sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Os e-books são caros por conta dos leitores!

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Calma, calma antes de me jogarem quatro pedras, deixe-me explicar este meu ponto de vista.
Sabemos que os livros eletrônicos são pouco vendidos no Brasil, com exceção de alguns exemplos como a biografia de Steve Jobs ou o livro "As Esganadas" do Jô Soares, as vendas de e-livros são quase inexpressivas.
Soma-se a isso que o principal e melhor veículo para leitura de e-books, os e-readers, são desconhecidos da maior parte da população brasileira.
Para termos idéia do tamanho da ignorância brasileira com relação aos e-readers, vamos pegar por base as pesquisas do google, afinal se espera que os usuários do ambiente virtual tenham um conhecimento de gadgets maior.
Esta pesquisa foi feito em 17/11/2011 pela ferramenta palavra chave do Google Adwords
Quando pesquisamos o termo e-reader temos 33.100 pesquisas mensais, para ereader 22.200, para livro digital 33.100, para e-books 201.000 e para ebooks 450.000.
Somando todos os termos temos 739.400 pesquisas mensais sobre temas relacionados aos e-readers, parece muito? vejamos então apenas a palavra tablet e obtemos 1.000.000.
Esta pesquisa pode não ser o melhor dos parâmetros, mas pergunte na rua se as pessoas sabem o que é um e-reader, pergunte no trabalho, na universidade, garanto que muitas pessoas desconhecem o termo.
Por conta disso as editoras e livrarias, ainda vêem o e-book como algo arriscado e investem pouco neles e os livros saem caros, aí caímos no efeito Tostines, "não vende porque é caro, é caro porque não vende".
Isso não é o bastante para culpar os leitores você me diria, e eu concordo, mas vejamos outro fato.
Se pesquisarmos por "Portuguese Editions" na Kindle Store e mandarmos listar por reviews, veremos que o livro em português com mais reviews é o "Quando Dois  Caminhos se Encontram" do  Guto Pinto, não sei se o autor é famoso em um nicho, mas este é o livro que tem mais reviews em português tendo 11 avaliações.
O livro "1822" de Laurentino Gomes, um dos mais vendidos em português na Amazon tem apenas 7 avaliações.
O que eu quero dizer é que o leitor de e-books está muito pacato, não está sendo um multiplicado de uma idéia que pode gerar benefícios para todos, porque além de permitir que os livros fiquem mais baratos, permite novos autores, permite que o sujeito que morra numa cidade distante encontre um livro difícil de achar nas livrarias.
Quero propor um desafio a você leitor, vamos tornar os e-readers mais conhecidos? Vamos tornar os e-books mais baratos?
Podemos até organizar uma compra coletiva de aparelhos da Amazon ou outro distribuidor, sem que ninguém leve lucro, e todos levem seus aparelhos.
O que acham deste desafio?

25 comentários:

  1. Paulo, que bom que seria se muitos pudessem vender o Kindle num preço justo aqui no Brasil, este de 299,00 vendido pelo Hotel Urbano é um bom preço, mas não tive a coragem de comprar infelizmente sou uma pessoa desconfiada devido a ser lesada algumas vezes em compras anteriores. Procurei um vendedor que comprei um e-reader tempos atrás e pedi para ele fazer o orçamento do kindle touch de $99 para ele comprar para mim no final ele deixou o Kindle por 426 e quis me cobrar a capa para o kindle que sai $39 doláres 189 reais, achei caro, infelizmente muitos cobram bem a mais. Fazer o que, como eles dizem eles vivem disso. Infelizmente comprar o kindle de terceiros ainda também sai caro, no mercado livre o preço sai acima de 500 para o touch, o melhor é torcer para que ano que vem a Amazon venha para o Brasil e eles vendam aqui num preço justo.

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  2. Ótimo post.
    Acredito que o incentivo deva vir principalmente do governo, através da redução de impostos e aquisição de e-readers para alunos de escolas públicas.

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  3. Paulo, ótimo post.
    Acho que, além disso, ainda se desdobra no fator "livro é status". Quem tem uma estante cheia de livros, no Brasil, inconscientemente tem status. É alguém que pode "gastar" dinheiro com "futilidades" (que todos sabemos não ser futilidade, mas necessidade).
    Portanto ebook não tem muita procura pelas pessoas acharem que só ler o livro e não tê-lo não dá o status que elas querem. Novamente a sociedade "coisificando" algo que deveria ser consumido pelo conteúdo e não pela forma.
    Mas isso dá pano pra manga demais ;)

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  4. Meu Kindle 4 de $79.00 saiu por R$ 260,00. Claro que foi uma encomenda justa. Só compro livro, em inglês mesmo, na Amazon, pois, como o colega postou bem no artigo, os preços aqui nas livrarias virtuais não têm como!... Os e-books aqui estão, sim, "Tostinesados", mas acredito que o Brasil vai seguir a tendência dos e-readers - como foi com os tablets - e logo as editoras vão dar conta disso.
    Quando recebermos em nossos lares os jornaizinhos das Casas Bahia, Lojas Cem, Magazine Luiza etc., veremos muitos anúncios de notebooks, tablets - como já ocorre -, e estarão acompanhados de bons e verdadeiros e-readers. Mais baratos, mais eficientes. Viva os e-!

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  5. acho que enquanto as livrarias brasileiras quiserem vender ebooks mais caro que o livro físico não vai pra frente mesmo, e nós que já temos vamos continuar digitalizando o que quisermos, é triste mas é real...

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  6. Penso um pouco diferente. Os e-livros são caros por que a indústria do livro assim deseja. Ou vc acha mp3 barato? É assim por que a grande maioria das empresas (editoras) no Brasil não se contenta em ter lucro normal. Empresa no Brasil acredita que lucro é acima de 50, 100% do custo final. É um problema cultural e de sistema mesmo. Existe o fato do novo. Livros eletrônicos ainda são uma novidade e, como tal, quem quiser consumir e ter acesso a eles vai pagar por essa "novidade".
    Por outro lado, acho que é um tipo de tecnologia sem volta, como o mp3, claro que sem o impacto que esse tipo de áudio causou.
    Os próprios tablets vão facilitar a popularização do livro eletrônico. À medida que isso for acontecendo os preços se acomodarão cada vez mais à realidade.
    Outra coisa, as pessoas precisam pegar gosto pela leitura. Leitura é hábito. Sei que já foi discutido aqui que o brasileiro lê pouco por que livro é cara e coisa e tal. Não creio nisso! Existem muitas bibliotecas nas cidades, projetos mantidos por empresas e pessoas, como eu, para estimular a leitura, através de doações de livros, etc. Quem realmente gosta de ler no Brasil pode ler. Infelizmente, a maioria não gosta. Não tem o hábito da leitura. Sei que livro, de maneira geral, é caro em nosso país.
    Mas existem, como já disse, muitas maneiras de ter acesso a eles. A questão é: muitos não se sentem estimulados, motivados a procurá-los. Simples assim!

    abs
    Carlos

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  7. Carlos, eu não creio, realmente, que brasileiro não leia porque livro é caro.
    Creio que há sim algumas pessoas que não lêem porque é caro (em cidades sem bibliotecas e tal), mas ainda assim, isso geralmente é só desculpa.
    O maior motivo é bem além disso. É questão de status, é questão de ter e ser - o que me dá mais status, o que me faz parecer mais legal, mais bacana.

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  8. ‎"Se pesquisarmos por "Portuguese Editions" na Kindle Store e mandarmos listar por reviews, veremos que o livro em português com mais reviews é o "Quando Dois Caminhos se Encontram" do desconhecido Guto Pinto, não sei se o autor é famoso em um nicho ou se os reviews são de amigos ou parentes, mas este livro que tem mais reviews em português, tem 11 avaliações", como assim, Paulo Carvalho, desconhecido? Guto é autor da KBR e vem de um tremendo sucesso independente em papel, se liga, Kindle Blog Brasil! E o 2º mais vendido atrás de Steve Jobs, isso apenas nas últimas 2 semanas, é o nosso "Domingo, o Jogo", 26 semanas na lista de mais vendidos.

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  9. Ah, esqueci de dizer, a KBR é 100% brasileira e o teto de preço em nosso catálogo, eu disse teto, é de US$5 na Amazon e R$12 nas nacionais.
    Aliás, o Domingo só perde para o 1º lugar há 2 semanas, porque antes era o topo da lista, foi o que eu quis dizer.

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  10. Noga, creio que seja óbvio, nenhum autor independente que publique principalmente em ebook é conhecido.
    Conhecido quer dizer "grande público" e, claramente, Guto Pinto não é conhecido.
    Se é um dos mais vendidos na Kindle Store brasileira, bem, legal, bom pra ele, mas isso não faz dele conhecido enquanto o grande público não o conhece.

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  11. Não existe desculpa ou razão para livro digital ser mais caro que livro impresso. Este precisa de papel, material pra fazer, custo de transporte, etc. Já o digital tem bem menos custos. Até posso entender que o livro digital no Brasil seja mais caro do que nos EUA, pelos motivos citados no texto.
    Praticar os preços abusivos como estão fazendo, além de não ajudar a popularizar o livro vai levar quem já tem hábito de leitura para a pirataria.

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  12. Noga como eu mencionei acho que ele tem seu nicho, e é forte nele, a questão que quero colocar é que as pessoas participam pouco, em momento algum quis ser ofensivo, mas se olharmos pro grande público, o Laurentino Gomes é mais "conhecido".
    Acredito que o livro dele seja ótimo, porque mesmo com amigos é praticamente impossível conseguir 11 avaliações boas.
    Peço desculpa se pareci leviano mas não foi essa a minha intenção e a KBR é um exemplo ótibo de editora antenada no futuro!

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  13. nao to falando que eu faço ou alguem faz,mas acredito que quando esses leitores cairem no gosto das pessoas,a maioria vai baixar livros piratas,nisso aumentando o valor para quem opta pelo e-book original.

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  14. João, existe um motivo, uma previsão do prejuízo com a pirataria. É muito fácil com o livro digital só uma pessoa má intencionada fazer um grande estrago nas contas das editoras, se ela comprasse um livro digital e disponibilizasse o arquivo num Megaupload da vida, divulgasse a oferta pirata num blog ou site que é tolerante a esse tipo de ação e divulgação e milhares depois fizessem o download.
    Se fosse mais barato evitaria isso? Quem garante? A cultura do "jeitinho" e do "vou me dar bem" está entranhada aqui nesse país até nos que podem pagar qualquer valor, não digo que sejam todos, mas o número não é pouco. É uma situação difícil de lidar, mas não tem volta, ou as editoras arriscam ou vão perder o bonde das mudanças.

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  15. anônimo pirataria tem com versão digital ou não, eles vendendo com esse preço absurdo só faz com que mais pessoas corram atras do pirata ao invés de comprar o deles...

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  16. Gabriel, é muito mais fácil fazer pirataria em massa, com grande prejuízo para editoras, com um arquivo digital do que com o livro em papel. Não nos esqueçamos da escala.

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  17. Como seria bom poder comprar livro originais diretamente no e-reader. Mas, como não é simples e nem barato, é necessário entrar em redes sociais e fazer todo um esforço para encontrar os títulos desejados de maneira pirata.
    Será tão difícil para enxergar que a facilidade impede a pirataria? Será que só a Amazon viu isso?

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  18. esse desconhecimento de e-readers no Brasil é patente: sempre que estou usando meu Nook ou o Kindle da esposa, aparece alguém com um "nossa, que chique, ele tem um tablet!".
    Acabo tendo que explicar as diferenças entre os aparelhos e as motivações de compra (looooooonge da ostentação pretendida pelo interlocutor). Depois dos esclarecimentos, poucos, na realidade, se mostram entusiasmados... até mesmo aqueles que têm um hábito maior de leitura. Acham prática a portabilidade de inúmeros livros no aparelho, mas desconfiam demais da tecnologia.

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  19. Rodrigo, acontece o mesmo comigo. E o entusiasmo diminui mais ainda quando eu digo que tem para vender por R$ 300,00 em sites de compra coletiva. Os olhos perdem o interesse na hora. Afinal, além de não ser tablet, não é caro. E se não é caro, não dá para se exibir. Logo, o interesse em ter um igual se esvai.

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  20. Eu acho que se os livros fossem mais baratos, seriam sim, mais comprados. Me recuso a comprar um livro digital por 40 reais, sendo o físico 50. Muitas vezes deixo de ler para não pagar 30 reais num livro que lerei uma vez só, apesar de estar interessada.

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  21. O que eu vejo é que o Brasil não está antenado no novo modelo de negocio que está ai , eles vão ter que investir em propagandas de produtos dentro de seu e book , isso mesmo , vão ter de colocar banners dentro dos livros digitais . E ai sim os livros começaram a baixar de preço

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  22. Eu topo o desafio da aquisição dos e-readers. Tenho um Kindle 4 e confesso que li MUITO MAIS dps que o adquiri.

    Confesso que esses e-readers (tablets), que estão sendo vendidos no Brasil, são desanimadores.

    Eu acredito que se o Kindle chegasse de vez no Brasil, muita coisa iria mudar...

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  23. Sim, os comentários são excelente e eu curti bastante... mas e a história de se juntar e fazer uma compra coletiva? ... Eu top :P ... Quero comprar um kindle, mas não estou disposto a pagar 500 pelo modelo mais básico :/ ... Já pensei no mercado livre, tem uns usados com preços legais... hmm...

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  24. Ola, bom, em relação a compra Coletiva, eu estou de apoio, qualquer coisa eu também anuncio no meu blog,

    Se quiserem fazer mesmo entrem em contato

    eddy@clubedosnerds.net

    Leitura é ótimo, e com tecnologia ainda melhor

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  25. O E-book gera uma revolução em termos de logística de venda, porque simplesmente acaba com a necessidade de livrarias, distribuidoras, transporte, etc. Então não deve ser uma decisão fácil para as editoras e demais empresas envolvidas.
    Só que eu acho que nossos empresários sempre optam pelo caminho mais conservador: vão testando o mercado a conta gotas, investindo um mínimo no novo nicho, oferecendo um catálogo pequeno a preços altos. Nem combatem a ideia dos livros digitais (até porque isto seria meio ridículo), nem assumem de vez algum prejuízo e investem agressivamente na ideia.
    Eu só fico me perguntando onde isto vai dar: já é possível encontrar centenas de livros, velhos ou recém lançados na internet pirateados (escaneados e convertidos em livros digitais), com qualidades sofrível, mas de graça. Chovem ofertas de tablets a preços razoáveis, e este já é um objeto de desejo de todas as classes. Acho que não vai tardar termos um massivo "mercado negro" de livros e revistas piratas, tão incontrolável quanto a pirataria de música. E daí pra frente, só prejuízo para todos (inclusive para a qualidade de nosso mercado editorial).
    O que acho que temos todos que aceitar é que a tecnologia mudou o mercado. Temos que nos adaptar ou cair fora. Adaptar vai implicar investimentos e ousadia: que tal vendermos não-lançamentos a R$ 10 ou R$ 15? tenho certeza que muita gente compraria, mesmo que por impulso, o que já seria o primeiro passo para a leitura.

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