terça-feira, 18 de outubro de 2011

A Amazon pode acabar com as editoras?

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Talvez a notícia mais quente dos últimos tempos no mercado editorial, seja a que foi vinculada no New York Times deste domingo (16/10/2011) que foi replica ontem pelos principais meios de comunicação brasileiros.
Trata-se do fato de a gigante passar a atuar como editora, negociando diretamente com os escritores.
O plano é lançar 122 livros, tanto em formato físico como digital, apenas no próximo outono.
Algumas editoras já demonstraram estar aflitas com isso, temendo que a Amazon acabe com toda a cadeia produtiva da indústria literária, envolvendo editores, agentes e livrarias.
Pelo seu lado a Amazon diz que isto pode ser uma grande mudança na popularização de livros tal qual foi 600 anos atrás com Gutenberg, pois os únicos agentes necessários no cadeia editorial seriam o escritor e o autor.
Mas o que isso realmente significa? Será a Amazon o futuro "Grande Irmão"?
Nos chegamos a discutir um pouco do assunto na segunda edição do podcast
Talvez seja um exagero este alarde todo, mas um possível monopólio na publicação de livros é algo assustador, a liberdade de auto-publicação pode servir como álibi contra o medo de uma possível censura, embora nada impeça que do dia para a noite a Amazon adote uma política editorial mais restritiva.
Hoje isto tudo parece improvável, principalmente pelo fator comercial, a empresa ganha muito mais com a diversidade e liberdade do que ganharia sendo a "dona" da informação, além disso a internet é um organismo vivo que muda e se adapta muito rapidamente, fazendo com que o monopólio da circulação de informação seja praticamente impossível.
Mas e você o que acha desta história? Não esqueça que a Amazon a cada dia lhe conhece melhor e sabe de todos os seus gostos, isto é uma ameaça, ou ao contrário apenas instrumento de comodidade?

4 comentários:

  1. Ótimo texto Paulo.

    Hoje qual a verdadeira relevância das editoras? Lançar um livro em diversos mercados, pagar os custos deste investimento e torcer para vender muito.

    Mas este processo cai por terra com a internet. Não existe diferença de custos entre vender um livro digital no Brasil ou na China.

    A Amazon quando surgiu competiu com a Barnes & Noble e a Borders. Diferente da Amazon, as outras duas demoraram a entender o que significa internet. O resultado é que uma quebrou e a outra vem tentando se adaptar aos trancos e barrancos.

    Abs.

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  2. Vejo com bons olhos a possibilidade de a Amazon entrar nesse meio, pois tende a baratear mais ainda o conhecimento e propiciar que mais conhecimento seja divulgado mais rápido. Vai democratizar o conhecimento, mais cientistas, pesquisadores, escritores de ficção, etc..possam publicar suas ideias e conhecimento.

    Não vejo como problema a possibilidade de monopólio, pois a internet já é uma mídia aberta e não tem como a Amazon virar um BB. A internet teria de ser TODA fechada para isso acontecer, e não tem mais como, a não ser exceções, ficará eventualmente fechada em um ou outro lugar por questão ideológica local. Logo, qualquer pessoa ou editora de hoje ou uma nova amanhã poderá divulgar seu material na internet, e cobrando (ou não), ser concorrente da Amazon. Eu e qualquer um podemos fazer isso. A concorrência, a princípio, tende a ser maior num novo meio mais permissível. No meio tradicional a concorrência é (era) mais difícil.

    O lado negativo seria a Amazon baixar o "filtro" da qualidade. Se imaginarmos todo o lixo das teorias conspiratórias tendo a permissividade de virar livros facilmente, sem filtro, só porque tem milhões de mentes impressionáveis que comprariam o lixo, então nosso discernimento vai precisar ser mais exercido. Livros sobre o hoax de 2012, por exemplo, dá para publicar milhares frente a uma compilação dos milhões de "conteúdo" lixo que têm sobre o assunto na internet.

    Mas com certeza no geral penso que é uma ótima notícia, vai dar uma "mexida", assim como o iTunes mexeu com o mercado fonográfico tradicional.

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  3. Bom texto, Paulo.

    O ideal seria mesmo que os escritores vendessem diretamente aos leitores, cortando todo esse custo de intermediação que torna a remuneração irrisória para o escritor e absurdo o preço de compra para o leitor.

    Nessa onda de facilitação de conteúdos de mídia, acho que é possível.

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  4. Apoio totalmente esse eventual iniciativa da Amazon. O grande caso é que se os livros digitais lá (na Amazon) vendidos ainda são proporcionalmente mais caros (alguns casos, são realmente mais caros) em relação às versões impressas é justamente, na maioria dos casos, por conta das editoras, que têm que sustentar uma enorme cadeia de custos, bem como das grandes livrarias, com suas estruturas. O mercado tem dessas coisas, que são naturais. Vejam o caso dos discos. Quantas lojas exclusivamente para venda de discos ainda existem?

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