domingo, 20 de novembro de 2011

A Pequena Estória do Conto

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Na escola peguei certa birra com o gênero conto, professores nos impingiram vários volumes da famigerada coleção “Para Gostar de Ler”, que todos nós alunos apelidávamos de: “Para odiar ler”; muitos irão contestar-me, não existe o “gênero conto”, pois conto significa apenas uma estória curta, contos de Tolstoi tem mais de duas centenas de páginas, outros contistas nem meia, gênero bem difícil de catalogar; mas posso afirmar, no Brasil, o conto virou um gênero, pois na categoria não há humor, policial, ficção científica, fantasia, é apenas o gênero conto. Stanislaw Ponte Preta escrevia estórias curtas, eram contos, mas desta maneira não eram chamados, assim como outros que também gosto: Conan Doyle, Poe, Lovecraft. Não sei quando este gênero conto brasileiro iniciou, mas era a definição de conto da escola e ainda hoje é o estereótipo predominante.

O conto já foi apenas a imprecisa definição de uma estória curta, com a explosão das revistas no século dezoito e dezenove, o espaço nas publicações para estórias curtas foi grande e serviu para início de carreira para muitos grandes escritores. A estória curta era o entretenimento dos periódicos e logo publicações especializadas apenas em estórias curtas proliferaram, eram estórias para se ler em “uma sentada”. Existiram publicações especializadas em estórias curtas de vários gêneros, sci-fi, policial, estórias românticas, até revistas especializadas em “contos literários”, algumas de muito prestígio, promovendo novos autores antes desconhecidos do grande público.

Com o tempo as estórias curtas foram desaparecendo, havia mais opções de entretenimento, o papel foi encarecendo, as matérias jornalísticas encolhendo em palavras profundidade e conteúdo, o espaço da estória curta desapareceu, restando quase que apenas o conto literário já estereotipado e a estória pornô.

É difícil saber se a explosão do conto deu-se pelo espaço dado à estória curta ou à profusão de autores, mas, eis que agora, com o e-reader, a fôrma literária embutida no papel desvaneceu, o meio eletrônico aceita sem preconceito todo tamanho de texto, de uma a milhares de páginas sem o aumento do custo de impressão, distribuição e toda cadeia física que a diferencia do papel, mas com o conforto e intimidade da leitura em papel.

O conto é uma grande fonte de entretenimento, por seu limitado tamanho pode encaixar-se nos momentos do dia roubados dos afazeres cotidianos, acho que está na hora das pequenas estórias policiais, ficção científica, fantasia e muitos outros gêneros que não seja apenas o conto brasileiro voltarem a circular, só é preciso quem as escreva com um mínimo de habilidade. É um formato difícil, exige do autor concisão e consciência, é um treino ideal para as grandes estórias.

Alex

5 comentários:

  1. Voce viu que no E Ink e no Fire dá pra pegar livros emprestados direto do site da Amazon???

    Quero no meu tbm...

    =/

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  2. Pegando carona na sua birra escolar, naquela época eu peguei bronca do Carlos Drummond de Andrade, que os professores nos enfiavam pela goela abaixo. Duvido que esses professores entendessem a poesia dele, e queriam que nós, adolescentes, que mal tínhamos vocabulário para entender o Jornal Nacional, desfrutássemos aquela linguagem indecifrável.
    O Machado de Assis, por exemplo, era difícil também, mas pelo menos um dicionário resolvia.
    Acho que esses professores não sabem ensinar Literatura mesmo...

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  3. Eu gosto bastante de contos, principalmente quando curtos e impactantes. Mas os procuro somente para me acompanharem em momentos de tédio em filas, ônibus, espera em recepções e coisas do tipo.

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  4. Anônimo,

    Peguei bronca do João Cabral também, o currículo de literatura na escola é mal pensado. Obrigam livros que alunos de pouca idade não tem maturidade para entender, com isto fazem com que muitos odeiem a leitura, é uma violência!

    Abraço,
    Alex

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  5. Anônimo #1 nós já comentamos sobre esse serviço da Amazon em http://kindle.blog.br/2011/11/kindle-owners-lending-library.html

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