terça-feira, 20 de março de 2012

Livrarias nacionais e o leitor honesto

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Tivemos um ReaderCast sobre pirataria que recebeu muitos comentários. O ponto comum entre estes comentários fala do descaso que as livrarias e editoras nacionais têm tido com o leitor, o que muitas vezes o leva a piratear.
Outro ponto é que o DRM e outras práticas como a necessidade de um software específico, passam a mensagem de que o leitor é desonesto logo, deve ser cerceado em seus direitos pois irá abusar deles e distribuir o livro digital como se fosse salgadinho em dia de festa.
De outro lado temos a mesquinhês das livrarias que chegam a cobrar mais caro pelo exemplar digital que o impresso.
Um exemplo é a nova plataforma IBA da Editora abril que cobra mais caro por edições digitais que impressa de suas revistas e ainda alega que o preço é caro por conta da alta tecnologia empregada.
Ora o consumidor não é paspalho, por mais que se tenha um gasto maior na produção de uma revista o gasto de distribuição, impressão e armazenagem não é compensado?
O mesmo vale para as editoras nacionais que dizem que os gasto citados acima não representam tanto assim no valor do livro. 
Isso é simplesmente mentira. 
Alguns pontos devem ser levados em consideração, no modelo impresso os grandes best sellers têm maiores tiragem, e o gasto com divulgação e a porcentagem do autor já estão claramente embutidos, os quais são menores que no modelo digital. Isso deve diminuir as perdas que sem têm com  a publicação de autores não tão conhecidos, pois o primeiro banca os custos do segundo.
Com o digital o número de vendas ainda são mínimas e muitos livros simplesmente não se pagam.
Tudo isso é verdade, mas não justificam as práticas de preço e distribuição dos livros digitais.
Afinal o Modelo digital compensa em outras pontos como escala e um único gasto por edição, e este é o momento de investir no livro digital, se o mercado está difícil, faça menos livros, mas aqueles fizer, faça com preço justo e qualidade.
Com tudo isso em mente eu me pergunto existe limite para o lucro? Eu acho que sim.
Se avançarmos na teoria da conspiração, a ideia é que existe um lobby nacional para barrar o livro digital e o único objetivo destes serviços é dar uma péssima experiência ao leitor em relação ao meio digital.
O e-book veio pra ficar, não adianta dar murro em ponta de faca, a tecnologia é muito útil e acessível.
Como já dissemos algumas vezes o e-book pode ser uma chance real de democratização do livro e sob este aspecto devemos considerar algumas coisas.
O sujeito que não tem condições de adquirir um livro legalmente deve ser privado da leitura?
Eu acho que não, poderíamos buscar meios alternativos para isso, um sistema de biblioteca social, através da internet, não sei como resolver isso, mas hoje eu prefiro que um jovem sem condições leia um livro, mesmo pirata, fale com seus amigos sobre ele, o torne mais conhecido, e depois no futuro com melhores condições adquiridas por conta da leitura ele passe a comprar meus livros.
Tanto isso é verdade que queremos propor uma coisa a você leitor.
Semanalmente lançamos livros, alguns pagos, a maioria grátis.
Vamos mudar este modelo para o sistema "Pague quanto quiser", e é como o nome mesmo diz você pode pagar o quanto quiser, inclusive nada. Todos os livros que forem disponibilizados por este sistema terão o download livre e você decide quando, quanto e se deseja pagar.
Ao contrário dos exemplos que temos visto nas livrarias nacionais, aqui a gente confia em você e na sua decisão de quanto será a recompensa de nosso trabalho.
Claro que nem todos os livros vão ser disponibilizados assim, afinal em alguns livros temos que respeitar a vontade do autor, também pode acontecer de o livro ficar no sistema de preço fixo durante o período de lançamento antes de entrar no sistema "Pague quanto quiser", entretanto conforme for chegando os resultados desta empreitada, mais livros poderão ser lançados e mais autores se juntarão a nós neste modelo de negócio.
Não devemos nos esquecer nunca que o e-book é a uma possibilidade real de democratização da leitura, nos ajudem a tornar esta possibilidade em realidade.
O sistema funciona da seguinte maneira, quando você clicar no botão abaixo, que também estará disponível nas páginas de cada produto, você será direcionada para a página do Paypal onde deverá preencher o campo "preço do item" com a quantia que desejar e clicar em "atualizar" aí é só finalizar o processo de compra e pronto.
Queremos deixar claro também que não se trata de uma doação mas uma compra, isto significa que você está amparado por todos os direitos do consumidor e inclusive pode pedir reembolso se o livro não tiver a qualidade que garantimos.
Esperamos poder oferecer cada vez mais material de qualidade para todos.
E pra começar você já pode baixar o Para além da Barreira do Sono.



5 comentários:

  1. Bacana. Como a Amazon faz com muitos livros US$ 9,99. Penso que R$ 9,99 por um ebook nacional tá de bom tamanho. Parece meio psicológico, como se tudo acima de R$ 10,00 fosse caro.

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    1. Dependendo do livro eu até entendo uns 15 ou até mesmo 20... não posso querer o preço igual ao da amazon pq temos o custo da tradução, né?
      Mas de 7 dólares para 32 reais a diferença é muito grande.

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  2. A grande maioria de livros pirateados na internet não são livros digitais com a DRM quebrada e sim livros digitalizados por usuários.

    Para combater a pirataria os únicos meios são:

    1- Baratear os preços, vender e-books pelo mesmo preço ou as vezes até mais caro do que as versões fisicas é um absurdo (mas acontece)

    2- Acabar com as limitações que eles querem impor ao conteúdo que eu COMPREI, você gostaria de comprar uma calça e o fabricante falar que você só pode usar ela 6 vezes e só aonde ele deixar? bom é mais ou menos isso que eles fazem com os ebooks...

    3- Fazer os lançamentos da versão digital junto com a versão impressa, afinal porque nós leitores digitais não podemos COMPRAR um livro que é lançamento junto com quem vai comprar o livro físico?

    Enfim eles tem que parar de achar que o consumidor e burro pq se eles continuarem indo neste caminho a pirataria só vai aumentar mais e mais...

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  3. Eu entendo o papel das editoras em filtrar os materiais a serem publicados, editar, corrigir erros de escrita, e organizar coleções por estilo.
    Ou seja, é como se a editora assinasse "embaixo" sobre o título de um livro. É uma garantia de uma obra com pelo menos um mínimo de qualidade. Principalmente quando se trata de livros acadêmicos, didáticos ou de informações (como oposto de ficção).
    Sem as editoras ficaria uma bagunça para escolher os títulos que você vai ler. Qualquer um publica qualquer coisa e você só fica sabendo que é um completo lixo quando já perdeu um baita tempo lendo.
    Eu considero o catalogo das editoras um bom caminho para arriscar em conhecer novos autores e novas obras.

    Mas depois da palhaçada com os livros digitais eu torço mesmo é para o mercado mudar e as editoras sumirem. Torço pela auto-publicação e/ou grandes empresas como Amazon. As editoras estão perto de serem desnecessárias. Poderiam se adaptar, se tornar úteis e agradáveis. Em vez disso, tentam se tornar uma pedra no caminho.

    Já tentei entrar em contato com as editoras para ter informações sobre os formatos digitais e, se e quando eles respondem, é 20 dias depois. Respostas incompletas e superficiais.
    Já comprei livro digital de grande editora nacional e veio mal-feito desorganizado e caríssimo.


    É um descaso total.
    E se é para ser com esse descaso, então para que precisamos delas?
    Hoje, eu odeio as editoras.

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  4. Eu sempre baixei mp3 adoidado e nunca percebi qualquer problema de qualidade de arquivo, nunca baixei um vírus que comesse meu laptop, sempre fiquei satisfeita. O mesmo não se pode dizer dos meus pdfs e epubs. Cheguei ao limite da tolerância quando li um "criançinhas". Decidi comprar os próximos dois livros da minha lista de leitura. O preço praticamente igual aos exemplares de papel é uma coisa chata. Mas descobrir que não posso jogar os arquivos no kindle (não sem quebrar proteção, converter, acender vela, fugir da polícia, etc) foi frustrante. O pior é que eu sou a trintona que adora ebooks (é "pobrema" de coluna, ou de PVC) com uma filha adolescente que acha bonito estante cheia de livros pra exibir. E queremos ler o mesmo livro. Já lemos juntas várias vezes, ela no kindle, eu no celular, mas agora ela cismou que quer que eu compre o mesmo livro 2 vezes, um de papel que não pode ser lido por duas pessoas ao mesmo tempo (eu devia obrigá-la a ler sentadinha do meu lado, seria engraçado) e um epub que eu não sei se vou conseguir enfiar no kindle. Eu tenho que dizer a ela e às livrarias nacionais que meu dinheiro não é capim.

    Sobre livros didáticos, melhor nem dizer o que eu penso das editoras. Por esses eu pagaria o que elas pedissem, mas as editoras ignoraram os formatos epub e pdf e dizem que no futuro, quando todos puderem comprar um ipad e ler IBook, aí sim vai rolar ¬¬

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