terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Sony Touch Vs. Kindle Touch

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Foi com um leve sorriso de escárnio que li a notícia do lançamento do primeiro e-reader da Sony, o Librie, para que vou necessitar de um dispositivo dedicado a leitura? Posso fazer mais, e ainda ler na tela de um computador ou do laptop, o preço dos aparelhinhos também não ajudava, eram caríssimos. Muitos anos passaram e o preço dos dispositivos foi decrescendo. Um amigo estava nos EUA quando a Sony detonou a queda de preços dos seus leitores, que ainda custavam o absurdo preço de U$300,00, caíram para quase a metade, neste custo, um aparelhinho leve dedicado a leitura, não era má opção, recebi como presente meu primeiro e-reader. Meu mundo caiu! O tal gadget não era apenas um aparelhinho qualquer, a propagandeada tela de tinta eletrônica torna-o substituto perfeito ao livro. Antes do e-reader, ler de forma eletrônica meus deliciosos livros de aventura, era tarefa que não passava na minha mente, o cantinho confortável, a penumbra calculada para iluminar apenas o livro e manter o aposento na escuridão e assim transportar-se ao mundo do livro, era área restrita ao papel; com o leitor eletrônico tudo mudou, e o meu cantinho passou a receber o aparelho, que assim como o livro de papel desaparece na mão, não atrapalha em nossa jornada pelas terras do fantástico mundo da ficção ou das idéias dos pensadores que nos precederam.

Com o tempo, o mesmo afeto ao objeto livro foi direcionado ao leitor, depois da primeira ou segunda semana de adaptação, o conforto do aparelho com seus ridículos 289g começa a deixar o livro de papel trambolhudo, o que dizer da imensa quantidade de livros que o PRS-600 pode portar, ele tem duas entradas de cartão: uma SD até 16Gb e outra memory stick, o fadado e caro formato proprietário de cartão da Sony, com outros 16Gb. Fartei-me nos arquivos do Projeto Gutenberg, meus desejados textos de filosofia, antes caríssimos, agora estavam todos gratuitos na rede, assim como o texto original do Shakespeare, Lovecraft, Conan Doyle e muitos outros que agora trafegam comigo em apenas 289g.

Sempre achei que quem escreve em livro ou rabisca merece todos os infernos de Dante, passando por um a um em sucessão contínua pela eternidade. O Sony permite este pecado, mas o detalhe é que com dois comandos o vandalismo desaparece, fazendo com que o livro uma vez compurscado, possa retornar a seu estado virginal. Ler um livro já grifado ou rabiscado por outros ou por si é irritante, o trecho marcado chama atenção e impede um contato virgem com a obra, direcionando a vista do leitor sempre às mesmas passagens, com o livro em estado original podemos perceber novos detalhes, deixando a leitura viciada para trás. Com esta mágica que o Sony permite, passei ao odioso hábito de rabiscar meus livros, escrever pensamentos em suas margens, e todo tipo de sortilégio que os comandos fazem desaparecer quando desejo contato imaculado com a obra.

De todos os leitores com tela de seis polegadas o Sony é o que melhor lê PDF, pode-se coloca-lo em modo paisagem ou em zoom para ler periódicos, ampliando imagens quando necessário, o único desconforto é que ao mudar de página tem-se que ativar novamente o modo zoom, problema corrigido no modelo subseqüente o PRS-650. Sua bateria dura cerca de duas semanas sem muitos PDFs, pois com o constante zoom e arrasto de página, reduz drasticamente a autonomia do aparelho; As duas semanas de carga independem de ler ou não pois mesmo que não toque no aparelho ao final do tempo a bateria estará quase esgotada e precisará de nova carga de quatro horas em uma porta USB de computador, ele não aceita conversor USB de tomada.

A tela do Sony tem uma película responsável pelo “touch”, é uma tela resistiva, pouco sensível aos dedos, mas extremamente eficiente com o “stylus”, a canetinha plástica alojada no canto superior direito; como por muito tempo usei um Palm, o uso do “stylus” me é comum e a tela reage como deve reagir, mas a película trás um brilho meio chato na tela, que deve ser angulada para que o brilho não atrapalhe a leitura, nenhum pecado mortal, com o tempo nem percebe, é como um livro que precisa estar no ângulo certo em relação a luz.

Após um tempo, este mesmo amigo que me presenteou o Sony perde seu leitor e adquire um Nook touch, fica deliciado com a tela de e-ink pearl, geração mais nova que passou a figurar no Kindle 3, agora chamado keyboard, e apesar do Nook ser vinculado à Barnes & Noble, só é possível comprar livros nesta loja sendo norte americano, o mesmo ocorre com o Sony, assim, a melhor opção para quem lê inglês é a Kobo. Meu Sony ainda está totalmente funcional, recebi um Kindle Touch com tela e- ink pearl.

Não posso evitar de confrontar os aparelhos, mesmo sabendo que a comparação correta seria entre o PRS-600 e o Kindle 2, pois o três só saiu depois da baixa de preços do Sony. A comparação correta seria entre o novo Sony PRST1 e o Kindle Touch.

Recebi a versão mais simples, sem 3G; à primeira vista o que salta ao olho é o menor tamanho do aparelho, menos de um centímetro na altura. O Sony pesa 289g e o Kindle 213g, olhando os números assim, não parece diferente, mas estas poucas gramas fazem diferença ao manusear o aparelho, fico imaginando o K4 com apenas 170g, o mesmo peso do Sony PRST1 que também possui função “touch”.

Normalmente não me preocupo com a estética do aparelho, se o design for prático e funcional ele pode ser mais feio que um ogro em noite de núpcias, mas assim comparando, o Sony é mais bonito e tem os botões de mudança de página que o Kindle não tem. Mudar as páginas do Sony usando os gestos de tela não é prático, prefiro usar os botões, mas no Kindle, que só troca de página pela tela, é simples e pode ser feito com uma única mão, basta um leve toque na área correta; o que às vezes o faz mudar de página sem querer, mas as bordas altas do Kindle evitam que aconteça com freqüência. Obviamente a tela mais nova de e-ink pearl é muito superior ao antigo PRS-600, tem maior contraste e quase não tem reflexão, além disso, a proteção fosca faz com que a marca de impressões seja pouco perceptível.

O kindle não tem slot para cartão, fica restrito a seus 4Gb com quase três livres para livro, muita coisa! Ainda não consegui passar da metade do meu cartão de 4Gb no Sony, e olha que estou sempre fuçando o Projeto Gutenberg e acrescentando obras de referência no meu aparelho. Mas há uma coisa irritante e no mínimo preocupante, o Kindle só funciona por completo com conecção wi-fi, sem ela não dá nem para acertar a hora do aparelho, quem não tem wi-fi em casa ficará restrito aos raros e pouco confiáveis “hot spots” públicos, o que por aqui é um problema. Além disto, nesta política Amazon de nuvem, seu aparelho é lido e um monte de anotações pessoais vão para o servidor da Amazon, que faz o papel de grande irmão, sinceramente, se você tem documentos pessoais ou de negócios, eu os deixaria bem longe do Kindle, tornando o aparelho um risco para qualquer grupo comercial. Não sei se o novo Sony PRST1 tem a mesma política, pois tem wi-fi, coisa que o meu Sony não tem e nem posso usar a loja Sony no Brasil, de modo que ele não é vinculado ao serviço como é o kindle. Ao outro lado, com um wi-fi e uma conta Amazon comprar livros é perigosamente simples.

Pdfs ainda são melhores de ler no Sony, o Kindle Touch não tem modo paisagem e a navegação no documento é menos prática que no Sony onde você pode fixar um nível de zoom e apenas navegar no documento, o Kindle meio que mistura e torna a navegação no PDF meio errática. A bateria do kindle é dita durar dois meses, ele tem um sistema que só faz o refresh total da página depois de seis viradas, o que pode ser desligado, algumas pessoas acusam um “ghost image”, mas é quase imperceptível e não me incomoda na leitura, é como focar nas fibras do papel abaixo das letras, lendo não se percebe.

Uma coisa agradável do Kindle em relação ao PRS-600 é a variedade de tamanho de letras, no Sony a diferença entre a pequena e a média é muito grande, e uma letra boa é intermediária e fica perdida, pois a média já é enorme; no kindle é possível um ajuste mais fino no tamanho das letras, nada posso dizer dos Sonys mais novos, pois não os tive em mãos. Kindle e Sony formatam o texto de forma diferente, as letras do Sony são mais bonitas, mas nenhum texto nele fica justificado, contrário do kindle. Está certo que o exato mesmo documento não pode ser aberto em ambos, pois o kindle não lê epub, o formato livre mais comum de ebook, e o sony não lê mobi, formato comprado e adaptado pela Amazon. Na comparação usei o livro da nossa querida Maurem, que gentilmente nos cedeu em epub e mobi, único livro em ambos formatos que possuo.

No Sony você pode rabiscar a tela, muito útil para revisar um texto, coisa que o kindle Touch não faz, mas ele lê textos em inglês em voz alta, função muito útil para quem está aprendendo a língua ou tem deficiência visual.

Com dois leitores tenho liberdade de escolha, posso comprar meus livros nos dois principais sistemas de DRM, sou leitor contumaz, de modo que um tablet não me serve, mas acredito que pela disponibilidade de tablets android custando menos de trezentos reais pos aí, podendo colocar programas que aceitam comprar de todas as fontes, esta será a opção do brasileiro que não é leitor freqüente, a tela é brilhante, a bateria dura pouco, mas é um leitor eventual, e antes de mais nada cabe no bolso, este será o fator decisivo. Aqui o e-reader ainda é muito caro, apesar de que lá fora é mais barato que a grande maioria dos tablets. Em termos de preço o Kindle touch, se compararmos a versão sem propaganda, e o Sony PRST1 estão na mesma faixa, o Sony aceita Adobe DRM o Kindle só o próprio, assim, o Sony é uma melhor opção ao brasileiro que pretende comprar nas lojas nacionais com preços absurdos. Ao outro lado, ninguém ainda compete com o Kindle 4 com propaganda a U$80,00, a não ser que precise de adobe DRM e queira privacidade nos seus documentos.

Alex

7 comentários:

  1. Ótimo texto Alex! Mas deixe-me fazer uma ressalva:

    Você dá a entender que com o Kindle não é possível ter acesso aos livros comercializados aqui no Brasil em ePub com DRM. Isso não é inteiramente verdade.

    Com ferramentas como o Calibre é possível facilmente converter de ePub para Mobi, quebrando o DRM é claro. Tudo perfeitamente legal se você comprou o livro.

    Fora isso, ótimo comparativo. Eu prefiro o Kindle não touch.

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    1. Por que você prefere o kindle não touch?

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    2. eu também prefiro. primeiro porque é o que eu tenho e é *muito* bom. de uma forma geral não gosto de touch, já tive o sony 600 e não gostei muito.

      []'s

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    3. Oi Alessandro,
      Concentrei-me apenas nas possibilidades que os fabricantes colocam nos readers, não nas possibilidades de terceiros, mas é só ver o blog que notará que tais fatos não nos passam despercebidos.

      Como o kindle touch não permite escrever nos textos acho a funcionalidade meio que desperdiçada, assim a principal vantagem em relação ao K4 é ter mais memória e autonomia de bateria, ao outro lado é mais pesado.

      Abraço,
      Alex

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  2. Nunca tive o sem ser touch. Mas estou adorando o touch. Ok acho que gostaria dos botões ao lado para a troca de página, não que me atrapalhe tocar a tela é bem simples, mas agora estou lendo na enquanto faço bicicleta na academia e tenho um pouco de receio de tocar a tela com o dedo suado.
    Os melhores pontos dele, para mim, é na hora de procurar alguma palavra no dicionário, apenas toco na palavra e ele abre uma box com a definição, e na hora de selecionar algum testo para compartilhar no face o adicionar uma nota.

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    1. Spallenza,
      No Touch acho interessante a possibilidade de tocar em uma palavra e abrir o dicionário, mas todos os e-readers que tive tinham esta possibilidade, assim não sei se usar o cursor para “tocar” a palavra é chato.

      Abraço,
      Alex

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  3. Oi Martha,
    Desculpe responder aqui, mas não uso facebook, interessante ter iniciado com o cool-er, como disse, o Sony caiu em minhas mãos meio sem querer, apaixonei-me, gostei da possibilidade de rabiscar as páginas, por isto ainda não dá para substituí-lo, mesmo com o reflexo chatinho.

    Abraço,
    Alex

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