domingo, 30 de outubro de 2011

CBLD - Congresso Brasileiro da Leitura Digital (I)

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A PUC RS, em Porto Alegre sediou, no dia nacional do livro, um evento que discutiu, entre outros temas relacionados ao uso da tecnologia no mundo da educação e da cultura, o livro digital.
O Congresso Brasileiro da Leitura Digital vinha sendo planejado há um bom tempo e passou por várias reformulações na sua programação até se concretizar. Não foi possível acompanhar todo o evento, mas participei do painel que discutiu a inclusão digital de professores e de uma parte do painel sobre tecnologias digitais.

O debate sobre inclusão digital contou com Carlos Pinheiro (direto de Portugal, numa apresentação um pouco afetada por problemas de conexão); com Marcia Moraes, professora da PUC, Everton Rodrigues, engajado com a distribuição de conteúdo gratuito pela web e Galeno Amorin (presidente da Fundação Biblioteca Nacional).

Foram apresentadas informações sobre a realidade de Portugal quanto ao uso de recursos da informática na escola. Dois aspectos me chamaram a atenção: a pequena diferença de habilidade entre alunos de diferentes níveis sócio-econômicos e a ênfase colocada na disponibilização de recursos tecnológicos para as escolas. Mas o professor fez e solicitou uma reflexão quanto à questão de qual tecnologia realmente se presta para finalidades educacionais, apelando para que prevaleça o bom senso e que se avalie que nem tudo pode ser transformado em digital na educação, destacando ainda que é preciso estar preparado para cometer erros.

A professora Marcia Moraes falou da informática como instrumento de aprendizagem e destacou a estrutura disponibilizada pela própria PUC, contrapondo a análise de que os recursos da web não são reconhecidos como recursos de aprendizagem, o que pode levar à inferência de que também não estariam associados (pelos usuários) à leitura como a conhecemos fora do ambiente web.

Everton Rodrigues avançou no bloco com uma série de provocações sobre qual o tipo de inclusão é realmente necessária, para que devem servir as tecnologias e se essa nossa mega conexão é liberdade ou controle. Propondo que não se trate a inclusão digital de modo dissociado da inclusão social. A primeira não pode ser um fim em si mesma, mas uma ferramenta para a segunda. Nisso fecho com ele, mas divergimos um bocado sobre a visão apresentada do papel dos direitos autorais, mas isso pede um aprofundamento na discussão e um outro post para discorrer exclusivamente sobre o tema.

Galeno Amorin foi a fala que trouxe dados sobre os leitores brasileiros e sua relação com os livros digitais. Os dados são de 2008, mas todos foram recebidos como informação útil e nova.

Segundo Amorin, a humanidade acumulou até aqui 32 milhões de livros de todos os gêneros. No Brasil, somos 95 milhões de leitores com um consumo de 4,7 livros lidos por ano. Em contrapartida, há 77 milhões que simplesmente não leem.
Já em 2008 foram computados 4,6 milhões (3%) de leitores de livros digitais, sendo que 1/3 destes leitores lê diariamente, 1/3 semanalmente e os demais uma vez por mês. Ou seja, quem lê e-books, lê mais que a média.

Galeno trouxe dados de uma pesquisa realizada em quatro capitais do país e, resumindo drasticamente, os resultados apontam que os pesquisados rejeitam (ou rejeitavam) o livro digital pelo desconforto na leitura em computadores e pela afeição ao objeto livro, vendo no impresso um objeto sacralizado.


Os e-readers praticamente ainda não eram percebidos pelos leitores. Nos casos em que foi feita a "apresentação"dos e-readers, o leitor acabou sendo seduzido, fazendo-o reavaliar a possibilidade da leitura digital. Os que já conheciam dispositivos de leitura citaram a vantagem da capacidade de armazenamento, leveza e praticidade para transporte e o “apelo ecológico”, que já discutimos aqui e o próprio Galeno considera muito questionável. O caso é que, no fim das contas, havia forte empatia e aprovação aos dispositivos de leitura.

Porém, em seguida vem a reação ao preço e a tremenda confusão que há entre e-readers e tablets na percepção da esmagadora maioria nos leitores que ainda não mergulhou nesse universo.

A conclusão abordada no painel da manhã é de que um e-reader deveria custar entre R$ 200 e R$ 300, e que o preço dos livros digitais precisaria cair muito ainda (chegando a cerca de 25% do valor do impresso) para que possam conquistar espaço no mercado.

Outro consenso é o de que o mercado do livro deve se reinventar, como aconteceu na música. Mas ninguém tem real clareza do que seria essa reinvenção.

E você leitor, como avalia essas mesmas questões? Ao longo da semana trarei um pouco mais do que vi das discussões e do que encontrar de repercussões do evento.




Escrito por Maurem Kayna

Um comentário:

  1. Acho que a questão do preço foi claramente provada pela oferta da Apetrexo, noticiada aqui no blog, que vendia o Kindle 4 a R$ 299,00 e vendeu feito água. Tanto aqui quanto nos próprios sites vimos o volume de pessoas que compraram e acho que expandimos o mercado de e-readers nacionais grandemente. O que me faz pensar, por que as grandes vendedoras de livros e e-books não tentam subsidiar seus e-readers a preços bem mais baixos e lucrar nos ebooks, como a Amazon?

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