segunda-feira, 23 de julho de 2012

Amazon se curva à opinião pública

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A Amazon, que vem sendo demonizada como destruidora de livrarias e raíz de diversos males no cenário econômico-cultural, parece estar se preocupando com sua reputação e, por conta disso, empreende esforços para a conquista de seus clientes.

Jeff Bezos assina o comunicado que está na abertura do site da Amazon apresentando um programa de qualificação profissional para empregados destacando seus aspectos inovadores e enfatizando o papel da empresa na geração de empregos e a sua postura em termos de remuneração e segurança para o trabalhador ao mesmo tempo em que reafirma sua excelência em termos de preço, qualidade e agilidade no atendimento aos clientes.

A carta de Bezos enfatiza o sucesso dos centros de atendimento, sua confiabilidade, precisão e velocidade de entrega, bem como a produtividade e segurança. Faz questão de destaca que a alta produtividade permite que a Amazon pague aos funcionários desses centros 30% a mais do que trabalhadores de lojas físicas tradicionais costumam receber, e isso sem ônus ao bolso do consumidor.

O comunicado parece querer justificar ou contrapor as críticas sobre o impacto provocado pela atividade da Amazon em lojas físicas, o que resultaria em perda de postos de trabalho.

O programa de qualificação, batizado como Programa de Escolha Profissional da Amazon* parece realmente dar um passo adiante das tradicionais bolsas de estudo, mas acho mais relevante olhar para este movimento sob a ótica de sua motivação: o poder dos clientes.  

Sim, é claro que a Amazon pode esperar um melhor retorno de seus empregados ao se configurar como um bom lugar para se trabalhar, mas esse programa me parece uma clara resposta às pressões (já nem tão antecipadas) da opinião pública.
Em tempos de discursos pomposos sobre sustentabilidade e a inserção dos aspectos sociais nesse conceito, talvez algumas empresas tenham criatividade e determinação suficientes para sair do discurso e implementar práticas efetivas.

Gosto de ver esse movimento, mas continuo não gostando de um cenário em que poucos gigantes dominam o campo da inventividade e da eficiência.

* livre e, possivelmente imprecisa, tradução

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