quinta-feira, 24 de maio de 2012

E-readers, Livros e Cultura

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Vejam a foto acima, é um trabalho de “fine art” do fotógrafo Ahmet Ertug http://www.templesofknowledge.com/libraries.html , entrem neste link, apreciem as magníficas fotos e depois volte aqui para continuar a ler.

Lindo trabalho não? E as bibliotecas? Absolutamente incríveis! Na prática são apenas depósitos de livros, locais de leitura, depósitos de cultura.

De onde vem a cultura? Do nada? Produz-se cultura como salsicha? Cultura perde a validade? Vamos queimar aquelas bibliotecas magníficas?

Nesta discussão do livro papel, livro eletrônico e “enhacenced books”, o pequeno detalhe que se esquece é a cultura, sua natureza, seu veículo. Por mais que aplaudimos o novo, é preciso notar que ele não existe sem o velho, que é o alicerce sobre o qual apóia-se o moderno. A esta coisa antiga, que recheia as magníficas bibliotecas das fotos é que chamamos cultura, o homem não evoluiu muito nos seus genes nos últimos quatro mil anos, mas a cultura é outra história, se somos diferentes dos nossos antepassados, a isto devemos creditar a cultura. O que é o homem culto? O detentor de cultura, aquele que se deu ao trabalho de ler muitos dos tomos que vimos nas fotos, mais que isso, neste labirinto de idéias cada um traça seu caminho, e das velhas idéias vem os novos argumentos.

A cultura é nosso passado, nossa herança, sem ela essa tela onde está lendo este texto não existiria, ciência também é cultura, livro não é só entretenimento, também é, mas é muito mais; cultura também não é algo chato, o livro é o melhor jeito de saber o que se passava na cabeça de um jovem empregado de escritório de patentes alemão que mudou o mundo, desafiou o horizonte estreito de Newton, também depositado em livro, a visão do horizonte da terra deu lugar ao horizonte do universo. E assim estes homens escrevem para nós seu testamento, deixando seus maiores tesouros, os pensamentos.

Não estou falando de pouca coisa, se por muito tempo o papel foi guardião, testamenteiro e professor das novas gerações, dando até voz aos mortos, hoje o e-reader é o veículo herdeiro desta tradição, ele permite a leitura com intimidade e conforto, ler o que já foi escrito, o que estava em papel, em toneladas de papel; pode rodar o mundo em uma fração de segundos, e ser transportado em um dispositivo mais leve que as traças que devoram livros. Mas ainda são livros, não importa se li as desventuras de “Madame Bovary” em papel ou e-ink, o que fica é o que li, li um livro, o mesmo livro, apenas li, com mais conforto, mais leve e prático.

Se vocês viram as fotos do link acima, o que lhes vem à mente? Estamos falando de ambientes barulhentos? Acho que não, faça algum ruído mais elevado e irá ouvir um psiu! Etiqueta? Não! Para ler é necessário um ambiente silencioso, confortável, é da natureza da leitura exigir concentração, e você acredita que outro dia ouvi um pseudo expert falando sobre um enhanced book onde ao estar lendo um mesmo trecho de livro que outro usuário online vocês poderiam comentar! Oh, meu deus! Inventaram o livro que já vem com um chato embutido! o mesmo do qual normalmente fujo quando quero ler! Será que estamos falando do mesmo assunto? Para mim livro é aquilo que leio nas bibliotecas silenciosas, muitas palavras juntadas por uma mente, que muitas vezes já está morta, mas no silêncio da biblioteca podemos voltar a conversar, e ele terá minha total atenção.

Hoje minha biblioteca anda comigo, e ela não fará diferença se não ler, da mesma maneira que lia antes. Ler a velharia deixada pelos meus humanos antepassados. Quem prega a exclusividade do novo, obviamente está pregando não conhecimento, mas a ignorância, pois o conhecimento vem do passado, a cultura vem do passado, e da nossa ciência é que virá o futuro.

Alex

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