sábado, 28 de janeiro de 2012

Contos Digitais no Blog: Excesso de Liberdade?

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Vocês já devem ter notado que o blog lançou a proposta de editar contos de autores desconhecidos, é um banner que fica aqui ao lado, incomodando-lhes, e um post já quase perdido na imensidão de material que aflora no cotidiano de nosso universo. Esta não é uma experiência qualquer, pode parecer simples e despretensiosa, e é; mas reflete a imensidão de possibilidades que descortina-se na literatura digital. Mudar o livro do papel para tela não é só uma mudança de meio, mas uma mudança radical em todo o processo editorial desde a prensa de Gutenberg. Nós, que antes de mais nada, nos situamos como arautos da literatura digital, não podemos deixar de levar em conta a imensa liberdade editorial que vem no processo digital, e nos colocamos no lado oposto, o de editores digitais, apostando firme nas imensas possibilidades que este meio traz para a literatura e leitores.

É com base neste princípio que nos propomos à tarefa editorial de organizar uma coleção de contos, muitos nos cobram uma data limite para submissão de material, coisa de concursos literários, ou um tema para restringir o universo, para quê reduzir a liberdade? E assim a nossa simples proposição de certa maneira choca-se com o antigo mundo editorial. Nossa proposta não é um concurso ou competição, não precisamos escolher um melhor, mas sim escolher todos os textos que desejamos compartilhar com os leitores, desta maneira, não é algo que vai ter um ganhador independente da qualidade ou pertinência do material, como o são os concursos, que refletem apenas uma classificação sempre duvidosa entre os participantes: se o nível geral é ruim o ganhador não deixa de ser ruim, ele é apenas o melhor dos piores; e se o nível geral é bom, em teoria sobressai o melhor, em detrimento aos outros bons escritores. Como poderíamos colocar a competir Shakespeare, Victor Hugo, Tolstoi e Hemingway e anunciar um primeiro colocado. A bem da literatura, podemos publicar todo o material de qualidade que recebermos, nosso compromisso é com o leitor. Assim como podemos publicar em qualquer tamanho, de poucas linhas a milhares de páginas, coletânea de contos ou contos individuais, livros inteiros ou seriados, a depender do material que nos chegar às mãos; também não vamos publicar tudo que for enviado, ou nada publicaremos se não tiver mérito. Se já tiveram a curiosidade de ver quem escreve o blog, pode perceber que somos um conjunto plural com gostos variados, mas acredito que concordamos que em nossa pequena experiência editorial, os textos que devem ser publicados são aqueles que nos fazem querer dividir a literatura com os amigos, assim como fazemos com os textos que lemos e gostamos, é prazeroso partilhar literatura, e ao encontrar um bom livro, que nos empolgou, seja por qual motivo for, queremos partilhá-lo. Por mais diferenças que tenhamos entre nós, e acreditem quando digo que são muitas, concordamos que devemos levar a público o material que nos despertar este desejo.

O principal objetivo aqui é dar uma vitrine aos bons escritores desconhecidos, e também neste processo presentear e compartilhar com os leitores os tesouros descobertos. Escolhemos o conto, mas não o limitamos em tamanho, ficando este à discrição do autor, pois o conto é o meio mais desafiador para o escritor, pela sua brevidade as palavras devem ser bem escolhidas, as frases bem compostas, pois não vão perder-se na imensidão de outras frases. A maioria dos grandes escritores reconhece o conto como este meio desafiador e o consideram um excelente exercício da habilidade de escrever. Um bom contista, se tiver argumentos, será um bom romancista, mas o inverso não parece ser verdadeiro, pois o conto representa um desafio maior na destreza do escritor.

Até o momento recebemos relativamente pouco material em relação à visitação diária que recebemos, e em sua grande maioria, os contos são do tipo literário, aquele espécime de literatura que os metidos a escritor gostam de ler, mas que o público em geral evita como o diabo foge da cruz. E aqui vai um alerta, neste tipo de literatura, a linguagem é de suma importância, pois de certa maneira constitui o foco principal de interesse, ao contrário da literatura de gêneros, que vem da linhagem dos contadores de estórias, onde o enredo sobressai-se a escrita, o literário representa a continuação da tradição escrita, e o novo autor será comparado com todos os seus predecessores. Se é este o jeito que pretende escrever, aconselho o autor a desafiar os grandes escritores da história e ver como seu texto posiciona-se em relação a eles. Leia os grandes, desafie-os, e os vença; se for capaz. Nesta briga não existem segundos lugares, mas muitos primeiros.

Senti falta da literatura de gênero: policial, sci-fi, horror, e muitos outros, neste o autor deve concentrar-se em desenvolver uma boa estória, por mais que a linguagem seja importante, se o autor não adentrar na escrita literária, escrever apenas “ok”, sem grandes pecados, é o jeito de contar, junto com a estória que vão enredar o leitor. É mais simples na escrita e desafiador na arte de contar uma estória, criar um argumento original e crível para o leitor. Talvez nós brasileiros não tenhamos tradição neste tipo de escrita, mas sempre é tempo de iniciar, levando em conta a literatura mundial, bem prolixa em bons exemplos: Tolkien é um bom escriba e um bom escritor de gênero, já o Philip Pulman, Dan Brown, Rowling, são maus escribas, mas bons escritores de gênero, a linguagem não é o foco de seu trabalho, mas sim contar uma estória e nos maravilhar.

Aqui surge uma pergunta: Onde estão os bons autores da língua portuguesa? Mestres da pena e contadores de estórias os desafiamos a mostrarem aqui seus trabalhos, apareçam os que nunca tiveram possibilidade de apresentar-se ao grande público. Será que existem? Onde estão? Este espaço é seu, se assim o merecer!

Alex

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