sexta-feira, 11 de novembro de 2011

No confessionário com Dulce (updated)

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Já devo ter dito isso antes por aqui, mas é sempre bom frisar: não sou profissional da área literária, sou apenas uma leitora que aprecia os recursos oferecidos pela tecnologia e, por conta disso, faz uso da ferramenta "customer reviews".

Também quero deixar claro que a análise, embora esteja baseada no meu gosto pessoal, procurou se guiar por alguns aspectos bem específicos. Apresentarei aos leitores do blog minha percepção sobre:
1) a aparência do e-book (qualidade da diagramação, fonte, navegação);
2) a capa;
3) o processo de compra / download;
4) o enredo (verossimilhança, ritmo e efeito da estória sobre mim); e
5) a linguagem (correção, imagens... enfim, esse é o mais completamente subjetivo, pois dependerá daquilo que eu considero uma escrita "bela" e, esclarecendo... meu gosto prima por impacto, ausência de excessos e boas "imagens").

A "pontuação" obedecerá ao esquema das estrelinhas (de 1 a 5, sendo 1 ruim e 5 ótimo).

No caso de Confissões de Dulce, e-book que traz um único conto (19 páginas), a diagramação não tem nenhum problema sério, a fonte é adequada e a navegação funciona bem, mas também não se percebe uma preocupação estética maior. ***


A capa existe. Sei que para alguns poderá parecer bobo esse comentário, mas a verdade é que muitos dos e-books comercializados (e nem sempre por preços tão camaradas) contam apenas com o título e o nome do autor, e nenhum outro cuidado estético. A resolução da imagem, ao menos no formato Mobi deixa um pouco a desejar, mas é uma bela capa. Se analisada frente ao texto, não sei se ela converge com a imagem que me ficou da personagem. ****

O processo de compra na Amazon foi muito tranquilo, como costuma ser. No Smashwords, eu custei uns segundos até me localizar, a organização do site é menos intuitiva, mas é rápido e ainda tem a vantagem de disponibilizar o arquivo em diversos formatos. A única ressalva é que não há uma desrição do enquadramento da obra (conto, romance, poesia) nem uma menção clara ao fato de tratar-se de um único conto. ****

Quanto ao enredo, devo fazer a ponderação de que ignoro a história de Portugal no período de ambientação da narrativa, mas pude construir uma imagem da época que guarda verossimilhança e pouco importa se há relação estreita com os fatos reais. A narrativa em primeira pessoa traz a "voz" de uma mulher manipuladora mas honesta nos seus afetos, uma mulher com visão aguda sobre os bajuladores que orbitam seu esposo e futuro rei de Portugal. Nas reflexões de Dulce há o histórico de intrigas familiares, a paspalhice do marido, o despotismo do sogro, o carinho e fidelidade concentrados na tristeza pela decrepitude de um animal querido. O conto é como um retrato da personagem presa na história ***

Quanto à linguagem, de início a repetição da palavra "absurdo" ficou latejando na leitura como algo incômodo. No avançar do texto isso some e passa a ser símbolo natural da perplexidade e exílio de Dulce. Destaco um pequeno fragmento:
"Toda gente sabe que não se trata do cavalo. Todos sabemos que o cavalo nada vale, para Afonso, para Sancho, para Joana Aires, para Pero Vaz, para mim. O cavalo não vale nada, e todos o sabem muito bem, ainda que o não confessem. É absurdo. É completamente absurdo, mas é a verdade nua que todos conhecem e todos calam para dela fazerem as lanças e os punhais com que trazem por casa os jogos que praticam lá fora." ****

Avaliação geral: ****

O autor, Victor Domingos, é português. Possui outras obras publicadas, e já teve mais de uma obra premiada, incluindo este conto - Confissões de Dulce.
Quem quiser conferir a obra, poderá encontrá-la na Amazon, Smashwords ou iBookStore. E para o leitor do Kindle Blog Brasil que nos seguir aqui e na Fanpage e deixar um comentário neste post, disponibilizaremos um cupom de desconto na loja Smashwords como validade até 30/09.


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Não tenho restrições com gênero - conto, romance, novela - mas tenho certa preferência por narrativas curtas. Gosto de textos que perturbam, desacomodam (isso não é sinônimo de provocar nojo); atraem-me frases bem construídas, a beleza do texto, a precisão; a coerência e os finais abertos. A história em si costuma me importar pouco, dou mais atenção à forma de contar.
Dentre os autores que admiro e, porque não dizer, invejo, neste momento poderia citar: Cortázar, Poe, Machado, Clarice (sempre), Borges, Philip Roth (adoro Bolaño, mas na insana "disputa" inventada para eles, fico com o primeiro). Tenho muita disposição para ler iniciantes, mas não serei gentil, serei sincera como espero que sejam aqueles que porventura se disponham a ler o que produzo.

Escrito por Maurem Kayna

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