segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Critérios para escolha de e-books

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A velha história de escolher livro pela capa (que já provocou tantos acalorados e inúteis debates entre os que admitem e os que execram tal prática), em tempos de e-book, pode ser substituída pela pergunta: você escolhe livro por editora?? preocupa-se com editoração, revisão e coisas do tipo? Qual o aspecto que mais te decepciona ao comprar o e-book de autor / editora desconhecidos?

Tomemos como base para elucubrações apenas o caso da Amazon, onde há inúmeros títulos ao preço de zero dólares (agora que a taxa de entrega whispernet foi realmente eliminada)que contemplam obras em domínio público, em grande parte, obtidas do Projeto Gutenberg. Essas são obras que, em geral, provém da digitalização de livros físicos, feita por voluntários, com o objetivo de disseminar conteúdo literário. Muitos clássicos ou mesmo obras esgotadas podem se tornar acessíveis por essa via. Mas ao escolher um título dessa leva não se tem nenhuma garantia de padrão no que diz respeito a formato, alinhamento, fontes e qualidade de revisão (a digitalização pode gerar erros que requerem correção "manual").

No caso de publicações gratuitas, fica difícil exigir esse padrão, mas e quanto às publicações independentes? Mesmo que a produção do e-book tenha envolvido a prestação de serviços de uma "editora" que produz o ePub, Mobi ou qualquer outro formato, o mais comum é que o conteúdo em si não tenha passado por nenhum filtro ou sequer pelo processo básico de revisão - gramatical, de coerência, ortográfica. O risco de adquirir algo cuja reação será uma irremediável decepção é alto. Qual o critério de escolha a adotar, então? Para o leitor que costuma tomar o selo de uma editora como referência de gênero ou mesmo de qualidade do que pretende ler, talvez se apresente uma sensação de orfandade no mar de superofertas que envolve novos, títulos e sinopses que pouco podem esclarecer sobre o que virá durante o contato com o texto.

Os rankings formados a partir de customer reviews poderiam ser tomados como balizadores, mas o que tenho visto com mais frequência é um arrazoado de elogios amistosos ao autor e pouca coisa de comentário sobre o conteúdo em si. Acho salutar a disposição para experimentar o novo, mas, sinceramente, com o volume assustador de informação disponível em todo segmento da vida, e, diante do fato inarredável de que o tempo é recurso finito, não é possível se dispor a arriscar sempre e consumir horas com leituras pouco recompensadoras.

As indicações de leitura de amigos com gostos similares ou cujas opiniões se respeite são uma tábua de salvação, mas eu espero sinceramente que o "mercado" evolua e passe a oferecer melhores alternativas de filtro e possibilidade de escolhas sem que o leitor se sinta levando gato por lebre com tanta frequência.

4 comentários:

  1. O problema é que a tecnologia em si não tem favorecido um cuidado maior com a editoração, em vários aspectos. Se não houver reviews muito detalhados do eBook, ficamos no escuro. Em uma livraria, posso até ler todo o livro, não só um sample, e decidir por mim mesmo se quero comprar ou não, baseado em vários fatores que não só a qualidade do próprio texto, mas também qualidade em relação à tipografia, ao layout, à impressão, etc.

    Como o livro impresso não sofre de limitações em relação ao design, há muito mais "dicas" visuais sobre se houve ou não investimento no processo de edição. No eBook, não. O resultado é que, mesmo que um livro tenha passado por um cuidadoso processo editorial, acaba não se diferenciando de livros que não tiveram nem mesmo revisão, pelo menos em um primeiro momento.

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    1. Márcio, uma coisa que considero revoltante é a política de algumas livrarias de não disponibilizar sequer um sample para que o cliente possa julgar se quer ou não aquele material. Acredito, porém, que esse é um problema que será resolvido tão logo a Amazon dê as caras.

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  2. Interessante discussão Mauren. Mas a tecnologia ainda está no início de sua aurora. Muito ainda irá mudar a medida em que adquirirmos mais experiência com o livro digital. Vejo uma mudança tanto pela ótica da qualidade do e-book, quanto das informações e critérios para escolha dos livros.

    Pelo lado da qualidade dos e-books e da presença da editora, ainda vejo a necessidade de se aprender a fazer um livro digital. Não acho que esse produto será igual ao livro físico. Penso que muitas limitações foram vencidas com o formato digital e que o próprio formato e conteúdo do livro deve evoluir quase radicalmente, para um livro que contenha ao mesmo tempo figuras, texto e aúdio. Isso por si só, vai tornar a qualidade dos livros mais alta do que a que estamos experimentando hoje.

    Pelo lado das informações e dos critérios para se escolher um livro, imagino uma evolução significativa destas ferramentas. Com resenhas sendo editadas mais rapidamente do que hoje, com indicações mais fidedignas por parte dos leitores e inclusive com um campanhas de marketing mais impactantes por parte das editoras.

    Concluindo, creio que esse debate começa hoje mas ainda vai perdurar por muito tempo. Até que tenhamos um mercado e um formato de livros digitais mais maduro.

    Abs

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    1. A tecnologia ainda engatinha para nós aqui no Brasil, Felipe e parece que muitos ainda creem poder resistir a ela. Por outro lado, o e-book, penso eu, não precisa necessariamente incluir recursos de imagem... eu, sinceramente, me satisfaço com texto, mas um bom texto. O crescimento das prestadoras de serviço em editoração, que vendem para muitos autores a ideia de que terão acesso ao mundo ao disponibilizar sua obra em e-book, sem oferecer como parte obrigatória do serviço a revisão e mesmo a crítica, gera certa contaminação.... ou superoferta de material que não passa por crivo algum. Mas concordo contigo que a manifestção dos leitores pode ajudar a reverter esse cenário.

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