sexta-feira, 27 de abril de 2012

EbookBR conversa com Todd Humphrey da Kobo

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Caros leitores, esta é uma exclusiva: no encontro da “Rakuten Super Expo”, onde em uma série de apresentações traçaram um excelente painel do e-comerce no Brasil, além de experiências de sucesso ao redor do mundo, inclusive desmistificando muitos conceitos errôneos, tivemos a oportunidade de conversar com Todd Humphrey, EVP da Kobo. Por mais que alguns fiquem curiosos com a parte de e-comerce, não vamos fugir do nosso tema, ebooks e e-readers.

Eu e o Paulo estivemos no encontro, foi a primeira vez que nos encontramos pessoalmente, como é óbvio, nenhum tinha a imagem que o outro imaginava, é sempre divertido, todo este tempo nos falamos por skype e mail e nunca nos encontramos pessoalmente, o mesmo acontece com os outros membros do blog, mas internet é isto, um grupo de aficionados em ebooks encontrou-se neste espaço e estamos trabalhando juntos até hoje, o resultado é este que vocês já estão familiarizados.

Como nós, Todd é um apaixonado pelo ebook, é uma cara alto, maior em simpatia, com total presteza respondeu uma saraivada de perguntas que disparamos. Para situar vocês na conversa vou dar algumas informações sobre a Kobo: se vocês tem qualquer e-reader que não seja o kindle, e lêem inglês, a principal parada na internet para adquirir bons títulos a excelentes preços é a Kobo, é uma loja enorme com mais de dois milhões e meio títulos à venda, com atendimento prático, rápido e funcional. Barnes & Noble não vende para o Brasil, o mesmo para a Sony store, a Kobo vende. Juntou-se com a Rakuten, uma enorme loja on-line de grande sucesso no Japão, já operando por aqui. A Kobo é uma das poucas livrarias on-line que tem seu próprio leitor e-ink, em sua mais nova encarnação é o Kobo Touch, que vocês podem ver aqui no Blog nas mãos do Emanuel, atual  fã ardoroso, pulou do Kindle 2 para o Kobo e assim que os cachorros e os carros derem um tempo, ele postará um vídeo de avaliação, por enquanto tem um vídeo onde ele só faz inveja desembrulhando o aparelho.

Obviamente nossa primeira pergunta foi: quando a Kobo entra no Brasil? Estão trabalhando para entrar no segundo semestre e nos perguntou se a Amazon tinha anunciado uma data, dissemos setembro, e que em duas semanas dariam uma data definitiva, Todd deu um grande e confiante sorriso, disse: “ — perfeito, se entrarmos juntos temos grandes chances”. Vocês pode estar pensando que Todd é um pouco confiante demais, mas ele tem números melhores que nós, no Canadá, terra da Kobo e vizinha dos EUA com o mesmo idioma, eles tem 70% do mercado em apenas três anos de funcionamento e também são primeiros em muitos países, se alguém não tem medo do lobo é a Kobo. Eu sou um cliente Amazon satisfeito, compro com eles creio que desde 96 ou 97, e imagino que muitos Canadenses também foram, e mesmo assim, estes caras pegaram 70% do mercado em três anos! Isto não é para amadores.

Perguntamos sua percepção sobre o e-reader e-ink, é sempre bom saber o que o outro lado pensa, e agradável ouvir que a sua postura é a mesma que a nossa, mesmo estando em continentes diferentes. Todd nos disse que a Kobo acredita em seu reader, e que este aparelho dedicado é muito mais apto a leitura, o possuidor de e-reader é alguém comprometido e que acaba lendo mais, o e-reader não tem todas as funções ou distrações do tablet. Explicando estas particularidades, Todd tira seu cartão do bolso, aponta o logo da Kobo, e nos pergunta: “Porque Kobo? Minha filha com seis anos acertou a resposta”, nada me veio à cabeça e ele mostrou o óbvio, Kobo é um anagrama de Book. Isto para dizer que a Kobo é uma empresa de livros, de livros eletrônicos, tem dedicação total. Sim, é um bom argumento. A Kobo é uma empresa voltada aos leitores, seus consumidores, e os tratam bem;  sei que ouvir isto no Brasil é estranho, mas só posso ficar feliz com a perspectiva de duas grandes empresas que se preocupam com o leitor virem para cá, infelizmente nós leitores estamos acostumados com as pedradas, podemos correr o risco de ficarmos mimados com tanta atenção.

Já tínhamos visto na internet que o CEO da Kobo anunciou que o sistema de publicação na livraria seria otimizado nos moldes da auto-publicação que já existe na Amazon, que já emplacou bestsellers com autores ignorados por editoras. Perguntamos ao Todd quando o novo sistema estaria implantado, também no segundo semestre, assim há grande probabilidade de que quando a Kobo estrear por aqui, o projeto já esteja implantado. Mais um ponto positivo para o autor independente e para a liberdade, aliás, em sua palestra Todd fez questão de frisar que o conteúdo do Kobo não é exclusivo do seu e-reader e pode ser usado em outros leitores, computadores ou dispositivos.

Estávamos ouvindo pouco da entrada da Kobo, foi agradável saber que estão trabalhando forte para nos trazer o melhor, jogando sério sem medo da competição, e competindo pelo que vale: a satisfação do leitor!

Alex

6 comentários:

  1. “ — perfeito, se entrarmos juntos temos grandes chances”.

    Se entrarem antes da Amazon, com uma apresentação agressiva no aparelho, as chances são ainda melhores: capturar o público que vai pagar pelo conteúdo, no caso em ePub, não .mobi da concorrente.

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    1. Paulo,

      Como o sistema da Amazon é exclusivo, tenho dito o mesmo que você, quem chegar primeiro leva a vantagem, pois o leitor já terá conteúdo que não poderá migrar para o aparelho do concorrente.

      Alex

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  2. Estou morando na França atualmente e a cerca de três semanas comprei meu primeiro e-reader.

    Tive a oportunidade de testar o Booken Odissey, O Kindle Touch e o Kobo Touch, todos eles custando exatamente a mesma coisa por aqui (129 euros).
    Um amigo meu tem um Kindle touch e deixou comigo alguns dias, fui na loja da Virgin Megastore testar o Booken e na Fnac para testar o Kobo.

    Assisti um monte de reviews, comparações, unpackings e etc.



    Me decidi pelo Kobo por uma série de motivos (pelo fato de ler .epub nativo, interface amigável, cartão de expansão e principalmente por ler .cbr e .cbz, dentre outras).

    Confesso que no ato da compra fiquei receoso, afinal eu sabia o que era um Kindle, mas até um mês antes nunca tinha ouvido falar em Kobo, Nook e etc.

    Para minha grata surpresa, estou literalmente apaixonado pelo aparelho. Ando com ele o dia inteiro na mochila, lendo sempre que tenho 5min de folga.
    A loja da Kobo me impressionou, sempre teve tudo que procurei, com preços equivalentes ou até mais baixos que os praticados pela amazon.

    Aqui na França o aparelho é vendido como Kobo by Fnac, então você pode usufruir tanto da loja da Kobo, quanto da Fnac francesa.

    Gostaria que eles mantivessem essa parceria com a Fnac no Brasil.

    Escolher qual ereader vai adquirir é uma coisa meio pessoal, vai da necessidade de cada um. Mas, pelo menos pela minha experiência, recomendo veementemente a compra do Kobo touch. Pra mim valeu cada centavo.

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    1. Oi Anselmo,

      Muito obrigado por dividir sua experiência conosco, infelizmente a FNAC aqui não é como a de França ou mesmo Portugal, já foi, quando iniciou aqui as operações, aliás, foi a primeira “megastore”, mas deixaram o padrão cair com uma menor diversidade de títulos. No momento não temos e-readers no Brasil, quem chegar com preços condizentes será bem vindo e iniciador do mercado digital de livros. Vamos ver o que acontece, nós público, leitores, esperamos, a bola está no campo deles.

      Alex

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  3. Muito bom, estamos na torcida por boas empresas que pensem nos leitores, esta semana li em vários artigos a discussão do termino da produção do e-reader para ficar somente com o tablet, mas para quem gosta de ler a diferença entre ambos é enorme em questão de qualidade, peso, vista, pelo menos para mim eu não me adaptei na leitura num tablet, bem desconfortável, que bom saber que a Kobo uma boa empresa pense nos leitores, eu não conheço o aparelhinho pessoalmente mas por Youtube parece bem legal.

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    1. Oi Marta,

      Este negócio do fim do e-reader é balela de quem não lê, não conseguem ver que para o leitor a diferença é monstruosa, só queremos ler o que foi escrito e ainda será, sem animações, fogos de artifício ou redes sociais. E-reader é para o leitor, aquele consumidor de livros, apenas livros. O tablet é para tudo, mas desconfortável para leitura, não é para leitores, pode ser, mas é ruim.

      Abraço,
      Alex

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