sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Semana dos Livros Banidos - Banned Books Week

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Boa noite amigos. No  KBB muitas vezes nós falamos de questões políticas, econômicas ou culturais. Mas existe um evento nos EUA, chamado Semana dos Livros Banidos e eu queria repostar dois posts que eu fiz ano passado para esse evento.
É isso que vocês ouviram (leram). Livros banidos. Vocês conseguem pensar em coisa mais horrível do que alguém lhes dizer que vocês NÃO PODEM ler livro x ou y porque ele possui cenas muito violentas ou muito sexo?

Então olha só: quem está dizendo não é seu pai e sua mãe – que devem sim prestar atenção no que os filhos lêem e devem sim censurá-los se acharem necessário – mas a bibliotecária, o diretor da escola, alguns políticos: pessoas que nunca leram tal livro, mas OUVIRAM FALAR que tem uma cena assim e assado. Pois isso acontece com frequência lá com os nossos amigos norte-americanos.
Por isso, a ALA (Associação das Bibliotecárias da América) organiza, anualmente, a Banned Books Week ou Semana dos Livros Banidos, que é uma semana para comemorar e promover a liberdade de ler e acontece sempre na última semana de setembro.
Aqui no Brasil, não temos muitos livros banidos, aliás, consegui achar pouquíssima informação sobre esse assunto, exceto que o Mein Kampf de Adolf Hitler foi banido a pedido da embaixada Alemã, mas foi banido em quase todo o mundo ocidental. Apesar de ainda assim achar errado (não é por compreender as ideias que iremos segui-las) entendo a ameaça que isso pode constituir para a sociedade (neo-nazismo e tudo).
Mas nos EUA, andam banindo livros sobre violência, sobre estupro, sobre drogas. Livros que retratam os horrores da vida, tal e qual no noticiário das 8.
Um desses livros banidos é Speak de Laurie Halse Anderson, um livro sobre uma menina que é estuprada no Ensino Médio e não conta para ninguém e acaba se afastando de todos e como ela finalmente lida com o trauma. É um livro que poderia ensinar muito às adolescentes, como evitar abusos deste tipo, como lidar com eles… Mas por ter duas cenas de estupro, foi chamado de “levemente pornográfico”. Pornográfico? Pornografia é feita para excitar. Se a pessoa sente isso em relação a cenas de estupro, devo dizer que o problema é ela, não o livro.
Na lista de livros mais “challenged” (desafiados, quer dizer que alguém ou algum grupo tentou remover o livro de algum lugar, não necessariamente conseguiu) estão vários conhecidos nossos, entre eles, Crepúsculo, por material “muito explícito“.
Oras, me desculpe, mas a Saga Crepúsculo não é o maior discurso para sexo apenas após o casamento e com muito amor e comprometimento que alguém já leu? Aliás, chega a ser piegas, muitas vezes. Mas ainda assim essas pessoas acham “muito explícito”. Será que eles leram? Ou alguém apontou algumas páginas e disse: “olha aqui um pedaço muito explícito”?
Na ALA há uma lista, por ano, dos 10 livros mais desafiados. Veja AQUI a lista de 2009. É triste ver que um dos motivos para os livros serem banidos é… “Homossexualidade”. É, assim, sem mais nem menos, sem nada explícito, apenas por ter personagens homossexuais muitos livros são removidos de escolas de Ensino Médio, bibliotecas públicas e até faculdades.
Alguns grupos estão promovendo doações de muitos desses livros banidos, vários blogueiros estão dando cópias dos livros e livrarias estão fazendo setores com decoração especial para esses livros (Veja alguns de 2010 aqui).
Mas o que você pode fazer? A ALA sugere que se faça grupos de leitura de livros banidos, que se doe livros banidos para outras pessoas, que se fale em blogs, explicando o que é a Semana dos Livros Banidos ou falando sobre algum dos tais livros banidos. Apesar de esse problema não ser tão forte no Brasil, eu faço um apelo para que nossos amigos e leitores ao menos tomem algum tempo, dêem uma olhada na lista e pensem sobre o assunto.
Pense por si só e deixe os outros pensarem também.

Ou  "Liberte sua mente - leia um livro banido".








Texto originalmente publicado no Sobre Livros.

4 comentários:

  1. E ridículo ver a censura que tenta se impor na justificativa de uma moralidade inexistente dentro da cultura americana. Enquanto se proíbe livros, proliferam séries televisivas cada vez mais violentas e polêmicas. Falar que Dexter é uma série dentro de padrões de moral e bons costumes é não enxergar um palmo diante do nariz. Proibir livros sobre homossexualidade pode, mas deixar livre na TV a série "The L World" também pode ?? Que contradição... Ou será que a indústria do entretenimento televisivo é muito mais forte que o mundo editorial ? Realmente é bom pensar....

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  2. Lembrei de quando aparecia na tela da Tv (p&b, 12 ") aquele aviso da censura federal, sinalizando qual a idade para a qual um certo programa estava liberado. Claro que naquele tempo as televisões ainda não tinham o poder econômico que tem hoje (e não havia TV a cabo no Brasil), mas o caso é que independente do meio ao qual se aplique, censura é sempre nocivo sob muitos aspectos. Que o livros circulem com a mesma liberdade que qualquer série da TV paga ou aberta, e que o discernimento de cada um escolha e absorva aquilo que lhe convenha, segundo seus próprios valores.

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  3. Algumas vezes a perseguição aos livros traz grande propaganda, quando o Harry Potter era desconhecido, foi a implicância com um livro que ensinava as crianças a fazer bruxaria em uma escola para bruxos que o tornou mais conhecido. E o Código Da Vince? Ficou conhecido pela polêmica com o Vaticano, os livros anteriores do autor, com a exata mesma fórmula nunca fizeram tanto sucesso. O Salman Rushdie? Ao mesmo tempo que passou um mau bocado, teve incrível propaganda para seus livros. O incrível é que censura é sempre alguém que não quer que os outros leiam o livro, alguém que quer lhe impor o que ler ou não ler, a recusa de publicação não seria uma forma de censura branca?

    Abraço,
    Alex

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  4. Alex, você tem razão, realmente a recusa de publicação é uma censura branca.
    Aqui não temos tanto a censura direta, pós publicação, mas a censura das editoras é muito mais forte.
    Acho que essa discussão dá muito pano pra manga... Mas mesmo só fazer as pessoas pensarem já é um avanço ;)

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