sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Prós e contras do programa KDP Select

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A Amazon criou um novo programa de incentivo à publicação por meio da plataforma Kindle Direct Publishing. O programa se chama KDP Select e tem um orçamento estimado em US$ 6 milhões para o ano de 2012.

Lançado em dezembro de 2011 com uma verba mensal de US$ 500 mil, a ideia é fazer com que escritores independentes coloquem seus livros à venda exclusivamente para Kindle pelo KDP durante pelo menos 90 dias (leia-se: não pode publicar na Barnes & Noble para o Nook, no iTunes para aparelhos Mac ou no Smashwords em diferentes formatos eletrônicos).

Esses títulos estariam então disponíveis pelo sistema "empresta livro", semelhante ao funcionamento de uma biblioteca, no qual assinantes do programa Prime da Amazon poderiam pegar um livro emprestrado por mês gratuitamente. Ou seja, se você paga a taxa Prime de $79 por ano, além de não pagar frete em produtos selecionados no site, você também recebe uma série de benefícios, incluindo filmes e seriados gratuitos para assistir pelo computador ou outros dispositivos de distribuição multimídia, além de pegar emprestado um livro por mês para ler no seu Kindle.

A ideia parece boa para o leitor, mas o que acontece do outro lado, com os escritores? Em primeiro lugar, seus livros ficam restritos à venda pela Amazon somente para leitores Kindle. Quem não é usuário Prime paga o preço normal, mas quem tem certas regalias pode pegar o livro na "biblioteca" e ficar com ele durante o tempo que precisar, "devolvendo-o" para a Amazon antes de poder selecionar outro título, sendo que só é permitido pegar um livro emprestado por mês.

Muita gente já embarcou nessa no mesmo dia em que o programa foi lançado, já que prefere mesmo distribuir seus livros pela Amazon e/ou viram que as vendas provenientes de outras livrarias não rendiam tanto assim, portanto a exclusividade era justificada. Assim sendo, do ponto de vista do autor, quanto mais vezes o seu livro for emprestado durante o mês, maior a sua fatia daqueles US$ 500 mil. Apesar de não ganhar pelo esquema normal de royalties, já que não é efetuada a venda, você tem a oportunidade de receber comissão pela sua popularidade dentro da biblioteca.

Trocando em miúdos, aqui vai um exemplo:

  • verba mensal de US$ 500 mil
  • 100 mil títulos participando durante o mês
  • seu livro é "retirado" da biblioteca por 1.500 leitores
  • sua fatia é igual a 1,5% do total (1.500 / 100 mil = 1,5)
  • então você recebe US$ 7.500 pela sua participação só naquele mês


Porém, Steven Lewis, diretor do blog Taleist e autor do livro How to Format Perfect Kindle Books sobre como formatar livros para o Kindle, publicou seus argumentos contra o programa. "O valor de US$ 500 mil parece muita coisa, mas dividido por milhões de empréstimos não é tanto assim", Lewis explica.

Segundo o escritor, existem muitas variáveis e, como os valores envolvidos na equação poderiam mudar drasticamente a cada mês, o valor atribuído a um único título não permaneceria o mesmo. "Meu livro tem um valor. Eu coloco o preço no meu livro e os leitores concordam ou não com esse valor quando decidem comprá-lo."

Lewis também não gosta do fato de o programa dar a impressão aos leitores de que livros deveriam ser gratuitos. Seu maior temor é que a Amazon deixe de lado o modelo "um livro emprestado por mês" na tentativa de aumentar as regalias oferecidas aos usuários Prime, que poderiam então ter acesso a um acervo maior de títulos oferecidos a US$ 0, fazendo pressão então para que os não participantes no programa abaixassem seus preços para tentar atrair os leitores. Outra ideia que ele desaprova é a exclusividade, principalmente para livros que já conquistaram certa fama em diversas livrarias e que obrigatoriamente deveriam ser retirados de outros sites durante 90 dias para ficarem visíveis somente pela Amazon durante o período de qualificação.

Talvez a maior preocupação dele e de muitos escritores seja a popularização do modelo de empréstimo, do qual ele discorda. Se pensarmos em locadoras de vídeo, por exemplo, existe um número X de cópias disponíveis para o mesmo filme na lojinha ali na esquina de casa, então você precisa devolver o DVD (ou a fita VHS rebobinada, lembram?) dentro de um certo período de tempo para que outras pessoas tenham a chance de ver o filme. Com os livros eletrônicos, não ocorre a mesma coisa porque não existe um número limitado de cópias físicas. Além do mais, o livro disponibilizado para empréstimo tem exatamente o mesmo conteúdo daquele colocado à venda, então isso não incentivaria leitores a comprar sua cópia e pagar pelo preço estipulado pelo autor, já que um investimento de US$ 79 por ano para virar usuário Prime poderia representar grandes economias em longo prazo.

"Ao fazer parte do KDP Select, você só vai aumentar o valor do modelo Amazon Prime e restringir suas opção na hora de fazer a publicidade do seu livro", Lewis conclui.

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