítulo. O fato de editores profissionais não fazerem o seu trabalho direito também não é desculpa, escrever é muito mais difícil que parece, e se você não preocupar-se com o polimento final, o leitor pode assumir que o desleixo foi no livro inteiro, em ebook vai ser mais barato corrigir o livro, o erro da Leya custou, dizem os jornais, mais de um milhão!

Um dos eventos mais interessantes é a abertura da loja da Kobo no Japão, a página já está no ar e estão demonstrando o Kobo touch com epub 3 capaz de mostrar texto vertical em japonês e ler mangá. Para nós brasileiros é particularmente interessante, pois o embate Kobo x Amazon pode ocorrer também aqui, apesar dos mercados muito diferentes. Se a Rakuten/Kobo conseguir mostrar mangás no e-reader e conseguir mangakás dispostos a publicar digitalmente, vamos ter um mercado interessante. A dinâmica dos mangás é muito interessante, a maiorias dos mangakás trabalha sozinho com desenho e texto, as estórias são publicadas serializadas em revistas especializadas, umas dez páginas por semana e existem muitos mangás diferentes na revista, os populares ficam, outros caem fora, assim há uma seleção ativa do público. Mangás tem alta rotatividade, raramente os japoneses guardam os “jumps”, pois as casas nos grandes centros urbanos são diminutas, os mangás mais populares ganham uma edição exclusiva especial, também em preto e branco, perfeito para o e-reader. Na dinâmica do mangá a estória é muito importante e as melhores são animadas virando “Animes”, já aprovados pelo público, testados. O contrário do cartoon ocidental, com estórias formulaicas e vagabundas, idéias de produtores não testadas com o público. Se o Kobo conseguir ser um bom veículo para mangás, vai explodir no Japão e junto com ele, outros livros. O Japão é sempre pioneiro ao adotar novas tecnologias, o Mini disc lá foi popular antes do mp3 acabar com a tecnologia enquanto em outros países ainda se usava K7 e CD. No caso do e-reader o Japão está atrasado por conta do embate com os editores de papel. Vamos ver o que acontece, por aqui também há boicote do mundo dos papeleiros.

O que eu achei mais interessante é a foto que usei para este post, retirada do site da Kobo/Rakuten, adorei a luminária!

Muito desta fofocada é só jogo de mídia para criar “Buzz” sobre um assunto, os vazamentos do ipad e iphone já viraram padrão, é uma forma de propaganda barata, a tela mirasol foi uma destas, muito barulho por nada! Agora em oferta, na prática uma porcaria.

Me perguntaram por que não falo nada da Flip, no que concerne ao ebook o evento ainda é nulo, é uma festa dos papeleiros promovendo autores dos quais vão vender papel, ebook tem mais a ver com leitores e literatura.

Alex

4 comentários:

  1. Olá Alex,
    parabéns pelo ótimo poste (deixo, mais uma vez, registrado que adoro o blog e seus posts).
    Estou torcendo para que o Kobo tenha sucesso em sua empreitada no Japão pois como um leitor de mangá ficarei muito feliz em daqui a alguns meses poder adquirir os mangás assim que eles são publicados no Japão.

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    1. Oi Raniere,

      Como eu não leio japonês nem me dei conta deste imenso grande detalhe, poder comprar mangás no momento que saem! Eu apenas vi as fotos da demonstração do Kobo e achei que o mangá ficou bom, principalmente pelo texto japonês ser sintético, as letras ficam em um tamanho agradável, melhor que meus antigos “lobo solitário” em “formatinho”. Se os japoneses fossem menos enrolados eles poderiam publicar mangás em japonês e ao mesmo tempo ou logo, vender para o mundo todo em inglês. Há muitos fans de mangás espalhados pelo mundo. Quem sabe não apareçam mangakás independentes? São apenas novas possibilidades que surgem com o e-reader, valeu pelo toque e obrigado pelo incentivo.

      Abraço,
      Alex

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  2. Oi Alex, parece que a pré-venda do Kobo touch no Japão esta sendo um sucesso, tomara que no Brasil ocorra o mesmo. Eu não entendo porque grandes livrarias como a Saraiva, Cultura e FNAC não fazem como a Gato Sabido que vendia o Cooler e não vendem aparelhos próprios cada um deles, assim além de opções de Ereaders, os preços diminuiriam. Gostaria de ver o Sony reader vendido no Brasil, mas com pelo menos um preço justo, no ML esta m torno de $800, um absurdo para os dias atuais tendo o kindle por $79 dólares. Vamos ver o que acontece...

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    1. Oi Marta,

      Bom saber do Kobo no Japão, como a Rakuten é japonesa e o Kobo é uma ferramenta importante para competir com a Amazon no e-comerce, é lá que eles vão priorizar antes do Brasil. Vamos ver quando e como chegam aqui, em muitos países europeus eles fizeram acordos com livrarias locais. Acho o Sony difícil de vir, visto a política da Sony por aqui, vamos ver como se sai o PRS-T2, por enquanto só rumores, mas pelo menos calaram os estúpidos que soltavam mentiras que a Sony iria parar com e-reader por não dar dinheiro, aqueles bobalhões que por não ler não sabem a diferença entre e-reader e tablet.

      Abraço,
      Alex

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