segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O E-book é uma Festa

Aumentar Letra Diminuir Letra

Anos vinte, Paris, artistas e escritores convergem para a capital cultural do mundo, alguns para passar uns meses, outros já planejam anos, muitos a vida. As ruas sempre vivas da cidade fervilham de gente, de todos os níveis, de todo mundo; artistas maduros, aprendizes, jornalistas, escritores, curiosos, deslumbrados, moradores e turistas encontram-se nos cafés, restaurantes, praças e museus da cidade. Almas libertas fugindo da incompreensão de suas províncias natais, jovens em busca de sonhos, dirigem-se para aquele local específico, em busca de inspiração, interlocução. Dizem que se você viveu naquele meio, ele nunca mais te larga, viaja contigo, é uma festa móvel, acompanhando-te para onde for, plantando sementes em seu caminho que espalharão o espírito da cidade mais cosmopolita de seu tempo.

Construtores, pintores, atores, autores, poetas, jornalistas, golpistas, bêbados, encontram-se nos cafés, conversam, trocam idéias, conhecem grandes artistas, grandes pessoas, e os que conseguem ao mesmo tempo serem artistas e pessoas; o mestre encontra o aprendiz e logo estão trocando impressões do mundo, usando dos recursos da cidade para criar: os momentos de solidão necessários ao trabalho, os passeios pelas belas paisagens da cidade e o encontro com pessoas diversas vindas dos mais distantes cantos do globo. Do mais humilde ao mais rico, do miserável de espírito ao pobre de dinheiro, todos tinham acesso à cultura, naquele meio ela entrava em ti junto com o ar que respirava, não importando se estivesse ou não interessado, estar em Paris era uma educação compulsória, poderia não saber ler, mas conhecia o nome dos poetas e talvez ouvisse seus versos, muitas vezes do lábio do portador da pena que os escreveu.

Foi uma época mais simples, tempos mais ingênuos, onde o homem ainda ousava sonhar, vivia-se com pouco dinheiro, o mínimo do conforto, mas banhado em arte, paixão, vida. Mais do que nunca as pessoas estavam vivas, apreciando todos os momentos, independente de suas posses, vivia-se ao máximo em Paris, um modesto e honesto vinho nos bancos do jardim de Luxemburgo era mais saboroso que os caríssimos em um grande restaurante, a cidade pulsava com os que a sabiam apreciar.

Livros eram lidos, devorados, aos montes; discutidos, apreciados, criticados, cultivados. Mas não se engane, os habitantes não tinham enormes bibliotecas pessoais, quem estava de passagem não podia comprometer-se com o peso de alguns livros, não eram carregados nas bagagens, mas sim na memória, eram emprestados em bibliotecas particulares, para serem devolvidos e novamente lidos por milhares, o mesmo exemplar passou pelas mãos de Hemingway, Joyce, Fitzgerald e muitos outros, conhecidos e desconhecidos. Livros estrangeiros chegavam à cidade trazidos por viajantes que os esqueciam em seus quartos de hotéis e eram vendidos pelos funcionários da limpeza, para ter alguns francos a mais.

Não era barato viajar a Paris, mas o que a cidade tinha a oferecer, valia mais do que o dinheiro gasto com as passagens, para aqueles que buscavam a vida da cultura. O e-reader ainda não é barato, mas para quem gosta de ler, seu preço vale mais que a passagem, ele lhe permite viver a literatura mais intensamente. Quem hoje tem no Brasil um e-reader, o tem pois quer mais da literatura, já leitor ávido não deixou-se engessar com o estúpido fetiche do papel, são as palavras do livro que importam, não sua materialidade, pois só se leva aquilo que deixou do livro entrar em ti. O aparelhinho encarna o espírito, sem o peso do papel, os livros ainda são os mesmos da velha Paris, ou os novos do mundo inteiro, ainda livros, ainda palavras.

Alex

12 comentários:

  1. Oi Ale, gostei muito do seu texto, sempre fui devoradora de livros, mas agora que tenho um e-reader não troco a leitura dos e-books por nada, fazem parte do meu dia a dia e posso carrega-los para ler em todos os lugares. Eu também penso como vc o que importa é o contéudo, para alguns conhecidos que gostam de ler estava falando do e-reader e eles falaram nem pensar o livro tem cheiro e etc... mas eu sempre penso por mais que eu sempre gostei do cheiro dos livros novos o que importa é o contéudo, fora que para mim a experiência de ler em um e-reader, o kindle, foi única é maravilhoso, até vicia. rs.

    ResponderExcluir
  2. Oi ganhei um Kindle Fire, o novo tablet da amazon
    e estou com dificuldade de inserir aplicativos
    qdo tento comprar ele diz que meu pais nao esta disponivel.

    ResponderExcluir
  3. Mcoral vc não conseguira instalar aplicativos no Brasil, isso já foi dito pela própria Amazon, a única forma de instalar aplicativos no Fire é rooteando e instalando o android Marketing, ação que lhe tira a garantia do produto.

    ResponderExcluir
  4. Oi mmr,
    Não é incrível! Juntamos livros por uma vida e de repente toda esta acumulação de papel torna-se supérflua, o e-reader está separando quem gosta de ler de quem gosta de ter livros, e acredite, faz enorme diferença, ter livros sem ler é como colecionar qualquer tranqueira. Por sorte leio inglês, recuso-me a pagar os preços extorsivos do e-book brasileiro. Uma exploração.

    Abraço,
    Alex

    ResponderExcluir
  5. É isso mesmo! O e-reader é para quem gosta de LER não para quem gosta de TER livros na prateleira. Eu sempre fui viciada em comprar mais livros do que consigo ler, mas isso é porque eu frequento muitos sebos e não resisto quando vejo bons preços. O resultado é que tenho uma estante abarrotada e muitos livros na fila de espera. Até aí tudo bem, mas o grande problema é a "portabilidade" (ou a falta dela). Sair carregando livros pra todo lado é uma dificuldade para mim que já preciso andar com tantas coisas na bolsa. E aqueles livros grandões então... só dá pra ler em casa mesmo.

    Com o e-reader podemos sair pra todos os lados levando nossa biblioteca inteira! Acho que com meu kindle vou substituir o vício de comprar em sebos pelo vício de comprar na internet (dependendo dos preços, claro!). Mas a diferença agora é que conseguirei ler mais rapidamente e a fila de espera vai diminuir!

    Carolina

    ResponderExcluir
  6. Carolina,
    O projeto Gutenberg é uma perdição, e tudo em domínio público, livros caríssimos que por anos namorei nas livrarias, agora gratuitos, isto não é o máximo?

    Abraço,
    Alex

    ResponderExcluir
  7. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  8. Alex,

    Realmente, o projeto gutenberg é maravilhoso! E o melhor é que há opção de formatos diferentes, inclusive para o kindle. Tenho muitos livros baixados de lá e sempre indico para amigos.

    Temos que ter cuidado apenas com os sites de livros piratas, muitas vezes acabamos entrando num site desse procurando por livros de domínio público... sou contra a pirataria de qualquer tipo, acho que devemos combatê-la principalmente na internet onde é tão fácil e rápido clicar num botãozinho e baixar qualquer obra.

    Carolina

    ResponderExcluir
  9. Para um alérgico crônico o e-reader é uma benção dos céus. A ideia de ir a um sebo e comprar a primeira edição de sei lá qual livro pode parecer bem legal para muitos, mas para mim... os espirros que acompanham realmente não compensam.

    Decidi comprar um e-book quando tentei reler uma edição velha de Casa Grande e Senzala, larguei o livro nas primeiras páginas e fui procurar um PDF na internet.

    Se tivesse tempo, paciência ou dinheiro, digitalizava toda minha biblioteca, exatamente como fiz com os meus CDs

    ResponderExcluir
  10. Carolina,
    Muito do que já queria estava em domínio público e leio inglês, assim posso aproveitar dos livros do projeto Gutenberg e comprar em livrarias virtuais estrangeiras, mas no caso do Brasil, acho uma afronta os preços de ebooks, e a péssima qualidade do serviço, brasileiro sente-se otário com este abuso nos ebooks, portanto acredito que as editoras tem que melhorar preço e serviço se quiserem combater pirataria.

    Abraço,
    Alex

    ResponderExcluir
  11. Saulin,

    Não sou alérgico crônico, mas quando tenho que limpar meus livros fico duas semanas como que gripado, por conta do pó, infelizmente digitalizar tudo daria um trabalho insano. Atualmente se um livro não existe em digital, escolho outro que tenha digital, a não ser que seja essencial, não compro mais papel.

    Abraço,
    Alex

    ResponderExcluir
  12. Saulin,
    Eu nunca tinha pensado com a perspectiva de uma pessoa alérgica! Mais uma vantagem dos livros digitais!!

    Eu também me sinto "entupida" quando limpo meus livros na estante. Fora o trabalhão que dá.

    Amo todos os meus livros, adoro olhar as páginas, a capa... mas sou cada vez mais adepta do digital e argumentos como o seu me incentivam ainda mais.

    Carolia

    ResponderExcluir