sábado, 14 de janeiro de 2012

O que os Livreiros Brasileiros Deveriam Aprender com a Amazon.

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A Amazon tem se mostrado muito a frente no mercado mundial de e-book, batendo recordes atrás de recordes de vendas e satisfação dos clientes.
Por outro lado as livrarias brasileiras parecem estar cegas para esta realidade, os preços praticados chegam ao absurdo se cobrar mais caro pelo e-book que o livro impressos, e nem peçam para falar da qualidade do serviço.
A aparência que fica é que as empresas brasileiras são gananciosas e querem sempre ganhar o mais sem dar nada em troca.
Outra coisa que deve ser lembrada é que a própria Amazon e a Google, pretendem entrar no mercado brasileiro de e-book.
Se tudo continuar assim o que vejo é um futuro dominado por empresas estrangeiras e talvez até o fim de algumas grandes livrarias brasileiras.
Analisando todo este panorama decidi destacar os pontos que ao meu ver fazem a Amazon tão a frente dos seus concorrentes, vou analisar cada ponto e depois quero a opinião de vocês sobre o que estou levantando aqui.

1- Kindle não é um aparelho é um serviço.
Acredito que este seja o ponto mais importante do sucesso da Amazon, ela não apenas vende um aparelho, mas uma marca que se tornou referência de qualidade e eficiência quando se fala em e-books.
Além da gama de aplicativos para Android, Iphone, etc. ela oferece um serviço de armazenamento na nuvem gratuito, o que associado aos serviços de feed como o Klip.me aumentam em muito as possibilidades do aparelho. Sem falar nos serviços de assinatura, conversão, empréstimo, livros grátis, facilidade para assinantes do serviço "Kindle Owners' Lending Library", enfim uma infinidade de recursos que garantem uma excelente experiência de consumo.
Na verdade se observarmos bem os livreiros brasileiros podem até se aproveitar da eficiência da Amazon, basta criar um sistema de entregas de livros baseado no serviço de entrega de documentos pessoais, da mesma forma que o instapaper entrega os textos que você seleciona para ler depois.

2- Constante melhora do serviço.
Se não bastasse ela ter um serviço excelente ele está em constante evolução, a Amazon acaba de lançar um aplicativo "Send to Kindle" para windows e isto não é um caso isolado, constantemente temos novidades de novos recursos e serviços atrelados à experiência Kindle de consumo de e-books.

3- Fidelizar é mais importante que vender.
Aqui temos um outro ponto em que a Amazon é incomparável, e os dois pontos acima trabalham fortemente para isso, mas existem outros pontos que devem ser levados em consideração aqui.
Quando a Amazon lançou o Kindle Fire, todos os veículos noticiavam que seu preço de venda era mais baixo que o custo de produção. Além disso Jeff Bezos Presidente da Amazon lançou um comunicado que entre outras coisas dizia:
"Existem dois tipos de empresas: aquelas que trabalham duro para cobrar mais dos clientes, e aqueles que trabalham duro para cobrar menos dos clientes. Ambas as abordagens podem funcionar. Estamos firmemente no segundo campo."
Esta frase mostra como a preocupação com a fidelização é de extrema importância para a cia.
Um outro ponto que podemos considerar é a eficiência do seu serviço de atendimento ao cliente, a eficiência é tanta que algumas vezes a Amazon repõem o aparelho quebrado, mesmo se a quebra é decorrente de mau uso ou se a garantia esta vencida, um exemplo está aqui.
E ainda tem mais, todo livro que você compra na Amazon pode ser devolvido em até 7 dias, o que significa que se você pegar um livro mau escrito, ou uma resenha que se faz passar pelo livro o mesmo pode ser devolvido de maneira muito simples.

4- Preço justo é essencial.
Não dá pra cobrar mais caro por um livro eletrônico do que se cobra pelo livro impresso, do mesmo modo a diferença de preço entre o livro impresso e o digital não pode ser desprezível, sei que muitos podem dizer que nos livros americanos a diferença entre o impresso e o digital é muito baixa, mas temos que analisar bem esta situação:
Primeiro, o livro que tem preço próximo ao digital é o pocket, feito em papel jornal e com baixa durabilidade, diferente dos livros nacionais que são em geral impresso em papel couché ou outro de igual ou maior qualidade e preço, além disso o preço de saída do livro já é muito menor do que o livro nacional, ou seja mesmo o livro mais cara em capa dura é mais barato que o livro médio nacional, e se considerarmos a relação preço/salário mínimo, o contraste fica ainda maior.
Então o preço do livro no Brasil chega a ser indecente, o livro digital permite que o valor do livro seja mais justo, mas para isso é preciso um movimento por parte de editoras e livrarias. As grandes livrarias poderiam usar seu poder de barganha para pressionar as editoras a enviarem seus livros a preços menores, além disso ela mesmo poderia pensar em baixar um pouco o valor lucrado em cada livro, ele não terá custos com armazenamento e entrega. Não precisa ser um movimento do dia para noite faça um teste, coloque um livro popular de seu catálogo, não precisa ser lançamento, a um preço menor, veja o retorno que esta experiência irá lhe trazer.
Além de conseguir dados mais consistentes, o livreiro terá um case para mostrar em suas reuniões com as editoras.

5 - É preciso ser visionário.
Quando a Amazon lançou o primeiro Kindle o mercado de e-books era muito recente, as incertezas eram maiores que as oportunidades, mas Jeff Bezos não se intimidou com isso e foi cada vez mais melhorando o seu serviço de livros digitais, hoje os e-books vendem mais que livros físicos na Amazon e o mercado não para de crescer.
No Brasil, já estamos cansados de ouvir que o mercado é de menos que 1% que não vale a pena investir, mas este cenário se manterá assim? As verdadeiras oportunidades estão aí se formos esperar o mercado ficar "quente" para começar a agir, talvez não conseguiremos tempo para disputar com as grandes empresas internacionais.
A hora é agora e as grandes livrarias tem condições de enfrentar este mercado, se e somente se elas mudarem a postura conservadora que estão tendo.
Sei que existe uma grande preocupação pois o mercado de leitores em língua portuguesa é bastante limitado, e o pensamento de vender mais barato para mais pessoas pode parecer falacioso, mas acontece que a realidade tecnológica está mudando os paradigmas, então ou pensamos em novas formas de agir, fomentando o aumento da população leitora, ou nos restará apenas as migalhas deixadas pelas grandes livrarias multi-nacionais.

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