terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Sucesso Oculto

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Neste início de ano a tv veiculou programas sobre o grande sucesso dos empresários digitais; provavelmente em parte motivados pela recente passagem do Jobs hardware para nuvem. O que você pensaria se ao abrir o capô de cada carro fabricado, encontrasse a mesma marca de motor? Seria este um sucesso? Abra o capô dos e-readers e tablets, o que encontra-se lá dentro?

Pense na marca de maior sucesso de jeans que você conhece, qual a porcentagem de todos os jeans do mundo que levam sua grife? Olhe abaixo do capô de celulares, o que lá encontra-se? Seja o que for que existe lá dentro, não é muito divulgado e nem do conhecimento do público leigo, mas se falarmos em sucesso, Jobs e Gates são fracassados, perdedores, aproveitadores.

Se você não é adepto do mundo dos códigos, é fan do Jobs e não do Woz, provavelmente não tem a menor idéia do que falo, mas o sucesso deste desconhecido é estrondoso, avassalador e anônimo. Não se interessa em fazer propaganda, apenas em fazer as coisas funcionarem, do melhor jeito possível.

Mas afinal, de que raios estou falando? Código livre. Nem sempre tão livre, mas possuidor de boa intenção, muitas vezes usurpada por corporações espertinhas que tentam apropriar-se do que não lhes pertence. Parece ridículo que corporações que tem milhares de programadores, engenheiros, alguns pagos a peso de ouro, precisem roubar o que é livre, feito de boa vontade por brilhantes programadores ao redor do mundo, de graça! Sim, estes disponibilizam suas criações gratuitamente desde que continue a ser distribuída gratuitamente e com acesso ao código de forma clara. Criaram uma licença, conhecida como GPL, demonizada por todas as corporações, pois torna um pedaço de código sem valor comercial, mas de extremo valor humano.

Pelas regras do jogo só tem sucesso quem ganha dinheiro, muito dinheiro; e este é o único critério, se matar pessoas dá mais dinheiro: matam; se salvar pessoas dá mais dinheiro: salvam; se escravizar dá mais dinheiro: escravizam. O acúmulo monetário é o único valor, a única medida, mesmo que terno de defunto não tenha bolsos.

Existem pessoas que se medem por outras réguas, criaram o conceito de software livre e a licença GPL que impede o ganho sobre a apropriação deste conteúdo intelectual, mas não é só boa intenção, é o trabalho e brilhantismo que criou um código muito superior a todos criados por empresas privadas, mais otimizado, econômico, elegante. Tão bom que empresas privadas tentam surrupiar, usam parte, copiam conceitos para apropriar-se do trabalho alheio, feito de boa vontade e boa intenção.

Vocês já devem ter ouvido falar do Linux, coisa de geeks, difícil de instalar, pouco amigável ao usuário leigo; quando abre a caixa preta dos tablets e e-readers é ele que lá se encontra, o terrível sistema dos experts, não o queridinho dos leigos. Qual o motivo? Quem acompanhou a evolução dos computadores na batalha do megahertz, viu que a cada lançamento do windows era necessária uma máquina mais rápida, pesada, que gasta mais energia e aquece mais. É como comprar um carro mais forte, mas ser obrigado a carregar um elefante na caçamba, a cada lançamento o usuário era obrigado a carregar um novo elefante por conta da imperícia dos programadores privados de fazerem um código simples. Alguns aplicativos intensivos em processamento, logo lançaram versões Linux dos seus programas que obtinham maior performance na mesma máquina. O Linux é do ponto de vista da engenharia muitíssimo mais eficiente, pois parou de carregar elefantes, e mais do que isto, é livre, gratuito e colaborativo. O antagonismo a este conceito foi grande, mas no final é hoje um grande sucesso! Aumentamos a velocidade dos processadores para carregar elefantes, os novos dispositivos não podem gastar tanta energia nem darem-se ao luxo de serem tão ineficientes, é preciso tirar o máximo de processadores simples, e isto só é possível com o Linux. Não há empresa privada capaz de competir com este gigante, todo o seu dinheiro não pode competir com a colaboração espontânea de mentes brilhantes.

Brinquei com muitos tablets, do mais barato ao mais caro, todos, invariavelmente todos que passaram pelas minhas mãos vieram travados, encoleirados, amarrados, apesar de muitos terem itens de GPL em seu interior. O ipad é o pior de todos, mais travado impossível, ainda mais para os brasileiros que não tem acesso à loja americana, ipad no Brasil é coisa de otário! Ter que gastar no tablet mais caro para ter que quebrar o programa e ganhar acesso a uma loja a nós vetada por meios laterais é ridículo.

Se pirataria é assunto sério, piratear o código aberto é seríssimo, coisa de bandidos, organizados e com milhares de advogados rábicos prontos a atacar em matilha. Quem desenvolveu códigos livres não conta com matilhas de advogados e clientes pagantes para os sustentar, querem apenas fazer o seu melhor, não entrar em batalhas judiciais custosas que as empresas tem mais experiência, seu negócio é fazer programas, e nisto são mestres a dar bailes nas corporações. Não se engane, código livre não é domínio público, nem Linux é unix, aliás, hoje em dia é unix que quer ser Linux. Quem criou o código livre nos deixa usar desde que respeitemos seus princípios, se os violarmos como empresas violam, não tem mais o direito de usar o código.

Quem combate a pirataria empresarial?

Alex

7 comentários:

  1. Excelente texto. Esse é o outro ponto sempre omitido pelos que se defendem com advogados com bafo sua "propriedade intelectual".

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  2. Não entendi direito. Parece uma tradução do Google translator. Nesse caso, acho valido citar a fonte... A iTunes brasileira já está no ar há quase um mês...

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  3. Imfernandes,
    É incrível que esta realidade não está ao alcance do público não programador, empresas pirateiam, jogam sujo e pesado.

    Abraço,
    Alex

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  4. Leonardo Freitas,
    O texto é original, manifesta o que o mundo que trabalha nos códigos já sabe e discute bastante. A loja do ipad está no ar mas sem todo o conteúdo da loja americana, somos consumidores de segunda categoria que pagam muito mais caro pelo aparelho, resumindo: otários. O próprio e icônico Angry Birds não está na loja brasileira, só pela americana.

    Abraço,
    Alex

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  5. Leonardo Pinto,
    É exatamente isto, tem gente usando Linux sem sequer ter consciência, o pior é que o sistema está mascarado.

    Abraço,
    Alex

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  6. Excelente texto, Alex. Nunca tinha parado para analisar a questão dos softwares no mesmo prisma da industria da moda. A Tv por assinatura da GVT usa Linux debaixo do seu sistema. Tirando a etiqueta todos somos iguais?

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  7. Emanuel,
    Está aí mais uma, eu não tinha nem idéia que a TV por assinatura também usa Linux, valeu pela informação. Incrível como um software tão atacado pode ser tão utilizado.

    Abraço,
    Alex

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